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META OBTÉM PATENTE DE IA CAPAZ DE MANTER PERFIS SEM A PRESENÇA DO USUÁRIO

SISTEMA DESCRITO EM DOCUMENTO PODERÁ UTILIZAR HISTÓRICO DIGITAL PARA REPLICAR ESTILO DE INTERAÇÃO EM FACEBOOK E INSTAGRAM

João Carlos

18/02/2026

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Crédito da imagem: gerada por IA

A Meta Platforms teve aprovada uma patente que descreve um sistema de inteligência artificial capaz de continuar postando, comentando e interagindo em redes sociais a partir da conta de um usuário — inclusive após sua morte, segundo relatou o Business Insider.

O pedido foi submetido em 2023 e detalha uma tecnologia que utilizaria dados históricos da própria pessoa para treinar um modelo de IA capaz de reproduzir seu estilo de comunicação.

O que a patente descreve

De acordo com o documento, o sistema analisaria publicações, comentários, mensagens privadas e padrões de escrita para construir um “perfil comportamental” do usuário.

Com base nesse modelo, o agente digital poderia publicar atualizações, responder comentários, enviar mensagens privadas, compartilhar conteúdos e até participar de chamadas simuladas de áudio ou vídeo como se fosse o próprio usuário.

O texto também indica que o recurso não estaria restrito ao cenário pós-morte. Ele poderia ser utilizado durante períodos prolongados de ausência, funcionando como uma espécie de representante digital automatizado.

O recurso já existe? Não.

Apesar da aprovação da patente, a Meta afirma que não há planos atuais para implementar o sistema.

Empresas de tecnologia frequentemente registram patentes para proteger ideias estratégicas que podem ou não se tornar produtos. O registro, portanto, não significa lançamento iminente.

Ainda assim, o simples fato de a tecnologia estar descrita formalmente em um documento aprovado reacendeu discussões sobre os limites da inteligência artificial.

Consentimento, memória e identidade digital

O CEO da empresa, Mark Zuckerberg, já declarou publicamente que a inteligência artificial pode ajudar pessoas a “se conectar com memórias” de entes queridos. Ele também ressaltou que qualquer iniciativa nesse sentido deveria depender do consentimento da própria pessoa retratada.

A possibilidade de réplicas digitais de pessoas falecidas levanta questões complexas:

Quem decide se o perfil continua ativo?
A família pode desativar a simulação?
Como evitar uso indevido de dados pessoais?
O que acontece se a IA gerar interações que a pessoa nunca teria feito?

A discussão ultrapassa a tecnologia e entra no campo da ética, da privacidade e do próprio conceito de presença digital.

Um debate que já começou

Embora a Meta não tenha lançado esse recurso, startups ao redor do mundo já oferecem serviços de “avatares memoriais” baseados em inteligência artificial.

Esses sistemas utilizam vídeos, áudios e textos antigos para criar versões interativas de pessoas falecidas — cenário que muitos associam à série Black Mirror, conhecida por explorar dilemas tecnológicos contemporâneos.

A diferença é a escala potencial. Uma implementação por parte da Meta, empresa que controla plataformas como Facebook e Instagram, poderia atingir bilhões de usuários.

Entre inovação e limite humano

A tecnologia descrita na patente mostra que já é possível criar modelos comportamentais altamente sofisticados a partir de dados digitais acumulados ao longo de anos.

Mas a questão central não é técnica. É filosófica.

Em uma era em que nossa vida online registra opiniões, emoções e rotinas em detalhes, até que ponto é aceitável transformar esse acervo em uma simulação contínua de presença?

Por enquanto, trata-se apenas de uma patente. Mas o debate sobre memória digital, consentimento e identidade virtual já está em curso — e deve ganhar força à medida que a inteligência artificial se torna cada vez mais integrada ao cotidiano.

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