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Lucro da JBS fica quase estável no 4º tri e cresce 14,5% em 2025; guerra eleva custos, diz CEO

Lucro da JBS fica quase estável no 4º tri e cresce 14,5% em 2025; guerra eleva custos, diz CEO

Reuters

25/03/2026

Placeholder - loading - Pedaços de carne em açougue no Rio de Janeiro 26/11/2024 REUTERS/Ricardo Moraes
Pedaços de carne em açougue no Rio de Janeiro 26/11/2024 REUTERS/Ricardo Moraes

Atualizada em  25/03/2026

SÃO PAULO, 25 Mar (Reuters) - A JBS, maior empresa de carnes do mundo, reportou nesta ​quarta-feira um lucro líquido praticamente estável no quarto trimestre em comparação com o mesmo período de 2024, com margens menores especialmente em seu negócio de carne bovina nos Estados Unidos limitando os efeitos positivos de uma receita recorde.

A companhia brasileira registrou um lucro líquido de US$415 milhões para o período de outubro a dezembro, um aumento de 0,5% e ligeiramente abaixo dos US$428 milhões estimados por analistas consultados pela LSEG. Em 2025, o resultado líquido aumentou 14,5% em relação a 2024, para US$2,024 bilhões, com a empresa registrando vendas maiores em todos os negócios, para um recorde de receita de US$86,18 bilhões.

Para 2026, a JBS considera que o cenário de oferta de gado nos EUA seguirá difícil, com o boi se mantendo caro para os frigoríficos devido à baixa no ciclo pecuário, mas há atenuantes como a forte demanda por proteínas, disse o CEO global da JBS, Gilberto Tomazoni.

Ainda que a JBS opere com outras carnes, como de frango e suína ⁠em outras regiões e também ⁠nos EUA, a situação da oferta de gado é particularmente ​desafiadora já que ‌a unidade de carne bovina norte-americana representou pouco mais de 30% do total da receita da empresa em 2025.

'Achamos que este ano não tem mudança significativa (na oferta de gado dos EUA), vai continuar sendo um ano difícil para nós', afirmou o executivo.

A demanda firme, juntamente com a diversificação geográfica e de produtos da JBS, deverá colaborar para minimizar impactos desta conjuntura.

'Veja o valor da nossa plataforma, tem um negócio que é 30% do ⁠nosso negócio, com margem negativa (de -1,1% na média de 2025), e a gente consegue continuar crescendo dada essa diversificação tanto ​de proteína quanto de região', afirmou Tomazoni.

A receita líquida saltou 15% no quarto trimestre, para um recorde de US$23,06 bilhões, superando as expectativas dos ​analistas de US$22,38 bilhões, já que suas operações de carne bovina na América do Norte ‌e no Brasil registraram vendas fortes.

'O crescimento (na ​receita) foi ⁠em todos os nossos negócios. Se anualizasse o quarto trimestre, chegaríamos a US$92 bilhões, um caminho claro de entregar crescimento', afirmou Tomazoni.

Ele citou que a tendência de aumento da demanda por carnes deverá continuar, já que as pessoas estão incorporando proteínas em suas dietas mundo afora. 'Agora o consumo tem aumento estrutural adicional', afirmou, reforçando que ​isso vai além do crescimento populacional.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado caiu 7%, para US$1,72 bilhão no trimestre, mas ficou acima dos US$1,56 bilhão previstos pelos analistas.

A margem Ebitda ajustada caiu 1,8 ponto percentual, para 7,4%, sendo pressionada pela menor disponibilidade de boi para abate nos EUA que elevou os preços do gado naquele país.

No ano passado completo, o Ebitda ajustado foi de US$6,8 bilhões, queda de 5% ante 2024.

Logo após a divulgação dos resultados, a ​ação da companhia avançou 1,75% no pós-mercado em Nova York. A alta ocorreu ainda após o conselho de administração da JBS ter aprovado dividendo de US$1 por ação, a ser pago em 17 de junho.

GUERRA NO IRÃ E COTA DA CHINA

Outros desafios estão relacionados à guerra dos EUA e Israel contra o Irã, que tem aumentado custos com transporte dos produtos, por conta da alta dos combustíveis e das alternativas mais caras para entregar carnes no Oriente Médio.

'Teve aumento de custos logísticos. Não houve interrupção (nas entregas), os fluxos estão mantidos, mas mudou a logística nos portos e adicionou transporte rodoviário nos países...', disse.

Ele sinalizou que a demanda por proteínas na região do Golfo Pérsico não foi afetada pela guerra.

'Não afetou o negócio, tem um custo adicional, que está sendo assumido pelos importadores ou ​pelo mercado como um todo', afirmou ele, lembrando que companhia tem três fábricas na região do Oriente Médio, que estão funcionando normalmente.

A JBS, assim como outros exportadores de ‌carne bovina, enfrenta em 2026 uma restrição para ampliar embarques para ⁠a China, o principal mercado externo da empresa, já que o país asiático colocou uma cota anual de pouco mais de 1 milhão de toneladas para o Brasil, e uma taxa proibitiva de 55% ao que exceder esse volume.

'A questão da cota é um fato. O Brasil vai cumprir a cota e ⁠vai ter que colocar em outros mercados os volumes adicionais que não vão para China', afirmou o ⁠CEO, destacando que a empresa tem trabalhado para desenvolver canais alternativos ao ⁠que seria vendido aos chineses.

Ele disse ⁠também ​que as vendas nos mercados internos, com investimentos específicos, devem colaborar para amenizar os impactos de limites tarifários nos embarques para a China.

(Por Roderto Samora e André Romani)

Reuters

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