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Pescadores de Gaza encaram artilharia por nacos de comida para alimentar suas famílias

Placeholder - loading - Navios da Marinha israelense patrulham costa do Mediterrâneo próxima à fronteira com Gaza  03/11/2023 REUTERS/Evelyn Hockstein
Navios da Marinha israelense patrulham costa do Mediterrâneo próxima à fronteira com Gaza 03/11/2023 REUTERS/Evelyn Hockstein

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Por Bassam Masoud e Mohammad Salem

RAFAH, Gaza (Reuters) - O pescador de Gaza, Abdul Rahim al-Najjar, arrisca sua vida todos os dias remando um bote entre as ondas sob vigilância do Exército de Israel para ocasionalmente encontrar um caranguejo ou um peixe -- pequenas porções de comida das quais sua família passou a depender.

Pescadores do pequeno enclave palestino estão sujeitos há muito tempo a restritas proibições de Israel sobre até onde podem pescar, mas, desde o começo da devastadora guerra em 7 de outubro, podem se aventurar a apenas cerca de 100 metros da costa.

Mais de três meses de combates, bloqueio e bombardeio israelense levaram Gaza, governada pelo grupo palestino militante Hamas, à beira da inanição, com avaliações da ONU dizendo que a população corre um sério risco de passar fome.

Para os pescadores, que mal conseguem atravessar as primeiras ondas do Mediterrâneo, muito menos chegar às águas mais profundas onde poderiam encontrar cardumes maiores, qualquer coisa que conseguirem agora é vital para manter a si e seus familiares vivos.

'É muito pouco. Essa é nossa pesca. Está vendo? Não conseguimos alimentar nossas crianças', disse Najjar, sentando na praia e erguendo um magro e solitário caranguejo que ele tirou da rede.

Meninas pequenas observavam Najjar trabalhar e procurar nacos de comida na rede, enquanto as separava e as pendurava para secar.

Antes da guerra, pescadores usavam motores em seus pequenos barcos e podiam se afastar vários quilômetros do litoral de Gaza. Agora, saem em pares com remos, um puxando a embarcação pelas ondas enquanto o outro atira as redes.

Quando eles se afastam mais de 100 metros, as forças israelenses às vezes disparam contra eles para instá-los a retornar à costa, disse, entre preocupações de segurança intensificadas diante da guerra.

'Vivemos de acordo com o que pescamos. Apesar do que estamos passando, queremos pescar e viver', disse o irmão de Najjar, Ibrahim, que pesca com ele.

FOME AGUDA

O motivo da disposição em encarar artilharia por uma recompensa tão pequena é evidente no centro da cidade de Rafah, onde pessoas faziam fila em uma cozinha beneficente. As crianças, com o rosto contraído, aguardavam para comer pequenas porções -- e sem acompanhamentos -- de lentilhas ou macarrão.

'Nossos corpos estão falhando devido à falta de comida. Meus filhos estão doentes devido à falta de comida. Não é o suficiente. Mal é suficiente para duas pessoas e precisamos servir sete. Não é nem uma refeição', disse Mohammed al-Shondoghli, um refugiado.

Relatório apoiado pela ONU informou em dezembro que os moradores de Gaza correm o risco de passar por níveis críticos de fome, com a probabilidade de inanição crescendo a cada dia. Imagens recentes mostram centenas de pessoas correndo na Cidade de Gaza para recepcionar uma rara entrega de farinha.

(Reportagem de Bassam Masoud e Mohammad Salem)

Escrito por Reuters

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