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Gasto público acelera ao maior nível em 16 anos e aumenta necessidade de emissão de dívida pelo governo

Gasto público acelera ao maior nível em 16 anos e aumenta necessidade de emissão de dívida pelo governo

Reuters

01/04/2026

Placeholder - loading - Moedas de real  retratadas no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 2010. REUTERS/Bruno Domingos
Moedas de real retratadas no Rio de Janeiro em 15 de outubro de 2010. REUTERS/Bruno Domingos

Por Bernardo Caram

BRASÍLIA, 1 Abr (Reuters) - ​As despesas do governo geral, que incluem gastos primários e com juros da dívida pública, voltaram a acelerar em 2025 e atingiram no fechamento do ano 46,9% do Produto Interno Bruto (PIB), maior nível em pelo menos 16 anos, apontou nesta quarta-feira o Tesouro Nacional, uma deterioração gerada principalmente pelos dados do governo federal.

Após desacelerar entre 2023 e 2024, o indicador de despesa cresceu 1,3 ponto percentual ⁠no ⁠ano passado, mostrou relatório anual do ​Tesouro. ‌O número diz respeito a União, Estados e municípios, mas a alta foi pressionada pelo governo federal, que viu seu patamar de despesas subir de 32,1% para 34,0% do ⁠PIB no ano. A série do Tesouro tem início ​em 2010.

'Esse resultado foi determinado, principalmente, pela elevação das despesas ​com juros, parcialmente compensada pela redução do ‌investimento líquido e ​por ⁠variações mais moderadas nos demais componentes do gasto', disse o Tesouro no documento.

Ao mesmo tempo, as receitas do governo geral ficaram praticamente estáveis, ​indo de 39,4% para 39,5% do PIB em 2025. No caso do governo federal, o indicador passou de 26,5% para 26,8% do PIB.

A combinação de despesas em alta e receitas ​praticamente estáveis provocou uma piora na necessidade líquida de financiamento do Brasil, que fechou 2025 em 7,4% do PIB, contra 6,3% do PIB no ano anterior.

A necessidade de financiamento decorre de uma diferença negativa entre receitas e despesas gerais da máquina pública, com déficit primário e gasto crescente com juros da dívida forçando o governo ​a ampliar emissões de títulos para financiar suas políticas.

A equipe econômica ‌tem afirmado que o novo ⁠arcabouço para as contas públicas e medidas arrecadatórias têm corrigido gradualmente os resultados fiscais do governo central, argumentando que o elevado ⁠nível da Selic pressiona os gastos com ⁠juros da dívida em volume ⁠muito maior ⁠do ​que a melhora dos saldos primários.

(Por Bernardo Caram, edição de Isabel Versiani)

Reuters

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