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Paracetamol na gravidez é seguro, diz pesquisa motivada por alegações de autismo de Trump

Paracetamol na gravidez é seguro, diz pesquisa motivada por alegações de autismo de Trump

Reuters

16/01/2026

Placeholder - loading - Pessoa segura embalagem de Tylenol 24/09/2025 REUTERS/Hannah Beier
Pessoa segura embalagem de Tylenol 24/09/2025 REUTERS/Hannah Beier

Atualizada em  16/01/2026

Por Jennifer Rigby

LONDRES, 16 Jan (Reuters) - Tomar paracetamol durante a ⁠gravidez é seguro, afirmou um grupo de pesquisadores europeus, depois de compilar dados em resposta às alegações do presidente dos EUA, Donald Trump, no ano passado de uma ligação com o autismo.

Em uma revisão publicada na revista britânica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women's Health no sábado (horário local), a equipe disse que se concentrou em reunir as evidências de melhor qualidade para abordar as alegações.

'O paracetamol é seguro para uso na gravidez', disse a autora principal Asma Khalil, professora de obstetrícia e medicina materno-fetal na City St George's, University of London.

'A mensagem principal é a tranquilidade: ​Quando usado conforme recomendado, as melhores evidências disponíveis ⁠não apoiam ⁠uma ligação causal com autismo, TDAH (transtorno de déficit de atenção/hiperatividade) ou deficiência intelectual.'

PARACETAMOL NÃO ESTÁ RELACIONADO A AUTISMO OU TDAH

Khalil disse que foi questionada sobre o popular analgésico -- também conhecido como acetaminofeno -- por seus pacientes depois que Trump, em setembro, disse às mulheres grávidas para não tomarem o medicamento. Na época, grupos médicos nacionais e ‌internacionais criticaram os comentários do presidente, dizendo que não eram baseados em evidências.

O paracetamol ​é o único analgésico considerado seguro para mulheres grávidas, ‌e os médicos já ​as aconselham ​a usar a menor quantidade pelo menor tempo possível para controlar a dor e a febre durante a gravidez. Se não forem tratadas, essas condições podem ser arriscadas tanto para as gestantes quanto ​para seus bebês.

Os pesquisadores realizaram uma revisão sistemática e uma meta-análise dos dados existentes, encontrando 43 estudos que foram avaliados quanto à qualidade e ao viés usando uma ferramenta padrão.

A equipe concentrou-se especialmente em estudos que analisaram crianças nascidas da mesma mãe que tomaram paracetamol durante uma gravidez, mas não na outra. Esses estudos levam em conta fatores genéticos compartilhados e ambientes familiares que podem estar ligados ao autismo ou a outras condições estudadas, disse Khalil.

Havia apenas três estudos desse tipo, mas eram grandes, abrangendo mais de 260.000 crianças avaliadas quanto ao autismo, e cerca de 335.000 e 405.000 quanto ao TDAH e deficiências intelectuais, respectivamente.

LEVANDO EM CONTA O VIÉS

Os estudos não mostraram nenhuma ligação significativa entre o uso do medicamento e nenhuma das ⁠condições estudadas. Esse foi o caso quando os resultados de todos os estudos de alta qualidade ‌que foram avaliados foram agrupados, disseram os ⁠autores.

Khalil disse que grande parte do trabalho que mostrava uma possível ligação, incluindo uma revisão de 46 estudos citados pelas autoridades de Trump, era propensa a vieses ou fatores de ‍confusão que a revisão de sua equipe tentou levar em conta.

Grainne McAlonan, professora de Neurociência Translacional do King's College de ​Londres, ‌que não participou da pesquisa, elogiou o estudo, acrescentando: 'Espero que as descobertas deste estudo encerrem o assunto'.

Reuters

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