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Primeiro-ministro do Reino Unido renuncia, abrindo caminho para transferência ordenada do poder

Primeiro-ministro do Reino Unido renuncia, abrindo caminho para transferência ordenada do poder

Reuters

22/06/2026

Placeholder - loading - Primeiro-ministro britânico Keir Starmer discursa em frente ao número 10 da Downing Street, após a vitória decisiva de Andy Burnham na semana passada na eleição suplementar de Makerfield, em Londres,
Primeiro-ministro britânico Keir Starmer discursa em frente ao número 10 da Downing Street, após a vitória decisiva de Andy Burnham na semana passada na eleição suplementar de Makerfield, em Londres,

Atualizada em  22/06/2026

Por Elizabeth Piper e Kate Holton e Sam Tabahriti

LONDRES, 22 Jun (Reuters) - O primeiro-ministro do Reino ​Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira que está deixando o cargo, abrindo caminho para o que se espera ser uma transferência ordenada do poder ao favorito Andy Burnham, que poderá se tornar o sétimo líder do país em 10 anos já no próximo mês.

Em um discurso emocionado, Starmer disse que havia ouvido seu partido, o Partido Trabalhista, e percebido que não é mais a pessoa indicada para liderá-lo nas eleições nacionais previstas para 2029.

Após fazer seu anúncio na escadaria de seu escritório em Downing Street e residência em Londres, a decisão de Starmer de se afastar poderia ter desencadeado uma disputa acirrada pela liderança, mas vários parlamentares trabalhistas afirmaram que agora esperam algo mais parecido com uma coroação.

Burnham, um político de carreira de 56 anos, rapidamente conquistou o apoio de outro rival em potencial à liderança, o ex-ministro da Saúde Wes Streeting, com um deputado trabalhista afirmando que é mais provável que o ex-prefeito seja agora empossado como líder.

Ele entrou no Parlamento sob aplausos dos deputados trabalhistas e algumas vaias da oposição, incluindo uma pessoa que gritou: “Ele não é o Messias”. Em seguida, jurou ⁠lealdade ao rei Charles para assumir ⁠seu cargo de deputado, um passo necessário para se tornar o novo ​líder do Partido ‌Trabalhista e da Reino Unido.

AGITAÇÃO POLÍTICA

O governo trabalhista é o mais recente a sofrer as consequências da ira dos eleitores diante do fracasso dos políticos em cumprir suas promessas de mudança, dez anos após o referendo pela saída da União Europeia.

Starmer disse que pedirá ao comitê organizador do Partido Trabalhista que estabeleça um cronograma para uma disputa pela liderança a fim de encontrar seu substituto. As indicações seriam abertas em 9 de julho, encerradas em meados de julho e, se houver disputa, um novo ⁠líder assumirá o cargo até setembro. Uma “coroação” poderia significar que um novo líder assumiria o cargo já em meados de julho.

“A questão ​que meu partido está levantando agora é se eu sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais. Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar ​a essa pergunta e aceito essa resposta de bom grado”, disse ele.

Depois de descrever as conquistas que ‌seu governo alcançou nos dois anos no ​poder, um ⁠homem que costuma ser criticado por parecer robótico ficou visivelmente emocionado, com a voz embargada ao agradecer à família pelo apoio.

“Quando deixar o cargo mais importante do país, vou dedicar mais tempo à tarefa mais importante: ser o melhor marido possível para minha fantástica esposa Vic, que tem sido um porto seguro ao meu lado nos momentos bons e ruins, e ser o melhor ​pai possível para meus lindos filhos, que são meu orgulho e minha alegria.”

PRESSÃO VINHA SE ACUMULANDO HÁ MESES

Starmer passou o fim de semana com sua esposa, Victoria, em sua residência de campo para refletir sobre seu futuro. Com o apoio cada vez mais escasso, ele percebeu a realidade política de sua posição.

Houve certa tristeza nas fileiras do Partido Trabalhista, com o ministro da Indústria, Chris McDonald, afirmando que o discurso de Starmer ressaltou o fato de que “ele é um homem realmente decente”. No entanto, outros disseram que ele havia sido tratado da ​mesma forma que tratava os outros quando era primeiro-ministro.

A ameaça a Starmer, que vinha se acumulando há meses, aumentou drasticamente na sexta-feira, quando Burnham venceu de forma decisiva a eleição parlamentar em Makerfield, no noroeste da Inglaterra, garantindo seu retorno a Westminster, derrotando um candidato do partido Reform UK, de Nigel Farage, que liderava as pesquisas de opinião há mais de um ano.

Essa vitória deu esperança aos parlamentares trabalhistas de que Burnham, conhecido por suas fortes habilidades de comunicação, possa transformar a sorte de um partido que perdeu apoio sob a liderança de Starmer.

A libra se valorizou em relação a outras moedas e os títulos do governo britânico se valorizaram após o anúncio de Streeting, com investidores acolhendo com satisfação um caminho mais certo para a ascensão de Burnham ao cargo de primeiro-ministro.

Apesar da esperança de uma transição tranquila, a mudança não está isenta de riscos.

Burnham ainda não detalhou uma agenda política completa, ​e Farage, do Reform, pediu imediatamente a realização de eleições nacionais.

“Cansei de ficar esperando. O Reino Unido precisa de mudança, mudança de verdade, não mais um político acabado e ultrapassado empurrado para ‌o cargo pelo partido único”, disse Farage em comunicado.

AINDA SEM ABORDAGEM CLARA

Além ⁠de afirmar que a Reino Unido precisa de uma mudança fundamental e que deseja reduzir o custo de vida, Burnham ainda não deixou clara sua abordagem em relação às relações exteriores, à economia e à defesa.

Assim como Starmer, ele pode descobrir que tem pouca margem de manobra, cercado por investidores do mercado de títulos que se opõem a qualquer ⁠endividamento adicional e confrontado por um eleitorado indignado que acredita que o país não está funcionando adequadamente.

O Reino Unido já ⁠tem os custos de endividamento mais altos entre as nações ricas do G7 devido ⁠à sua dívida elevada, aos anos de ⁠crescimento ​econômico anêmico, às dificuldades para cortar gastos e à necessidade de investir em áreas como a defesa.

(Reportagem adicional de Andrew MacAskill, Alistair Smout, David Milliken, Sam Tabahriti, William James e Sarah Young)

Reuters

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