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“Eu não vi nada”, diz Bill Clinton aos parlamentares que investigam Epstein

“Eu não vi nada”, diz Bill Clinton aos parlamentares que investigam Epstein

Reuters

27/02/2026

Placeholder - loading - Bill Clinton aparece ao lado de Jeffrey Epstein nessa foto divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA, em 19 de dezembro de 2025 Departamento de Justiça dos EUA/Divulgação via REUTERS
Bill Clinton aparece ao lado de Jeffrey Epstein nessa foto divulgada pelo Departamento de Justiça dos EUA, em 19 de dezembro de 2025 Departamento de Justiça dos EUA/Divulgação via REUTERS

Por Richard Cowan

27 Fev (Reuters) - Bill Clinton disse a parlamentares nesta ​sexta-feira que “não viu nada que o fizesse hesitar” quando passou algum tempo com Jeffrey Epstein, enquanto o ex-presidente prestava depoimento a portas fechadas sobre sua relação com o falecido criminoso sexual.

Em uma declaração preparada, Clinton disse ao Comitê de Supervisão da Câmara dos Deputados que não teria voado no avião do falecido financista se soubesse sobre seu suposto tráfico sexual de meninas menores de idade e que o teria denunciado se soubesse.

“Só estamos aqui porque ele escondeu isso de todos tão bem por tanto tempo”, disse Clinton.

O ex-presidente voou no avião de Epstein várias vezes no início dos anos 2000, depois de deixar o cargo e antes da condenação de Epstein em 2008 por solicitar prostituição de uma ⁠menor. Milhares de ⁠documentos divulgados pelo Departamento de Justiça incluem fotos ​de Clinton ‌com mulheres cujos rostos foram ocultados.

“Não vi nada e não fiz nada de errado”, disse Clinton.

Seu depoimento segue o de sua esposa, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que disse ao painel na quinta-feira que não se lembrava de ter conhecido Epstein e não tinha nada a compartilhar sobre seus crimes sexuais.

Ela disse ⁠que também foi questionada sobre Ovnis e uma teoria da conspiração de 2016 durante a ​sessão de sete horas.

O presidente republicano do painel, o deputado James Comer, disse que perguntaria ao ex-presidente ​sobre as fotos divulgadas pelo Departamento de Justiça. O comitê também ‌deve questionar Clinton sobre o ​envolvimento de ⁠Epstein com a fundação de caridade do casal.

Comer disse que o vídeo do depoimento de Hillary Clinton pode ser divulgado já nesta sexta-feira. Comer afirmou repetidamente que os Clinton não são acusados de irregularidades.

Eles concordaram em depor perto de sua residência ​principal em Chappaqua, Nova York, depois que a Câmara ameaçou considerá-los em desacato ao Congresso por se recusarem a cooperar. Alguns democratas apoiaram a medida.

Os Clintons acusam os republicanos de conduzir uma ação partidária destinada a proteger Trump do escrutínio, observando que outros envolvidos na investigação foram autorizados a apresentar declarações por escrito em vez de depor ​pessoalmente.

Os democratas dizem que o painel também deveria intimar Trump, cujo nome aparece com frequência nos arquivos relacionados a Epstein, bem como o secretário de Comércio, Howard Lutnick, que admitiu ter visitado a ilha particular de Epstein. Trump conviveu bastante com Epstein nas décadas de 1990 e 2000 e diz que rompeu relações antes da condenação de Epstein em 2008. Comer descartou a participação de Trump.

“Eu não gosto de vê-lo ser intimado a depor”, disse Trump sobre Clinton. “Mas eles certamente foram muito mais atrás de mim do que isso.”

Os democratas também estão acusando o Departamento de Justiça ​de Trump de ocultar registros de uma mulher que acusou Trump de abusar sexualmente dela quando era menor de idade. ‌O Departamento de Justiça disse que está analisando o ⁠material em questão e o publicará se for apropriado.

O departamento já havia alertado que o material divulgado inclui acusações infundadas e alegações sensacionalistas sobre Trump, e as autoridades não o acusaram de qualquer crime relacionado a Epstein.

“A ⁠presença do presidente Clinton aqui hoje sob juramento destaca a enorme lacuna ⁠do tamanho de Donald Trump na investigação do presidente ⁠Comer”, disse o deputado democrata ⁠James ​Walkinshaw.

Epstein morreu na prisão em 2019 enquanto enfrentava acusações federais por crimes de tráfico sexual. Sua morte foi considerada suicídio.

Reuters

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