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SLC e Bom Futuro dizem que exerceram preferência na aquisição de mesmas terras da Radar em MT

SLC e Bom Futuro dizem que exerceram preferência na aquisição de mesmas terras da Radar em MT

Reuters

26/06/2026

Placeholder - loading - Floresta na fronteira entre a Amazônia e o Cerrado, em Nova Xavantina, no Mato Grosso, Brasil, em 28 de julho de 2021. Foto tirada em 28 de julho de 2021 com um drone. REUTERS/Amanda Perobelli
Floresta na fronteira entre a Amazônia e o Cerrado, em Nova Xavantina, no Mato Grosso, Brasil, em 28 de julho de 2021. Foto tirada em 28 de julho de 2021 com um drone. REUTERS/Amanda Perobelli

Atualizada em  26/06/2026

Por Paula Arend Laier e Roberto Samora

SÃO PAULO, 26 Jun (Reuters) - A ​SLC Agrícola e a Bom Futuro Agrícola, dois dos maiores grupos produtores de grãos e oleaginosas do Brasil, afirmaram nesta sexta-feira que exerceram o direito de preferência para aquisição das mesmas terras do Bloco Mato Grosso, do Grupo Radar, por R$1,85 bilhão.

A SLC Agrícola afirmou que já opera parte das terras envolvidas na negociação, enquanto a Bom Futuro Agrícola declarou que exerceu o direito de preferência por ser arrendatária.

Procurada, a Cosan, uma das donas da Radar, não quis fazer comentários. SLC e Bom Futuro Agrícola não responderam de imediato a pedidos de comentário sobre o tema.

No início da manhã, a SLC comunicou que exerceu de forma irrevogável e irretratável o direito de preferência para a aquisição da totalidade dos imóveis rurais que compõem o portfólio denominado Bloco Mato Grosso, do Grupo Radar.

A SLC disse que o valor total da transação alcançou R$1,85 bilhão, com ⁠sinal de R$700 milhões ⁠a ser depositado em conta vinculada em até cinco ​dias úteis, enquanto ‌o saldo de R$1,15 bilhão será pago na data da lavratura.

O bloco compreende um conjunto de propriedades localizadas no Mato Grosso, de aproximadamente 41.214 hectares físicos de área de matrícula, que correspondem a cerca de 28,8 mil hectares agricultáveis, que historicamente oportunizam 100% de plantio de segunda safra, afirmou a SLC. Em relação aos 28,8 mil hectares agricultáveis, a SLC disse que já opera 17,6 mil ⁠hectares.

'A aquisição será realizada na modalidade 'porteira fechada', em caráter indivisível e em igualdade de condições com a proposta recebida ​pelas proprietárias dos ativos', acrescentou a empresa em fato relevante à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Mais tarde, a Bom Futuro Agrícola informou ​ao mercado que, 'na condição de arrendatária, exerceu junto ao Grupo Radar seu legítimo ‌direito de preferência na aquisição dos ​imóveis que ⁠compõem o denominado 'Bloco Mato Grosso', na sua totalidade e nos termos da oferta, no montante de R$1,85 bilhão'.

'O referido investimento tem sinergia com as demais propriedades da empresa e adere à sua estratégia de crescimento no Mato Grosso, onde atua há mais de 44 anos', disse a Bom Futuro Agrícola.

Em ​meados do mês, a Cosan havia comunicado acordo sobre a venda de 12% do portfólio total de propriedades agrícolas da Radar por R$1,85 bilhão, em momento em que a companhia busca desinvestimentos para reduzir a dívida.

A Cosan disse ainda, naquela oportunidade, que o montante referente à sua participação soma aproximadamente R$586 milhões.

TERRAS DE ALTO PADRÃO

A aquisição reforçaria a exposição das empresas em terras agrícolas de alto padrão em Mato Grosso, com ​analistas destacando que o ativo reúne características valorizadas, como logística eficiente e aptidão para duas safras por ano.

O BTG Pactual citou um custo de cerca de R$65 mil por hectare plantável, acima do valor implícito de negociação das ações da SLC, mas ressaltou o potencial de geração de caixa (Ebitda) superior à média do portfólio, estimado em R$4 mil a R$5 mil por hectare nessa área, diante de ganhos operacionais e proximidade com fazendas já existentes.

Para o UBS, o preço de aquisição também é considerado atrativo em termos relativos, já que fica abaixo de transações recentes na região e inclui infraestrutura, reduzindo riscos operacionais e eliminando a incerteza sobre a renovação de contratos de arrendamento, além de gerar economia ​com aluguéis no futuro.

Por outro lado, os relatórios apontam que o retorno implícito do investimento para a SLC ainda seria pressionado no curto prazo, o ‌que reforça a dependência de valorização da terra e de ⁠um ciclo mais favorável de commodities.

Nesse contexto, o aumento da alavancagem para a SLC seria o principal risco: o BTG projeta elevação da relação dívida líquida/Ebitda em cerca de 0,7 vez, para patamar próximo de 3 vezes, enquanto o UBS estima avanço para até 2,4 ⁠vezes, junto com queda na geração de caixa livre em 2027.

Embora ambos considerem o nível administrável, ⁠destacam que a operação pressiona o fluxo de caixa no curto ⁠prazo e eleva a sensibilidade ⁠da ​tese à recuperação de preços agrícolas, tornando a execução mais dependente do ciclo para destravar valor.

(Por Paula Arend Laier e Roberto SamoraEdição de Pedro Fonseca)

Reuters

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