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    Ibovespa termina no zero a zero semana com Fed e desconforto fiscal

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    Placa de trânsito indicando a direção da bolsa de valores, em Paris. 6/8/2018. REUTERS/Regis Duvignau

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    Por Paula Arend Laier

    SÃO PAULO (Reuters) - A bolsa paulista engatou a terceira semana consecutiva com sinal negativo, mesmo que discreto, nesta sexta-feira, quando o Ibovespa fechou novamente no patamar dos 98 mil pontos, reflexo da piora em Wall Street e desconforto com a cena fiscal no país.

    Em meio a desavenças entre o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe econômica, investidores seguem melindrados com as perspectivas para as contas públicas, em um momento no que a economia ainda sofre com os efeitos da pandemia de Covid-19.

    Dúvidas crescentes sobre a capacidade do Tesouro Nacional de refinanciar a dívida pública e o desconforto com o comportamento dos preços, particularmente os IGP-Ms, tem estressado os juros futuros longos e contaminado outros mercados.

    No caso da bolsa, um dos principais suportes para a recuperação desde as mínimas de março é justamente o alívio na taxa estrutural de juros, não apenas a Selic, que está no piso histórico de 2% ao ano.

    Do cenário externo, nem o tom 'dovish' do Federal Reserve conseguiu empolgar agentes financeiros, que voltaram a embolsar lucros em Wall Street, em meio a sinais mostrando estagnação da retomada da atividade econômica norte-americana.

    Para Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos, os eventos da semana, particularmente as reuniões do Fed e do Banco Central brasileiro, não trouxeram novidades relevantes.

    'Eu vejo o investidor pouco motivado a fazer posições mais fortes no mercado pela falta de novidades e notícias, mas vejo que mesmo essa falta de notícias não foi suficiente para que o investidor saísse do mercado de maneira tão forte', observou.

    De acordo com Villegas, o que tem acontecido na bolsa é uma rotação setorial, com o investidor saindo de posições vencedoras no ano para papéis que estariam atrasados em busca de retornos mais atrativos. 'Mas mais seletivo', ressaltou.

    Do ponto de vista gráfico, ele avaliou que o Ibovespa está bastante consolidado no intervalo de 98 mil a 100 mil pontos. 'Mas se o Ibovespa perder esse patamar (de 98 mil pontos), pode sinalizar uma movimentação mais forte de queda', ponderou.

    Gestores e estrategistas também têm citado onda de ofertas de ações - IPOs e follow-ons - no mercado brasileiro em 2020 como mais uma componente que tem ajudado a deixar o Ibovespa oscilando em um intervalo razoavelmente curto.

    Apenas neste ano, já ocorreram cerca de 30 ofertas (IPOs e follow ons), de acordo com dados disponíveis no site da B3, e há em torno de 50 ofertas iniciais engatilhadas, segundo registros na Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

    'Isso faz com que o mercado fique sobreofertado em termos de fluxo', disse o gestor Guilherme Motta, da GAP Asset.

    Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,81%, a 98.289,71 pontos, com variação negativa de 0,08% na semana e de 1,09% mês. No ano, amarga declínio de 15,01%.

    Maiores baixas do Ibovespa no dia

    Maiores altas do Ibovespa no dia

    O índice Small Caps recuou 1,94%, a 2.402,89 pontos, com alta de 0,71% na semana e baixa de 1,34% no mês. No acumulado de 2020, registra queda de 15,42%.

    O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 28 bilhões de reais.

    NOTÍCIAS DE AÇÕES EM DESTAQUE NA SEMANA:

    Pesquisa do BofA mostra sentimento ainda positivo para Ibovespa

    B3 reduz lote padrão de ETFs e BDRs

    ENFOQUE-Bancos locais ganham preferência de candidatas a IPO

    Conselho do Magazine Luiza aprova desdobramento de ações

    Raia Drogasil desdobra ações na proporção de 1 para 5 a partir de 21/09

    IPO da Cury sai abaixo da faixa inicial sugerida, movimenta R$977,5 mi

    IPO da Plano & Plano sai abaixo da faixa inicial sugerida, movimenta R$690 mi

    Santos Brasil anuncia oferta de ações e espera precificar em 24/09

    Vitru Educação desaba cerca de 8% em estreia na Nasdaq

    DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS:

    - AZUL PN tem alta de 26,97%, com o setor aéreo ensaiando reação após fortes perdas com a pandemia de Covid-19, em meio a aumento de oferta de voos e resiliência dos negócios mesmo sem auxílio estatal. A Azul disse que recebeu da BNDESPar e de um sindicato de bancos proposta de apoio financeiro que prevê uma oferta pública de um instrumento híbrido para captar no mínimo 2 bilhões de reais. GOL PN sobe 12,35%.

    - GPA ON mostra alta de 18,56%, com desempenho puxado principalmente pelo anúncio de estudos para a cisão de seu braço de atacarejo Assaí e posterior listagem da companhia na B3 e na Bolsa de Nova York. A listagem do Assaí na bolsa, porém, não será acompanhada de IPO.

    - ULTRAPAR ON avança 8,79% no mês, mantendo a trajetória positiva desde meados de agosto, após a assinatura entre sócios de um novo acordo de acionistas, com a entrada da gestora de recursos Pátria Investimentos.

    - IRB BRASIL ON tem perda de 21,18%, renovando mínimas históricas, após uma série de adversidades envolvendo irregularidades contábeis que levaram a uma forte revisão de resultados, além de perspectivas negativas para a companhia.

    - B2W ON recua 15,97% e VIA VAREJO ON cai 14,98%, numa forte correção após ganhos expressivos desde o começo do ano, que se apoiaram no expressivo crescimento do comércio online. MAGAZINE LUIZA ON perde 6,5%.

    Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

    - Índice financeiro: -4,50%

    - Índice de consumo: -1,20%

    - Índice de Energia Elétrica: -1,80%

    - Índice de materiais básicos: +3,89%

    - Índice do setor industrial: +1,58%

    - Índice imobiliário: -1,67%

    - Índice de utilidade pública:

    Escrito por Reuters

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