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    Esperança para as crianças em meio à guerra civil em Camarões

    Separatistas lutam pelo seu próprio Estado chamado de Ambazônia, e o conflito contra o governo francófono força o fechamento de escolas no território disputado.

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    Veja também: Alemanha inicia vacinação contra a COVID-19

    Transcrito:

    Local: Numba, Camarões

    Gladys Lum (Tia de Nsoh): “Depois de vivenciar isso por quatro anos, [Nsoh] sabia onde se esconder quando [as pessoas] estivessem atirando. Neste dia, ele foi se esconder com sua vó. Essa explosão com a granada... Eles estavam lá esperando a criança sair e ‘bang’, aconteceu. Até quando isso vai acontecer? Até quando?”

    Nsoh, de 8 anos, foi morto por uma granada na frente da casa de sua família. As crianças pagam o preço pela guerra civil em Camarões. Desde 2016, os separatistas lutam contra o governo francófono de Camarões após ele exigir que o francês seja usado pela minoria de língua inglesa. Anos de conflito destruíram ou fecharam muitas escolas, impedindo a educação de mais de 600 mil crianças.

    Roland Arrey (Padre): “A verdade é que ninguém realmente se importa, é muito doloroso. Para ser honesto, você não pode expressar isso. Além da estrutura física, a estrutura humana é destruída. Como uma comunidade como esta constrói um futuro com crianças que não vão à escola?”

    Padre Arrey oferece educação na área do conflito: ele construiu uma escola para crianças e adolescentes.

    Roland Arrey (Padre): “Estamos tentando dar a eles uma luz, você sabe, o básico do que você precisa na vida: leitura, escrita e aritmética”.

    Estudantes frequentam a escola três vezes por semana

    Roland Arrey (Padre): “Eles viram a guerra, as armas e as pessoas usarem o poder de uma forma muito irresponsável. Se alguém não usa sua vida de uma maneira muito útil... ...a própria vida perde o sentido, perde o gosto. Você não pode fazer nada com isso, porque não há valor nisso. Portanto, um centro como este é realmente uma bênção. Acho que já estamos fazendo a diferença”.

    Os separatistas dizem que os militares são responsáveis por atacar várias escolas, mas nenhuma das partes está preparada para entrar em negociações para colocar um ponto final no conflito.

    Roland Arrey (Padre): “Já vi militares e meninos brutalizarem as pessoas. Eu os vi fazer coisas que são realmente desumanas. Eles não se importam. Eles falam com as pessoas e tratam as pessoas do jeito que querem. É uma pena que temos pessoas que estão interessadas apenas em si mesmas ao invés de sua comunidade. É por isso que estamos sofrendo”.

    Poucas pessoas na região ousam falar tão abertamente. Padre Arrey sabe que falar abertamente pode coloca-lo em perigo, mas continua esperançoso e tem grandes planos: ele agora quer construir centros semelhantes em outras vilas da região.

    Escrito por DW

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