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    Exportação total de café do Brasil cresce 24,6% em abril, diz Cecafé

    SÃO PAULO (Reuters) - A exportação total de café do país em abril somou 2,97 milhões de sacas de 60 kg, alta de 24,6% na comparação com mesmo mês do ano passado, com o país tirando proveito de uma safra recorde no ano passado, informou nesta sexta-feira o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

    A exportação de café verde do Brasil em abril atingiu 2,71 milhões de sacas, alta de 30,3% na comparação anual, com o arábica respondendo por 2,52 milhões, em momento em que produtores estão começando a colheita da nova temporada, que promete ser grande.

    'A performance das exportações do café brasileiro continua firme, mantendo os bons resultados para abril. O destaque do mês fica para o aumento das exportações para os cinco maiores países importadores, ampliando o market share do Brasil', disse Nelson Carvalhaes, presidente do Cecafé, em nota.

    'Conforme temos acompanhado desde o início do ano, tudo indica que esse ano-safra seja histórico, confirmando a eficiência com que o país atende à demanda e exigências de seus consumidores tanto no que se refere à qualidade quanto à sustentabilidade.'

    Com um mercado abastecido, os preços do produto exportado pelo Brasil caíram 19,1% em abril, na comparação anual, para 124,47 dólares por saca.

    Apesar disso, diante do grande volume exportado, o faturamento com os embarques apresentou leve alta de 0,8%, para 370,43 milhões de dólares.

    Em relação às variedades embarcadas no mês, o café arábica correspondeu a 84,7% do volume total das exportações. O café solúvel representou 8,7% das exportações, com 258 mil sacas exportadas, enquanto que o café conilon (robusta) atingiu a participação de 6,6%, com o embarque de 197 mil sacas.

    As exportações de café arábica e conilon registraram, respectivamente, crescimento de 24,3% e 238,6% em relação a abril do ano passado. Já as exportações do café solúvel apresentaram queda de 15% na mesma base comparativa.

    Levando em consideração os quatro primeiros meses deste ano (janeiro a abril), as exportações de café brasileiro foram de 13 milhões de sacas, crescimento de 26,8% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita cambial somou 1,7 bilhão de dólares, apresentando aumento de 3,5% em relação ao ano passado.

    Entre os dez principais destinos de café brasileiro no ano-civil (janeiro a abril) estão os Estados Unidos, que importaram 2,4 milhões de sacas de café. O segundo principal destino é a Alemanha, com 2,2 milhões de sacas importadas; já a Itália ficou em terceiro lugar, com 1,3 milhão de sacas.

    Com relação as exportações de café brasileiro no ano-safra 2018/2019 (jul/18 a abr/19), o Brasil exportou até agora 34 milhões de sacas no período acumulado, aumento de 30,4% em relação à mesma base comparativa do ano anterior, quando o país embarcou 26,1 milhões de sacas.

    O Cecafé disse que o volume no acumulado indica que o Brasil atingirá um recorde em 2018/19, conforme previsto pela associação em março. A expectativa era de embarques totais de quase 40 milhões de sacas no período.

    O Cecafé destacou que o Brasil, na safra 2018/2019, está tendo o melhor desempenho nos embarques de café arábica dos últimos cinco anos, com 28,2 milhões de sacas.

    (Por Roberto Samora)

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    Exportadora de café Terra Forte entra com pedido de recuperação judicial

    SÃO PAULO (Reuters) - A Terra Forte, uma das maiores exportadoras de café do Brasil, entrou com pedido de recuperação judicial em uma corte de Campinas (SP), informou nesta quarta-feira o escritório de advocacia que representa a empresa.

    Segundo Freire Assis Sakamoto Violante Advogados, a Terra Forte deseja reestruturar 1,1 bilhão de reais em dívidas.

    Os advogados também disseram que a exportadora busca levantar com investidores 60 milhões de reais em capital de giro de curto prazo para manter operações.

    A Terra Forte é conhecida do mercado internacional de café. Sediada em São João da Boa Vista (SP), a empresa tem instalações em Poços de Caldas (MG), importante área produtora, e Santos (SP), maior porto exportador do produto no Brasil.

    Alguns operadores de Londres disseram nos últimos dias terem ouvido que a Terra Forte enfrentava problemas para cumprir contratos com importadores europeus, o que, segundo eles, foi uma das razões para o movimento de cobertura de vendidos nas últimas sessões do mercado cafeeiro.

    A exportadora tem uma capacidade de embarcar cerca de 2,5 milhões de sacas de café verde por ano, e estava entre as cinco maiores participantes do mercado exportador brasileiro.

    Uma porta-voz da sede da Terra Forte, em São João da Boa Vista, disse à Reuters nesta quarta-feira que a empresa não comentaria.

    O escritório de advocacia que cuida do pedido de recuperação judicial divulgou uma nota curta, na qual afirma que a exportadora estava à procura de suporte financeiro para manter operações, esperando levantar capital de investidores a curto prazo, enquanto tenta renegociar suas grandes dívidas.

    'Num segundo momento, com a conclusão da reestruturação, o objetivo do Grupo Terra Forte é buscar um sócio estratégico no mercado', afirmou a nota.

    O pedido de recuperação judicial da Terra Forte vem à medida que o preço de referência do café arábica, no mercado de Nova York, ronda seus menores níveis em 13 anos, com produtores de todo o mundo reclamando que os valores de venda estão abaixo dos custos de produção.

    (Reportagem de Marcelo Teixeira e Roberto Samora)

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    Capitalização pode ficar para um segundo momento, admite Bolsonaro em café com jornalistas

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro admitiu nesta sexta-feira, em um café da manhã com alguns jornalistas convidados, que o sistema de capitalização incluído no texto da reforma da Previdência poderá ficar para um segundo momento, se houver uma reação forte no Congresso.

    'Se tiver reação grande, tira da proposta. Alguma coisa vai tirar, tenho consciência disso', disse Bolsonaro, de acordo com material publicado pelos jornais Folha de S.Paulo, O Globo, Estado de S. Paulo e Valor Econômico, que tinham jornalistas presentes ao encontro.

    Bolsonaro disse ainda saber que a proposta será desidratada no Congresso e que o mais importante é idade mínima e tempo de contribuição, e que o restante pode ficar para depois.

    O regime de capitalização é considerado central pela equipe econômica para a nova Previdência, mas dependerá de regulamentação pelo Congresso após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para alterar as regras das aposentadorias que está em tramitação.

    No entanto, existe resistência nos partidos em relação à forma que foi criada. O PSD, por exemplo, cobrou ontem que a capitalização seja um piso e que seja incluída uma contribuição patronal.

    ARTICULAÇÃO

    O presidente reconheceu, durante o café, problemas na articulação política do governo e atribuiu isso à falta de vivência política de seus ministros.

    Na quinta, ao receber presidentes de partidos, Bolsonaro ouviu reclamações sobre o fato de os ministros não receberem parlamentares e não atenderem demandas e disse aos líderes partidários que isso seria mudado.

    Aos jornalistas, Bolsonaro disse que muitas vezes as demandas são coisas simples, mas que seria natural os ministros não darem o retorno que ele pessoalmente daria porque não tem vivência política.

    HORÁRIO DE VERÃO

    Durante café, o presidente informou que o horário de verão, marcado ainda para o primeiro final de semana de novembro, deve ser terminado. Bolsonaro disse aos jornalistas que está 'quase certo' que a mudança de horário será encerrada este ano.

    Criado por decreto, pode ser terminado por uma determinação do presidente. O governo faz um estudo para comprovar as informações que a alteração não trouxe economia significativa de energia nos últimos anos.

    (Por Lisandra Paraguassu)

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    ENFOQUE-Brasil deve colher café mais cedo em 2019 por calor e excesso de floradas

    Por José Roberto Gomes

    SÃO PAULO (Reuters) - A colheita da safra de café no Brasil deve começar mais cedo neste ano, até dois meses antes do usual em casos mais extremos em algumas regiões, após floradas antecipadas e forte calor entre dezembro e janeiro que acelerou a maturação, disseram especialistas à Reuters.

    Essa situação poderia, eventualmente, afetar a qualidade de uma temporada já marcada por baixa produção bianual, pois a maturação acelerada gera grãos de menor peso, enquanto a desuniformidade no desenvolvimento dos frutos atrapalharia a colheita no Brasil, o maior exportador da commodity.

    'A temperatura muito alta em janeiro pode comprometer a produção de 2019. Com esse calor, vai ter de adiantar a colheita, porque o grão amadurece mais rápido', resumiu Carlos Paulino da Costa, presidente da Cooxupé.

    Com sede em Guaxupé (MG), a maior cooperativa de café no país prevê colheita até 15 dias mais cedo em sua área de atuação, composta por Sul de Minas Gerais, Cerrado Mineiro e São Paulo.

    Segundo Paulino, colheita antecipada não deve afetar o ritmo vendas da Cooxupé, em um ano de baixa de produção no Brasil, dada a bienalidade negativa do arábica, principal variedade cultivada no país.

    Em outras regiões, a situação de amadurecimento precoce não é diferente.

    'Houve adiantamento no ciclo. Já estamos com lavouras maduras, já tem uns 20 por cento, ou até 30 por cento, no início de maturação. São das floradas lá de agosto', afirmou Paulo Sérgio Franzini, especialista em café do Departamento de Economia Rural (Deral), referindo-se à cultura no Paraná.

    De acordo com ele, as plantações do atual ciclo no Estado registraram até cinco floradas, iniciando-se em julho, contra três que geralmente são observadas a partir de setembro.

    Estimulados por chuvas, tais florescimentos, aliados ao calor, acarretam agora não só em colheita antes da hora, mas também em grãos com desenvolvimentos variados em um mesmo pé de café, indo de verdes a maduros.

    'Vamos ter colheita antecipada... Vamos ter colheita em abril, quando o usual é em junho... A desuniformidade na mesma planta vai atrapalhar o manejo das lavouras e o planejamento da colheita. Aquele produtor que busca uma qualidade maior, vai ter uma preocupação', destacou ele, dizendo que a produção paranaense deve ficar entre 1 milhão e 1,1 milhão de sacas, contra potencial de 1,2 milhão previamente.

    QUALIDADE COMPROMETIDA

    No Espírito Santo, maior produtor brasileiro de café conilon (robusta), também há receios quanto à colheita antecipada e à qualidade.

    'Faltou chuva no período de granação. Neste caso, serão grãos menores. Teremos maior incidência de grãos 'chochos', de menor peso. A qualidade, no geral, será menor', afirmou o pesquisador e coordenador de café no Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Abraão Verdin Filho.

    Ele projeta início da colheita até 20 dias antes do normal no Estado, embora ainda em abril, com produção acima dos 9 milhões de sacas do ano passado, mesmo que com alguma 'perda'.

    O pesquisador Lucas Bartelega, da Fundação Procafé, comentou que em áreas mecanizadas poderá ser necessário mais de uma etapa de colheita, retirando-se os grãos maduros conforme forem aparecendo, dadas as várias floradas desde o ano passado.

    'Os mecanizados vão dar duas, três passadas. O produtor que optar por uma passada só, vai ter de esperar maior maturação, e daí vai ter algo desigual... Pode ter grão já seco', afirmou.

    Ele afirmou ainda que algumas plantações sofreram 'queimaduras' em janeiro devido ao calor, o que deve levar a perda de produtividade por redução da área de fotossíntese.

    Pelas estimativas da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil deve colher neste ano entre 50,5 e 54,5 milhões de sacas de café, queda ante os mais de 60 milhões de 2018, mas ainda assim um dos maiores volumes da história.

    O café alterna ciclos de alta e baixa produção, e o deste ano é de bienalidade negativa, processo natural em que a planta se recupera do maior direcionamento de energia para a frutificação na safra passada, sobretudo na espécie arábica.

    (Por José Roberto Gomes)

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    Abic registra aumento de 4,8% no consumo de café no Brasil; revê metodologia

    Por José Roberto Gomes

    SÃO PAULO (Reuters) - O consumo de café no Brasil cresceu 4,8 por cento no último ano, no maior ritmo desde 2006, e tende a avançar a taxas consistentes nos próximos anos, conforme a retomada econômica e mudanças de hábitos impulsionam a demanda doméstica pelo produto, disse a Abic nesta quarta-feira.

    Os dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) agora levam em conta nova metodologia, que passou a desconsiderar o volume antes atribuído às empresas não cadastradas, como fazendas, cafeterias, vendas em feiras e demais comerciantes informais.

    Pelo novo método, o consumo de café somou 21 milhões de sacas no ano comercial que vai de novembro de 2017 a outubro de 2018. Pelo antigo, atingiria cerca de 23 milhões de sacas, segundo a Abic.

    'Era um número cheio de incertezas', afirmou o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz, durante coletiva de imprensa em São Paulo.

    Conforme os dados da associação, o consumo per capita de café em grão cru no Brasil, país que é o segundo maior consumidor mundial da bebida, foi de 6,02 kg em 2018, ante 5,81 kg no ano anterior.

    'Batemos um recorde de alta no consumo desde 2006. É um conjunto de fatores (para esse desempenho), mas, sem dúvida, temos o aumento do público consumidor, a melhora e a oferta de produtos diferenciados.... Hoje se toma café pela diferenciação, para combinar produtos, mudar formas de preparo... Acho que isso tudo explica o aumento do consumo de café', comentou.

    A tendência é de que, em meio a esse aumento do público consumidor e busca por novos tipos de produto, o consumo de café no Brasil tenha crescimento expressivo, de 3,5 por cento ao ano até 2021, segundo dados da Euromonitor usados pela Abic.

    Caso isso se confirme, o Brasil consumiria 21,7 milhões de sacas de café em 2019 e 23,3 milhões em 2021, pela nova metodologia.

    'Essa condição também está associada à retomada econômica, sem dúvida', destacou o diretor da Abic.

    Ainda segundo ele, o Sudeste segue como maior região consumidora de café do país.

    A maior parte do café produzido no Brasil, maior exportador global, é vendida ao exterior, um número que atingiu cerca de 35 milhões de sacas no ano passado.

    SAFRA

    Herszkowicz disse que as perspectivas são favoráveis para a safra de café deste ano no Brasil, o maior produtor e exportador mundial da commodity.

    'A safra tem tamanho bom. Somada com a do ano passado, as duas mais do que suprem convenientemente a exportação e o consumo interno. Em relação à qualidade, tende a ser bom, porque choveu na época certa... A safra tem bom tamanho para garantir bons negócios', disse, fazendo, contudo, ponderações quanto à oferta de robusta.

    'Preocupa um pouco esse calor excessivo no Espírito Santo. Com o calor excessivo, o fruto seca antes... E isso diminui a qualidade', comentou ele, acrescentando que a safra na Bahia e em Rondônia 'vai muito bem'.

    Espírito Santo, Bahia e Rondônia são os maiores produtores de robusta, ou conilon, usado no blend com o arábica e para solúveis.

    O Brasil deve produzir neste ano entre 50,5 milhões e 54,5 milhões de sacas de café, segundo projeção da estatal Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), recorde para anos de baixa produção, marcados pela bienalidade negativa do arábica, a variedade mais cultivada no país. No passado, o país colheu mais de 60 milhões de sacas.

    Do total, entre 36,1 milhões e 38,1 milhões de sacas devem ser de arábica, enquanto a produção de robusta deve ficar entre 14,3 milhões e 16,3 milhões de sacas, segundo a Conab.

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    União tem acordo sobre cessão onerosa com Petrobras; é preciso amparo legal, diz Guardia

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta quarta-feira que o governo federal já chegou a um acordo com a Petrobras sobre a revisão do contrato da cessão onerosa, mas entende que é necessária a aprovação de uma lei para que ele possa ser efetivado.

    'Encaminhamos o projeto de lei que está em discussão no Congresso Nacional. Não foi aprovado até este momento. Estamos hoje no dia 12 de dezembro. Então este tema ficará para o próximo ano', disse.

    'Se houver entendimento no futuro --e isso pode ocorrer, não estou dizendo nem que sim, nem que não-- que isso (amparo da lei) não é necessário, não tem nenhum problema. Não cabe a mim avaliar mais', acrescentou o ministro, em encontro com jornalistas.

    Guardia se recusou a dar detalhes sobre valores ou sobre quem seria credor nesse desenho, citando acordo de confidencialidade assinado.

    Uma renegociação do contrato entre União e Petrobras estava prevista desde 2010, quando o acordo foi assinado.

    Alguns integrantes da indústria avaliam que o projeto de lei é necessário por trazer mais segurança jurídica, uma vez que há lacunas no contrato da cessão onerosa, pelo qual a Petrobras pagou à União 74,8 bilhões de reais para explorar até 5 bilhões de barris de óleo equivalente no pré-sal.

    Nesta quarta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) analisa processo sobre o mesmo assunto.

    Questionado se, após eventual decisão do órgão de controle, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) poderia deliberar sobre o leilão do excedente da cessão onerosa em sua próxima reunião, que ocorre em 17 de dezembro, Guardia disse que precisava ter conhecimento da decisão do TCU para poder responder.

    Na avaliação de fontes a par das discussões, uma aprovação do TCU poderia abrir caminho para a realização do megaleilão, sem a necessidade de aprovação de um projeto sobre o tema que tramita no Congresso e que tem enfrentado dificuldade de avançar em meio à indefinição legal de como poderia ser feita eventual repartição com Estados e municípios de recursos arrecadados no certame.

    A divisão do montante foi previamente acordada entre o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), e a equipe econômica do futuro governo de Jair Bolsonaro (PSL), capitaneada por Paulo Guedes.

    Nesta quarta-feira, Guardia reconheceu que há impasse em relação ao tema por conta do desejo de compartilhar recursos com os entes regionais, já esse repasse teria que ser submetido à regra do teto de gastos, que limita o crescimento das despesas públicas. Assim, a União teria que cortar despesas em montante equivalente para fazer essa compensação orçamentária.

    Especialistas estimam que a região da cessão onerosa tem muito mais do que os 5 bilhões de barris de óleo equivalente que a Petrobras poderá explorar, segundo o contrato original fechado com a União.

    Com a possível venda do excedente da cessão onerosa para petroleiras em um leilão, a expectativa é de que a União possa arrecadar até 130 bilhões de reais, conforme estimou Eunício anteriormente.

    Uma parte desses recursos seria utilizada para pagar a Petrobras na renegociação do contrato da cessão onerosa, caso se confirme uma avaliação anterior de executivos da estatal de que ela é credora da União.

    Sem a conclusão dessa renegociação, a realização do leilão seria inviável.

    MAIS PRESSÃO ORÇAMENTÁRIA

    Após a Câmara dos Deputados aprovar na véspera, em caráter final, projeto que prorroga incentivos fiscais para empresas instaladas nas áreas de atuação das superintendências do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam), do Nordeste (Sudene) e do Centro-Oeste (Sudeco), Guardia apontou que a investida tem impacto anual de 3,5 bilhões de reais por ano, não contemplado na proposta orçamentária do ano que vem.

    Guardia ressaltou que, por determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), deve haver compensação de novos benefícios concedidos, o que pode acontecer via aumento de impostos ou redução de benefícios tributários.

    'O problema é que até onde eu tenho conhecimento a medida não foi acompanhada dessa compensação', disse. 'Se ficar caracterizado que não está adequado à LRF a gente tem por obrigação recomendar o veto'.

    Em relação ao socorro financeiro a Roraima, o ministro afirmou que o tópico ainda está sendo discutido internamente. Ele ponderou que o repasse poderá ser feito via crédito extraordinário, pois parece cumprir requisitos legais para tanto. Nesse caso, não precisaria obedecer ao teto de gastos.

    Na terça-feira, o interventor federal do Estado, governador eleito Antonio Denarium (PSL), afirmou que o governo federal acertou ajuda de 200 milhões de reais a Roraima, recursos que serão utilizados para regularização da folha de pagamento, numa solução para as greves generalizadas dos servidores públicos estaduais.

    Sobre eventual ingresso de Roraima no regime de recuperação fiscal, Guardia indicou ser necessário atualizar as informações do Estado, já que para entrar no regime os entes devem ter despesa de pessoal mais serviço da dívida em valor igual ou superior a 70 por cento da receita corrente líquida.

    Segundo o ministro, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Norte têm despesas com pessoal acima de 70 por cento, sendo que o limite estabelecido pela LRF é de 60 por cento. Hoje, o Rio de Janeiro é o único no regime de recuperação fiscal, com Rio Grande do Sul tentando cumprir requisitos para formalizar sua adesão.

    Ao falar sobre a situação fiscal dos Estados de maneira mais ampla, o ministro ressaltou que é imprescindível que eles também façam ajuste fiscal, especialmente para diminuir despesas previdenciárias e de pessoal.

    Quanto aos desafios para a União no governo de Jair Bolsonaro (PSL), Guardia ressaltou que a reforma da Previdência é 'urgente e absolutamente necessária'.

    (Por Marcela Ayres)

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    ENTREVISTA-3corações vê salto em vendas em 2018 e grande safra de café no Brasil em 2019

    Por Roberto Samora

    SÃO PAULO (Reuters) - O grupo 3corações, líder em vendas de café torrado & moído do Brasil, prevê uma safra abundante no país no ano que vem, consumo crescente e projeta fortes investimentos no mercado brasileiro, onde seus negócios têm crescido em ritmo de dois dígitos ao ano, disse à Reuters o presidente da companhia.

    À frente de uma empresa que deve faturar quase 5 bilhões de reais neste ano e de olho em um mercado de produtos de maior valor agregado, Pedro Lima fala com entusiasmo sobre iniciativas da 3corações para fomentar a produção de café de qualidade, que cada vez mais atrai consumidores. Mas ele também pensa no todo.

    'Estamos nos cafés diferenciados, cafés em microlotes... para onde o consumidor for, vamos seguir', disse Lima, comentando que o interesse dos brasileiros por grãos melhores foi ampliado com o auxílio de um programa da associação da indústria brasileira de café, de aprimorar a qualidade de toda a produção.

    Com 27 por cento do mercado de torrado & moído no Brasil, mais de 60 por cento no segmento de cappuccino e em segundo lugar em vendas no país em solúvel, atrás da Nestlé, o grupo 3corações espera contar com uma grande safra brasileira no próximo ano, até para ajudar a companhia a atingir seus objetivos.

    Segundo Lima, filho de João Alves de Lima, fundador da empresa que originou o grupo --hoje uma joint venture 50/50 com o israelense Strauss Group Ltd--, a safra de 2019 tem potencial de ser a maior de um ano de baixa do ciclo bianual do arábica.

    'A nossa expectativa, de empresa verticalizada, com time de especialistas em todo o país, é de uma safra de 55 milhões de sacas em 2019', disse Lima, o que seria uma queda de 5 milhões de sacas ante o recorde deste ano.

    Do total, a safra de café arábica do Brasil deve atingir, segundo Lima, 35 milhões de sacas em 2019, ante cerca de 44 milhões em 2018), enquanto a de café robusta deve crescer para 20 milhões de sacas no próximo ano, versus 16 milhões de sacas em 2018, à medida que áreas produtoras consolidam uma recuperação após anos de seca.

    'Talvez seja a maior safra de ano de baixa', disse ele, ao ser questionado sobre a colheita que se inicia no segundo trimestre de 2019. Segundo dados do governo, que em geral apontam um volume menor que o mercado, a maior safra de baixa produtividade do país se deu 2013 (49,15 milhões de sacas).

    'Isso deve deixar os preços estáveis', disse o presidente da 3corações, considerando também os estoques formados no Brasil na safra abundante deste ano.

    SALTO NO FATURAMENTO

    Os grandes volumes produzidos no Brasil, admitiu Lima, ajudaram nas margens da empresa neste ano, que também deve registrar um salto de cerca de 10 por cento no faturamento bruto, para aproximadamente 4,8 bilhões de reais, na comparação com 2017.

    'Bruto, a ideia é chegar em 4,8 bilhões. Líquido, a ideia é chegar em 3,9 bilhões.'

    Com tais resultados e de olho em uma recuperação econômica, o grupo deverá investir montantes de aproximadamente 320 milhões de reais em 2019, praticamente o mesmo patamar deste ano.

    Tais aportes, entre outros objetivos, visam capturar as oportunidades do mercado de cafés especiais, que cresce em um ritmo muito mais forte do que o mercado em geral, ainda que represente ainda cerca de 3 por cento dos volumes vendidos, indicou Lima.

    Uma das mais recentes iniciativas da 3corações na área de especiais, nas versões torrado & moído, grãos e cápsulas, é a linha Rituais, com 'blends' 100 por cento arábica do Cerrado Mineiro, Mogiana Paulista, Sul de Minas, além do orgânico e 'Florada'.

    Este último, integrante de um programa da 3corações para 'empodeirar' as cafeicultoras, ao mesmo tempo em que ensina as melhores práticas de produção, em um processo que culmina com um concurso para os grãos mais apreciados do Brasil produzidos por mulheres.

    'É um trabalho para melhorar a cafeicultura brasileira... e, claro, elas vão se tornar fornecedoras da empresa', comentou Lima, cuja empresa é dona de uma série de marcas, como Santa Clara, Pimpinela, Kimimo, Letícia, Fino Grão, Itamaraty, Iguaçu, 3corações, além da TRES, solução de café expresso e com mais de 20 sabores de bebidas quentes.

    Com 25 centros de distribuição espalhados pelo Brasil, seis plantas fabris, duas unidades de compra e beneficiamento, a empresa também exporta café de algumas de suas marcas para os principais mercados da América Latina e Estados Unidos.

    (Por Roberto Samora)

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