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França, Espanha e Grécia combatem incêndios florestais enquanto Europa sofre com calor intenso

França, Espanha e Grécia combatem incêndios florestais enquanto Europa sofre com calor intenso

Reuters

30/07/2026

Placeholder - loading - Moradores observam incêndio perto de Formariz, na província de Zamora, na Espanha 29 de julho de 2026 REUTERS/Umit Bektas
Moradores observam incêndio perto de Formariz, na província de Zamora, na Espanha 29 de julho de 2026 REUTERS/Umit Bektas

Por Yves Herman e Lefteris Papadimas e David Latona

BORDEAUX/ATENAS/MADRI, 30 Jul (Reuters) - França, Espanha e Grécia ​combateram grandes incêndios florestais nesta quinta-feira, à medida que as temperaturas em alta, a vegetação seca e os ventos fortes prolongavam um verão marcado por incêndios letais, retiradas em massa de pessoas e perturbações crescentes em toda a Europa.

A França prendeu duas pessoas sob suspeita de incêndio criminoso enquanto equipes controlavam um vasto incêndio perto de Bordeaux; a Espanha combatia um incêndio na província oriental de Castellón; e a Grécia enfrentava incêndios em duas frentes que mataram três bombeiros e forçaram turistas e moradores a fugir de partes de Creta.

“O vento é inacreditável -- às vezes, não dá para ficar em pé. As chamas eram enormes, foi realmente assustador”, disse a moradora Chrissa Gioukaki à Reuters em Agia Galini, na costa sul de Creta, onde vários turistas e moradores locais encontraram abrigo para passar a noite em um ginásio coberto.

EUROPA É CONTINENTE QUE MAIS RAPIDAMENTE ESQUENTA NO MUNDO

As equipes de emergência mal tiveram tempo para respirar entre as ondas de calor e as frentes de incêndio neste verão em uma Europa cada vez mais seca, sendo o continente que mais rapidamente se aquece no mundo.

Os países da União Europeia (UE) estão passando ⁠por uma temporada de incêndios florestais acima ⁠da média, já superando o ano recorde de 2025.

As temperaturas de ​quinta-feira mostraram que a ‌Europa foi o continente que mais se distanciou de sua média histórica, de acordo com o Reuters Climate Monitor. A temperatura máxima média prevista é de 25,3 graus Celsius, o que representa 3,6°C acima do que era típico entre 1961 e 1990.

No sudoeste da França, as autoridades informaram que os incêndios próximos a Bordeaux não se espalharam durante a noite, com a área queimada mantendo-se em 42.000 hectares. Duas pessoas foram presas sob suspeita de terem iniciado os incêndios, informou a administração local, sem fornecer mais ⁠detalhes.

Os incêndios na França devastaram florestas de pinheiros e forçaram cerca de 220.000 moradores e turistas a evacuar a região, embora cerca de ​60.000 tenham sido autorizados a retornar. Milhares de empresas que suspenderam temporariamente suas atividades estavam reabrindo gradualmente, informaram as autoridades.

Previa-se que as condições melhorassem na região de Bordeaux na ​quinta-feira, com possibilidade de tempestades, maior umidade e temperaturas abaixo dos picos recentes. No entanto, um alerta ‌de calor extremo continuava em vigor em Gironde, ​departamento do ⁠qual Bordeaux é a principal cidade, e as autoridades alertaram que os incêndios ainda não haviam terminado.

A Meteo France alertou em seu último boletim, na tarde de quarta-feira, que o maior risco de incêndios florestais estava agora concentrado no sudeste da França e no arco mediterrâneo.

Os incêndios florestais na França já queimaram mais área do que em qualquer outro ano desde 2006.

VENTOS FORTÍSSIMOS ALIMENTAM AS CHAMAS ​NA GRÉCIA

Dois bombeiros morreram após ficarem presos em um incêndio na região central de Creta na quarta-feira, enquanto dirigiam entre as frentes de fogo. Outro morreu em um incêndio separado na região do Peloponeso.

Centenas de moradores e turistas foram evacuados da área por mar e por terra nas proximidades da comunidade de Krya Vrysi e das aldeias vizinhas, à medida que ventos fortes deixavam o incêndio fora de controle perto de populares destinos de férias.

“A situação é desesperadora. O mais trágico é que perdemos dois colegas bombeiros”, disse Yiannis Tartarakis, prefeito de Agios Vasilios, um ​município que inclui várias aldeias afetadas em seu distrito. As aeronaves de combate a incêndios não puderam ser mobilizadas devido aos ventos fortes, afirmou ele.

Sabe-se que o calor intenso dos incêndios florestais cria seu próprio microclima, o que pode, ocasionalmente, levar a fenômenos climáticos mais extremos; o vento é um deles.

NOVOS INCÊNDIOS ENQUANTO A ESPANHA ENFRENTA CRISE “EXTREMA”

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, disse que a crise enfrentada pelo país era “extrema”, com pelo menos 10 incêndios florestais ativos causando preocupação.

“Estamos em uma situação crítica e altamente complexa”, disse Sánchez na noite de quarta-feira, referindo-se à combinação de altas temperaturas, baixa umidade e fortes rajadas de vento que alimentam as chamas.

Falando de Mallorca, ele acrescentou que havia solicitado por carta à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, que um novo centro da UE de combate a incêndios florestais para a região do Mediterrâneo Ocidental fosse instalado nas Ilhas Baleares.

Novos incêndios florestais foram registrados nas províncias de Zamora e ​León, no noroeste da Espanha, em meio à quarta onda de calor do verão, enquanto o incêndio na província de Castellón, no leste do país, continuava a se alastrar, informaram as autoridades nesta ‌quinta-feira.

Mais de 1.000 pessoas foram evacuadas na área do parque natural Arribes del ⁠Duero, em Zamora, enquanto três incêndios distintos no norte de León forçaram mais de 300 pessoas a deixar suas casas.

Em Castellón, o chefe da operação de combate ao incêndio, Antonio Rodrigo, disse aos repórteres na noite de quarta-feira que o perímetro de 82 quilômetros do incêndio havia sido delimitado, mas ainda não estava controlado, depois que as chamas devastaram mais de ⁠9.300 hectares.

A operação realizada durante a madrugada, envolvendo 400 bombeiros, foi “crítica” para determinar se o incêndio seria estabilizado em 48 ⁠horas, acrescentou Rodrigo, já que as condições climáticas continuavam ideais antes que o calor previsto ⁠para quinta-feira pudesse dificultar os esforços.

(Reportagem de ⁠Yves ​Herman, Juliette Jabkhiro, Elizabeth Howcroft, Janis Laizans, Lauren Bacquie, Sarah Meyssonnier, Sudip Kar-Gupta e Ingrid Melander na França; Kate Abnett em Bruxelas; David Latona na Espanha; Edward McAllister e Lefteris Papadimas na Grécia;)

Reuters

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