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    Nova 'onda rosa' na América Latina ganha embalo com ida da Colômbia à esquerda; Brasil pode ser o próximo

    Placeholder - loading - Apoiadores de Gustavo Petro comemoram vitória dele na eleição presidencial da Colômbia 19/06/2022 REUTERS/Santiago Arcos
    Apoiadores de Gustavo Petro comemoram vitória dele na eleição presidencial da Colômbia 19/06/2022 REUTERS/Santiago Arcos

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    Por Isabel Woodford e Carlos Vargas e Gabriel Araujo

    CIDADE DO MÉXICO/BOGOTÁ/SÃO PAULO (Reuters) - A nova 'onda rosa' da América Latina está ganhando embalo depois que a Colômbia elegeu seu primeiro líder de esquerda, Gustavo Petro, e a expectativa é que o Brasil siga o exemplo nas eleições de outubro, ecoando uma mudança política regional ocorrida no início dos anos 2000.

    Por toda a região, eleitores enfurecidos, afetados pelo impacto econômico da pandemia de Covid-19 e da inflação galopante alimentada pela invasão russa da Ucrânia, abandonaram partidos hegemônicos e se apegaram a promessas de mais investimentos sociais.

    'Um governo de esquerda na Colômbia representa a esperança', disse à Reuters Gloria Sánchez, uma professora de educação infantil de 50 anos na capital Bogotá e eleitora de Petro.

    'Essa é a primeira vez que há um governo que enxerga as pessoas, os pobres, como seres humanos.'

    A mudança da Colômbia significa sua chegada a um bloco crescente de governos de esquerda que conta com México, Argentina, Chile e Peru. No Brasil, o gigante econômico da região, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as pesquisas de opinião contra o presidente Jair Bolsonaro.

    A redefinição das linhas políticas, com bastiões do conservadorismo como Chile e Colômbia derrubados, pode ter um grande impacto em tudo, desde grãos e metais à política econômica, assim como as ligações com parceiros importantes como Estados Unidos e China.

    'Há um movimento claro e importante acontecendo na América Latina, embora diferentes governos demonstrem nuances diferentes', disse o senador Humberto Costa (PT).

    O presidente chileno Gabriel Boric, um progressista de 36 anos, chegou ao poder em março, e o peruano Pedro Castillo, um ex-professor socialista, no ano passado. O partido socialista boliviano venceu as eleições em 2020 após um curto tempo de governo conservador interino.

    O ex-presidente boliviano Evo Morales, ícone da 'onda rosa' original, escreveu no Twitter que a vitória de Petro na Colômbia marca uma 'consciência social em alta e a solidariedade que levanta a bandeira da esquerda latino-americana'.

    LULA X BOLSONARO

    Todos os olhos estão agora sobre o Brasil, onde as eleições deste ano podem guinar o país para a esquerda, com eleitores cada vez menos satisfeitos com Bolsonaro.

    'A luta contra Bolsonaro renovou a esquerda brasileira', disse o deputado Alexandre Padilha (PT), acrescentando que eleitores mais jovens estão sendo atraídos e que há uma união em oposição ao atual status quo político-econômico.

    'Eu acredito que figuras políticas e econômicos por todo mundo estão cada vez mais notando a necessidade de revisar uma série de políticas neoliberais que provocaram um aprofundamento da desigualdade', acrescentou Padilha.

    A nova 'onda rosa' é, no entanto, totalmente diferente da versão original, que viu a emergência de líderes inflamados da esquerda, como o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Morales.

    Castillo, no Peru, se voltou ao centro desde sua chegada ao poder no meio do ano passado, criando tensões com seu partido socialista. Boric buscou deixar sua agenda econômica mais moderada e criticou regimes de esquerda autoritários na região.

    E a maré também pode virar, com o argentino Alberto Fernández, de centro-esquerda, pressionado antes das eleições de 2023, e Castillo lutando contra repetidas tentativas de impeachment. A popularidade de Boric também minguou desde sua chegada ao poder.

    'Se as eleições por lá estivessem acontecendo hoje, muitos desses governos da 'onda rosa' poderiam desaparecer', disse Nicolas Saldias, analista da Economist Inteligence Unit. 'Isso não demonstra uma base forte de apoio.'

    Nas ruas da Colômbia, muitos eleitores simplesmente queriam uma vida melhor para eles e seus filhos. Uma chance para estudar e trabalhar.

    'Eu não entendo muito sobre esquerda e direita, somos trabalhadores e essas coisas não importam para a gente, queremos trabalhar e que nossos filhos possam ser melhores que nós', disse Pedro Pedraza, de 60 anos, um comerciante em Bogotá.

    'Não queremos nada de graça, queremos condições para trabalhar e melhorar, sair da pobreza.'

    (Reportagem de Isabel Woodford, Carlos Vargas e Gabriel Araujo; Reportagem adicional de Luis Jaime Acosta)

    Escrito por Reuters

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