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EXCLUSIVO-Ucrânia diz que alguns mísseis russos voam perto de Chernobyl, com risco de acidente grave

EXCLUSIVO-Ucrânia diz que alguns mísseis russos voam perto de Chernobyl, com risco de acidente grave

Reuters

22/04/2026

Placeholder - loading - Vista geral de estrutura que abrange quarto reator danificado na usina de Chernobyl  12 de abril de 2025    REUTERS/Valentyn Ogirenko
Vista geral de estrutura que abrange quarto reator danificado na usina de Chernobyl 12 de abril de 2025 REUTERS/Valentyn Ogirenko

Por Tom Balmforth

LONDRES, 22 Abr (Reuters) - A Rússia lançou ​repetidamente drones e mísseis em uma rota de voo perto da usina nuclear desativada de Chernobyl durante ataques à Ucrânia, aumentando o risco de um acidente grave, disse à Reuters o principal promotor público da Ucrânia.

O procurador-geral Ruslan Kravchenko detalhou a atividade militar russa não relatada anteriormente perto das instalações nucleares ucranianas em comentários escritos, enquanto a Ucrânia se prepara para marcar o 40º aniversário do desastre de Chernobyl, em 1986, no domingo.

Além da usina desativada de Chernobyl, a Ucrânia tem quatro usinas nucleares, incluindo a maior da Europa, que fica na região de Zaporizhzhia, no sul, e foi ocupada por forças russas ⁠desde logo ⁠após a invasão em grande escala da Ucrânia ​por Moscou ‌em 2022.

Tanto o local de Chernobyl quanto a usina nuclear de dois reatores Khmelnytskyi, no oeste da Ucrânia, estão na rota de voo dos mísseis hipersônicos russos Kinzhal desde a invasão, disse Kravchenko.

Trinta e cinco Kinzhals foram detectados a várias distâncias, a cerca de 20 ⁠km da instalação de Chernobyl ou da usina de Khmelnytskyi, segundo ele. Desses, 18 ​passaram a cerca de 20 km de ambos os locais no mesmo voo, acrescentou.

'Esses lançamentos ​não podem ser explicados por nenhuma consideração militar. É evidente ‌que os voos sobre ​as instalações ⁠nucleares são realizados apenas com o objetivo de intimidação e terror', disse ele.

O Ministério da Defesa da Rússia não respondeu a um pedido de comentário para esta reportagem.

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse que ​frequentemente informava sobre atividades militares nas proximidades de usinas nucleares e ataques a subestações elétricas que são fundamentais para a segurança nuclear.

'O diretor-geral da AIEA (Rafael) Grossi expressou repetidamente sua profunda preocupação com os riscos e perigos dessas atividades militares para segurança e proteção nuclear', afirmou.

'O DG também pediu repetidamente a ​máxima contenção perto de instalações nucleares para evitar o perigo de um acidente nuclear.'

O Kinzhal é um míssil hipersônico lançado do ar que pode transportar uma ogiva de 500 kg e foi defendido pelo presidente russo Vladimir Putin. Ao viajar a 6.500 km por hora, ele percorre 5 km em poucos segundos.

Em três casos separados, Kravchenko disse que os mísseis Kinzhal caíram no chão durante seus voos e aterrissaram a cerca de 10 km da usina nuclear de Khmelnytskyi.

Não ficou claro por que os mísseis ​caíram, mas Kravchenko disse que os destroços não apresentavam indícios de que tivessem sido interceptados.

Uma explosão em Chernobyl ‌enviou radiação para toda a Europa em ⁠1986 e levou as autoridades soviéticas a mobilizar um grande número de pessoal e equipamentos para lidar com as consequências do acidente. O último reator em funcionamento da usina foi fechado em ⁠2000.

A Rússia ocupou a usina de Chernobyl por mais de um ⁠mês nas primeiras semanas de invasão, quando suas ⁠forças inicialmente tentaram avançar ⁠sobre ​a capital Kiev, antes de se retirarem.

(Reportagem adicional de Olena Harmash em Kiev e Francois Murphy em Viena)

Reuters

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