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    Queiroga assume Saúde, Bolsonaro ainda busca espaço para Pazuello, dizem fontes

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    16/03/2021 REUTERS/Ueslei Marcelino

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    Atualizada em  

    Por Lisandra Paraguassu

    BRASÍLIA (Reuters) - Mais de uma semana após o anúncio de que o cardiologista Marcelo Queiroga seria o novo ministro da Saúde, o presidente Jair Bolsonaro deu posse a ele no cargo nesta terça-feira em uma cerimônia fora da agenda e fechada, antes mesmo da publicação da exoneração do comando da pasta de Eduardo Pazuello, disseram fontes.

    Bolsonaro ainda procura um cargo no governo para Pazuello, general da ativa do Exército, e o nome dele surge agora como cotado para coordenar o Programa de Parceria em Investimentos, disseram à Reuters fontes a par do assunto.

    Queiroga, que é sócio de várias empresas médicas na Paraíba, precisava deixar as sociedades para assumir de fato o ministério, de acordo com as regras da administração pública.

    O Planalto tinha planejado uma cerimônia na quinta-feira, com a exoneração de Pazuello a partir de quarta, mas o presidente decidiu antecipar a posse para já apresentar Queiroga como ministro de fato em reunião com os demais chefes de Poderes marcada para quarta-feira pela manhã, disse uma fonte.

    A intenção é chegar ao encontro, chamado pelo próprio presidente, com o novo ministro para rebater as críticas de que o ministério estava acéfalo e apresentar o fato consumado.

    O governo, no entanto, ainda não tinha decidido até o início da tarde qual seria o destino de Pazuello. De acordo com uma fonte com conhecimento do assunto, a mais recente solução, apresentada pelo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni, seria colocar Pazuello para coordenar o PPI, que cuida das concessões e privatizações do governo.

    O programa, como secretaria especial, hoje está no Ministério da Economia, depois de ter sido parte da Casa Civil enquanto Onyx era ministro. Coordenado por Martha Seillier, técnica que trabalha na área desde o governo do ex-presidente Michel Temer, é visto como uma área que funciona no governo.

    Uma mudança na coordenação, avalia essa fonte, pode desestruturar a área. 'É resolver um problema criando outro.'

    Essa mudança, no entanto, não está definida, garante a fonte próxima do presidente. Segundo ela, o mais provável sim é que Pazuello ganhe um cargo no Palácio do Planalto. Essa alternativa poderia ser a secretaria do PPI, que sairia da Economia, ou então uma secretaria especial.

    Bolsonaro chegou a considerar a criação de um ministério para cuidar do desenvolvimento da Amazônia Legal, que teria sob seu guarda-chuva órgãos como a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), mas a ideia não foi adiante.

    'Não tem como criar ministério nesse momento, não é uma boa. Já começaram a atacar essa ideia', disse à Reuters a fonte.

    O Ministério da Amazônia era a ideia preferida de Pazuello, que chegou a falar a auxiliares sobre a possibilidade. O atual ministro da Saúde é da região, tem família lá e pensa em um candidatura política pelo Amazonas.

    A ideia, no entanto, foi de fato extremamente atacada, não apenas nas redes sociais como no Congresso. Chegou ao Palácio do Planalto a informação de que a criação de um novo ministério, que precisa ser por medida provisória ou por projeto de lei, poderia não ser aprovada, disse uma terceira fonte.

    Se ficar sem cargo no governo, Pazuello teria que voltar para o Exército e esperar um posto ficar vago. No entanto, de acordo com uma das fontes, o Exército não gostaria de ver o general, que se envolveu diretamente em várias crises no comando da Saúde e ficou com imagem de grande envolvimento com o lado político do governo, de volta às suas fileiras.

    A ideia dos generais é que Pazuello fosse então imediatamente para a reserva. O ministro, no entanto, ainda teria três anos de serviço ativo e não quer ir para a reserva.

    (Edição de Alexandre Caverni e Eduardo Simões)

    Escrito por Reuters

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