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JUSTIÇA POR ORELHA

COMOÇÃO NACIONAL APÓS MORTE DE CÃO COMUNITÁRIO NA PRAIA BRAVA, EM FLORIANÓPOLIS

João Carlos

26/01/2026

Placeholder - loading - Crédito da imagem: Orelha, cão comunitário da Praia Brava, em Florianópolis. Reprodução / Redes sociais
Crédito da imagem: Orelha, cão comunitário da Praia Brava, em Florianópolis. Reprodução / Redes sociais

A morte do cão comunitário Orelha, mascote da Praia Brava, no Norte da Ilha de Santa Catarina, provocou forte comoção em Florianópolis e ganhou repercussão nacional. O animal, que vivia há cerca de dez anos na região e era cuidado por moradores e frequentadores da praia, morreu após sofrer agressões graves atribuídas a um grupo de adolescentes.

O que aconteceu com Orelha

Orelha desapareceu por alguns dias e foi encontrado agonizando em uma área de mata próxima à Praia Brava, em Florianópolis. Moradores acionaram ajuda imediatamente e o cão foi levado a uma clínica veterinária, onde passou por avaliação emergencial. Segundo os veterinários, os ferimentos eram extensos e incompatíveis com a recuperação, o que levou à decisão pela eutanásia.

Relatos reunidos pela investigação e divulgados pela imprensa indicam que o animal apresentava múltiplos traumas, compatíveis com agressões físicas severas. O caso rapidamente gerou indignação entre moradores da região, que viam Orelha como parte da rotina da praia e símbolo de convivência comunitária.

Investigação policial e desdobramentos

A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou a identificação de ao menos quatro adolescentes suspeitos de envolvimento nas agressões. O caso é conduzido com acompanhamento da Delegacia de Proteção Animal, que atua em conjunto com outras unidades da corporação.

Nesta segunda-feira, uma operação policial cumpriu três mandados de busca e apreensão no âmbito da investigação sobre crimes de maus-tratos contra animais e possível coação de testemunhas. Entre os pontos apurados está a eventual tentativa de interferência nas investigações, relacionada ao pai de um dos adolescentes citados no inquérito, que é policial civil.

O Ministério Público de Santa Catarina informou que acompanha o caso por meio das promotorias da Infância e Juventude e do Meio Ambiente. Como os suspeitos são menores de idade, o processo segue os ritos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, sem prejuízo da responsabilização prevista em lei.

O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello, também se manifestou publicamente, afirmando que as investigações estão avançadas e prometendo novos esclarecimentos após a conclusão das análises técnicas e dos depoimentos.

Mobilização popular e repercussão nas redes

A repercussão do caso ultrapassou os limites de Florianópolis. Moradores, protetores independentes e organizações ligadas à causa animal organizaram manifestações na Praia Brava nos dias 17 e 24 de janeiro. Os atos reuniram dezenas de pessoas com cartazes pedindo justiça, além de momentos de oração e homenagens ao animal.

Nas redes sociais, a hashtag #JustiçaPorOrelha se espalhou rapidamente, impulsionada por vídeos, relatos e pedidos de punição exemplar aos responsáveis. O tema alcançou grande visibilidade e foi compartilhado por páginas de proteção animal e perfis de grande alcance.

Artistas e personalidades públicas também se posicionaram. As atrizes Heloísa Périssé e Paula Burlamaqui publicaram mensagens cobrando respostas das autoridades e destacando a importância do combate à violência contra animais.

Um símbolo da causa animal

Para moradores da Praia Brava, Orelha representava mais do que um cão comunitário. Ele era parte do cotidiano da região, recebia alimentação, cuidados básicos e havia se tornado uma figura conhecida entre turistas e frequentadores habituais da praia.

A grande comoção em torno do caso reabriu o debate sobre maus-tratos a animais no Brasil, a responsabilização dos agressores e o papel da sociedade na proteção de animais comunitários. Nas redes sociais e em manifestações públicas, uma parcela da população passou a questionar a atual legislação, argumentando que menores envolvidos em crimes graves não deveriam sair impunes, e levantando discussões sobre a possibilidade de revisão das regras de responsabilização penal, inclusive com menções à redução da maioridade penal.

Enquanto as investigações seguem em andamento, a expectativa de moradores e ativistas é de que o desfecho do caso resulte em responsabilização efetiva dentro dos limites da lei e sirva de alerta para prevenir novos episódios de violência.

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