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    Fitch prevê profunda recessão global em 2020 em meio a escalada da crise do coronavírus

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    Logo da agência de classificação de riscos Fitch em seus escritórios em Londres 03/03/2016 REUTERS/Reinhard Krause

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    BRASÍLIA (Reuters) - A agência de classificação de risco Fitch projeta uma profunda recessão global para 2020, com a atividade econômica sofrendo retração de 1,9% em consequência das ações de isolamento social, de acordo com o cenário básico de nova atualização do relatório Perspectivas Econômicas Globais, divulgado nesta quinta-feira.

    A Fitch prevê retração de 3,3%, 4,2% e 3,9% para o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, zona do euro e Reino Unido, respectivamente, no ano, com o maior baque sendo sentido no primeiro semestre.

    Na hipótese de a crise de saúde ser contida até a segunda metade do ano, a Fitch destaca que deve haver uma recuperação importante da atividade na sequência, conforme os bloqueios à movimentação de pessoas são retirados e as políticas de estímulo tenham efeito.

    Mas a agência nota que fatores como perdas de emprego, cortes de investimento e choques de preços de commodities vão contribuir para amplificar a disrupção econômica.

    'Nossa projeção básica não vê o PIB retornando aos níveis pré-vírus até o final de 2021 nos EUA e na Europa', afirma o economista-chefe da Fitch, Brian Coulton.

    Os efeitos das políticas para conter a disseminação do vírus têm sido dramáticos, afirma a Fitch, destacando que os impactos sobre o PIB vão depender da duração dos bloqueios.

    'A título de ilustração, uma crise de dois a três meses com um período de bloqueio nacional de 'rigor máximo' de cinco semanas, que reduz o PIB em 20% ao dia, resultaria em um declínio de 7% a 8% no PIB trimestral (não anualizado)', afirmou a agência no relatório, acrescentando que usou como referência suas estimativas para a performance da China no primeiro trimestre.

    A Fitch afirmou que as ações fiscais e monetárias dos países para minimizar os estragos colaterais da crise têm sido maiores e mais tempestivas do que as adotadas na crise financeira global. Coulton ponderou, contudo, que benefícios mais amplos para o crescimento dessas medidas de estímulo não devem ser percebidos antes que a crise de saúde arrefeça.

    A agência ressaltou, ainda, que as incertezas em torno das projeções são enormes e que os riscos são negativos. Caso os bloqueios nos Estados Unidos e na Europa sejam estendidos para oito semanas e depois retirados lentamente, haveria um declínio adicional de dois pontos percentuais no PIB dessas regiões sobre o estimado no cenário básico.

    (Por Isabel Versiani)

    Escrito por Reuters

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