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Guiana diz à Corte Mundial que reivindicação da Venezuela sobre região de Essequibo, rica em petróleo, representa ameaça

Guiana diz à Corte Mundial que reivindicação da Venezuela sobre região de Essequibo, rica em petróleo, representa ameaça

Reuters

04/05/2026

Placeholder - loading - Integrante da Assembleia Nacional da Venezuela segura um mapa que mostra a região disputada de Esequibo como parte da Venezuela 6 de dezembro de 2023 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria
Integrante da Assembleia Nacional da Venezuela segura um mapa que mostra a região disputada de Esequibo como parte da Venezuela 6 de dezembro de 2023 REUTERS/Leonardo Fernandez Viloria

HAIA, 3 Mai (Reuters) - A Guiana pediu aos ​juízes da Corte Internacional de Justiça que determinem que a Venezuela não tem direito legítimo sobre a região potencialmente rica em petróleo ao redor do rio Essequibo, que tem sido objeto de uma disputa entre os vizinhos latino-americanos desde a época colonial.

'Enfrentar os projetos de um vizinho maior e mais poderoso em nosso território não só ameaçou nossa paz e segurança, como também atrasou nosso desenvolvimento', disse o ministro das Relações Exteriores da Guiana, Hugh Hilton Todd, aos juízes no início das audiências ⁠de ⁠uma semana na CIJ, também conhecida ​como Corte ‌Mundial.

O que está em questão é um território fronteiriço de 160.000 km² ao redor do rio Essequibo, que é em sua maior parte de selva, e uma área offshore onde foram feitas grandes descobertas de petróleo ⁠e gás.

Todd disse que a reivindicação 'ilegal' da Venezuela se aplica a mais ​de 70% do território da Guiana.

A reivindicação da Venezuela sobre a terra é ​indiscutível, disse seu ministro das Relações Exteriores, Yvan ‌Gil, à televisão ​estatal ao ⁠sair do tribunal, acrescentando que seu país não reconhece a jurisdição da CIJ sobre a disputa e que uma solução precisará vir por meio de negociações.

'O único caminho, ​repetimos, é a negociação direta e, mais cedo ou mais tarde, a Guiana será obrigada a sentar-se e negociar conosco', disse Gil.

A Venezuela apresentará sua posição na quarta-feira.

Em 2018, a Guiana levou o caso à CIJ -- a mais alta corte ​da Organização das Nações Unidas -- que trata de disputas entre Estados, e pediu que confirmasse a fronteira estabelecida em uma arbitragem de 1899 entre a Venezuela e a então colônia Guiana Britânica, segundo a qual o território pertence à Guiana.

Em um referendo de 2023, os eleitores venezuelanos rejeitaram a jurisdição da CIJ sobre a disputa territorial com a Guiana e apoiaram a criação de um novo Estado na ​região de Essequibo, que a Venezuela estabeleceu um ano depois.

Após a captura do presidente ‌Nicolás Maduro e de sua esposa pelas ⁠forças dos EUA em janeiro, a Venezuela está sendo administrada por um governo interino.

O julgamento final do caso deve ocorrer em alguns meses. Decisões da CIJ são obrigatórias e ⁠não cabem recurso, mas o tribunal não tem como ⁠aplicá-las por conta própria, dependendo do ⁠Conselho de Segurança da ⁠ONU.

(Reportagem ​de Stephanie van den Berg em Haia, reportagem adicional de Vivian Sequera em Caracas)

Reuters

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