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OMS diz que América do Sul ainda não atingiu pico da epidemia

Placeholder - loading - Coveiros com traje de proteção se preparam para sepultar uma mulher morta infectada com o novo coronavírus, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo 26/05/2020 REUTERS/Amanda Perobelli
Coveiros com traje de proteção se preparam para sepultar uma mulher morta infectada com o novo coronavírus, no cemitério de Vila Formosa, em São Paulo 26/05/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

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BRASÍLIA (Reuters) - A Organização Mundial de Saúde alertou nesta segunda-feira que a América do Sul ainda não chegou ao pico da epidemia do novo coronavírus, inclusive no Brasil, e não há como prever quando isso vai ocorrer, mas a região é hoje o foco da preocupação da Organização.

'Eu certamente caracterizaria hoje as Américas Central e do Sul como as zonas de intensa transmissão desse vírus nesse momento. Eu não acredito que tenhamos atingido o pico da transmissão e nesse momento não tenho como prever quando atingiremos', afirmou Michael Ryan, diretor-executivo do programa de emergências da OMS, durante conferência de imprensa em Genebra.

O Brasil é citado por Ryan, juntamente com Colômbia, Chile, Peru, Haiti, Argentina, e Bolívia, como os países que registraram maior crescimento no número de casos nos últimos dias, e também entre os cinco países que reportaram o maior número de novas infecções nas últimas 24 horas.

O Brasil teve 16.409 casos no domingo, segundo dados do Ministério da Saúde. Mas, na sexta-feira e no sábado, bateu dois recordes seguidos de registros, com 26.928 e 33.274, respectivamente. No total, o país alcançou 514.849 casos --segundo no mundo-- e 29.314 mortes, ultrapassando nos últimos dias Espanha e França e chegando a quarto lugar no mundo em óbitos.

'Há algumas semanas o mundo estava extremamente preocupado com o que iria acontecer no Sudeste Asiático e na África, e lá a situação ainda é difícil, mas estável. Claramente a situação em vários países da América do Sul está muito longe da estabilidade. Tem havido um aumento rápido dos casos e os sistema de saúde tem vivido um aumento da pressão', afirmou.

Ryan não fala especificamente no Brasil. Afirma, no entanto, que há respostas variadas para a epidemia na região, alguns bons exemplos, outros nem tanto.

'Tivemos respostas diferentes em diferentes países na região. Vemos ótimos bons exemplos de governos que adotaram uma estratégia ampla, de toda sociedade, dirigida pela ciência. Em outras situações, vemos a ausência e fraqueza nisso', analisou.

Apesar de ser um dos países onde a epidemia ainda cresce aceleradamente, o Brasil começou, em diversos Estados, a abrir empresas e afrouxar as regras de isolamento.

Um dos primeiros a colocar em prática um processo elogiado de fim da quarentena, o Rio Grande do Sul viu o número de casos saltar 44% em uma semana, de 6.470 para 9.332. No Distrito Federal, que também abriu a maior parte do setor de serviços, o aumento foi de 31,4% no mesmo período.

Em todo o Brasil, na última semana, o número de casos confirmados cresceu 37,3%.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu)

Escrito por Reuters

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