Ibovespa sobe com apoio de Petrobras após maior série de quedas de 2023
Ibovespa sobe com apoio de Petrobras após maior série de quedas de 2023
Reuters
18/08/2026
Atualizada em 18/08/2026
Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 18 Ago (Reuters) - O Ibovespa avançava nesta terça-feira, buscando encerrar a sua maior sequência de quedas diárias desde 2023, com Petrobras entre os principais suportes, em dia de alta do petróleo no exterior, após o fim do acordo temporário entre Estados Unidos e Irã sem um avanço para o fim do conflito no Oriente Médio.
Por volta de 10h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,72%, a 167.988,05 pontos. O volume financeiro somava R$2,41 bilhões.
Na véspera, o Ibovespa atingiu 10 sessões seguidas com fechamento negativo, maior série de perdas desde as 13 quedas seguidas de 1º a 17 de agosto de 2023.
Na visão de analistas do Itaú BBA, o Ibovespa segue em tendência de baixa, após o rompimento de suporte em 168.700 pontos, mas a formação de um novo suporte em 164.800 pontos sugere que pode não avançar nas baixas e começar uma recuperação em busca de 173.000 pontos. 'Caso o índice supere este patamar, conseguirá abandonar a tendência de baixa e voltará a ficar indefinido', afirmaram no relatório Diário do Grafista.
Por outro lado, eles afirmaram que, se o cenário de repique não se confirmar e a pressão vendedora persistir, a atenção permanece voltada para o suporte de 164.800 pontos. 'A perda desse nível poderá intensificar o movimento de baixa, com potencial de deslocamento até as regiões de 161.700 e 156.300 pontos.'
Com a temporada de balanços praticamente encerrada no Brasil, analistas do Citi avaliaram que os resultados do segundo trimestre reforçaram uma crescente desconexão entre os fundamentos das empresas e o desempenho de suas ações no Brasil.
'Embora as companhias do Ibovespa tenham apresentado surpresas positivas agregadas de 1,8% em receitas e 5,3% em lucros, as ações caíram, em média, 1,3% após a divulgação dos resultados, sugerindo que boa parte das notícias favoráveis já estava precificada e foi ofuscada por preocupações macroeconômicas', afirmaram em relatório a clientes na noite de segunda-feira.
Eles destacaram que as recentes saídas de capital estrangeiro, as incertezas em torno do ciclo eleitoral de 2026, as expectativas para os juros e os desdobramentos geopolíticos continuam exercendo influência maior sobre o mercado do que os fundamentos específicos das empresas.
No exterior, o barril de petróleo sob o contrato Brent mostrava alta de 0,41%, a US$91,24, com o arrefecimento das perspectivas de um acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio.
O Irã afirmou que adotará uma postura 'totalmente ofensiva' e os EUA descartaram a possibilidade de estender o acordo de cessar-fogo, aumentando as preocupações com interrupções prolongadas no fornecimento de energia.
Em Wall Street, o S&P 500 cedia 0,44%, enquanto o rendimento do título de 10 anos do Tesouro dos EUA subia a 7,7299%, de 4,724% na véspera, em meio a preocupações com a inflação.
DESTAQUES
• VALE ON avançava 0,55%, em dia de alta dos futuros do minério de ferro na China. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian registrou alta de 0,85%, para 714 iuanes (US$105,90) por tonelada. No setor, CSN ON era destaque positivo, com elevação de 1,97%.
• PETROBRAS PN subia 1,44%, em mais um pregão de alta dos preços do petróleo no mercado internacional. Na véspera, a diretora de Exploração e Produção da petroleira, Sylvia Anjos, afirmou que a companhia vê boas indicações para a qualidade do óleo encontrado na Bacia da Foz do Amazonas, em águas ultraprofundas do Amapá, mas precisará fazer análises no centro de pesquisas para confirmações.
• ITAÚ UNIBANCO PN subia 0,65%, em dia mais positivo, embora permaneçam as preocupações para o cenário de crédito no país. O banco divulgou na segunda-feira que recebeu autorização preliminar para constituir um banco com licença nacional nos EUA, a ser chamado de Itaú Bank. No setor, BRADESCO PN avançava 0,31%, mas SANTANDER BRASIL UNIT perdia 0,14% e BANCO DO BRASIL ON mostrava decréscimo de 0,11%.
• BRASKEM PNA caía 2,88%, tendo no radar que a joint venture da companhia com o Grupo Idesa do México entrou com um pedido de recuperação judicial nos EUA nesta terça-feira, após chegar a acordos com credores e acionistas para reduzir a dívida em mais de US$920 milhões. A Braskem Idesa afirmou que espera sair do Chapter 11 dentro de 60 a 90 dias, acrescentando que as operações diárias continuarão funcionando normalmente. Na véspera, os papéis da Braskem subiram 5,5%.
• XP, que é listada nos EUA, registrava alta de 1,91% no BDR negociado na B3, após reportar na segunda-feira lucro líquido ajustado de R$1,384 bilhão no segundo trimestre, alta de 5% em relação ao mesmo período do ano passado, com expansão de receita e dos ativos totais de clientes. O presidente-executivo da instituição, Thiago Maffra, também afirmou que é uma evolução natural a XP ter um banco nos Estados Unidos em um futuro próximo.
(Por Paula Arend Laier; Edição de Eduardo Simões e Michael Susin)
Reuters

