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Pacientes com Ebola e profissionais de saúde fogem de ataque a hospital no Congo

Pacientes com Ebola e profissionais de saúde fogem de ataque a hospital no Congo

Reuters

16/07/2026

Placeholder - loading - Profissional de saúde em frente a pessoas deslocadas em Bunia, no leste da República Democrática do Congo, em 18 de junho de 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere
Profissional de saúde em frente a pessoas deslocadas em Bunia, no leste da República Democrática do Congo, em 18 de junho de 2026. REUTERS/Gradel Muyisa Mumbere

BUNIA, República Democrática do Congo, 16 Jul (Reuters) - ​Pacientes com Ebola e profissionais de saúde fugiram de um hospital no leste da República Democrática do Congo depois que o local foi atacado por uma multidão enfurecida, segundo informou à Reuters um profissional de saúde da instituição — o mais recente incidente a prejudicar os esforços para conter o surto mortal.

Parentes de uma paciente faziam parte da multidão que invadiu o Hospital Nyakunde, na província de Ituri, na tarde e à noite de quarta-feira, atirando pedras e danificando a ⁠cerca ao ⁠redor do local, disse François Berocan ​Uderos, ‌biólogo médico do hospital.

A multidão reagia à morte de uma mulher que havia ido ao hospital para dar à luz, mas desenvolveu anemia grave, disse ele.

“Membros da família dela se ofereceram para doar sangue, mas ⁠o hospital recusou porque as transfusões de sangue são proibidas durante ​surtos de ebola”, disse Uderos.

A mulher morreu por volta das 15h, e ​o ataque ao hospital começou logo em seguida, ‌disse ele, acrescentando ​que vários ⁠dos cerca de 10 pacientes com Ebola que recebiam tratamento no local haviam fugido.

“A equipe médica já deixou o hospital. O gerador que fornecia energia à unidade ​não está mais funcionando, e os pacientes fugiram”, disse ele.

O ataque ressalta as dificuldades que as autoridades de saúde enfrentam no combate ao Ebola no leste do Congo, onde a desconfiança em relação às equipes médicas, a resistência ​da comunidade e a insegurança têm repetidamente atrapalhado esforços de tratamento e contenção.

O mais recente surto de Ebola, o 17º no Congo, já resultou em 2.073 casos confirmados e 796 mortes, segundo dados oficiais.

Houve vários ataques de multidões enfurecidas a unidades de saúde desde que o surto foi anunciado em maio, relembrando a violência que ocorreu durante um surto de 2018 a 2020 no leste do ​Congo, que matou mais de 25 profissionais de saúde.

Os riscos à segurança têm alimentado ‌protestos e ameaças de greve por ⁠parte dos profissionais de saúde, que afirmam que a remuneração que recebem não reflete a carga de trabalho e o estresse a que estão sujeitos.

O ⁠exército do Congo informou em comunicado que abriu ⁠uma investigação sobre os distúrbios em ⁠Nyakunde.

(Reportagem de Clement ⁠Bonnerot ​em Bunia e Fiston Mahamba em Goma; reportagem adicional de Emma Farge em Genebra)

Reuters

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