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EUA sediam raras negociações entre Israel e Líbano, mas progresso é incerto

EUA sediam raras negociações entre Israel e Líbano, mas progresso é incerto

Reuters

14/04/2026

Placeholder - loading - Rubio recebe embaixadores de Israel e Líbano e outras autoridades para reunião no Departamento de Estado 14 de abril de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque
Rubio recebe embaixadores de Israel e Líbano e outras autoridades para reunião no Departamento de Estado 14 de abril de 2026 REUTERS/Kevin Lamarque

Atualizada em  14/04/2026

Por Simon Lewis e Humeyra Pamuk e Laila Bassam e Alexander Cornwell

WASHINGTON/BEIRUTE/JERUSALÉM, 14 Abr (Reuters) - O ​secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, foi o anfitrião, nesta terça-feira, das primeiras conversas diretas entre Israel e Líbano em décadas, e os dois lados relataram discussões positivas, embora não esteja claro de imediato se chegaram a um acordo sobre um plano de paz.

A conversa representou um raro encontro entre representantes de governos que, tecnicamente, estão em estado de guerra desde a criação de Israel, em 1948. Eles iniciaram as negociações com agendas conflitantes: Israel descartou qualquer discussão sobre um cessar-fogo no Líbano e exigiu que Beirute desarmasse o Hezbollah.

O Departamento de Estado dos EUA divulgou um comunicado após a reunião, afirmando que os dois lados tiveram 'discussões produtivas sobre medidas para iniciar negociações diretas'.

O comunicado expôs as posições de cada país, mas não informou se alcançaram um consenso.

'Todas as partes concordaram em iniciar negociações diretas em data e local mutuamente acordados', disse o comunicado.

Após a reunião de mais de duas horas em Washington, Yechiel Leiter, embaixador de Israel nos Estados Unidos, disse a jornalistas que o governo libanês deixou claro durante as negociações que não será mais 'ocupado' pelo Hezbollah, milícia libanesa alinhada ao Irã. ⁠Ele se recusou a dizer se ⁠Israel cessaria seus ataques ao Líbano.

A embaixadora libanesa Nada Moawad descreveu ​a reunião preliminar ‌como 'construtiva'. Em declaração à Reuters, ela afirmou que, durante o encontro, pediu um cessar-fogo, o retorno dos deslocados às suas casas e medidas para aliviar a crise humanitária no Líbano causada pelo conflito.

O encontro ocorre em um momento crítico da crise no Oriente Médio, uma semana após o início de um frágil cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e Irã.

O conflito mais amplo na região começou com os ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro. O Hezbollah abriu ⁠fogo em apoio a Teerã em 2 de março, desencadeando uma ofensiva israelense que matou mais de 2.000 pessoas e forçou 1,2 milhão ​a deixar suas casas, segundo as autoridades libanesas.

A presença de Rubio, principal diplomata e conselheiro de Segurança Nacional do presidente Donald Trump, sinalizou o desejo de Washington ​de ver progresso.

Trump instou Israel a reduzir os ataques no Líbano, aparentemente para evitar um comprometimento do cessar-fogo ‌entre os EUA e o Irã. O ​conflito no ⁠Oriente Médio levou à maior interrupção no fornecimento de petróleo da história, aumentando a pressão sobre Trump para encontrar uma solução.

O Irã afirma que a campanha de Israel contra o Hezbollah no Líbano deve ser incluída em qualquer acordo para pôr fim à guerra no Oriente Médio, o que complica as negociações mediadas pelo Paquistão, cujo objetivo é evitar maiores consequências econômicas. Washington reagiu, afirmando ​que não há entre as duas frentes de negociação.

MOMENTO CRÍTICO

Ao discursar no início da reunião, Rubio reconheceu que as conversas de terça-feira não resolveriam 'todas as complexidades', mas expressou a esperança de que elas ajudem a formar uma estrutura para a paz.

O embaixador israelense também expressou esperança posteriormente, mas não mencionou uma forma concreta de seguir em frente.

'O que me dá esperança é o fato de o governo libanês ter deixado bem claro que não será mais ocupado pelo Hezbollah... Esta é uma oportunidade. Esta é a primeira vez em mais de três décadas ​que nossos dois países estão sentados juntos', disse Leiter, acrescentando que pode haver novas conversas nas próximas semanas.

Liderado pelo presidente Joseph Aoun e pelo primeiro-ministro Nawaf Salam, o governo libanês pediu negociações com Israel, apesar das objeções do Hezbollah, o que reflete o agravamento das tensões entre o grupo muçulmano xiita e seus oponentes.

O Estado libanês busca desarmar o Hezbollah pacificamente desde a guerra entre a milícia e Israel em 2024. Qualquer tentativa do Líbano de desarmá-lo pela força corre o risco de detonar um conflito em um país devastado pela guerra civil entre 1975 e 1990. As ações contra o Hezbollah por um governo apoiado pelo Ocidente em 2008 provocaram uma breve guerra civil.

O atual governo proibiu o braço armado do Hezbollah depois que este abriu fogo contra Israel no mês passado.

Autoridades libanesas afirmaram que Moawad só tem autoridade para discutir um cessar-fogo na reunião desta terça-feira, enquanto a porta-voz do governo ​israelense, Shosh Bedrosian, disse que Israel não discutirá um cessar-fogo, em uma amostra de quão divergentes estão os dois lados.

CONVERSAS POSSÍVEIS

Em declarações anteriores, Rubio já afirmou que essas conversas seriam um processo e ‌não um evento isolado. Leiter disse que pode haver mais conversas em ⁠breve, mas nenhum dos participantes mencionou data e local específicos.

'Houve algumas propostas, algumas recomendações. É claro que levaremos essas recomendações aos nossos governos... e retornaremos nas próximas semanas, continuaremos reunidos. Provavelmente, daremos continuidade às conversas em Washington', disse Leiter .

Rubio coordenou as negociações desta terça-feira em meio a questionamentos sobre sua ausência nas conversas com o Irã. Trump enviou o vice-presidente JD ⁠Vance a Islamabad no fim de semana para liderar as negociações norte-americanas.

O conselheiro do Departamento de Estado, Michael Needham, ⁠o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, e o embaixador dos EUA no ⁠Líbano, Michel Issa, amigo pessoal de Trump, ⁠também ​participaram das conversas nesta terça-feira.

(Reportagem de Simon Lewis e Humeyra Pamuk em Washington; Laila Bassam e Maya Gebeily em Beirute; Alexander Cornwell e Rami Ayyub em Jerusalém; Reportagem adicional de Ryan Jones)

Reuters

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