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Human Rights Watch pede à Fifa que promova uma 'trégua do ICE' na Copa do Mundo

Human Rights Watch pede à Fifa que promova uma 'trégua do ICE' na Copa do Mundo

Reuters

27/04/2026

Placeholder - loading - Bola oficial da Copa do Mundo da Fifa 2026, durante coletiva de imprensa em Nova York, EUA 27 de abril de 2026 REUTERS/Shannon Stapleton
Bola oficial da Copa do Mundo da Fifa 2026, durante coletiva de imprensa em Nova York, EUA 27 de abril de 2026 REUTERS/Shannon Stapleton

Por Pearl Josephine Nazare

27 Abr (Reuters) - A Fifa deveria pressionar o ​governo dos Estados Unidos a estabelecer uma 'trégua do ICE' para a Copa do Mundo deste ano, incluindo uma garantia pública das autoridades federais de não realizar operações de fiscalização de imigração nos jogos e nos locais de competição, disse a Human Rights Watch (HRW) em um relatório publicado nesta segunda-feira.

A Copa do Mundo de 2026 -- primeira edição do torneio global que contará com 48 equipes -- será co-organizada pelos EUA, Canadá e México, entre 11 de junho e 19 de julho.

O Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) está na linha de frente da repressão à imigração e das deportações promovidas pelo governo do presidente Donald Trump.

Grupos de direitos humanos condenaram a repressão, dizendo que ela levou a violações da ⁠liberdade de expressão ⁠e dos direitos do devido processo legal e ​criou um ‌ambiente de insegurança, especialmente para as minorias. Trump considera suas ações necessárias para melhorar a segurança interna e conter a imigração ilegal.

'A Fifa precisa agir com urgência para lidar com os riscos de abusos de direitos humanos para atletas, torcedores e trabalhadores', disse a HRW. 'Uma coisa concreta que ela deve fazer é trabalhar para ⁠persuadir o governo Trump a estabelecer uma 'trégua do ICE'.'

'Gianni Infantino (presidente da Fifa) e seus pares ​da Fifa devem usar seu poder de influência para exigir que o governo Trump faça o que é ​certo para os jogos', acrescentou.

A ideia foi extraída da 'Trégua Olímpica', uma ‌tradição que remonta à Grécia ​antiga, ⁠quando cidades-estado em guerra suspendiam as hostilidades para que atletas e espectadores pudessem viajar em segurança para os Jogos.

'A Copa do Mundo da Fifa 2026 será, sem dúvida, um dos maiores e mais espetaculares eventos da história da humanidade, atraindo milhões de ​torcedores de todo o mundo para 11 cidades-sede nos Estados Unidos', disse o porta-voz da Casa Branca, Davis Ingle, à Reuters.

'Esse será um evento monumental que exige uma coordenação estreita entre o governo Trump, a Fifa e todos os nossos grandes parceiros federais, estaduais e locais.'

'O presidente Trump está focado em garantir que essa não seja apenas uma ​experiência incrível para todos os torcedores e visitantes, mas também a mais segura da história -- e nenhuma quantidade de táticas ridículas de intimidação impulsionadas por grupos ativistas liberais e pela mídia de esquerda mudará isso.'

As preocupações se intensificaram na quinta-feira, quando grupos de defesa emitiram um aviso de viagem alertando viajantes a caminho dos EUA para a Copa do Mundo que podem enfrentar detenção arbitrária ou deportação, entre outras violações dos direitos humanos.

Torcedores, jogadores, jornalistas e outros visitantes podem enfrentar perfilamento racial, revistas em dispositivos eletrônicos ou o risco de tratamento cruel ou desumano caso acabem em centros ​de detenção de imigração.

Os alertas de quinta-feira seguiram-se a uma declaração, em março, da Anistia Internacional segundo a qual o torneio ‌está se distanciando do evento 'seguro, livre e inclusivo' ⁠prometido pela Fifa.

A HRW também disse que escreveu para Infantino solicitando detalhes sobre os indicados, juízes, termos de referência e processo de seleção para o prêmio da paz inaugural da Fifa.

Trump recebeu o prêmio em dezembro pelo que ⁠a entidade que rege o futebol mundial disse serem seus esforços para promover ⁠o diálogo e a redução de tensões em focos ⁠de conflito ao redor ⁠do ​mundo.

A Reuters entrou em contato com a Fifa e o ICE para comentar o assunto.

(Reportagem de Pearl Josephine Nazare em Bengaluru)

Reuters

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