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    Pazuello garantiu que comprará todas vacinas registradas pela Anvisa, diz Caiado

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    Ronaldo Caiado em Brasília 15/06/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Por Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), disse nesta sexta-feira ter sido informado pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, que 'toda e qualquer vacina registrada' que seja produzida no país ou importada será requisitada pela pasta para o combate à Covid-19.

    Segundo Caiado, será editada uma medida provisória para tratar da centralização e da distribuição dos imunizantes contra o novo coronavírus.

    'Toda e qualquer vacina registrada, produzida ou importada no país será requisitada, centralizada e distribuída aos Estados pelo Ministério da Saúde. Pazuello me informou isso aqui em Goiânia, hoje. Nenhum Estado vai fazer politicagem e escolher quem vai viver ou morrer de Covid', disse Caiado, no Twitter.

    'O ministro Pazuello me informou que será editada uma medida provisória que vai tratar dessa centralização e distribuição igualitária das vacinas. Toda e qualquer vacina certificada que for produzida ou importada será requisitada pelo Ministério da Saúde', disse.

    Em nota, após ser questionado sobre o comentário de Caiado, o Ministério da Saúde negou essa possibilidade.

    'Reiteramos que, em nenhum momento, o Ministério da Saúde se manifestou sobre confisco ou requerimento de vacinas adquiridas pelos estados', disse.

    A pasta informou que todas as campanhas nacionais de vacinação são feitas por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI), coordenado pelo ministério.

    'As ações têm o apoio das secretarias estaduais e municipais de saúde e, dessa forma, é possível garantir que as vacinas cheguem a todos os estados/municípios e que o trabalho possa ser realizado com eficiência', informou.

    A publicação pode ser encarada como uma referência indireta a João Doria (PSDB), governador de São Paulo. O Instituto Butantan, vinculado ao governo paulista, testa no Brasil a CoronaVac, potencial vacina contra Covid-19 da chinesa Sinovac e iniciou o envase de doses da vacina no país com uma capacidade que chegará a 1 milhão de doses diárias.

    Doria anunciou nesta semana que iniciará, em 25 de janeiro, a vacinação contra Covid-19 em São Paulo e já fechou acordos com outros Estados e municípios para fornecer o potencial imunizante.

    O governador tucano publicou comentários no Twitter na tarde desta sexta-feira, após a postagem de Caiado. 'Os brasileiros esperam pelas doses da vacina, mas a União demonstra dose de insanidade ao propor uma MP que prevê o confisco de vacinas. Esta proposta é um ataque ao federalismo. Vamos cuidar de salvar vidas e não interesses políticos', disse.

    Recentemente, o presidente Jair Bolsonaro, que é desafeto político de Doria, chegou a desautorizar uma declaração de Pazuello que o governo federal compraria doses da vacina chinesa. Bolsonaro afirmou ainda que a CoronaVac não inspirava segurança na população dada a sua origem.

    Nesta semana, entretanto, o presidente disse em sua conta no Twitter que o governo oferecerá as vacinas de forma obrigatória 'havendo certificação da Anvisa'.

    Nos últimos dias, Pazuello vem afirmando que todas as vacinas que forem registradas no país serão compradas para vacinar os brasileiros. A posição pública do governo de São Paulo e do Butantan tem sido favorável à inclusão da CoronaVac no Plano Nacional de Imunização, e há memorando de entendimento assinado para que isso ocorra, desde que a vacina obtenha autorização da Anvisa, o que ainda não ocorreu.

    O Butantan ainda não apresentou pedido de registro da CoronaVac junto à Anvisa e tampouco apresentou os dados sobre sua eficácia na prevenção da Covid-19 em ensaios clínicos em estágio avançado. A expectativa é que os dados sejam anunciados até a próxima terça-feira.

    O governo federal prepara uma medida provisória que libera 20 bilhões de reais do Orçamento para a compra de vacinas aprovadas pela Anvisa, segundo uma fonte com conhecimento da questão.

    (Reportagem adicional de Ricardo Brito)

    Escrito por Reuters

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