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    Setembro Amarelo: perguntas e respostas sobre a depressão

    No Brasil, a campanha foi criada em 2015 e hoje já é apoiada por muitos.

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    Bolas amarelas com rostos de diferentes humores (Foto: Pixabay)

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    Setembro está só começando e, além da primavera, o mês também traz a campanha Setembro Amarelo. No Brasil, ela foi criada em 2015 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

    A ideia é associar à cor o mês que marca o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio (10 de setembro). Ao longo dos últimos anos, muitos têm se envolvido neste movimento, que hoje é reconhecido por todo o Brasil. Monumentos como o Cristo Redentor (RJ), o Congresso Nacional e o Palácio do Itamaray (DF), o Estádio Beira Rio (RS) e o Elevador Lacerda (BA), já participam da campanha.

    Por isso, a Antena 1 entrevistou Melina Cury Haddad, psicóloga especialista em terapias cognitivas e instrutora de Mindful Eating da Care Plus para esclarecer algumas dúvidas sobre a depressão, uma das principais doenças que assola a sociedade atualmente – e que e que está muito em voga por causa do Setembro Amarelo.

    Os estereótipos atribuídos a pessoas que sofrem com a doença são reais? Pessoas tristes, sozinhas, pessimistas.

    Não, nem sempre a pessoa com depressão apresenta esses sinais e sintomas, ela pode levar uma vida normal, conseguir trabalhar, se relacionar, mas pode estar vivenciando um grande sofrimento e não dividir com ninguém.

    É possível ter a depressão e apresentar outros sintomas além dos que todos já conhecem e atribuem à depressão?

    Sim, alguns sintomas da depressão podem se confundir com outros problemas, como ansiedade, agitação, irritação excessiva, problemas com sono, perda ou ganho de peso. Uso ou abuso de álcool ou outras drogas.

    Quais as causas da depressão? Existem tipos diferentes?

    Segundo o DSM-V (Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais), a depressão é multicausal, são vários fatores que contribuem para desenvolver a doença, como fatores genéticos, hereditários, ambientais e comportamentais. A depressão tem características e pode ter intensidades diferentes, como depressão leve, moderada ou grave ou tipos diferentes como transtorno disfórico pré-menstrual, que antecede a menstruação em algumas mulheres. A depressão pode ser induzida por substância ou medicamento, também pode ocorrer devido a outra condição médica, como exemplo na gestação ou no pós-parto. E até sazonal, devido à alteração de clima em países mais frios, isso pode ser recorrente.

    Como diferenciar uma tristeza passageira de um quadro depressivo?

    Como diz a pergunta, a tristeza é passageira, dura pouco tempo e normalmente vem por alguma causa ou motivo específico, a tristeza é um sentimento, uma emoção normal do ser humano,  já a depressão não necessariamente tem relação com algum acontecimento da vida  ou motivo, é uma doença e que a duração é maior, afeta muitas áreas da vida da pessoa, como relacionamentos, afeta o prazer, o interesse pelas coisas, causa uma falta de esperança em relação ao futuro, a pessoa que está sofrendo não acha que as coisas podem mudar ou melhorar, a sensação é de desesperança e desamparo.

    Quando buscar ajuda?
     

    Quando perceber que existe a presença de uma tristeza profunda ou há falta de prazer e interesse pelas coisas, quando tem alteração de sono ou apetite e se esses sintomas duram  há bastante tempo, pelo menos por duas semanas consecutivas, é hora de procurar ajuda profissional. Se perceber algum parente ou amigo nessas condições, se propor a ter uma conversa empática, sem julgamentos e oferecer apoio para buscar ajuda.

    O tratamento sempre é feito com remédios? Em quais casos os remédios podem ser a melhor opção, e há algum caso que o remédio não seja a melhor escolha? 

    Nem sempre o tratamento precisa ser feito com remédios, dependendo do nível, da intensidade e duração da depressão, ela pode ser tratada apenas com acompanhamento psicológico e a Terapia Cognitivo Comportamental é a mais indicada e com melhores resultados no tratamento, porém alguns casos exigem mais cuidado e atenção e devem ser tratados concomitantemente com medicação e terapia. Nestes casos, a pessoa deve procurar um psiquiatra e um psicólogo. A prática de atividade física e seguir uma alimentação saudável e balanceada também ajuda muito nos resultados e melhora da doença.

    Depressão tem cura? 

    Se a depressão for detectada e tratada no começo podemos pensar em uma remissão completa dos sintomas e esses sintomas podem ser controlados a vida toda,  mas uma vez que a pessoa vivenciou a depressão e mesmo que os sintomas não existam mais, é importante estar atento durante a vida toda, pois os sintomas podem voltar a surgir

    Depressão pode ter causas genéticas e não ter nada a ver com qualquer tipo de trauma sofrido pela pessoa? 

    Sim, a depressão tem causas genéticas, incluindo mudanças na bioquímica do cérebro, há uma alteração nos neurotransmissores e não está relacionada a um trauma específico que a pessoa sofreu.

    Quanto ao suicídio, como abordar alguém que pensa sobre ele? É importante falar abertamente e perguntar sem maiores delongas se a pessoa tem a intenção de se matar? 

    Sabemos que muitas pessoas que falam de suicídio e expõe esse desejo realmente podem cometer a tentativa. É preciso sim ajudar a pessoa que apresenta algum sinal ou sintoma, mas a conversa deve ser feita de maneira delicada e com gentileza; reservar um espaço e tempo para ouvir a pessoa, muitas vezes só de falar a pessoa pode se sentir melhor e rever o que está acontecendo; assegurar a ela que será uma conversa sigilosa, pois a pessoa pode ter medo de se expor; não julgar ou dar “bronca”, uma escuta aberta e livre de julgamentos demonstra empatia e acolhimento e buscar apoio de um profissional de saúde para direcionar esta pessoa a um serviço especializado.

    Quando pensamos em suicídio, logo a depressão nos vem à mente. Mas diversos distúrbios podem levar a isso, não é? Quais mais? 

    Sim, outros transtornos psiquiátricos podem ser responsáveis por tentativas de suicídio, como a esquizofrenia, anorexia, assim como uso abusivo ou dependência de álcool e outras drogas, transtornos de personalidade, como o borderline, o antissocial. Traumas vividos na infância como abuso sexual; problemas sociais como o bullying também podem ser responsáveis pelo suicídio.

     

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