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    ANÁLISE–Perda da maioria na Câmara deixa republicanos ainda mais dependentes de Trump

    Por James Oliphant

    WASHINGTON (Reuters) - A perda do controle da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos deixará o Partido Republicano com uma bancada parlamentar ainda mais conservadora, mais ligada ao presidente Donald Trump e mais unida em torno da retórica provocadora e da agenda radical do mandatário.

    Embora os republicanos moderados que permanecerão na Câmara possam ver o resultado como um veredicto sobre a estratégia de Trump de se dedicar incansavelmente ao tema da imigração ilegal na reta final da campanha, eles serão uma pequena minoria.

    Segundo projeções das grandes redes de televisão dos EUA, os democratas assumirão o controle da Câmara e os republicanos preservarão sua maioria no Senado.

    Muitos republicanos que perderam a vaga na Câmara são moderados de distritos majoritariamente suburbanos que tentaram manter alguma distância de Trump e sua retórica, mas perderam mesmo assim -- o que deixa um centro reduzido dominado por conservadores de áreas rurais cujo eleitorado é essencialmente pró-Trump.

    Em resumo, Trump continuará sendo Trump. Ainda que alguns republicanos possam culpá-lo pelas derrotas de terça-feira, é improvável que se rebelem, especialmente levando em conta que o partido manteve o comando do Senado.

    Nos últimos dois anos o presidente se mostrou pouco inclinado a mudar seu estilo agressivo ou se tornar conciliador. Ele sabe que continua sendo, sem sombra de dúvida, a figura mais popular de seu partido.

    Agora Trump começa para valer sua campanha de reeleição, durante a qual fará todos os esforços para congregar sua base de apoiadores firmes.

    Isso significa que, mesmo diante de uma oposição democrata mais intensa, Trump deve postular sua agenda 'A América Primeiro', que prioriza questões delicadas como a imigração ilegal e o protecionismo comercial. Isso, por sua vez, aprofundará sua reformulação dramática de um partido que foi definido pelo conservadorismo fiscal, social e nacional durante décadas.

    Saber que os democratas da Câmara não liberarão fundos para um muro na fronteira com o México, por exemplo, não impedirá Trump de continuar voltando ao assunto -- ele pode até achar politicamente mais eficaz transformar seus opositores na Casa em vilões.

    Os republicanos que continuarem na Câmara também terão pouco interesse em cooperar com a nova maioria democrata, o que concentrará o poder republicano no Congresso no Senado e deixará o governo praticamente travado.

    'Uma Câmara democrata significa que, se o presidente quiser que as coisas andem, terá que trabalhar com o outro lado', disse Jason McGrath, pesquisador eleitoral democrata de Chicago.

    'Ele não mostrou nenhuma inclinação para isso, mas será interessante ver se este é um momento em que irá querer governar, ao invés de só marcar pontos'.

    A mudança tem implicações de longo prazo para os republicanos em distritos que se tornaram democratas na terça-feira, e dá aos democratas uma oportunidade para capitalizar avanços em subúrbios antes convictamente republicanos nos quais o nível de escolaridade e a renda estão acima da média nacional – e onde o ceticismo em relação a Trump é profundo.

    O partido já enfrentou dificuldades tentando ampliar a base de apoiadores de classe média, brancos e evangélicos de Trump, perdendo terreno entre mulheres, eleitores suburbanos e com diploma universitário e mostrando pouca habilidade para conquistar eleitores jovens e de minorias.

    Isso quase certamente continuará se uma representação parlamentar em declínio abrir caminho para uma fidelidade ainda maior a Trump.

    No Senado, democratas de centro de Estados em que Trump venceu em 2016, como Joe Donnelly em Indiana e Heidi Heitkamp na Dakota do Norte, foram substituídos por republicanos conservadores que podem atribuir suas vitórias ao presidente.

    Além disso, os republicanos do Senado que eram mais críticos de Trump, Bob Corker e Jeff Flake, estão se aposentando. O mesmo vale para Paul Ryan, presidente republicano da Câmara que em certas ocasiões divergiu do tom do presidente, quando não de suas políticas.

    Tudo isso faz de Trump uma força ainda mais dominante no partido do que era dois anos atrás. E Trump, que fez muita campanha em Estados rurais, pode apontar para as vitórias no Senado como provas de que ainda consegue levar seus eleitores às urnas.

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    ANÁLISE-Bolsonaro impõe primeira derrota em anos ao PT na disputa presidencial, mas não terá vida fácil no Congresso

    Por Maria Carolina Marcello e Eduardo Simões

    BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - Eleito neste domingo presidente da República com uma margem de votos menor do que a apontada por pesquisas no início do segundo turno, Jair Bolsonaro (PSL) impõe a primeira derrota ao PT desde as eleições de 2002, mas também deve enfrentar dificuldades para construir uma base de apoio e tocar seu governo.

    Bolsonaro obteve 55,13 por cento dos votos válidos com 99,99 por cento das seções eleitorais apuradas, enquanto o petista Fernando Haddad tinha 44,87 por cento, de acordo com dados da apuração do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

    'A margem de vitória é fundamental para influenciar o comportamento de governos eleitos. Embora não tenhamos uma diferença mínima, ao mesmo tempo ele não disparou. Isso demonstra que ele vai ter que se preocupar em contemplar uma agenda que 45 milhões não enxergam em sua plataforma', avaliou o professor Denilson Bandeira Coelho, do Departamento de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB).

    Pesquisa Datafolha divulgada na última quinta-feira apontava Bolsonaro com 55 por cento dos votos válidos, e Haddad com 45 por cento. Pouco mais de uma semana antes, em 18 de outubro, o mesmo instituto mostrava o agora presidente eleito com 59 por cento dos votos válidos, e seu adversário com 41 por cento.

    Mais ainda que tenha diminuído ao longo da campanha do segundo turno, tal margem não pode ser desconsiderada.

    'A margem de diferença me surpreendeu, eu achava que seria maior. Então, as pesquisas mostraram que houve uma queda na intenção de voto dele e isso realmente aconteceu', disse Daniel Falcão, doutor em Direito pela Universidade de São Paulo, especialista em marketing político e propaganda eleitoral e bacharel em Ciências Sociais também pela USP.

    'Mas ao mesmo tempo, foi a pior eleição presidencial do PT desde 1998. É uma margem relevante, já que o PT tinha vencido as últimas quatro eleições. Então ele conseguiu uma vitória importante', avaliou.

    Fonte legislativa consultada pela Reuters avaliou que quanto maior a diferença de votos, maior a dificuldade em conter os ânimos principalmente daqueles parlamentares eleitos na esteira da popularidade do capitão da reserva. Por outro lado, uma diminuição dessa diferença, avaliou a fonte, poderia tornar o jogo mais equilibrado no parlamento.

    RISCO

    Após a vitória, Bolsonaro aproveitou seus primeiros pronunciamentos para sinalizar os primeiros rumos do que deve ser seu governo e tentar acalmar os ânimos, após uma das mais polarizadas eleições presidenciais da história.

    Logo após a vitória sobre Haddad, o presidente eleito prometeu respeitar a Constituição, fazer um governo democrático e unificar o Brasil, baixando o tom adotado no período eleitoral.

    'É um discurso que tenta por meio da ênfase e da repetição da liberdade sinalizar um discurso um pouco mais moderado e minimizar a percepção de risco elevado em relação à questão política no governo Bolsonaro', avaliou Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria Integrada.

    'Naturalmente, a tarefa do Bolsonaro vai ser reconstruir as bases políticas para um bom funcionamento do processo decisório. O discurso é uma parcela importante, simbólica desse movimento, mas ainda insuficiente para determinar a natureza do seu governo', ponderou.

    Para Falcão, a ênfase dada ao respeito à Constituição lembra, em situação oposta, o ex-presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segundo ele, assim como Bolsonaro, Chávez era acusado de ter intenções questionáveis sobre a carta magna do país.

    'Quando ele (Chávez) foi eleito, ele avisou que ia trocar a Constituição', relatou.

    Outro ponto do discurso que chamou a atenção do cientista social foi a insistência de Bolsonaro na liberdade para empreender, levando à interpretação de que a iniciativa privada terá papel central em suas políticas.

    TROCA-TROCA

    As previsões para a articulação política no Congresso Nacional apontam para algumas dificuldades, principalmente se Bolsonaro quiser evitar o chamado toma lá dá cá, como prometido em campanha.

    'Esse é o primeiro grande 'x' da questão no governo dele, porque na verdade qualquer governo democrático em modelos que não são bipartidários, como nos Estados Unidos, normalmente você precisa do Congresso para governar. Você vai precisar ceder espaços no seu governo para governar', explicou Falcão.

    'Isso é absolutamente natural, o problema é o interesse ser fisiológico, e ali boa parte daquelas pessoas, daqueles deputados eleitos, vão continuar tendo esse interesse fisiológico. Ele vai ter que acabar governando com essas pessoas de uma forma ou de outra.'

    Coelho também alerta para a nova correlação de forças no Legislativo em que partidos mais tradicionais perderam espaço para médias e pequenas siglas, num contexto em que o presidente terá de adotar o discurso de um líder de uma nação, no lugar da fala de um candidato.

    'Essa correlação de forças em um governo que prometeu acabar com o troca-troca entre Executivo e Legislativo é seu maior desafio', pondera.

    'Para diminuir a tensão entre os partidos, Bolsonaro deve levar em conta o peso do PSDB e do MDB e relativizar algumas das suas posições ideológicas para seu governo experimentar no primeiro ano o 'honey moon effect' (efeito lua de mel)', avalia, lembrando que ainda que tenha eleito uma leva de parlamentares em sua cola, a coligação de Bolsonaro não atingiu 15 por cento da Câmara dos Deputados.

    De acordo com Rafael Cortez, Bolsonaro terá o desafio de transformar seu discurso contrário à política tradicional para evitar que fique 'preso à retórica de campanha'.

    Por outro lado, o analista político lembra que antes de estabelecer a articulação com o Congresso, Bolsonaro precisará resolver o 'dilema inicial' de sua relação com a sociedade, e 'reconstruir a legitimidade da Presidência da República'.

    A missão torna-se essencial em um momento que, segundo o cientista político e coordenador do Centro Brasileiro de Estudos e Pesquisa sobre a democracia (Cebradi), Geraldo Tadeu Monteiro, é o 'ápice de uma crise de representação que remonta a 2013'.

    'Bolsonaro é uma incógnita. Não está claro com que setores políticos e econômicos ele vai governar, como pretende se relacionar com os demais Poderes e qual a sua equipe. Vamos aprender tudo na prática.'

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    ANÁLISE-Bolsonaro transforma nanico PSL em potência no Congresso

    Por Bruno Federowski e Maria Carolina Marcello

    BRASÍLIA (Reuters) - O candidato a presidente Jair Bolsonaro, que foi o mais votado no primeiro turno da eleição neste domingo e fará o segundo turno com Fernando Haddad (PT), transformou seu partido, o até então nanico PSL, em uma potência parlamentar, provocando uma mudança sísmica ao passo que eleitores deram um enfático recado nas urnas contra o establishment.

    O forte apoio dado a aliados de Bolsonaro nas eleições legislativas desafiou muitas previsões e sugere que Bolsonaro, até então um apagado deputado, pode ter mais facilidade para conquistar apoio a reformas econômicas duras.

    O PSL deve ficar com 51 cadeiras na Câmara dos Deputados, de 513 assentos, de acordo com projeção da XP Investimentos, ficando atrás apenas do PT, de Haddad, que deve ter 57 vagas.

    Trata-se de um crescimento explosivo para um partido que tinha apenas 8 deputados e nenhum senador antes de domingo.

    'O PSL é um novo capítulo na história política do Brasil. É um grupo que abraça uma tese única de austeridade fiscal, de governo menor, de reforma da Previdência', disse Lucas de Aragão, da consultoria Arko Advice.

    Ele afirmou que o crescimento do PSL melhora as perspectivas para as reformas fiscais, mas reconheceu que elas ainda enfrentarão oposição ferrenha do PT.

    Para se ter uma ideia, o MDB, do presidente Michel Temer, por décadas uma das maiores forças nos governos de coalizão de todo o espectro político, deve cair para a quarta posição na Câmara, com apenas 33 cadeiras.

    Vários dos principais parlamentares do MDB não conseguiram se reeleger, incluindo o presidente do Senado, Eunício Oliveira. Isso tira do caminho figuras históricas que poderiam extrair custosas concessões de um eventual governo Bolsonaro.

    Os resultados enfatizam a revolta dos eleitores contra escândalos de corrupção que levaram à prisão dezenas de políticos e empresários, afetando partidos tradicionais que até então definiam o debate político.

    FORÇA NO SUDESTE

    Bolsonaro quase venceu a disputa no primeiro turno da eleição de domingo, mas enfrentará Haddad em um segundo turno no dia 28 de outubro.

    Independentemente do resultado, o PT continuará tendo uma base forte no Congresso após ter um resultado sólido na votação, especialmente no Nordeste, tradicional reduto petista que se beneficiou de políticas sociais durante seus 13 anos no poder.

    No entanto, o PSL dominou os dois maiores Estados do país, São Paulo e Rio de Janeiro.

    Com 98 por cento dos votos apurados em São Paulo, Eduardo, filho de Bolsonaro, foi o candidato mais votado da história para a Câmara dos Deputados, ajudando o PSL a atrair mais de 20 por cento dos votos para a Câmara em São Paulo.

    A contagem foi ainda maior no Rio de Janeiro, onde seu partido obteve quase 23 por cento dos votos para a Câmara.

    Até este ano, o PSL era um entre dezenas de partidos pouco conhecidos na política brasileira, com poucas cadeiras e sem ideologia clara.

    Isso mudou quando Bolsonaro chegou à legenda em março - tornando-se sua nona afiliação partidária. Sua campanha de mídia social eletrizou o PSL, empurrou-o para a direita e ajudou a projetar candidatos como o Major Olimpio, o mais votado para o Senado em São Paulo.

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    ANÁLISE-O que leva a elite empresarial a acenar para Bolsonaro

    Por Tatiana Bautzer, Marcela Ayres e Christian Plumb

    SÃO PAULO/BRASÍLIA, 1 Out (Reuters) - O empresariado no Brasil está silenciosamente torcendo para que o candidato presidencial de extrema-direita Jair Bolsonaro (PSL) conquiste o cargo mais alto do país neste mês, temendo um retorno de um governo de esquerda na maior economia da América Latina.

    Os mercados de câmbio e de ações do país têm reagido positivamente a pesquisas de intenção de voto favoráveis ??a Bolsonaro, um parlamentar mais conhecido por suas declarações contra gays e negros do que pela defesa do livre mercado. Ao longo de uma carreira legislativa de 27 anos, Bolsonaro votou repetidamente para preservar os monopólios estatais e contra reformar o sistema previdenciário.

    Mas sua escolha por um respeitado economista que estudou na Universidade de Chicago, Paulo Guedes, como seu assessor econômico, foi encarada como suficiente para muitos investidores e empresários. Alguns vêem Bolsonaro como uma alternativa menos pior em uma corrida que está se consolidando como um confronto entre extremos à direita e à esquerda.

    Pesquisas estão prevendo um segundo turno entre Bolsonaro e o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, candidato do PT que vem sistematicamente subindo nas pesquisas. Muitos economistas culpam a política econômica do PT, que governou o Brasil por boa parte dos últimos 15 anos, de ter lançado o país em uma recessão profunda, cujos vestígios ainda pesam sobre a economia.

    Luciano Hang, proprietário da rede de lojas de departamentos Havan, é um dos poucos executivos a apoiar abertamente Bolsonaro, cuja admiração já expressa pelo período de ditadura militar no Brasil e declarações polêmicas sobre mulheres e minorias afastaram grandes faixas do eleitorado.

    Ainda assim, Hang estima que 'mais de 80 por cento' das pessoas em um grupo de empresários de 300 membros ao qual ele pertence estão apoiando Bolsonaro, agora que candidatos mais moderados parecem estar se desidratando.

    'Empresários e empreendedores de todo o Brasil, em todos os segmentos, são Bolsonaro e vão trabalhar para ele (ganhar)', afirmou.

    A crescente aceitação de Bolsonaro entre as elites empresariais do Brasil ressalta como uma paisagem política polarizada está levando os moderados a extremos, e como os mercados seguem instáveis, afetados ??por uma corrida aberta e imprevisível.

    Os nervos acirrados já desaceleraram significativamente os mercados de fusões e aquisições e de aberturas de capital no país, tendo também levado o dólar a um novo recorde contra o real no mês passado.

    Bolsonaro é o atual líder nas pesquisas entre os 13 candidatos à Presidência para o primeiro turno das eleições, no dia 7 de outubro, com 28 por cento da intenção de voto, de acordo com uma pesquisa divulgada na última sexta-feira pelo Datafolha.

    Resta saber se essa predileção irá prevalecer. Se nenhum candidato obtiver a maioria no primeiro turno, como previsto, os dois primeiros colocados se enfrentarão em 28 de outubro, sendo que, nesse embate, a mesma pesquisa mostra Bolsonaro perdendo para Haddad por 6 pontos percentuais.

    O petista tem se reunido com grandes investidores para acalmar temores de um retorno do PT ao poder. Haddad já manifestou posições ortodoxas em relação à inflação, taxa de câmbio e déficit fiscal.

    Ainda assim, Haddad reconheceu que revogaria a reforma trabalhista e o teto de gastos implementado pelo impopular presidente Michel Temer. O petista também deixou claro que seu governo administraria a Petrobras visando o desenvolvimento e reverteria se possível a transação da Embraer com a Boeing .

    Recentemente, ele tuitou que o mercado 'virou uma entidade abstrata que aterroriza o povo'.

    SUPERMINISTRO

    Os admiradores de Bolsonaro no mundo corporativo, por sua vez, apontam a escolha de Guedes como um contraponto à retórica polarizadora ??de seu candidato, suas inclinações autoritárias e visões inconstantes sobre a economia brasileira. Bolsonaro, por exemplo, certa vez sugeriu que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fosse fuzilado por privatizar antigas empresas do governo, incluindo a mineradora Vale .

    Em contraste, Guedes, que atualmente integra o comitê executivo da empresa de gestão de ativos Bozano Investimentos, é um feroz defensor da privatização da Petrobras e do Banco do Brasil .

    Se eleito, Bolsonaro prometeu fazer de Guedes uma espécie de superministro encarregado da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio, com ampla liberdade para definir a política econômica.

    Guedes realizou uma série de reuniões com bancos de investimento, executivos empresariais e investidores internacionais para persuadi-los a apoiar Bolsonaro. O banqueiro também se reuniu com membros do Ministério da Fazenda pelo menos três vezes em um esforço para sinalizar continuidade com a agenda de reformas de Temer, incluindo mudanças no insolvente sistema da Previdência.

    'Paulo Guedes de fato dá muita credibilidade à candidatura de Bolsonaro', disse Claudio Pacini, chefe da negociação de ações brasileiras na corretora norte-americana INTL FCStone, em Miami. 'Juntamente com o medo de ascensão da esquerda, as duas coisas trabalham a favor de Bolsonaro.'

    ALIANÇA EQUILIBRADA?

    Alguns questionam, contudo, quanto tempo duraria a parceria Bolsonaro-Guedes, mesmo que o candidato seja eleito.

    'Bolsonaro é um recém-convertido ao liberalismo pró-mercado --isso não é coisa dele, nunca foi coisa dele', disse Monica de Bolle, diretora do Programa de Estudos Latino-Americanos e Mercados Emergentes da Escola de Estudos Internacionais Avançados (Sais, na sigla em inglês), da Universidade Johns Hopkins, em Washington.

    Essas dúvidas aumentaram, quando Guedes propôs reviver um imposto nos moldes da impopular CPMF, no âmbito de uma reforma tributária. A ideia foi rapidamente rechaçada por Bolsonaro, do hospital onde estava se recuperando de uma facada sofrida em um comício no mês passado.

    Depois da polêmica, Guedes cancelou uma série de aparições públicas que teria, alimentando especulações de que havia sido, por ora, silenciado pela campanha.

    Guedes se recusou a comentar o desacordo. Mas Monica de Bolle vê turbulência à frente.

    'Parece óbvio que Paulo Guedes não duraria em um governo de Bolsonaro', disse a economista.

    Muitos também se perguntam com que eficácia Bolsonaro pode governar se eleito. Em quase três décadas no Congresso, seu trabalho pouco apareceu. Seu Partido Social Liberal tem poucos deputados na Câmara. Ele precisaria articular alianças com outros partidos para fazer qualquer coisa, tarefa para a qual possui pouca experiência.

    'O governo está falido, e Bolsonaro não tem aliados para pressionar por cortes orçamentários e nem mesmo um histórico de persegui-los', disse um executivo sênior de um dos maiores bancos do Brasil.

    Para o empresariado, disse o executivo, o voto em Bolsonaro é uma escolha entre 'o terrível e o extremamente terrível'.

    (Reportagem adicional de Iuri Dantas, Brad Brooks e Paula Arend Laier)

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    ENFOQUE-Acuadas, Cielo e Rede tentam voltar a dar as cartas no mercado de meios de pagamentos

    Por Aluisio Alves

    SÃO PAULO (Reuters) - Diante da agressividade de rivais menores, Cielo e Rede estão multiplicado ofertas para clientes de pequeno porte, numa tentativa de retomar o crescimento e voltar a dar as cartas no setor brasileiro de meios de pagamentos, mercado que movimenta cerca de 1 trilhão de reais por ano.

    Após muita resistência, as gigantes se curvaram a soluções como cartões pré-pagos para não bancarizados e isenção de tarifas por transação e venda dos terminais de pagamentos em vez de aluguel, soluções até há pouco tempo impensáveis, uma vez que representam boa parte das suas receitas.

    O movimento é uma contraofensiva a entrantes como a PagSeguro, que vêm ganhando nacos do mercado oferecendo preço baixo para antecipação de recursos, a resposta certa para microempreendedores que tentam sobreviver num país que tenta emergir de uma dura recessão.

    Reservadamente, executivos familiarizados com Cielo e Rede admitem que elas tentaram esticar a corda, apoiadas no poder dominante de mercado. Controlada por Bradesco e Banco do Brasil, a Cielo segue líder do mercado, com cerca de 38 por cento, segundo fontes do setor. A vice-líder Rede, do Itaú Unibanco, detém ao redor de 32 por cento.

    'Seguramos até onde deu', disse à Reuters uma fonte a par do dia a dia da Cielo. 'É verdade que demoramos a reagir', admitiu outro executivo familiar à Rede.

    O movimento recente mostra a reviravolta da condição confortável do duopólio protagonizado por ambas há até nove anos. Mesmo a entrada da GetNet, do Santander Brasil, em 2010, mexeu pouco com a dinâmica do mercado.

    A aprovação pelo Banco Central de regras para instituições de pagamentos, em 2013, trouxe uma série de rivais menores, e começou a mudar o jogo de forças no setor. Após uma aprovação em 2016, o BC deu aval para outras seis instituições no ano passado. Só na primeira metade de 2018, sugiram outras sete. Na semana passada, outras seis.

    'Apesar da entrada de novos players, ainda não estamos satisfeitos com o nível de concorrência na indústria financeira', disse recentemente à Reuters o diretor de regulação do BC, Otavio Damaso.

    Numa mostra recente de que o nível de concorrência está crescendo em diversas frentes, o aplicativo de encomenda de comida iFood anunciou recentemente que terá seus próprios terminais de pagamentos, por meio da fintech Zoop. Na verdade, trata-se de uma infraestrutura para lojistas colocarem suas próprias bandeiras nos terminais de pagamentos. 'Essa é uma nova onda da competição no mercado de pagamentos que está só começando', diz o presidente e fundador da Zoop, Fabiano Cruz.

    Vários dos novos arranjos chegaram ao mercado vendendo os terminais de pagamento em vez de alugá-los e isentando os clientes da taxa por operação (MDR). Para comerciantes de menor porte, esse conjunto chega a representar 7 a 8 por cento do faturamento.

    Foi para esse público o eixo do negócio de empresas como a PagSeguro, cuja bem-sucedida estreia na bolsa de Nova York no começo do ano revelou uma estratégia em que as isenções na verdade têm como contrapartida a indução do cliente a uma antecipação de recebíveis.

    'Isso surpreendeu os grandes porque mostrou um jeito diferente da prática de mercado para empresas menores', disse Patrick Negri, fundador da empresa de pagamentos digitais iugu.

    Essa combinação caiu como uma luva para micro e pequenos negócios, setor que teve dezenas de milhares de empresas fechadas pela recessão e do qual as grandes credenciadoras não fizeram objeção de perder mercado. Em 11 trimestres, praticamente um em cada quatro terminais de pagamentos da Cielo ou da Rede foi desativado.

    'Com as empresas raspando centavos com a unha, preço é tudo e as novas empresas de pagamentos souberam enxergar isso', disse o assessor econômico da FecomercioSP, Fabio Pina.

    Por algum tempo, Cielo e Rede sinalizaram que estavam mais focadas em defender margens do que participação de mercado. Isso envolveu o foco em clientes de médio e grande portes, para os quais podem vender produtos mais caros. Mas isso não foi suficiente para evitar queda das margens. Em junho, a margem Ebitda da Cielo, um índice de rentabilidade, era de 38 por cento, 30 pontos percentuais menor do que há nove anos.

    A Rede, deslistada da bolsa paulista em 2012, também teve queda nas margens, 'mas dentro do aceitável', disse o diretor executivo de cartões do Itaú Unibanco, Marcos Magalhães.

    Segundo o executivo, o grupo preferiu avaliar a consolidação da tendência do mercado antes de lançar soluções que ao mesmo tempo estanquem a perda de mercado e mantenham margens adequadas, o que já está acontecendo.

    Nessa linha, o Itaú anunciou na véspera uma parceria com a plataforma de pagamentos PayPal focada em comércio eletrônico e que tem entre os objetivos elevar a fatia de mercado da Rede no varejo online, menor que no comércio físico. O banco também lançou no mês passado o Pop Credicard, braço da Rede para atender microempreendedores e deve anunciar em breve um cartão pré-pago para micronegócios, visando o público não bancarizado, na trilha da PagSeguro.

    A Cielo comprou a metade que não tinha na Stelo, braço para operar mais de perto com microeempreendedores. A empresa também começou neste ano a vender terminais com as bandeiras de BB e Bradesco nas agências bancárias. A expectativa é de que cada um dos sócios tenha ao menos 100 mil terminais no mercado até dezembro e ajude a estancar a queda na base de terminais.

    CIELO MAIS PRESSIONADA

    Embora seja o segmento mais visível do aumento da competição, os micronegócios não são os únicos sobre os quais Cielo e Rede vêm sofrendo pressão. Nos lojistas de médio porte, uma das empresas que vêm entrando agressivamente é a Stone. Dias atrás, a Reuters publicou, citando fontes, que a empresa contratou bancos para coordenar sua oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em Nova York. Entre clientes maiores, a GetNet vem avançando e conquistou contas de grifes como Shell e Magazine Luiza.

    Diante disso, analistas de mercado e mesmo executivos de parceiros das gigantes de adquirência avaliam que até agora as respostas delas para defender mercado não parecem convincentes.

    Entre profissionais do mercado, a Cielo, por ser independente dos sócios, é menos flexível para desenhar soluções integradas que possam ser percebidas como desvantajosas para os acionistas dos seus donos. A empresa foi consultada, mas preferiu não se manifestar para esta reportagem.

    Com isso, tem sofrido mais diretamente o desagrado dos investidores. Só em 2018, a ação da Cielo já caiu quase 35 por cento, enquanto o Ibovespa subiu 2 por cento. A última rodada de resultados trimestrais fez vários analistas reduzirem o preço-alvo da ação da Cielo. Atualmente, 5 de 18 casas de investimentos que cobrem o papel citadas pela própria empresa seguem com recomendação 'comprar'. Outras 11 sugerem 'manter'. UBS e Santander indicam 'vender'.

    Diante do cenário nebuloso, os sócios da Cielo, BB e Bradesco, têm sido consultados sobre planos de fechamento de capital da Cielo, o que ambos têm repetidamente negado.

    'Não vamos fechar o capital da Cielo', disse a jornalistas o presidente-executivo do BB, Paulo Caffarelli, no início do mês, quando questionado sobre o assunto.

    Entre analistas do setor, a resistência a fechar o capital da Cielo reflete principalmente o custo que uma operação como essa teria, montante que Bradesco e BB não estão interessados em investir no atual cenário. Em valores atuais, as ações da Cielo no mercado valem cerca de 17 bilhões de reais. Incluindo o prêmio normal em operações desse tipo, BB e Bradesco teriam que desembolsar cada um cerca de 10 bilhões.

    É um montante do qual principalmente o BB, que vem economizando para fortalecer seus níveis de capital, não tem folga para usar. Já o Bradesco ainda está deglutindo a compra do HSBC, feita em 2016, por 16 bilhões de reais.

    No meio de julho, com a renúncia surpresa do presidente-executivo da Cielo Eduardo Gouveia, semanas antes da divulgação do resultado trimestral, nos bastidores a empresa explicou que a saída se deu por motivos pessoais. Ainda assim, desde então a ação da empresa já caiu quase 20 por cento.

    Executivos familiarizados com Cielo admitiram reservadamente que a empresa errou ao resistir às tendências no que chamam de base da pirâmide. Além disso, alegam que a líder foi atingida por uma 'tempestade perfeita', caracterizada pelo conjunto de recessão prolongada do país, entrada de mais concorrentes e mudanças regulatórias.

    No entanto, essas fontes avaliam que, percebido o erro, a Cielo vem desenhando produtos específicos para cada faixa de clientes, e vai entrar numa agenda acelerada de lançamentos nos próximos meses, para reverter a perda de mercado, o que pode acontecer até o final do ano.

    Nessa linha, a Stelo será o carro-chefe das ofertas para microempreendedores. A operação anunciada no início do ano ainda não obteve aprovação do Banco Central.

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    Afetado por processos de ex-aliados, Trump enfrenta riscos legais e eleitorais

    Por Steve Holland e James Oliphant

    WASHINGTON/CHARLESTON, Estados Unidos (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sofreu dois contratempos na terça-feira, quando dois ex-auxiliares enfrentaram a ameaça de ir à prisão e um deles disse que Trump o instruiu a cometer um crime, o que pode prejudicar as perspectivas eleitorais do seu Partido Republicano e ampliar uma investigação criminal que vem ofuscando sua Presidência.

    Com minutos de intervalo em tribunais diferentes, Paul Manafort, ex-gerente de campanha de Trump, foi condenado por acusações de fraude bancária e tributária, enquanto o ex-advogado pessoal do presidente, Michael Cohen, se declarou culpado de uma série de acusações.

    Cohen ainda disse em seu depoimento que Trump o orientou a cometer um crime planejando pagamentos antes da eleição presidencial de 2016 para silenciar duas mulheres que disseram ter tido um caso com o então candidato.

    As adversidades voltaram a direcionar os holofotes ao inquérito do procurador especial Robert Mueller, que investiga se a Rússia interferiu na votação de 2016, se houve um conluio da campanha de Trump com Moscou e se Trump obstruiu a justiça ao demitir o então diretor do FBI James Comey, que estava formalmente encarregado da investigação.

    Trump negou um conluio, classificando o inquérito de Mueller de 'caça às bruxas'.

    Dos dois desdobramentos mais recentes, a admissão de culpa de Cohen é o mais problemático, disseram pessoas do entorno de Trump.

    'Um dia ruim para o time da casa', disse uma fonte próxima do presidente, que pediu para não ser identificada.

    A fonte acrescentou que as complicações legais podem reduzir o comparecimento do eleitorado e aumentar o risco de os republicanos perderem sua maioria de 23 cadeiras na Câmara dos Deputados nas eleições parlamentares de novembro. 'Isso prejudica nossas perspectivas de (eleições de) meio de mandato'.

    Uma vitória democrata em novembro limitaria a capacidade de Trump para ditar a pauta legislativa e aumentaria o perigo de pedidos de impeachment.

    O advogado de Cohen, Lanny Davis, disse na noite de terça-feira que seu cliente está 'mais do que feliz' de contar à equipe legal de Mueller tudo que sabe sobre Trump.

    Os democratas capitalizaram os casos Cohen e Manafort, dizendo que estes reforçam seu argumento de que a Casa Branca de Trump está curvada sob o peso de escândalos.

    (Reportagem adicional de Ginger Gibson e Jonathan Landay)

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    ANÁLISE-Apoio do blocão impulsiona campanha de Alckmin, mas embute riscos e não garante vitória

    Por Eduardo Simões

    SÃO PAULO (Reuters) - O apoio dos partidos do chamado blocão ao pré-candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, é importante por dar ao tucano instrumentos relevantes para a campanha eleitoral, mas embute riscos de imagem à candidatura do ex-governador paulista e está longe de colocá-lo em situação confortável para vencer a eleição de outubro.

    E, mesmo que o tucano e seus aliados mais próximos consigam transformar a vantagem de infraestrutura advinda com o apoio do grupo de legendas em vitória eleitoral, Alckmin ainda corre o risco de, se for instalado no Palácio do Planalto, ver sua agenda legislativa refém de uma base formada por siglas conhecidas por sua voracidade por cargos, recursos e fatias do poder.

    'Esses partidos trazem eleitores, votos, para o Alckmin? Eles não trazem votos. Não é uma coisa automática', disse à Reuters o cientista político do Insper Carlos Melo.

    'Ele está adquirindo instrumentos de campanha eleitoral: tempo de televisão e capilaridade. Isso vai se transformar em voto? Essa é a primeira pergunta que se tem que fazer', acrescentou.

    Após reunião com Alckmin em São Paulo na quinta-feira, as lideranças dos partidos do blocão --PP, DEM, PR, PRB e Solidariedade-- decidiram fechar apoio a Alckmin na eleição presidencial, mas o acordo, que deve ser anunciado na próxima semana, só será formalizado após o que o presidente de uma dessas siglas chamou de fazer o 'dever de casa', ou seja, alinhar palanques regionais nos Estados.

    Se emplacar a aliança com o blocão, Alckmin --que já tem o apoio formal do PTB e está praticamente fechado com PSD, PPS e PV-- terá o maior tempo na propaganda eleitoral no rádio e na TV, mecanismo historicamente importante em eleições presidenciais no Brasil.

    ATIVO E PASSIVO

    Ao mesmo tempo, ele atrairá para sua campanha partidos que foram da base de apoio ao presidente Michel Temer, cujo governo é amplamente rejeitado pelo eleitorado, e que têm várias de suas lideranças envolvidas em escândalos de corrupção que vão desde a Lava Jato até o mensalão.

    'O Alckmin ganhou um ativo e contraiu um passivo', avaliou Melo. 'Ao mesmo tempo que o centrão te dá tempo de televisão, ele te dá desgaste de imagem. A identificação com o governo Temer só seria maior se o MDB entrasse.'

    De acordo com o presidente de um dos partidos do blocão que confirmou o acordo à Reuters sob condição de anonimato, o acerto inclui apoio tucano à reeleição do deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) na presidência da Câmara dos Deputados.

    Além disso, os partidos do blocão indicarão o empresário Josué Gomes da Silva, dono da Coteminas e filiado ao PR, como vice na chapa de Alckmin, e há relatos de que os partidos do blocão também cobrarão apoio para emplacar o presidente do Senado a partir de 2019.

    De acordo com analistas ouvidos pela Reuters, esse cenário impõe a Alckmin o risco de, se eleito, governar sob forte tutela dos partidos do blocão.

    'O que eventualmente vai ser importante é o quanto Alckmin vai ficar refém do centrão, ou seja, do baixo clero, na implementação da sua agenda futura', disse à Reuters Rafael Cortez, analista político da Tendências Consultoria Integrada.

    'O Alckmin vai precisar construir uma ascendência sobre esses partidos para que a agenda reformista tenha sucesso.'

    RISCO ÀS REFORMAS

    O tucano tem afirmado que, se eleito, levará ao Congresso já em janeiro do ano que vem propostas de reformas como a da Previdência, a tributária e a política. Segundo ele, a estratégia será usar o capital político vindo das urnas para obter aprovação do Congresso às medidas.

    Entretanto, os partidos que agora aderem a Alckmin são os mesmos que, na base aliada de Temer, não aprovaram, por exemplo, a reforma da Previdência, uma das prioridades da agenda legislativa do emedebista. Além disso, há dúvidas sobre se parlamentares dessas legendas darão suporte a medidas que alterem significativamente o atual sistema político.

    Cortez avalia o apoio do blocão a Alckmin como positivo para o tucano no curto prazo, mas afirma, por outro lado, que, embora o apoio dê ao tucano ferramentas e oportunidade para vencer a eleição, os riscos à candidatura dele ainda seguem elevados.

    O analista aponta um risco do que chama de 'sarneyzação' da campanha eleitoral deste ano e faz um paralelo com o pleito de 1989, quando o então presidente José Sarney (PMDB) também era amplamente rejeitado pelo eleitorado e candidatos vistos como próximos a ele --Ulysses Guimarães (PMDB) e Mario Covas (PSDB)-- tiveram desempenho ruim.

    'O que pode ocorrer é a mudança entre os personagens: o Sarney passa a ser o Temer, o Covas e o Ulysses passam a ser (o pré-candidato do MDB Henrique) Meirelles e Geraldo Alckmin. Esse risco ainda é bastante elevado', avaliou.

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    ANÁLISE-Jovem seleção da França brilha e promete ainda mais para o futuro

    Por Simon Evans

    MOSCOU (Reuters) - Enérgica, disciplinada e decisiva, a França conquistou o título da Copa do Mundo, neste domingo, com uma vitória por 4 x 2 sobre a Croácia que deixou uma sensação de que o incrível e jovem time do técnico Didier Deschamps pode fazer muito mais no futuro.

    Com o talento de Kylian Mbappé, de apenas 19 anos, e o segundo elenco mais jovem do torneio, o triunfo pode ser apenas o começo de uma era memorável para o futebol francês.

    Deschamps foi criticado por ser pragmático demais, até mesmo enfadonho, dois anos atrás, quando a França perdeu para Portugal na final da Eurocopa de 2016, em Paris, mas seus detratores agora estão silenciados. 

    Enquanto ele continua sendo um treinador que se concentra em criar uma sólida estrutura organizacional, desta vez ele acrescentou truques com a velocidade e habilidade de Mbappé, a inteligência de Antoine Griezmann e a presença física e a movimentação de Olivier Giroud. 

    Esta não é a França de 1984, campeã europeia com a criatividade dos gênios Michel Platini e Jean Tigana, e é um time menos expressivo do que o que conquistou a Copa do Mundo de 1998 com o brilhantismo de Zinedine Zidane. 

    É, no entanto, um time moderno, com jogadores jovens e técnicos, uma identidade distinta e nenhum ponto fraco óbvio.

    “Não fizemos um grande jogo, mas mostramos muita qualidade mental. E marcamos quatro gols. Eles (os jogadores) mereceram vencer”, disse Deschamps -- e é difícil discordar. 

    O triunfo é, de fato, merecido. Simplesmente não houve nenhum time melhor do que a França no torneio.

    Após ter liderado o seu grupo na primeira fase, a equipe revelou seu dom pelo contra-ataque com Mbappé na vitória por 4 x 3 sobre a Argentina nas oitavas de final, mas as partidas que realmente mostraram seu caráter foram as quartas de final e a semifinal, administradas com excelência, contra Uruguai e uma excelente Bélgica, respectivamente. 

    LONGO CAMINHO

    A França não esteve no seu melhor na final, com a Croácia dominando a posse de bola por longos trechos e a defesa sofrendo em alguns momentos contra o jogo direto e veloz de Ivan Perisic. 

    Foi um gol contra e um pênalti marcado depois da revisão do árbitro de vídeo que colocaram o time de Deschamps em vantagem, mas, uma vez que Paul Pogba marcou o terceiro, e Mbappé acrescentou o quarto, o título estava muito próximo. 

    De maneira impressionante, a França venceu a final sem uma grande contribuição de N’Golo Kanté, a âncora defensiva e o melhor protetor da defesa, que formou uma excelente parceria com Pogba no centro do gramado. 

    Kanté recebeu cartão amarelo aos 27 minutos e não estava em um dia normal, mas a força e a profundidade do elenco de Deschamps foi evidente, quando entrou o confiável Steven N’Zonzi no lugar do volante, aos 10 minutos do segundo tempo. 

    Com N’Zonzi dominando o setor, a França ficou ainda mais forte e seus últimos dois gols saíram depois da mudança. 

    Como fez ao longo do torneio, Pogba jogou com muita disciplina tática em um papel mais defensivo, mas ainda conseguiu aparecer no campo de ataque para fazer 3 x 1. 

    Mas o jogador que captura a imaginação desta equipe é sem dúvida Mbappé, cuja incrível velocidade às vezes mascara seu excelente toque da bola e habilidade. 

    Com a experiência, sua tomada de decisão melhorará com o passar dos anos, e ele deve se tornar uma ameaça ainda maior na Eurocopa de 2020. 

    A equipe relativamente jovem da França não melhorará obrigatoriamente, e eles terão que mostrar a mesma quantidade de fome e desejo que a Croácia demonstrou ao longo do torneio. 

    Mas é difícil não sentir que o time de Deschamps tem outra marcha disponível, e é capaz de algo realmente especial, se for necessário. 

    Argentina e Croácia exigiram bastante da França, e ambas acabaram concedendo quatro gols.

    Isso é, realmente, algo reservado apenas aos campeões.

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    ANÁLISE-Eliminação da Argentina não surpreende após trajetória conturbada

    Por Marcelo Androetto

    KAZAN, Rússia, 30 jun (Reuters) - A seleção argentina foi eliminada da Copa do Mundo da Rússia neste sábado com uma derrota para a França nas oitavas de final, um resultado que não surpreende pelos problemas enfrentados desde as eliminatórias, e que certamente marcará o fim de uma geração que joga junta há uma década, sem jamais ter sido campeã.

    A eliminação é resultado de um processo de ruína em que os sinais negativos já estavam claros desde muito antes de a bola rolar na partida em Kazan.

    A Argentina terá de esperar ao menos mais quatro anos para erguer sua terceira Copa do Mundo --já se passaram 32 anos desde o título de 1986 no México-- e Lionel Messi provavelmente terá de se conformar com a ideia de que jamais será campeão mundial vestindo a camisa da seleção argentina.

    A eliminação argentina tem uma série de razões e responsáveis: alguns jogadores históricos de uma geração desgastada, uma comissão técnica fraca --que nunca encontrou sua formação titular-- e dirigentes que foram somando erros e decisões difíceis de serem explicadas nos últimos anos.

    A albiceleste esteve a sete minutos de ser eliminada do Mundial da Rússia ainda na primeira fase, sem ganhar nenhum jogo. Foi salva dessa catástrofe por um gol de MarcosRojo contra a Nigéria.

    Conseguir a vaga, como segunda colocada do Grupo D, para enfrentar a França escondeu a campanha ruim da equipe do técnico Jorge Sampaoli, mas não muda o conceito: a Argentina fez uma Copa do Mundo decepcionante.

    O processo vinha mal há tempos. Desde a Copa do Mundo de 2006 na Alemanha a Argentina já teve sete treinadores diferentes e ideias de jogo divergentes e até mesmo antagônicas.

    Apesar de ter chegado à Rússia como atual vice-campeã mundial, foram muitas as frustrações acumuladas desde a derrota para a Alemanha na final de 2014 no Maracanã: também perdeu para o Chile nas finais das Copas Américas jogadas nos anos seguintes.

    ELIMINATÓRIAS SOFRIDAS

    A Argentina se classificou de forma sofrida para a Rússia. Foi apenas a quarta colocada das eliminatórias sul-americanas, assegurando a vaga apenas na última rodada. No total, foram três treinadores no período de classificação: Gerardo Martino, Edgardo Bauza e Sampaoli.

    Para piorar, Messi só apareceu no Mundial em conta-gotas: errou um pênalti contra a Islândia, desapareceu em campo contra a Croácia, ressurgiu com um golaço na vitória sobre a Nigéria, e voltou a decepcionar contra a França.

    Com quatro Mundiais disputados, o camisa 10 só foi o jogador decisivo que sua equipe necessitava em alguns poucos momentos, e também não teve ao seu lado uma equipe que tirasse melhor proveito dele, como ocorre no Barcelona.

    Messi, que na Copa do Catar em 2022 terá 35 anos, continua sem conquistar nenhum grande título com a camisa da Argentina.

    O técnico Sampaoli, por sua vez, se perdeu a partir das constantes mudanças de sistema e de nomes em seu pouco mais de um ano de trabalho.

    Durante o Mundial, a imprensa argentina falou sobre um suposto complô de jogadores para que o técnico fosse demitido, algo que ambas as partes negaram.

    Sua lista de convocados para a Copa também deixou mais perguntas do que respostas. Sampaoli descartou jogadores de grande presença na seleção como Lautaro Martínez e Ricardo Centurión, ou de comprovado sucesso na Europa, como Mauro Icardi.

    E só devido a contusões de outros nomes decidiu levar o goleiro Franco Armani e o meio-campista Enzo Pérez, que acabaram se tornado titulares na Rússia.

    Os dirigentes também não estavam à altura. Depois da

    morte de Julio Grondona, que presidiu a Associação de Futebol Argentino (AFA) com mão de ferro por 35 anos, a disputa pela sucessão resultou em um eleição escandalosa que acabou com 38 votos para cada candidato, quando os eleitores eram 75.

    Depois que a AFA sofreu uma intervenção, finalmente uma nova votação colocou Claudio Chiqui Tapia na primeira posição, mas ele foi responsável por erros que afetaram a preparação da seleção para a Rússia, como programar um amistoso em Jerusalém contra Israel que foi suspenso alguns dias antes de ocorrer por razões de segurança.

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