Capa do Álbum: Antena 1
A Rádio Online mais ouvida do Brasil
Antena 1

Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China, diz Abiec

Exportação de carne bovina do Brasil pode cair 10% em 2026 com restrição da China, diz Abiec

Reuters

05/05/2026

Placeholder - loading - Gado corre em uma fazenda em Novo Repartimento, Estado do Pará, Brasil, em 11 de setembro de 2025. REUTERS/Amanda Perobelli
Gado corre em uma fazenda em Novo Repartimento, Estado do Pará, Brasil, em 11 de setembro de 2025. REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  05/05/2026

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 5 Mai (Reuters) - As exportações de carne bovina ​do Brasil, maior exportador global, poderão recuar cerca de 10% em 2026 em relação a 2025 diante de restrições tarifárias da China, afirmou nesta terça-feira o presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Roberto Perosa.

Falando a jornalistas, Perosa disse ainda que a produção de carne bovina destinada à China deverá parar por volta de junho, devido à tarifa, e que o consumo desse produto no Brasil precisa aumentar para substituir o que não será exportado ao país asiático.

A China, maior importador da carne bovina brasileira, implementou uma cota de 1,1 milhão de toneladas livre da tarifa mais alta de 55% para o produto do Brasil este ano, para proteger sua produção interna.

Tal volume já vem sendo completado, já que as empresas correram para realizar os embarques à China sem a taxa proibitiva. Além disso, o ⁠total considera também o ⁠que foi embarcado ao final de 2025 e o ​que ingressou ‌no país asiático no início de 2026.

Das exportações totais de carne bovina do Brasil em 2025, de 3,5 milhões de toneladas, a China levou 1,7 milhão de toneladas, segundo dados da Abiec.

'Não há mercado que substitua a China', disse Perosa, presidente da associação que representa grandes produtores de carne bovina listados em bolsa, incluindo JBS Z98.F, MBRF MBRF3.SA e Minerva BEEF3.SA.

No início ⁠do ano, a Abiec tinha um cenário mais otimista, projetando uma certa estabilidade nas exportações mesmo com ​a tarifa da China, mas considerando aberturas de mercados e o redirecionamento de vendas para outros destinos.

Havia expectativa, por exemplo, com ​a abertura da Coreia do Sul para a carne bovina do Brasil, o ‌que não deve mais acontecer ​em 2026, ⁠disse Perosa, acrescentando que não há mais previsão para os sul-coreanos visitarem fábricas no Brasil, após o cancelamento de uma missão em junho.

Ele afirmou estar esperançoso com a eventual abertura das exportações para o Japão, outro destino que poderia ajudar a amenizar a queda nos embarques para ​a China.

Com relação à abertura da Turquia, que também poderia dar impulso, Perosa disse que há a dependência de um 'convencimento técnico'. Os turcos exigem que toda a carne brasileira passe por testagens, o que seria inviável, enquanto o Brasil negocia que os testes possam ser feitos por lotes.

QUEDA DO BOI

Perosa, que vai à China esta semana para uma missão de negócios, disse ainda que os preços da arroba ​bovina, que bateram patamares máximos em abril de mais de R$365, com impulso da corrida para preencher a cota do país asiático, deverão recuar conforme sinalizam os contratos futuros, pela menor demanda chinesa no segundo semestre.

Os preços futuros na B3 estão em torno de R$330/arroba, disse ele. 'É daí para baixo. Se não vai ter a demanda, como faz?'

Com a cota livre da tarifa mais alta preenchida, a produção de carne bovina para a China pararia por volta de junho e voltaria em meados de outubro, já visando as entregas para 2027, observou Perosa.

As dificuldades para acessar o principal mercado se somam à guerra no Irã, que tem gerado interrupções no transporte e alta ​dos custos logísticos, com preço do frete marítimo triplicando, observou o presidente da Abiec.

A região do Oriente Médio representa cerca de 15% das exportações ‌de carne bovina brasileira, além de ser rota para embarques ⁠a outros destinos. Mas o setor tem encontrado outros caminhos para entregar o produto, minimizando os impactos. Ele citou que as exportações para a região, que tinham caído 20% em março, recuaram 10% em abril.

Por outro lado, as exportações brasileiras para os Estados ⁠Unidos, segundo principal destino dos embarques, vão bem, uma vez que o país norte-americano ⁠está importando mais para lidar com uma baixa oferta local.

Mas o ⁠Brasil quer uma cota maior ⁠sem ​a tarifa de 26,4%. 'O governo brasileiro está pautado sobre o pedido de aumento da cota...', disse Perosa.

(Reportagem de Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

Reuters

Compartilhar matéria

Mais lidas da semana

 

Carregando, aguarde...

Este site usa cookies para garantir que você tenha a melhor experiência.