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    Morte por coronavírus em Miguel Pereira ressalta riscos e provoca debates

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    Cachorro em rua onde mulher de 63 anos morreu em Miguel Pereira (RJ) 20/03/2020 REUTERS/Lucas Landau

    Publicada em  

    Por Gram Slattery e Rodrigo Viga Gaier

    MIGUEL PEREIRA, Rio de Janeiro (Reuters) - No dia 16 de março, a doméstica Cleonice Gonçalves adoeceu repentinamente enquanto trabalhava em um apartamento no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro.

    A família dela chamou um táxi quando soube de sua condição. Cleonice, de 63 anos, levou duas horas, em meio a curvas sinuosas, para chegar em casa na pequena cidade de Miguel Pereira, a aproximadamente 120 quilômetros da capital fluminense. Por volta das 18h, ela deu entrada no hospital local, reclamando de dificuldades para urinar.

    Na tarde seguinte, ela estava morta. A morte de Cleonice foi a primeira morte atribuída ao coronavírus no Rio de Janeiro e a quinta no Brasil.

    A fonte da infecção foi sua empregadora no Leblon, que havia retornado recentemente de férias na Itália, segundo quatro autoridades estaduais e locais que relataram o caso de Cleonice à Reuters. Ainda de acordo com essas autoridade, ela se sentiu mal e procurou fazer testes para o coronavírus, mas não teria informado a sua funcionária, que trabalhava para a família há décadas.

    'Quando (a empregadora de Cleonice) voltou, ela já suspeitava' que tinha Covid-19, a doença respiratória causada pelo coronavírus', disse a secretária municipal de Saúde de Miguel Pereira, Camila Ramos de Miranda.

    A secretária não divulgou o nome da empregadora, e a Reuters não conseguiu verificar de maneira independente sua identidade. Também não pôde ser confirmado o relato das autoridades estaduais e locais sobre como Cleonice foi infectada, incluindo a alegação de que a empregadora não compartilhou as suspeitas sobre sua possível infecção.

    O episódio provocou pânico entre os 25.000 moradores de Miguel Pereira, onde autoridades dizem que agora há 19 casos suspeitos de coronavírus.

    Também desencadeou um debate público sobre classe e privilégio. Pessoas com mais condições de viajar ao exterior teriam ajudado a trazer o coronavírus para o Brasil, segundo autoridades de saúde, que temem agora que a doença inunde comunidades de baixa renda no país. O caso de Cleonice também ocupou espaço nas mídias sociais e gerou polêmica.

    Em uma coluna de 19 de março no jornal Folha de S.Paulo, a mestre em filosofia Djamila Ribeiro disse que o caso exemplifica o estado precário dos pobres do Brasil, muitos dos quais não têm o luxo de poder ficar em casa.

    'Nem precisamos dizer que os mais vulneráveis ??serão os mais afetados', afirmou Djamila. 'É uma questão estrutural.'

    O Ministério da Saúde informou na semana passada que 57% dos quase 9.000 casos suspeitos de coronavírus relatados até terça-feira foram contraídos por pessoas que viajaram para lugares como Itália e Espanha, países europeus mais afetados pela pandemia.

    Um casamento em um resort na Bahia foi apontado como foco de infecções. Pelo menos 10 pessoas que estiveram no evento apresentaram sintomas até a semana passada, de acordo com a mídia. O vírus foi levado por um hóspede que havia viajado recentemente para Aspen, no Estado norte-americano do Colorado, informou o resort em comunicado.

    O vírus está agora se espalhando rapidamente no Brasil. O país tinha 1.266 casos confirmados de coronavírus na tarde de domingo, um aumento de 600% em relação há uma semana, segundo dados do Ministério da Saúde. Na segunda-feira, o número de infectados subiu para 1.891 e o número de mortos chegou a 34.

    Muitos no Brasil, como em grande parte do mundo, trabalham na economia informal, sem benefícios ou dias de licença médica. Mirian Maria de Lira, que trabalha como faxineira no Rio, tem alguma sorte. Ela disse que está recebendo para ficar em casa durante o surto.

    Mas contou que muitos amigos e parentes ainda precisam comparecer ao trabalho ou correm o risco de perder o emprego, incluindo o marido, porteiro de um prédio de apartamentos de luxo.

    'Ele continua trabalhando porque é a única opção', disse.

    LIGAÇÃO

    A cidade de Miguel Pereira fica a cerca de uma hora e meia de carro do Leblon, mas as diferenças são acentuadas. A praia e os bares do Leblon reúnem, principalmente, pessoas com mais recursos do Rio, e os imóveis da região estão entre os mais caros da América Latina.

    Em contraste, na rua estreita onde Cleonice morava, as casas são modestas. Muitos na região viajam diariamente para o Rio, lotando ônibus e trens públicos para uma jornada que leva quase três horas.

    A família de Cleonice Gonçalves, agora em quarentena, se recusou a conversar com a Reuters.

    A morte dela aconteceu rapidamente, segundo a secretária Camila Ramos, o prefeito de Miguel Pereira, André Português, e duas outras pessoas com conhecimento do caso que não quiseram ser identificadas.

    Quando Cleonice foi internada no hospital municipal, que não possui unidade de terapia intensiva, os médicos determinaram que ela tinha infecção do trato urinário, pressão alta e diabete. O Covid-19 acarreta mais riscos para pacientes com doenças crônicas. A secretária de Saúde disse que recebeu uma ligação naquela manhã da empregadora de Cleonice, afirmando que havia testado positivo para coronavírus.

    Os médicos intubaram Cleonice, mas ela morreu naquela tarde. Na quinta-feira, autoridades do Estado do Rio disseram que os testes de laboratório confirmaram que ela tinha o vírus.

    Cleonice foi enterrada no cemitério municipal a cerca de um quarteirão de sua casa, em uma estrutura branca simples.

    Com casos de coronavírus aumentando, autoridades dizem que agora estão implorando aos moradores que fiquem dentro de casa para diminuir a propagação.

    Camila Ramos, a secretária de Saúde, afirmou que o hospital local está treinando protocolos de tratamento contra coronavírus desde dezembro e há semanas constrói uma unidade de terapia intensiva para lidar com o aumento esperado de casos.

    Ainda assim, disse que o medo é grande.

    'Estamos em pânico', declarou a secretária de Saúde, tentando conter as lágrimas.

    (Reportagem adicional de Lucas Landau)

    Escrito por Reuters

    Vulcão Nyiragongo: Crianças esperam reencontrar famílias

    Transcrito: 
    Centenas de milhares de pessoas fugiram após a erupção do vulcão Nyiragongo. Naomi perdeu de vista a família no meio do caos. Ela jamais esquecerá o momento em que o céu ficou vermelho.
     
    Naomi (criança deslocada): ”Disse à minha mãe: ’Olha, mãe, o vulcão entrou em erupção.’ Nós saímos e muitos estavam a fugir. Foi aí que nos perdemos uns dos outros. Eu estava apavorada. Estava a tremer. Não conseguia sequer correr para casa.”
     
    Muitas das 400 mil pessoas que fugiram vieram para a cidade de Sake. De acordo com a ONU, há quase mil crianças desaparecidas. Bahati Batitsie trabalha como voluntário para a Cruz Vermelha. Ate agora, ele e os colegas conseguiram encontrar as famílias de 700 crianças. Bahati tem 6 filhos e acolhe outras 3 crianças. São muitas bocas para alimentar.
     
    Bahati Batitsie Fidel (Voluntário da Cruz Vermelha): “Eu sacrifico o pouco que tenho, o que Deus me deu. É assim que alimento as crianças, mas é uma luta.”
     
    Muitas pessoas estão desesperadas. Bebem a água do lago que pode causar cólera. A equipe humanitária tenta oferecer o básico, como farinha.
     
    Bahati Batitsie Fidel (Voluntário da Cruz Vermelha): “As condições de vida são muito más. Não há comida nos mercados. Pessoalmente, não estou a ganhar nada, sou pobre.”
     
    Naomi acha que sabe onde podem estar os seus pais. Mas esse sítio fica longe e o transporte é caro.
     
    Naomi (criança deslocada): ”Depois de encontrar a minha mãe e o meu pai, gostaria de me mudar para cá, porque gosto de aqui estar."

    A brincar sobre a lava de uma antiga erupção. As crianças esperam rever as suas famílias em breve. 
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