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Nova Engevix vence contratos de R$1,8 bi em retomada de planta de fertilizantes da Petrobras

Nova Engevix vence contratos de R$1,8 bi em retomada de planta de fertilizantes da Petrobras

Reuters

01/07/2026

Placeholder - loading - Trator espalha fertilizante em um campo de soja, nas proximidades de Brasília, Brasil, em 15 de fevereiro de 2022. Foto tirada em 15 de fevereiro de 2022. REUTERS/Adriano Machado
Trator espalha fertilizante em um campo de soja, nas proximidades de Brasília, Brasil, em 15 de fevereiro de 2022. Foto tirada em 15 de fevereiro de 2022. REUTERS/Adriano Machado

Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 1 Jul (Reuters) - A ​Nova Engevix, do grupo Nova Participações, em parceria com a chinesa Powerchina, venceu três dos 11 lotes licitados pela Petrobras para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), em Três Lagoas (MS), em contratos que somam investimento de R$1,8 bilhão, disse o acionista da companhia, José Antunes Sobrinho, à Reuters.

Os lotes conquistados pelo consórcio liderado pela Nova Engevix, com 60% de participação, incluem projeto executivo, construção e comissionamento do sistema de manuseio de ureia granulada, dos sistemas de geração de energia e vapor, da subestação principal e das unidades de ureia fundida e granulação.

A planta de fertilizantes havia tido suas obras paralisadas na década ⁠passada, como decorrência ⁠da operação Lava Jato, que investigou o ​envolvimento de ‌empresas brasileiras e internacionais, políticos e executivos em esquemas de corrupção em contratos com a Petrobras.

Sobrinho afirmou que o projeto de retomada da UFN-III é 'icônico' e 'absolutamente necessário' para o país, uma potência global do agronegócio, que tem dependência elevada de fertilizantes importados.

'O maior resultado comercial da nossa ⁠carteira de exportação vem do agronegócio. Então, se você não tem o insumo básico, ​que é fertilizante -- 80% é importado -- isso gera um risco muito grande', disse Sobrinho.

Segundo Sobrinho, ​os contratos devem gerar 1.800 empregos diretos no canteiro de ‌obras em Três Lagoas, enquanto ​a ⁠engenharia será feita a partir de São Paulo. Ele afirmou que a maior parte da mão de obra especializada terá de vir de outras regiões do país, dada a baixa disponibilidade local para um projeto desse ​porte.

Para o grupo, o contrato representa um avanço na recomposição da carteira de obras. Antunes disse que a divisão de construção busca atingir faturamento de cerca de R$2 bilhões, contando ainda com outros contratos, entre 2028 e 2029, ante cerca de R$400 milhões em 2025.

A Nova Engevix e empresas do grupo ​também foram afetadas pela crise que atingiu grandes companhias de engenharia após a operação Lava Jato.

Segundo Sobrinho, a empresa vem se recuperando gradualmente nos últimos anos, com atuação também em aeroportos, energia e no estaleiro Ecovix, em Rio Grande (RS). O estaleiro tem atualmente uma carteira de 11 embarcações contratadas junto à Transpetro, subsidiária de transporte e logística da Petrobras.

Para a retomada da construção da UFN-III, a Petrobras assinou um total de R$5 bilhões em contratos com diversas empresas e o começo dos trabalhos está previsto para ocorrer ​ainda neste mês.

As assinaturas ocorreram em cerimônia com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ‌havia demandado que a Petrobras buscasse retomar sua ⁠atuação na área de fertilizantes.

As obras devem gerar cerca de 8 mil postos de trabalho diretos e indiretos, com o início das operações previsto para 2029, de acordo com a petroleira.

A capacidade nominal da ⁠UFN-III está projetada para 3.600 toneladas por dia de ureia e ⁠2.200 toneladas por dia de amônia, segundo dados ⁠da Petrobras. A expectativa ⁠é ​que a planta atenda cerca de 15% da demanda de ureia nacional.

(Por Marta Nogueira; edição de Letícia Fucuchima)

Reuters

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