Ibovespa fecha em queda com incertezas envolvendo negociações EUA-Irã
Ibovespa fecha em queda com incertezas envolvendo negociações EUA-Irã
Reuters
01/06/2026
Atualizada em 01/06/2026
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 1 Jun (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, perdendo o patamar de 172 mil pontos no pior momento, em mais uma sessão de incertezas envolvendo as negociações entre Estados Unidos e Irã.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 0,91%, a 172.197,46 pontos, chegando a 171.792,82 pontos na mínima. Na máxima do dia, marcou 173.975,31 pontos. O volume financeiro somou R$28,76 bilhões.
A agência de notícias iraniana Tasnim informou que Teerã estava interrompendo as negociações indiretas com Washington após Israel ordenar que as tropas avançassem no Líbano em sua batalha contra o Hezbollah, que é apoiado por Teerã.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou ataques aos subúrbios do sul de Beirute nesta segunda-feira, provocando outra onda de desabrigados em um conflito que já deslocou mais de 1 milhão de pessoas no Líbano.
A TV estatal iraniana também afirmou ser muito provável que o cessar-fogo acordado no início de abril entre o Irã e os EUA termine se os ataques israelenses contra o Hezbollah no Líbano persistirem.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não havia sido informado sobre a suspensão e reiterou que as negociações com o Irã continuam 'em ritmo acelerado'.
Trump também disse que Israel não enviará tropas para Beirute após uma ligação que teve com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu. Ele também disse que teve uma 'ligação muito boa' com o Hezbollah por meio de intermediários.
A embaixada do Líbano em Washington afirmou em comunicado nesta segunda-feira que o Hezbollah aceitou uma proposta dos EUA para uma cessação mútua das hostilidades, que seria estendida a todo o território libanês.
O barril sob o contrato Brent chegou a US$97,79 na máxima do dia, mas fechou em alta de 4,24%, a US$94,98. Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, subiu 0,26%, renovando recorde, enquanto segue apoiado pelo otimismo de investidores em torno de empresas de inteligência artificial.
No Brasil, o Ibovespa manteve no primeiro pregão de junho a dinâmica negativa registrada de meados de abril, quando renovou suas máximas históricas. A correção tem sido determinada principalmente pela saída de capital externo das ações brasileiras.
'O cenário para as ações brasileiras deteriorou-se claramente nas últimas seis semanas', afirmaram estrategistas do BTG Pactual, citando que a inflação está limitando a capacidade do Banco Central de reduzir a Selic de forma mais significativa.
Os estrategistas do BTG também citaram que o cenário político ficou mais confuso e chamaram a atenção para o avanço de um projeto de lei que reduz a jornada semanal de trabalho, com potencial para aumentar os custos para as empresas.
No cenário externo, destacaram que as ações do setor de tecnologia se valorizaram globalmente em maio, atraindo a atenção e os fluxos dos investidores.
Ainda assim, a equipe do maior banco de investimentos da América Latina disse que continua a ver as ações brasileiras como relativamente atraentes.
'O Brasil ainda é um dos poucos países com um caminho claro para cortes de juros no curto prazo e é um exportador líquido de petróleo, caso o conflito no Oriente Médio se prolongue', afirmaram em relatório com as recomendação de ações de junho.
'A tendência de diversificação para fora dos EUA deve continuar e os múltiplos estão agora ainda mais atraentes.'
DESTAQUES
(Por Paula Arend Laier; edição Alberto Alerigi Jr.)
Reuters

