Ensaio clínico de tratamento do Ebola Bundibugyo começa na República Democrática do Congo, diz OMS
Ensaio clínico de tratamento do Ebola Bundibugyo começa na República Democrática do Congo, diz OMS
Reuters
02/07/2026
Por Mariam Sunny e Jennifer Rigby
2 Jul (Reuters) - Um ensaio clínico de tratamento para o surto de Ebola da cepa Bundibugyo na República Democrática do Congo teve seu primeiro paciente nesta quinta-feira, marcando um marco nos esforços para combater a epidemia, disse aos repórteres o diretor-geral da OMS, dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus.
Tedros, no entanto, citou um ataque a um centro de tratamento do Ebola na província de Ituri, no qual duas pessoas morreram, como um sinal das dificuldades contínuas no combate à propagação da doença.
“Apesar de todo esse progresso, continuamos enfrentando desafios significativos, incluindo desconfiança e violência”, disse o diretor-geral da OMS.
Atualmente, não há vacinas ou tratamentos aprovados para a cepa Bundibugyo do Ebola, que já causou mais de 1.400 casos na RDC, com 438 mortes.
A RDC registrou uma média de 38 novos casos confirmados por dia nas últimas duas semanas, disse Tedros.
O ensaio, que pode levar meses para ser concluído e inclui mais de 1.000 pacientes, avaliará o anticorpo experimental MBP134 da Mapp Biopharmaceutical como tratamento isolado para o Ebola Bundibugyo, bem como em combinação com o remdesivir, medicamento antiviral da Gilead Sciences , informou a Organização Mundial da Saúde.
Há estoque suficiente de medicamentos para os ensaios, segundo a OMS, que informou estar em negociações com os Estados Unidos — que doaram lotes de MBP134 — e com a Gilead para garantir que os pacientes tenham acesso aos medicamentos após os ensaios, caso se comprove que são seguros e eficazes.
A Gilead informou nesta quinta-feira que doou mais de 2.000 frascos de remdesivir para o ensaio, além dos 2.000 frascos que forneceu para uso de emergência em junho.
O diretor-geral da OMS também afirmou que outras vertentes da resposta estavam apresentando melhorias: atualmente, há 10 laboratórios capazes de realizar testes para o Ebola, e estão sendo realizados acompanhamentos em quatro em cada cinco contatos, embora ainda seja necessário identificar mais contatos por caso.
A capacidade de tratamento também se expandiu, com 650 leitos disponíveis, dos quais cerca de 96% estão ocupados atualmente. Tedros disse que a OMS e seus parceiros estão trabalhando para adicionar mais 300 leitos.
Separadamente, a OMS também declarou encerrado o surto de hantavírus relacionado a um navio de cruzeiro, depois que o último contato identificado de uma pessoa exposta completou a quarentena e apresentou resultado negativo para o vírus.
O surto, que infectou 13 pessoas e causou a morte de três, envolveu o vírus Andes, uma cepa rara de hantavírus que normalmente circula na Argentina e no Chile.
Reuters

