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Membros do BCE sinalizam vigilância sobre a inflação enquanto os bancos apostam em aumento de juros

Membros do BCE sinalizam vigilância sobre a inflação enquanto os bancos apostam em aumento de juros

Reuters

20/03/2026

Placeholder - loading - Presidente do BCE, Christine Lagarde  19/03/2026. REUTERS/Jana Rodenbusch
Presidente do BCE, Christine Lagarde 19/03/2026. REUTERS/Jana Rodenbusch

FRANKFURT, 20 Mar (Reuters) - Membros do Banco Central Europeu alertaram sobre os ​riscos crescentes para a inflação nesta sexta-feira, mas não chegaram a pedir uma política monetária mais aperta, mesmo com uma série de corretoras começando a prever aumentos nos juros já em abril.

O BCE deixou as taxas de juros inalteradas na quinta-feira, mas alertou que a guerra entre os Estados Unidos e Israel contra o Irã pode levar a inflação muito acima de sua meta de 2% este ano e que um conflito prolongado pode manter a inflação elevada nos próximos anos.

Essa visão reforçou as apostas já generalizadas de aumento dos juros e autoridades, falando sob condição de anonimato, reconheceram que abril pode estar em jogo, a menos que o conflito seja resolvido nas próximas semanas.

Entretanto, seus comentários públicos nesta sexta-feira foram mais comedidos.

'Devemos manter ⁠a cabeça fria ⁠e ficar de olho em todo o campo ​de jogo', disse ‌o presidente do banco central finlandês, Olli Rehn, acrescentando que as autoridades precisam separar a volatilidade de curto prazo do impacto econômico de longo prazo.

O presidente do banco central da França, François Villeroy de Galhau, disse que o BCE não deve reagir de forma exagerada ao aumento do preço da energia, que pode elevar a ⁠inflação para 2,6% este ano, de acordo com a projeção básica do BCE.

'Temos os olhos na ​bola e as mãos prontas para agir', disse ele em uma entrevista ao site de notícias financeiras Boursorama.

Enquanto isso, ​o chefe do Banco da Espanha, José Luis Escrivá, alertou que ‌continua difícil avaliar o impacto ​dos preços ⁠mais altos da energia sobre a trajetória da inflação, de modo que o BCE deve manter sua prática de tomar decisões reunião a reunião.

APOSTAS DE ALTA

Os mercados financeiros agora preveem mais de dois aumentos nas taxas de juros este ano, com o primeiro ​em junho. Os bancos centrais normalmente ignoram os choques do petróleo, mas o temor é que o aumento do preço da energia seja tão grande que se infiltre na economia como um todo, afetando os custos de tudo e perdurando por um longo período.

O presidente do banco central alemão, Joachim Nagel, reconheceu esse risco e disse que o BCE pode ser ​forçado a intervir, a menos que os preços da energia se normalizem logo.

'Na situação atual, é possível que as perspectivas de inflação de médio prazo se deteriorem e que as expectativas de inflação aumentem de forma sustentada, o que significa que uma postura mais restritiva da política monetária provavelmente seria necessária', disse Nagel à Bloomberg.

Enquanto isso, corretoras começaram a apostar em aumentos rápidos da taxa de juros, mudando suas previsões após a reunião de quinta-feira do BCE.

O J.P. Morgan, o Morgan Stanley e o Barclays agora preveem que o BCE aumentará os juros em 2026, uma mudança acentuada em relação às suas ​previsões anteriores de que as taxas permaneceriam inalteradas.

O Barclays e o J.P. Morgan preveem uma mudança em abril, seguida de novos ‌aumentos em junho e julho, respectivamente. Enquanto isso, o ⁠Morgan Stanley espera aumentos de 25 pontos-base em junho e setembro.

Ainda assim, nem todos ficaram convencidos.

'O Conselho do BCE é dominado por membros que têm um viés dovish', disse o economista-chefe do Commerzbank, Joerg Kraemer.

'Continuo não convencido pela expectativa ⁠dos mercados futuros de que o BCE aumentará sua taxa de juros básica ⁠duas vezes até o final do ano', disse ele. 'O obstáculo ⁠para taxa de juros ⁠mais ​alta é maior do que o esperado.'

(Reportagem de Balazs Koranyi, Francesco Canepa, Jesús Aguado, Makini Brice, Gianluca Lo Nostro e Inti Landauro)

Reuters

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