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Justiça aceita recuperação judicial da Tradener, 1ª comercializadora de energia do Brasil

Justiça aceita recuperação judicial da Tradener, 1ª comercializadora de energia do Brasil

Reuters

22/05/2026

Placeholder - loading - Torres de transmissão de energia 3 de setembro de 2013 REUTERS/Lee Jae-Won/Foto de arquivo
Torres de transmissão de energia 3 de setembro de 2013 REUTERS/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

SÃO PAULO, 22 Mai (Reuters) - A 2ª ​Vara de Falências e Recuperação Judicial de Curitiba (PR) aceitou nesta sexta-feira o pedido de recuperação judicial apresentado pela Tradener, empresa que foi pioneira no mercado de comercialização de energia elétrica no Brasil e que busca agora reestruturar um passivo de R$1,7 bilhão.

O caso aprofunda a crise vivida pelo mercado brasileiro de comercialização, que afeta principalmente as empresas independentes, não ligadas às grandes geradoras de energia. O segmento observa uma piora no ambiente de negócios desde ⁠2024, ⁠quando a quebra da comercializadora Gold ​desencadeou ‌problemas financeiros para diversas casas.

Isso culminou mais recentemente em uma crise de reputação e crédito para as comercializadoras, o que reduziu drasticamente a liquidez para compra e venda de energia no país.

A recuperação ⁠judicial da Tradener, aceita pela juíza Luciane Pereira Ramos, inclui também ​a empresa Tradener Serviços em Energia e as sociedades D.G.W. Participações ​Ltda. e Fraternita Participações.

Na lista de credores ‌do grupo, que ​soma R$1,7 ⁠bilhão em passivo quirografário, aparecem desde grandes empresas de capital aberto, como elétricas e bancos, até consumidores de menor porte e cooperativas agroindustriais.

Nos documentos à Justiça, ​a Tradener alega ter sofrido com uma severa crise econômico-financeira devido a 'fatores extraordinários e setoriais' ligados ao mercado livre de energia brasileiro.

Um dos problemas mencionados foram 'alterações regulatórias, operacionais e metodológicas que modificaram a dinâmica de ​formação do PLD (preço de energia) horário e ampliaram a exposição financeira dos agentes que atuam na comercialização de energia'.

O preço de energia elétrica de curto prazo no Brasil tem mostrado maior volatilidade desde o ano passado, quando o governo ajustou os parâmetros de aversão a risco do modelo de precificação de energia.

De acordo com a Tradener e outras comercializadoras, essa maior volatilidade ​de preços tem contribuído para um desequilíbrio financeiro das empresas, principalmente devido ao ‌descasamento entre a curva horária ⁠da energia adquirida e a curva de carga da energia vendida.

A recuperação judicial da Tradener vem após uma tentativa de mediação com credores, ⁠que, segundo a empresa, não avançou porque medidas ⁠individuais de credores e decisões da ⁠Justiça do Paraná ⁠inviabilizaram ​as negociações e agravaram sua situação financeira.

(Por Letícia Fucuchima; edição de Roberto Samora)

Reuters

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