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Indígenas devem desocupar unidade da Cargill em Santarém em 48 horas, diz liderança

Indígenas devem desocupar unidade da Cargill em Santarém em 48 horas, diz liderança

Reuters

24/02/2026

Placeholder - loading - Indígenas comemoram revogação de decreto do governo sobre hidrovias da Região Norte, do lado de fora de unidade da Cargill em Santarém (PA) 23/02/2026 REUTERS/Adriano Machado
Indígenas comemoram revogação de decreto do governo sobre hidrovias da Região Norte, do lado de fora de unidade da Cargill em Santarém (PA) 23/02/2026 REUTERS/Adriano Machado

Atualizada em  24/02/2026

Por Adriano Machado

SANTARÉM, Pará, 24 ​Fev (Reuters) - Indígenas que ocupam instalações da Cargill em Santarém (PA) se preparam para deixar a unidade em cerca de 48 horas, após o governo federal revogar um decreto sobre hidrovias no Norte do país, afirmou uma liderança dos manifestantes nesta terça-feira.

O grupo ocupa as instalações da Cargill desde o fim de semana, após semanas bloqueando a entrada do terminal e interrompendo o tráfego de caminhões ⁠em ⁠um momento crucial para o ​setor agrícola, ‌enquanto o país colhe mais uma safra recorde de soja.

O governo federal publicou nesta terça-feira no Diário Oficial da União (DOU) a revogação do decreto que autorizava a ⁠inclusão das hidrovias dos rios Madeira, Tocantins e Tapajós ​no Programa Nacional de Desestatização, medida aguardada pelos indígenas para ​desocuparem a área.

'Foi revogado o decreto ‌12.600. Comemoramos. Agora ​a ⁠gente vai sentar e se alinhar aqui dentro. Fazer limpeza. Tem a questão do lixo. Tem muita criança, tem muita gente que ​não estava preparada para ir embora', disse Alessandra Munduruku à Reuters.

'Tem que buscar apoio para a questão do barco. A maioria usa barco para voltar para suas aldeias. Ainda ​estamos vendo a questão do transporte. Essas 48 horas são o suficiente para a gente sair'.

Os manifestantes afirmaram que o decreto de agosto abriria rios amazônicos como o Tapajós para dragagem, o que poderia afetar a qualidade da água e a pesca da qual dependem para sobreviver. Grãos como soja e milho ​são transportados pelos rios antes de chegarem aos mercados de exportação.

Santarém ‌é um importante polo exportador ⁠da Cargill, que envia para o exterior seus embarques de soja e milho recebidos naquele terminal privado pela hidrovia ⁠do Tapajós.

A companhia exportou mais de 5,5 ⁠milhões de toneladas de ⁠soja e milho ⁠por ​Santarém no ano passado, segundo informação do setor portuário.

(Por Adriano Machado)

Reuters

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