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Equinor inicia perfuração em Raia e prepara poço exploratório no Sul de Santos

Equinor inicia perfuração em Raia e prepara poço exploratório no Sul de Santos

Reuters

24/03/2026

Placeholder - loading - Veronica Coelho, presidente da Equinor Brasil, fala durante uma entrevista à Reuters, no Rio de Janeiro, Brasil 12/03/2026 REUTERS/Pilar Olivares.
Veronica Coelho, presidente da Equinor Brasil, fala durante uma entrevista à Reuters, no Rio de Janeiro, Brasil 12/03/2026 REUTERS/Pilar Olivares.

Atualizada em  24/03/2026

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 24 Mar (Reuters) - A norueguesa Equinor iniciou nesta terça-feira a campanha ​de perfuração de poços produtores e injetores do projeto Raia, no pré-sal da Bacia de Campos, em um passo crucial para viabilizar o início da produção em 2028, quando o ativo deverá suprir 15% da demanda brasileira de gás natural.

O marco se dá enquanto a petroleira intensifica estudos exploratórios no chamado Sul da Bacia de Santos, onde já planeja um poço para 2027 e está otimista com a abertura de uma nova fronteira mais ao sul da importante bacia petrolífera, disse a presidente da companhia no Brasil, Veronica Coelho, em entrevista à Reuters.

O início da campanha em Raia, que ainda não havia sido publicado, contará com o navio-sonda Valaris DS‑17 e inclui a perfuração de seis poços, em duas etapas -- quatro conectados inicialmente, seguidos de dois adicionais, disse Coelho. Ao todo, serão quatro poços produtores, um injetor e um flexível, que poderá atuar como produtor ou injetor.

Será o segundo empreendimento de grande porte a ser desenvolvido por uma empresa estrangeira como operadora no pré-sal brasileiro, segmento amplamente liderado pela Petrobras, que geralmente ⁠conta as pares como parceiras ⁠coadjuvantes.

O primeiro também foi da Equinor, com o início da produção ​do campo de ‌Bacalhau, no pré-sal da Bacia de Santos, no ano passado, cuja produção ainda está restrita a dois poços e seguirá em crescimento.

'Somos muito orgulhosos de ser a primeira empresa IOC (sigla em inglês para petroleira internacional) que desenvolve um projeto de pré-sal; e agora dois', disse Coelho, ao receber a Reuters no escritório da empresa no Rio de Janeiro, acrescentando que 'o Brasil é hoje o país, depois da Noruega, onde mais investimos'.

Coelho evitou comentar impactos da escalada de conflitos ⁠no Oriente Médio ou das medidas do governo brasileiro para conter alta de combustíveis, incluindo uma nova taxa de exportação de ​petróleo. Ela afirmou que o Brasil é um 'verdadeiro microcosmo' da estratégia global da companhia em um único país, com reservas de óleo e gás de classe ​mundial e abundantes recursos climáticos para energias renováveis.

Ainda assim, ressaltou que o Brasil compete com outros ‌países dentro do portfólio internacional da Equinor. 'Investimentos ​de ⁠grande porte, como os nossos, exigem previsibilidade, estabilidade e pleno respeito aos contratos. Estamos avaliando os impactos da recente medida (do governo) e mantendo diálogo com a indústria, o Congresso e representantes do governo', afirmou.

Com cerca de US$9 bilhões de investimentos, Raia terá capacidade de produzir diariamente de 16 milhões de metros cúbicos de gás e cerca de 126 mil barris ​de líquidos, entre óleo e condensado.

A Equinor é a operadora de Raia, com 35% de participação, e tem como parceiras no projeto a Repsol Sinopec (35%) e a Petrobras (30%). O projeto possui reservas recuperáveis de gás natural e óleo/condensado superiores a 1 bilhão de barris de óleo equivalente.

O empreendimento inclui um navio-plataforma de produção de óleo e gás em construção pela Modec, que deve deixar o estaleiro Cosco, na China, no início de 2027. A embarcação do tipo FPSO utilizará ciclo combinado para geração de energia e ​contará com processamento offshore de gás, permitindo emissões estimadas abaixo de 6 kg de CO₂ por barril, frente a uma média global de cerca de 17 kg, segundo Coelho.

Raia contará ainda com um gasoduto de 200 km até Macaé (RJ). 'É a primeira vez que um gasoduto desse tamanho é fabricado praticamente só com aço brasileiro', afirmou. A parte terrestre da infraestrutura será conectada à rede de transporte de gás da NTS, próxima ao terminal de Cabiúnas.

EXPLORAÇÃO NO SUL DE SANTOS

Além de Raia, a Equinor intensifica sua atuação no Sul da Bacia de Santos, considerada uma nova fronteira promissora. A empresa se prepara para perfurar um poço exploratório no bloco S-M-1378 em 2027 e avalia a perfuração no bloco S-M-1617, a cerca de 60 km de distância.

'Em nenhum dos dois (blocos) a gente tem compromisso de poço, compromisso de programa exploratório mínimo, mas a gente ​está, de qualquer maneira, trabalhando com interpretação de dados sísmicos e preparando para perfurar o primeiro no 1378, ano que vem... é um sinal concreto do nosso otimismo', afirmou.

O interesse ‌é reforçado por uma descoberta recente da BP no bloco Bumerangue. 'Temos ⁠um vizinho inglês ali, que está celebrando muito a descoberta deles, vizinho da nossa licença, e a gente está feliz com a descoberta deles também', afirmou Coelho, destacando que o avanço pode consolidar uma nova área do pré-sal mais ao sul de Santos.

A executiva ressaltou ainda que a estratégia da Equinor tem sido maximizar valor ⁠em regiões onde já atua.

A empresa também adquiriu blocos próximos de Raia, sendo Itaimbezinho (100% Equinor) e Jaspe (operado pela ⁠Petrobras). 'Se Jaspe for um novo desenvolvimento 'greenfield', com uma nova planta de produção, a gente ⁠já consegue otimizações ali também, mesmo ⁠sendo ​operado pela Petrobras. E se não for volume suficiente para ser um novo FPSO... a gente consegue otimização através de 'tiebacks' e conexão com a planta já instalada', afirmou.

(Por Marta Nogueira)

Reuters

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