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    Especialista critica dados do setor aéreo sobre Covid-19

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    13/08/2020. REUTERS/Luisa Gonzalez

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    Por Laurence Frost

    PARIS (Reuters) - Uma campanha de grandes grupos de aviação para convencer o mundo de que viagens aéreas são seguras foi questionada por um dos cientistas cuja pesquisa foi usada na estratégia de promoção.

    O infectologista norte-americano David Freedman afirmou que ele se recusou a participar de uma recente apresentação realizada pela Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata) com as fabricantes de aviões Airbus, Boeing e Embraer, que citaram seu trabalho.

    Embora ele tenha elogiado algumas descobertas da indústria como 'encorajadoras', Freedman disse que uma das principais afirmações da apresentação, sobre a baixa probabilidade de se contrair Covid-19 em aviões, foi baseada em 'matemática ruim'.

    A apresentação de 8 de outubro à imprensa citou um número de casos de infecções contraídas em voos, citado em estudos científicos ou por companhias integrantes da Iata, e o comparou com o número total de viagens de passageiros neste ano.

    'Com apenas 44 casos potenciais identificados relacionados à transmissão dentro de voos entre 1,2 bilhão de viajantes, isso significa 1 caso para cada 27 milhões', disse o assessor médico da Iata, David Powell, na apresentação.

    A Iata afirmou que os dados 'estão alinhados com os baixos números reportados em recentes estudos de Freedman e Wilder-Smith que foram revisados por seus pares'.

    Mas Freedman, que é coautor de uma pesquisa publicada no Journal of Travel Medicine, criticou o cálculo de risco da Iata porque o número de casos confirmados não tem relação direta com o número real desconhecido de infectados.

    'Eles me queriam naquela coletiva de imprensa para apresentar as coisas, mas eu me coloquei contra o título que eles colocaram nela', disse o acadêmico da Universidade do Alabama.

    'É matemática ruim. 1,2 bilhão de passageiros em 2020 não é um denominador justo porque quase ninguém foi testado. Como você sabe realmente quantas pessoas foram contaminadas?', questionou o infectologista. 'A ausência de evidência não é evidência de ausência.'

    A Iata mantém que seus dados são 'relevantes e têm credibilidade' e que isso é um sinal de baixo risco de se contrair Covid-19 em viagens de avião, disse um porta-voz da entidade.

    A parceira de Freedman na pesquisa citada pela Iata, Annelies Wilder-Smith, da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, não pode ser contatada de imediato.

    Escrito por Reuters

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