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    Queiroga assume para si responsabilidade por não nomear secretária de combate à Covid

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    Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, durante depoimento à CPI da Covid no Senado 08/06/2021 REUTERS/Adriano Machado

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    Por Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou nesta terça-feira que partiu dele a decisão de não nomear a infectologista Luana Araújo para a Secretaria Especial de Combate à Covid-19 que criou ao assumir a pasta, mas admitiu motivação 'política' entre a classe médica para desistir da escolha.

    A declaração, em depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid no Senado, contraria informação dada pela médica. Convidada por Queiroga para o cargo, no qual chegou a trabalhar mesmo sem a nomeação por dez dias, Luana Araújo relatou à CPI ter sido informada pelo próprio ministro que seu nome não teria sido aprovado pelo Palácio do Planalto.

    'Todas as nomeações passam pela apreciação da Casa Civil, passam pela Segov (Secretaria de Governo), e, após essa validação, a nomeação pode ser efetivada. Eu já disse aqui que não houve nenhum óbice formal dessas duas instâncias', disse o ministro. 'A Casa Civil aprovou o nome dela.'

    'Eu desisti do nome da dra. Luana, porque eu vi que o nome dela não estava suscitando o consenso que eu desejava', explicou, argumentando que qualquer nomeação é ato discricionário do ministro.

    Segundo ele, que disse desconhecer a atuação de um grupo de aconselhamento ao presidente Jair Bolsonaro alternativo ao Ministério da Saúde sobre o combate à pandemia, o chamado 'gabinete paralelo', a desistência da nomeação deveu-se ao entendimento segundo o qual o perfil da infectologista não iria contribuir para 'harmonizar' as discussões na classe médica, principalmente relacionadas ao uso da cloroquina no chamado 'tratamento precoce'.

    A afirmação provocou estranhamento por parte de alguns integrantes da CPI. Chegou a ser exibido vídeo em que o ministro falava, em audiência pública, que o país funciona sob um regime presidencialista e, por isso, nomeações estariam sujeitas a validação técnica e política. Questionado sobre a fala anterior, explicou que sua decisão 'é uma questão política, não é questão político-partidária', argumentou.

    'É questão política da própria classe médica', acrescentou.

    Araújo tem posição pública contrária ao uso da cloroquina e afirmou à CPI que sua ineficácia já está cientificamente comprovada. Queiroga, por sua vez, de maneira mais incisiva do que na primeira vez em que depôs à comissão, admitiu nesta terça-feira que o tratamento não tem eficácia comprovada.

    O tratamento precoce e o uso da cloroquina têm sido abertamente defendidos pelo presidente Jair Bolsonaro.

    Em depoimento à CPI, Araújo relatou ter sido informada pelo próprio ministro que, apesar de seu convite, não poderia ser nomeada porque seu nome não passaria pela Casa Civil. Em seguida, corrigiu, afirmando não ter certeza se essa era a instância correta, mas confirmou que havia sido vetada.

    'Não falei, não falei que era o Palácio. E, se a dra. Luana entendeu dessa forma, é uma questão de entendimento dela', disse o ministro.

    Queiroga reconheceu ainda dificuldades em encontrar um nome para a secretaria que seria assumida por Araújo, mas prometeu uma definição até a sexta-feira.

    'A Secretaria de Enfrentamento à pandemia é uma pasta importante. Quero dizer para Vossa Excelência que não é fácil encontrar quadros que queiram assumir responsabilidades', afirmou.

    Questionado sobre a postura de Bolsonaro, que tem participado de atos com aglomeração de pessoas, muitas vezes sem máscara, Queiroga disse que não cabe a ele, como ministro da Saúde, julgar os atos do presidente. Afirmou que não atua como censor do presidente da República, disse trabalhar pelo reforço das medidas farmacológicas como o uso de máscaras e o distanciamento físico, e reiterou que a solução para a pandemia passa pela vacinação em larga escala.

    Sobre a realização da Copa América no Brasil, avaliou que por não se tratar de um evento de grandes proporções, na sua opinião, não trará riscos adicionais ao país.

    'O mérito da decisão de ter a Copa América no Brasil não foi decidido por mim, é uma situação concreta. O que eu avaliei foram os protocolos. E os protocolos são protocolos seguros', afirmou.

    Escrito por Reuters

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