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Siemens diz que clientes estão adiando investimentos devido à guerra no Irã

Siemens diz que clientes estão adiando investimentos devido à guerra no Irã

Reuters

23/03/2026

Placeholder - loading - Presidente-executivo da Siemens, Roland Busch 06/01/2026 REUTERS/Steve Marcus
Presidente-executivo da Siemens, Roland Busch 06/01/2026 REUTERS/Steve Marcus

Por Laurie Chen

PEQUIM, 23 Mar (Reuters) - A gigante industrial alemã ​Siemens afirmou nesta segunda-feira que a guerra no Irã levou os clientes a adiarem novos investimentos devido ao aumento dos preços das matérias-primas e da energia.

A guerra praticamente paralisou a navegação pelo Estreito de Ormuz, que movimenta cerca de 20% do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito, além de ter danificado importantes instalações de energia no Golfo Pérsico. Os preços dos contratos futuros do petróleo Brent subiram 56% desde o início do conflito.

'O crescimento está sendo prejudicado pelo aumento dos preços. Veja... os clientes estão adiando seus investimentos. Por exemplo, clientes do setor de petróleo e ⁠gás que ⁠estavam planejando construir uma nova planta... então ​isso significa ‌que os investimentos estão diminuindo', disse o presidente-executivo Roland Busch a repórteres nesta segunda-feira.

Busch fez as declarações à margem da Cúpula Tecnológica anual da Siemens em Pequim, onde a empresa anunciou a expansão de sua parceria em inteligência artificial industrial com a gigante ⁠chinesa de tecnologia Alibaba.

A Siemens fornecerá 26 novos serviços, abrangendo infraestrutura industrial, automação ​e aplicações com inteligência artificial, para clientes da Alibaba Cloud.

No entanto, Busch observou que alguns ​parceiros chineses têm se mostrado relutantes em compartilhar dados ‌reais de fábricas, cruciais ​para o ⁠treinamento e o ajuste fino de seus modelos, devido a preocupações com questões de propriedade intelectual.

'A maioria dos nossos modelos fundamentais, até agora, foi treinada com dados disponíveis publicamente, e ainda não teve contato ​com dados industriais. Este é um grande passo para o ajuste dos modelos', disse.

'Queremos que os dados cruzem fronteiras, e o governo chinês, pelo menos no que diz respeito a dados industriais e de máquinas, permitiu essa possibilidade.'

A China impôs leis rigorosas de transferência transfronteiriça de dados ​para fins de segurança nacional, mas algumas empresas europeias receberam isenções em casos específicos e limitados.

Busch afirmou que os desenvolvedores da Siemens preferem usar modelos de IA de código aberto chineses em vez de seus concorrentes norte-americanos de código fechado, para determinadas tarefas relacionadas ao treinamento de modelos de IA industriais, devido ao menor custo em tokens e aos parâmetros personalizáveis.

Um token é a menor unidade de dados processada por modelos de IA.

De acordo com o ranking de uso de tokens ​do OpenRouter, uma interface pública unificada para modelos de IA, seis dos dez modelos de linguagem de ‌grande porte mais utilizados no mundo são ⁠chineses.

Alguns centros de estudos ocidentais alertaram para os riscos de segurança da dependência de modelos chineses de código aberto, bem como para o seu viés político em relação às posições ⁠do governo chinês.

Os modelos de IA de código aberto chineses, liderados ⁠pelo Qwen e pelo DeepSeek, ganharam força ⁠significativa nos EUA, com ⁠algumas ​estimativas sugerindo que cerca de 80% das startups de IA norte-americanas agora os utilizam.

(Reportagem de Laurie Chen)

Reuters

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