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EUA DEIXAM A OMS EM 2026. E AGORA?

ESPECIALISTAS ALERTAM PARA RISCOS À RESPOSTA GLOBAL A PANDEMIAS, HIV E EMERGÊNCIAS HUMANITÁRIAS

João Carlos

29/12/2025

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Crédito da imagem: gerada por IA

A decisão dos Estados Unidos de iniciar o processo de saída da Organização Mundial da Saúde (OMS), anunciada pelo presidente Donald Trump, deve produzir efeitos formais em 22 de janeiro. A medida ocorre em um momento particularmente sensível para a saúde global, quando a OMS relata 42 emergências ativas em 2025, sendo 17 classificadas como graves, em regiões marcadas por conflitos armados, instabilidade política e eventos climáticos extremos.

Segundo a própria organização, crises em países como Ucrânia, Síria e Sudão concentram parte significativa dessas emergências, exigindo uma resposta humanitária cada vez mais complexa e cara. Para enfrentar esse cenário, a OMS solicitou US$ 1,5 bilhão em ajuda internacional, alertando para um déficit crítico de financiamento.

Um impacto que vai além da diplomacia

Analistas em saúde pública ouvidos por veículos internacionais convergem em um ponto: a saída dos EUA da OMS não é apenas um gesto político. Trata-se de uma decisão com potencial de reduzir a capacidade operacional da principal agência de coordenação sanitária do mundo, justamente quando o número de crises simultâneas cresce.

Os Estados Unidos historicamente figuram entre os maiores financiadores da OMS, tanto por meio de contribuições obrigatórias quanto de aportes voluntários direcionados a programas específicos. A retirada — mesmo antes de sua conclusão formal — tende a pressionar o orçamento da organização, afetando missões de campo, compra de insumos, logística e apoio técnico a países com sistemas de saúde fragilizados.

Emergências em série e o risco do “cobertor curto”

O alerta ganha peso adicional diante do quadro descrito pela OMS para 2025: conflitos prolongados, deslocamentos forçados, surtos de doenças infecciosas e eventos climáticos extremos ocorrem ao mesmo tempo, competindo pelos mesmos recursos.

Em relatórios recentes, a entidade reconhece que o financiamento disponível já cobre apenas uma fração das necessidades globais. Com menos recursos e menos coordenação, o risco é que algumas emergências passem a ser priorizadas em detrimento de outras, aprofundando desigualdades no acesso à saúde em regiões vulneráveis.

Vigilância, alertas e resposta a surtos

Outro ponto destacado por especialistas é o impacto sobre sistemas de vigilância epidemiológica e alerta precoce. A OMS atua como eixo central de redes internacionais que monitoram vírus, variantes e padrões de disseminação de doenças, permitindo respostas rápidas a ameaças que atravessam fronteiras.

A ausência dos EUA desse sistema pode resultar em troca de informações mais lenta, menor padronização de dados e dificuldade de coordenação em crises sanitárias globais — um cenário considerado especialmente preocupante após as lições deixadas pela pandemia de COVID-19.

HIV e tuberculose sob ameaça indireta

A preocupação se estende a programas ligados ao HIV/AIDS e à tuberculose, doenças que ainda representam desafios enormes em países de baixa e média renda. Embora a OMS não execute sozinha esses programas, ela exerce papel central na definição de diretrizes técnicas, na coordenação internacional e na mobilização de recursos.

A comunidade internacional alerta que a saída dos EUA pode agravar a fragmentação do financiamento internacional, somando-se a outros cortes e incertezas já observados em 2025. O efeito combinado tende a afetar cadeias de suprimento, formação de profissionais e continuidade de tratamentos em regiões altamente dependentes de ajuda externa.

Pandemias futuras e governança global

A decisão americana também afasta o país das negociações em torno de novos mecanismos internacionais de preparação para pandemias e de atualizações em regras sanitárias globais. Analistas avaliam que isso pode levar a uma governança mais fragmentada, com países operando sob compromissos diferentes justamente quando a coordenação seria mais necessária.

Para grupos especializados, sair do principal fórum técnico de saúde global significa perder influência, não apenas economizar recursos. Estar fora da mesa reduz a capacidade de moldar padrões, cobrar transparência e liderar reformas — objetivos que, paradoxalmente, são frequentemente citados como justificativa para a própria saída.

Um cenário ainda em aberto

Do ponto de vista legal e político, o processo ainda pode sofrer mudanças. Há discussões sobre prazos, obrigações financeiras e a possibilidade de reversão da decisão antes de sua efetivação, como já ocorreu em episódios anteriores. Até lá, no entanto, a sinalização já produz efeitos concretos sobre planejamento, financiamento e confiança no sistema internacional de saúde.

Por que o momento importa

A combinação entre a saída dos EUA da OMS e o registro de 42 emergências globais em um único ano ajuda a explicar o tom de alerta adotado por especialistas. Em um cenário marcado por guerras, crise climática e sistemas de saúde sobrecarregados, qualquer enfraquecimento da coordenação internacional tende a ter consequências que ultrapassam fronteiras.

Para a comunidade global de saúde, o temor central é que o mundo entre na próxima grande crise menos preparado, mais fragmentado e com menor capacidade de resposta coletiva.

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