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HÁ 40 ANOS QUEEN FAZIA HISTÓRIA NA TRILHA DE HIGHLANDER

PARA MARCAR A DATA, CHAD STAHELSKI DIRIGIRÁ NOVA ADAPTAÇÃO DA FRANQUIA E PROMETE “MÃO NA MASSA”

João Carlos

07/01/2026

Placeholder - loading - Crédito: bastidores do videoclipe promocional de Princes of the Universe, canção composta pelo Queen para o filme Highlander (1986), com Christopher Lambert, John Deacon e Freddie Mercury.
Crédito: bastidores do videoclipe promocional de Princes of the Universe, canção composta pelo Queen para o filme Highlander (1986), com Christopher Lambert, John Deacon e Freddie Mercury.

Quando Highlander chegou aos cinemas, em março de 1986, poucos imaginavam que aquele filme de fantasia estilizada, dirigido por Russell Mulcahy, se tornaria um fenômeno cult duradouro. Menos gente ainda percebeu, naquele primeiro momento, que o longa acabaria entrando para a história não apenas pela sua mitologia de imortais, mas por algo ainda mais resistente ao tempo: a trilha sonora assinada pelo Queen.

Lançado no auge criativo da banda e em plena era de ouro dos videoclipes, o filme encontrou no Queen um parceiro artístico à altura. Quatro décadas depois, perto de completar 40 anos dessa colaboração histórica, o casamento entre cinema e música segue como um dos mais emblemáticos dos anos 1980. E não por acaso. O Queen não apenas participou do projeto. A banda ajudou a definir o DNA emocional, narrativo e estético de Highlander, elevando o filme a um patamar cultural que ultrapassou sua própria trajetória nos cinemas.

O nascimento de um filme com alma musical

Crédito da imagem: cartaz original do filme Highlander (1986). Arquivo do estúdio Thorn EMI Screen Entertainment. Reprodução: Amazon.

O projeto de Highlander nasceu a partir de um roteiro de Gregory Widen, centrado na ideia de guerreiros imortais atravessando séculos de história até um confronto final inevitável. A proposta ganhou forma definitiva sob a direção de Russell Mulcahy, que trouxe para o cinema a linguagem visual que havia consolidado no universo dos videoclipes: cortes rápidos, estética urbana, contraste entre passado e presente e uma dose assumida de exagero estilizado.

No centro da narrativa estava Christopher Lambert, no papel de Connor MacLeod, o imortal escocês condenado a viver séculos de batalhas e perdas. Ao seu lado, Sean Connery deu peso e carisma ao mentor Juan Sánchez-Villalobos Ramírez, enquanto Clancy Brown entregou uma performance marcante como o vilão Kurgan, figura excessiva, violenta e quase caricatural, que se tornaria um dos antagonistas mais lembrados do cinema fantástico daquela década.

Esse trio ajudou a dar identidade ao filme e a sustentar sua mitologia improvável, equilibrando drama, ação e teatralidade. A ambientação, que alternava entre a Escócia medieval e a Nova York contemporânea, reforçava a ideia de um universo fora do tempo, mas inserido em um mundo reconhecível.

Essa escolha estética e narrativa abriu espaço para algo ainda raro no cinema da época: uma trilha sonora que não se limitava a ilustrar cenas, mas dialogava diretamente com a história, os personagens e seus conflitos. Foi nesse contexto, de mitologia épica tratada com linguagem moderna, que o Queen entrou em cena, não como coadjuvante musical, mas como parte fundamental da construção do universo de Highlander.

Veja a seguir o trailer do filme lançado em 1986.

Queen e Highlander: por dentro da trilha sonora feita sob medida

Crédito da imagem: bastidores do videoclipe promocional de Princes of the Universe, canção composta pelo Queen para o filme Highlander (1986), com destaque para Christopher Lambert, John Deacon e Freddie Mercury.
Reprodução: Thorn EMI Screen Entertainment / EMI Records.

Diferente de outras produções que apenas licenciam sucessos já existentes, o Queen compôs e gravou um conjunto de músicas pensadas especificamente para Highlander. As faixas nasceram em diálogo direto com o roteiro, com a mitologia dos imortais e com a estética moderna proposta pelo diretor Russell Mulcahy.

Crédito da imagem: capa original do álbum A Kind of Magic (1986), do Queen. Arquivo da gravadora EMI Records. Reprodução: Universal Music Store.

Esse material foi lançado no álbum A Kind of Magic, que funciona simultaneamente como disco de estúdio e identidade musical do filme. Embora nem todas as músicas tenham sido usadas da mesma forma na narrativa, o conjunto estabeleceu uma relação rara entre cinema e rock naquele período.

É importante esclarecer um ponto frequentemente confundido ao longo dos anos: apenas uma música recebeu tratamento promocional direto e exclusivo para o filme.

Princes of the Universe: a única canção promocional do filme

Princes of the Universe foi a única faixa do Queen a ganhar um vídeo promocional diretamente ligado a Highlander. O clipe, que mistura a banda em performance com cenas do longa, foi concebido como peça de divulgação do filme e da sua mitologia.

A música foi escrita explicitamente para apresentar o conceito central da história: guerreiros imortais, espalhados ao longo do tempo, condenados a duelar até que reste apenas um. A letra funciona quase como um prólogo narrativo, algo incomum até mesmo dentro da discografia do Queen.

A imagem que ilustra esta matéria, com o Queen em cena sob uma estrutura metálica e iluminação azulada, pertence a esse contexto promocional e simboliza o momento em que banda e cinema se fundiram de forma mais explícita.

Who Wants To Live Forever: o coração emocional do filme

Criada após a leitura do roteiro, Who Wants to Live Forever nasceu como uma reflexão direta sobre o custo emocional da imortalidade. A canção acompanha um dos momentos mais sensíveis do filme e traduz, em música, a solidão de viver para sempre enquanto tudo ao redor desaparece.

Apesar de sua ligação profunda com a narrativa, a música não ganhou um videoclipe com imagens do filme. O material promocional associado à faixa seguiu o padrão da época, com vídeos concebidos para divulgação do álbum, não como extensão cinematográfica de Highlander.

Com o tempo, a canção ultrapassou o universo do cinema e se consolidou como uma das baladas mais respeitadas da carreira do Queen, frequentemente associada a temas como tempo, perda e memória.

A Kind of Magic: o tema que virou hit

Pensada inicialmente como música-tema do longa, A Kind of Magic rapidamente ganhou vida própria. Inspirada na mitologia do filme e na ideia de destino, a canção se transformou em um grande sucesso radiofônico e acabou batizando todo o álbum.

Assim como outras faixas do disco, o videoclipe de A Kind of Magic foi produzido como peça promocional do Queen, sem utilização de cenas do filme. Ainda assim, a ligação conceitual com Highlander é evidente, tanto na letra quanto no clima da música.

O sucesso foi tamanho que a canção acabou se tornando, para muitos ouvintes, a principal porta de entrada para o universo do filme.

One Vision: o rock que fecha o ciclo

Usada nos créditos finais de Highlander, One Vision representa o lado mais direto e energético do projeto. A música, marcada por um riff poderoso e clima de união, tornou-se um dos grandes hinos do Queen nos anos 1980.

O videoclipe, amplamente conhecido, mostra os bastidores caóticos da gravação da música em estúdio. Não há imagens do filme associadas a esse vídeo, reforçando que o material visual servia à promoção do álbum e da banda, e não diretamente ao longa-metragem.

Ainda assim, dentro do filme, One Vision cumpre o papel de encerramento épico, conectando ação, grandiosidade e continuidade.

Outras faixas que completam a mitologia

Além dos grandes sucessos, o Queen também compôs músicas fundamentais para a construção do clima de Highlander. Gimme the Prize (Kurgan’s Theme) foi escrita para representar o vilão da história, enquanto Don’t Lose Your Head reforça a ambientação urbana, tensa e contemporânea do filme.

Uma curiosidade histórica envolve ainda a gravação da versão do Queen para “Theme from New York, New York”, que acabou não entrando no corte final do filme e nunca foi lançada oficialmente, permanecendo como um capítulo pouco conhecido dos arquivos da banda.

Uma trilha que resistiu ao tempo e uma franquia em tranformação

Crédito da imagem: capa original da trilha sonora do filme Highlander (1986). Arquivo da gravadora EMI Records. Reprodução: Amazon.

Embora Highlander não tenha sido um grande sucesso comercial imediato quando chegou aos cinemas, em 1986, sua trilha sonora rapidamente ultrapassou o desempenho de bilheteria e ganhou vida própria. As músicas do Queen atravessaram gerações, seguiram sendo executadas no rádio, reinterpretadas em shows e citadas como um dos exemplos mais bem-sucedidos de integração entre cinema e música popular.

O impacto cultural do filme foi suficiente para dar origem a uma franquia extensa, ainda que marcada por caminhos irregulares. Em 1991, veio Highlander II: The Quickening, uma continuação que tentou ampliar a mitologia original e acabou se tornando alvo de críticas severas. Outras sequências chegaram ao longo dos anos, com resultados variados, mas mantendo vivo o universo dos imortais.

O maior fôlego narrativo, no entanto, surgiu fora do cinema. Em 1992, a franquia ganhou uma adaptação televisiva com Highlander: The Series, que apresentou um novo protagonista, Duncan MacLeod, e permaneceu no ar por seis temporadas, consolidando uma base fiel de fãs e expandindo a mitologia com mais profundidade do que os filmes conseguiram oferecer.

Mesmo com mudanças de rumo, trocas de protagonistas e variações de qualidade ao longo das décadas, um elemento permaneceu intacto: a força simbólica da trilha sonora original. Mais do que acompanhar o primeiro filme, a música do Queen ajudou a transformá-lo em mito e estabeleceu um padrão emocional que nenhuma continuação conseguiu substituir.

Quarenta anos depois, enquanto a franquia se prepara para uma nova adaptação, a trilha segue como o elo mais sólido entre passado, presente e futuro de Highlander.

O futuro: nova adaptação e respeito ao legado

Para marcar os 40 anos dessa parceria histórica, uma nova adaptação de Highlander está em desenvolvimento, agora sob a direção de Chad Stahelski, responsável pela franquia John Wick, com produção da Lionsgate.

Em entrevistas recentes ao TheWrap, Stahelski confirmou que a música do Queen estará presente no novo filme, embora “de uma forma diferente do que o público imagina”. Segundo o diretor, a proposta é condensar o que funcionava no original, atualizar a mitologia e manter o equilíbrio entre realismo e exagero estilizado.

A confirmação reforça algo essencial: Highlander pode mudar de forma, de elenco ou de época, mas não pode existir sem a herança musical que o transformou em mito.

E a trilha sonora segue imortal.

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