Ibram vê avanços em política de minerais críticos, mas alerta para excesso de poder do Estado
Ibram vê avanços em política de minerais críticos, mas alerta para excesso de poder do Estado
Reuters
07/05/2026
Por Marta Nogueira
RIO DE JANEIRO, 7 Mai (Reuters) - O projeto de lei que cria uma política nacional de minerais críticos para o Brasil, aprovado na véspera na Câmara dos Deputados, trouxe avanços importantes para permitir o desenvolvimento industrial do setor no país, mas peca ao dar amplos poderes de intervenção estatal no segmento, afirmou diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Pablo Cesário, nesta quinta-feira.
O executivo acredita que há tempo para aperfeiçoamentos no texto, que já foi encaminhado para avaliação e aprovação do Senado Federal e deve ter tramitação acelerada, diante dos múltiplos interesses envolvidos.
'O projeto tem vantagens; ele é um primeiro passo, ele avançou muito intensamente na construção de uma política industrial de agregação de valor acima das nossas expectativas', afirmou Cesário, em coletiva de imprensa realizada para comentar o texto aprovado na Câmara.
'Mas é preciso que, nessa discussão, sobre qual é o papel do Estado no setor, sejamos equilibrados para que ele não afugente os investidores brasileiros e estrangeiros que estão aqui e, ao mesmo tempo, atenda o interesse do Congresso e do governo para a gente desenvolver esse setor', ponderou.
Dentre os pontos positivos, Cesário afirmou que o texto traz o que chamou de boas práticas em regulação de minerais críticos estratégicos, com lista de critérios, estabelecimento de prioridades em termos de licenciamento ambiental, previsão de debêntures incentivadas para a industrialização e para a lavra, além de criar incentivos fiscais e créditos tributários.
'Estamos em linha com o que os outros países estão fazendo (em termos de política de industrialização), certamente o que os americanos, os chineses, os coreanos, os japoneses, os alemães, todos os países do mundo estão fazendo', afirmou.
Do lado negativo, Cesário afirmou que o PL deu 'uma amplíssima carta branca' para o Executivo intervir no setor, por prever um conselho de Estado que analisará previamente fusões, aquisições, entrada de capital estrangeiro e transferência de ativos minerais, entre outras questões. Segundo ele, é preciso que haja critérios muito claros e com prazos máximos bem definidos para que isso ocorra.
Cesário afirmou 'reconhecer que o mundo já não é hoje como era antigamente' em termos geopolíticos e que diversos países estão tomando medidas para fortalecer sua soberania, com medidas que impactam o setor empresarial. Entretanto, disse que é temerário não estabelecer regras mais precisas para essas relações.
'Um setor que tem longo prazo, intensivo em capital, com alto risco e longo prazo de maturação, não pode ficar sujeito ao malquerer ou bem-querer do governo de plantão. Nós passaremos por vários governos e é preciso, portanto, que exista previsibilidade, que existam critérios claros e, principalmente, que isso não se torne mais um gargalo entre os vários burocráticos que a gente já enfrenta no dia a dia', afirmou.
(Edição de Roberto Samora)
Reuters

