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Índia vai pressionar por interligação de moedas digitais do Brics, apesar dos obstáculos, dizem fontes

Índia vai pressionar por interligação de moedas digitais do Brics, apesar dos obstáculos, dizem fontes

Reuters

10/09/2026

Placeholder - loading - Um outdoor com a imagem do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, exposto ao lado de bandeiras de vários países, antes da próxima Cúpula do Brics em Nova Délhi, Índia, em 10 de setembro de 2026. R
Um outdoor com a imagem do primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, exposto ao lado de bandeiras de vários países, antes da próxima Cúpula do Brics em Nova Délhi, Índia, em 10 de setembro de 2026. R

Por Nikunj Ohri e Jaspreet Kalra

NOVA DÉLHI, 10 ​Set (Reuters) - A Índia vai pressionar pelo interligamento das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs) entre os países do Brics para pagamentos transfronteiriços em uma cúpula no final desta semana, apesar dos obstáculos políticos e técnicos que podem limitar o progresso, disseram duas fontes familiarizadas com as discussões.

A Índia tem a presidência do Brics este ano, e os líderes do bloco devem se reunir em Nova Délhi nos dias 12 e 13 de setembro. O banco central da Índia (RBI) propôs a integração das moedas digitais oficiais dos países para facilitar o comércio internacional, informou a Reuters em janeiro.

O grupo do Brics inclui Brasil, Rússia, Índia, China e ⁠África do Sul, ⁠além do Egito, Etiópia, Indonésia, Irã, Arábia ​Saudita e ‌Emirados Árabes Unidos.

A proposta de vincular as CBDCs fará parte da pauta da reunião dos líderes, disseram as fontes, embora a adoção limitada de moedas digitais em nível global possa complicar a implementação. Elas não quiseram se identificar devido à delicadeza do assunto e por ⁠não estarem autorizadas a falar com a mídia.

Os ministérios das Relações Exteriores e das ​Finanças da Índia, bem como ao banco central da Índia (RBI), não responderam a pedidos de ​comentário.

DESAFIOS POLÍTICOS E TÉCNICOS

A proposta da Índia se baseará na ‌declaração de 2025 da ​cúpula do ⁠Brics no Rio de Janeiro, que promoveu a interoperabilidade entre os sistemas de pagamento dos membros para tornar as transações internacionais mais eficientes.

Qualquer iniciativa para interligar as CBDCs, no entanto, provavelmente enfrentará desafios significativos. Discussões ​anteriores no âmbito do Brics sobre a criação de mecanismos de pagamento compartilhados tiveram pouco avanço, ressaltando as dificuldades de integrar a infraestrutura financeira de um grupo diversificado de países.

As relações tensas entre países, como o Irã e os Emirados Árabes Unidos, continuarão sendo um ponto de atrito, já ​que os Emirados Árabes Unidos cortaram laços financeiros com o Irã, disse uma das duas fontes.

A Índia também tem se mostrado relutante em aprofundar a conectividade financeira com a China, afirmou a segunda fonte, acrescentando que tais acordos exigiriam uma confiança mais profunda entre os vizinhos. A Índia suspendeu a proposta do Alipay+ de se conectar ao sistema de pagamentos instantâneos do país para transações transfronteiriças devido a preocupações com a segurança nacional, por causa de suas ligações com a China, informou a Reuters.

Acordos de ​swap cambial também seriam necessários para ajudar a gerenciar os desequilíbrios comerciais antes que qualquer integração de ‌CBDC pudesse entrar em operação, acrescentou a fonte.

Os ⁠países do Brics já haviam explorado alternativas aos pagamentos baseados no dólar, incluindo uma proposta do Brasil para uma moeda comum para o grupo, embora o plano nunca tenha avançado. O presidente ⁠dos EUA, Donald Trump, havia alertado o bloco contra tal ⁠medida, ameaçando impor tarifas.

A Índia não tem interesse ⁠em substituir o dólar, ⁠e ​a interligação das moedas digitais oficiais visa tornar os pagamentos transfronteiriços mais fáceis e rápidos, afirmou a segunda fonte.

Reuters

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