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Preços do etanol caem mais de 7% em SP e reforçam competitividade frente à gasolina em meio à guerra

Preços do etanol caem mais de 7% em SP e reforçam competitividade frente à gasolina em meio à guerra

Reuters

20/04/2026

Placeholder - loading - Um funcionário de um posto de gasolina enche o tanque de um carro com etanol em Cuiabá, Brasil, em 2 de outubro de 2019. REUTERS/Marcelo Teixeira
Um funcionário de um posto de gasolina enche o tanque de um carro com etanol em Cuiabá, Brasil, em 2 de outubro de 2019. REUTERS/Marcelo Teixeira

Por Roberto Samora

SÃO PAULO, 20 Abr (Reuters) - Os preços do etanol cotados nas ​usinas de cana-de-açúcar do Estado de São Paulo, maior produtor e consumidor do combustível no Brasil, tiveram queda de mais de 7% na semana passada, com o mercado citando o aumento da oferta na safra 2026/27 e os preços do açúcar pressionados no cenário internacional, apontou nesta segunda-feira o centro de estudos Cepea.

A queda de preços tende a favorecer o uso do biocombustível em detrimento da gasolina, em momento em que os valores dos combustíveis fósseis estão mais altos no cenário internacional por conta da guerra no Irã, avaliou a Argus, empresa especializada em dados e preços do setor de commodities e energia.

Ao mesmo tempo, o recuo do biocombustível torna a gasolina vendida nos postos 'mais barata' no Brasil, já que o combustível fóssil é comercializado nas bombas com uma mistura obrigatória de 30% de etanol anidro, acrescentou a Argus, em análise à Reuters nesta segunda-feira.

A ⁠Petrobras, que detém grande ⁠parte do mercado de gasolina, está mantendo seus preços a ​distribuidoras, mas ‌a oferta brasileira também é complementada com o derivado de petróleo importado, que ficou mais caro pela guerra, dando ao etanol hidratado vantagem. Além disso, o país é abastecido, em menor medida, por refinarias privadas.

'A queda (do etanol) reflete o início da safra 2026/27 de cana, para a qual se espera uma produção recorde de etanol no centro-sul', afirmou Maria Lígia Barros, responsável por precificação de etanol ⁠da Argus.

Segundo ela, esse movimento do etanol, simultaneamente à sustentação dos preços dos derivados de petróleo em função ​da guerra no Oriente Médio, deixa mais competitivo o biocombustível.

'A valorização da gasolina promoveu uma queda na paridade nacional para abaixo de ​70% em março, antes do início da safra em 1º de abril', disse ‌Barros, referindo-se à regra que aponta ​que é ⁠mais vantajoso usar etanol hidratado quando este custa menos de 70% do que a gasolina.

Entre 13 e 17 de abril, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado fechou a R$2,5920/litro (líquido de ICMS e PIS/Cofins), recuo de 7,01% em relação à semana anterior. O dado está próximo de pesquisa da Argus, que ​apontou uma queda semanal de 6,2% na cotação da usina (equivalente Ribeirão Preto).

Para o etanol anidro, o indicador do Cepea foi de R$2,9575/litro (sem PIS/Cofins), retração de 7,43% na mesma base de comparação.

A última vez que o etanol anidro -- usado na mistura de 30% da gasolina -- havia ficado abaixo de R$3 por litro havia sido em 1º de agosto do ano passado, destacou o Cepea, em análise.

O Brasil está no início do processamento da ​safra 2026/27, que deverá contar com uma produção recorde de etanol, com aumento do volume do biocombustível de cana-de-açúcar, além do de milho.

'No front interno, com uma possível maior oferta, os valores dos etanóis hidratado e anidro tendem a ser pressionados no ciclo 2026/27, e os preços nas bombas tendem a acompanhar o movimento de queda do segmento produtor -- esse contexto, por sua vez, deve aquecer as vendas de etanol no varejo', afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Na última semana, na média Brasil, os preços do etanol hidratado e da gasolina nos postos revendedores foram cotados R$4,69/litro e R$6,77/litro, com quase nenhuma oscilação em relação à semana anterior (R$4,70/l e R$6,78), segundo dados da agência reguladora ANP.

Nos postos ​do Estado de São Paulo, o movimento foi semelhante, com o etanol cotado em média a R$4,52/litro (estável ante a semana anterior) e a gasolina a R$6,98/litro, ‌com alta de R$0,01, apesar da queda acentuada de preço ⁠na usina.

Segundo dados do Cepea, o etanol hidratado na usina paulista registrou a quarta semana de queda seguida, enquanto no caso do anidro foi a terceira.

Já a Argus observou que o preço final ao consumidor reflete ainda custos e margens da revenda, estabelecidos de acordo com ⁠livre mercado.

Com as cotações do açúcar nas bolsas internacionais acumulando quedas, para uma mínima de ⁠cinco anos no caso do açúcar bruto, 'o cenário que pode levar ⁠usinas a aumentarem o mix de ⁠etanol', ​lembrou o Cepea, comentando que os valores do etanol comparativamente aos do açúcar devem motivar maior produção do biocombustível.

(Por Roberto Samora; edição de Marta Nogueira)

Reuters

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