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    EXCLUSIVO-Petrobras ignorou alertas sobre comerciante de petróleo envolvido em corrupção

    Por Gram Slattery

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras encontrou atividade suspeita em seu negócio de comercialização de petróleo --e não conseguiu pará-la-- seis anos antes de um suposto escândalo de corrupção naquela unidade em 2018, de acordo com três fontes com conhecimento da situação e documentos vistos pela Reuters.

    Uma investigação interna de 2012 na estatal de petróleo mostrou mais de duas dúzias de casos em que os traders no escritório da Petrobras em Cingapura pagaram a mais em negócios de combustíveis, disseram as fontes.

    Grandes empresas de petróleo frequentemente compram e vendem produtos de petróleo, aproveitando as diferenças de preço para maximizar os lucros. Em 2013, alguns funcionários recomendaram a interrupção de transações com uma corretora em particular, que consistentemente vendia combustível para a Petrobras a preços acima do mercado, de acordo com as pessoas.

    Mas os negócios continuaram a pedido de pelo menos três gerentes da empresa, disseram as pessoas.

    A pouco conhecida corretora de combustível Seaview Shipbroking Ltd foi posteriormente envolvida pelos promotores na Lava Jato, importante investigação que apurou esquemas bilionários de corrupção na Petrobras.

    Autoridades dizem que este capítulo da Lava Jato está apenas começando.

    Os promotores em dezembro alegaram em documentos públicos que quatro das maiores empresas de comércio de commodities do mundo --Vitol, Trafigura, Glencore e Mercuria Energy Group-- usaram intermediários para utilizar pelo menos 31 milhões de dólares em propinas para corromper funcionários da Petrobras.

    Em troca, os promotores dizem que esses funcionários teriam comprado petróleo e derivados a preços inflacionados ou venderiam a preços com desconto, entregando lucros descomunais para as partes do outro lado desses negócios.

    Os promotores alegam que tais transações eram rotineiras entre pelo menos 2011 e 2014 entre alguns funcionários da unidade de negociação da Petrobras, que tem escritórios espalhados pelo mundo.

    A Reuters não conseguiu localizar informações de contatos ativos para o Seaview Shipbroking. Promotores brasileiros que investigam a corretora têm se concentrado em Konstantinos Kotronakis, um ex-cônsul grego no Rio de Janeiro. Eles alegam que a Kotronakis usou uma conta bancária da Seaview que ele controlava em Luxemburgo para administrar propinas relacionadas aos negócios de combustível da Petrobras. Kotronakis não foi acusado de um crime.

    No Brasil, não é incomum que os promotores aleguem os delitos cometidos por suspeitos em documentos publicamente disponíveis --e citam evidências nesse sentido-- sem cobrar imediatamente essas pessoas. Até agora, os promotores acusaram 14 pessoas, seis delas ex-funcionários da Petrobras, e disseram que mais acusações estão por vir.

    Um advogado da Kotronakis disse que desconhecia a auditoria da Petrobras e que seu cliente não era um dos proprietários da Seaview.

    A Glencore, cujas subsidiárias teriam canalizado subornos através da Kotronakis, de acordo com os promotores, recusou-se a comentar sobre suas supostas negociações com o empresário.

    A Petrobras se apresenta como uma vítima dos esquemas ilegais investigados pela Lava Jato.

    Mas a petroleira não comentou sobre a investigação interna da sua mesa de operações de Cingapura. A empresa ressaltou à Reuters declarações anteriores, nas quais a companhia disse que está empenhada em erradicar problemas, com progressos na melhoria de seus programas de conformidade desde que o escândalo da Lava Jato teve início, em 2014.

    A Petrobras divulgou no mês passado que a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities dos EUA solicitou informações sobre aspectos de suas operações de trading relacionadas à investigação brasileira. O Departamento Federal de Investigação dos EUA também se juntou à investigação.

    Mercuria, Vitol, Trafigura e Glencore disseram que estão cooperando com a investigação brasileira. Todos enfatizaram seu compromisso com práticas comerciais éticas. Mercuria negou irregularidades.

    A Mercuria e a Trafigura não responderam a pedidos adicionais de comentários sobre esta matéria. Vitol se recusou a comentar.

    SUSPEITA NA COMERCIALIZAÇÃO

    De acordo com um relatório interno da Petrobras de dezembro de 2012 e pessoas familiarizadas com o assunto, os gerentes da empresa examinaram 29 compras de combustível na mesa de operações de Cingapura de janeiro a novembro do mesmo ano.

    Em 28 dessas transações, segundo o relatório, a Petrobras pagou acima das taxas vigentes para o chamado 'bunker', combustível utilizado por navios. Em dez desses casos, segundo o relatório, o prêmio chegou a pelo menos 20 dólares por tonelada métrica.

    Os documentos vistos pela Reuters não forneceram um valor acumulado que a Petrobras supostamente pagou em excesso. Mas, dados os grandes volumes de produtos envolvidos, os promotores disseram que até os pequenos acréscimos por unidade de produto poderiam gerar enormes lucros ilícitos para os comerciantes ao longo do tempo.

    De acordo com um documento não-público da Polícia Federal de 2017 visto pela Reuters examinando irregularidades comerciais na Petrobras, bem como duas pessoas familiarizadas com o assunto, a Seaview estava entre as empresas que facilitavam negociações suspeitas em Cingapura.

    Os promotores dizem que a Seaview funcionava essencialmente como uma intermediária que ajudava as grandes empresas de comercialização de commodities a depenar a Petrobras. A Seaview executou negociações de combustível vantajosas em seu nome, e distribuiu subornos através de contas no exterior, disseram as autoridades.

    Nos primeiros meses de 2013, surgiu na Petrobras um debate interno sobre a possibilidade de interromper negócios com Seaview, de acordo com os documentos e as pessoas. A Petrobras se recusou a fazê-lo, disseram eles, depois que alguns gerentes seniores argumentaram que a companhia de petróleo poderia perder dinheiro limitando o número de corretores com os quais interage.

    Entre as pessoas que apoiaram a manutenção do relacionamento estava Marco Antonio Costa Tritto, que era então gerente das operações de 'bunker' da Petrobras, de acordo com as pessoas e documentos, datado de 2013. Ele agora é gerente-geral de uma das subsidiárias europeias da Petrobras, segundo documentos de registro do Reino Unido.

    Costa Tritto recomendou à Reuters que procurasse à sede da Petrobras para pedidos de comentários. A Petrobras disse que não iria comentar.

    Outro funcionário da Petrobras que apoiou a Seaview, Jorge de Oliveira Rodrigues, foi acusado pelo Ministério Público em dezembro por embolsar subornos e lavagem de dinheiro em conexão com o esquema de comercialização de petróleo.

    Um advogado de Oliveira Rodrigues, que está aposentado, disse que não comentaria.

    Os promotores identificaram transações suspeitas envolvendo o Seaview até fevereiro de 2014.

    Após duas auditorias adicionais em 2013, a Petrobras apontou pelo menos três funcionários por conduta imprópria, nenhum dos quais foi demitido, disseram as pessoas.

    Entre eles, disseram as fontes, estava César Joaquim Rodrigues da Silva. As autoridades brasileiras o prenderam em dezembro, acusando-o de lavagem de dinheiro e embolso de subornos em conexão com o suposto esquema de propina.

    Um advogado de Rodrigues da Silva se recusou a comentar.

    Outro trader, Daniel da Silva Gomes Filho, também foi considerado culpado pela Petrobras por operações comerciais irregulares, segundo as pessoas. A auditoria da Petrobras de 2012 disse que um denunciante interno alegou que Gomes Filho fez acordos 'por debaixo do pano' com contrapartes em negócios de combustível. Ele não foi implicado pelos promotores.

    Gomes Filho escreveu em um e-mail para a Reuters que ele foi suspenso por 29 dias pelo suposto incidente e foi submetido a três investigações internas da Petrobras. Ele disse que viajou para a cidade de Curitiba, onde a investigação se baseia, para responder a perguntas de autoridades locais.

    'Mesmo depois de seis anos, eles não foram capazes de me desacreditar', escreveu ele.

    Gomes Filho afirmou que se aposentou da Petrobras em 2018.

    (Reportagem adicional de Julia Payne em Londres)

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    2 D

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    Justiça do México decreta prisão de ex-presidente da petroleira Pemex por corrupção

    CIDADE DO MÉXICO (Reuters) - A Justiça mexicana decretou a prisão do ex-presidente da petroleira estatal Pemex Emilio Lozoya por supostos atos de corrupção relacionados à empreiteira brasileira Odebrecht, informou a mídia local na terça-feira.

    A investigação é a primeira de alto escalão instaurada pelo governo de Andrés Manuel López Obrador, que tomou posse em dezembro com a promessa de acabar com a corrupção na segunda maior economia da América Latina.

    O chefe da Unidade de Inteligência Financeira (UIF) da Secretaria da Fazenda, Santiago Nieto, disse em uma entrevista que, como resultado de suas investigações, ele apresentou três acusações contra Lozoya à Procuradoria-Geral.

    Mencionando fontes do gabinete da Procuradoria, a agência estatal Notimex informou que um juiz havia ordenado a prisão do ex-funcionário, que comandou a petroleira de 2012 a 2016.

    Nieto, a Procuradoria e o advogado de Lozoya, Javier Coello, não confirmaram se havia, de fato, uma pedido de detenção.

    No entanto, as autoridades adentraram a casa de Lozoya e de seu pai na noite de terça-feira, disse Coello à Milenio TV.

    A Procuradoria declarou que o empresário Alonso Ancira, presidente do conselho da siderúrgica Altos Hornos de México (AHMSA), foi detido na Espanha pela Interpol devido ao suposto envolvimento com 'uma série de delitos que motivaram um grave dano patrimonial' à Pemex.

    Em comunicado, o gabinete acrescentou que poderia haver mais detenções, como resultado de mais de dois meses de diversas diligências.

    Autoridades locais bloquearam as contas bancárias de Lozoya na segunda-feira, assim como a da siderúrgica mexicana, uma das maiores do país.

    Neto disse na terça-feira que a investigação está centrada em transferências de dinheiro feitas pela AHMSA para uma unidade fantasma da Odebrecht, que movimentou os recursos para contas de Lozoya e seus familiares, por meio de diversas transações, incluindo operações imobiliárias.

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    2 S

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    Presidente do PSG é investigado na França por corrupção, dizem fontes

    PARIS (Reuters) - O presidente do clube de futebol Paris Saint-Germain, o catari Nasser al-Khelaifi, está sob investigação na França por suspeita de corrupção, disse uma fonte judicial francesa nesta quinta-feira.

    Outra fonte afirmou que Khelaifi e um colaborador próximo foram interrogados pelos investigadores em março em relação ao processo de escolha da sede do campeonato mundial de atletismo de 2017. A candidatura do Catar não foi bem-sucedida, e o evento foi concedido a Londres.

    O clube francês não respondeu imediatamente a um pedido por comentário. A Reuters não pôde contactar os representantes de Khelaifi no Catar.

    A decisão da Justiça de colocar o dirigente sob investigação significa que Khelaifi agora é formalmente tratado como suspeito, o que aproxima o processo de ir a julgamento. Sob a lei francesa, no entanto, um suspeito não é formalmente acusado de um crime a menos que vá a julgamento.

    A medida tomada por um juiz investigativo demonstra o amplo escopo de uma investigação francesa sobre a rede de corrupção no atletismo mundial, incluindo subornos para encobrir resultados positivos em exames de doping e na escolha das sedes de eventos.

    Nesta semana, promotores franceses recomendaram que Lamine Diack, senegalês ex-chefe da Associação Internacional de Federações de Atletismo (Iaaf), e seu filho sejam julgados por uma série de suspeitas de práticas ilícitas cometidas ao longo de vários anos com o envolvimento ativo de atletas e suas federações.

    Os dois negam envolvimento no caso. Um advogado que representa Diack se recusou a comentar sobre a medida. O filho, Papa Massata Diack, não respondeu aos pedidos por comentários.

    Os juízes que conduzem o caso de Diack acusam o senegalês de favorecer a candidatura do Catar ao campeonato mundial de 2017 em troca de pagamentos, disseram fontes.

    (Reportagem de Emmanuel Jarry; Reportagem adicional de Eric Knecht em Doha)

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    Corrupção desvia U$1 trilhão em impostos globalmente, diz FMI

    Por Rodrigo Campos

    NOVA YORK (Reuters) - Conter a corrupção poderia gerar cerca de 1 trilhão de dólares em impostos anualmente ao redor do mundo, segundo uma pesquisa do Fundo Monetário Internacional (FMI).

    Além de aumentar a receita dos governos, combater a corrupção também pode diminuir o desperdício e até ajudar a melhorar as notas de alunos de escolas públicas, disse o FMI. E ainda melhora a confiança pública geral nos governos.

    'Menos corrupção significa menos vazamento de receita e menos desperdício com gastos, e qualidade melhor da educação pública e da infraestrutura', sustentou o relatório.

    O padrão de percepção de corrupção menor e rendas maiores se mantém em países desenvolvidos, emergentes e de renda baixa, mostraram os dados.

    'Entre economias avançadas, um país dos 25 por cento melhores em termos de controle da corrupção obtém 4,5 por cento a mais de PIB, em média, do que um país dos 25 por cento piores. A defasagem é de 2,75 por cento do PIB entre economias de mercados emergentes e de 4 por cento do PIB em países de renda baixa', informou o relatório.

    TRANSPARÊNCIA E IMPRENSA FORTE

    Estudos anteriores mostraram que indústrias extrativistas, como mineração e prospecção de petróleo, são ninhos de corrupção, assim como os setores de aquisições e de administração de estatais. O FMI identifica a transparência e a supervisão como elementos centrais para refrear a corrupção nestas áreas, e uma imprensa forte e livre como catalisadora.

    'Esperamos que a transparência ande junto com bons resultados fiscais, mas o que nos surpreendeu foi que o efeito da transparência é muito mais forte em países que têm uma imprensa livre ou uma sociedade civil (forte)', disse Paolo Mauro, vice-diretor do departamento de Assuntos Fiscais do FMI.

    'E quando você tem estes dois juntos, o efeito é ainda mais forte.'

    Mauro e Paulo Medas, vice-chefe de uma divisão do mesmo departamento, dividiram a autoria do estudo, um capítulo do Monitor Fiscal do FMI, que está sendo publicado em partes nesta semana, antes de reuniões do fundo marcadas para a próxima semana em Washington.

    Entre outras recomendações para coibir a corrupção, o FMI pede a profissionalização do serviço público, incluindo contratações com base no mérito, fala da necessidade de regras tributárias e códigos comerciais simples para evitar a tentação de se pagar subornos para contorná-los.

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    2 M

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    Investigado por corrupção, chefe do Comitê Olímpico do Japão renunciará antes de Jogos de 2020

    Por Kiyoshi Takenaka e Jack Tarrant

    (Reuters) - O chefe do Comitê Olímpico do Japão (COJ), Tsunekazu Takeda, que está sendo investigado por corrupção, anunciou nesta terça-feira que deixará o cargo quando seu mandato terminar, em junho, e que renunciará ao Comitê Olímpico Internacional.

    Em dezembro, procuradores franceses interrogaram Takeda em Paris e o tornaram alvo de uma investigação formal devido à suspeita de corrupção na campanha vitoriosa de Tóquio para sediar a Olimpíada de 2020.

    Takeda, que foi presidente do comitê da campanha de Tóquio para os Jogos de 2020, disse durante uma reunião do conselho diretivo do COJ que renunciará e não buscará a reeleição.

    Em uma coletiva de imprensa realizada posteriormente nesta terça-feira, Takeda disse: 'Não acredito que tenha feito nada ilegal'.

    Quando indagado por que não entregou o cargo de imediato, ele respondeu: 'Fico triste por ter criado tanta confusão, mas acredito que é minha responsabilidade cumprir o resto do meu mandato'.

    Takeda dirige o COJ desde 2001, e sua renúncia cria apreensões a respeito do comitê nacional e da organização dos Jogos de Tóquio de 2020.

    'Sinto-me muito mal por estar causando uma perturbação dessas ao público antes dos Jogos de Tóquio do ano que vem', disse Takeda.

    'Pensei no futuro do COJ e cheguei à conclusão de que é mais adequado passar o COJ para líderes mais jovens que conduzirão a próxima geração, deixando-os criar a nova era do Japão através da Olimpíada de Tóquio'.

    A organização da Olimpíada de Tóquio disse em um email à Reuters: 'Estamos cientes do anúncio do presidente Takeda, do COJ, hoje de que ele deixará o cargo em junho. Entendemos que o presidente Takeda tomou sua própria decisão. Os detalhes ainda não foram esclarecidos, então gostaríamos de nos abster de comentários adicionais'.

    Takeda atua no Comitê Executivo da Tóquio 2020, mas ainda não está claro se também se afastará desta função.

    Investigadores franceses realizaram um inquérito de anos sobre a corrupção no atletismo, e no início de 2016 incluíram os processos de candidatura e seleção do Rio de Janeiro como sede dos Jogos de 2016 e de Tóquio para 2020.

    Pagamentos de vários milhões de dólares feitos pelo comitê de campanha de Tóquio a uma consultoria de Cingapura estão sendo examinados, e Takeda é suspeito de pagar propinas para garantir a vitória da candidatura japonesa.

    No caso do Rio, o ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB) e líder da candidatura aos Jogos de 2016, Carlos Arthur Nuzman, foi preso em 2017 no âmbito de uma investigação sobre compra de votos na eleição olímpica.

    (Reportagem adicional de Chris Gallagher e Elaine Lies)

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    2 M

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    Parlamentares apresentam projetos para 'reverter' decisão do STF sobre Justiça Eleitoral poder julgar corrupção

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - Parlamentares anunciaram a apresentação de projetos com o objetivo de reverter a decisão da véspera do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou que crimes de corrupção e lavagem de dinheiro, em casos relacionados a caixa dois de campanha eleitoral, devem ser conduzidos pela Justiça Eleitoral.

    Essa decisão do STF, tomada em apertada votação por 6 votos a 5 e alvo de fortes críticas, é considerada a maior derrota da operação Lava Jato, que completa 5 anos no domingo. Integrantes da força-tarefa defendiam que essas apurações pudessem ser conduzidas pela Justiça Federal, que dizem ser mais vocacionadas para investigar crimes como corrupção, e que a mudança poderá ter impacto em apurações em curso.

    O líder do PSL no Senado, Major Olimpio (SP), apresentou projeto para manter esse tipo de investigação a cargo da Justiça comum. Segundo Olimpio, do partido do presidente Jair Bolsonaro, o projeto vai garantir o combate ao crime organizado, evitando a impunidade.

    'Essa alteração proposta vem de encontro à vontade do titular do poder, o povo brasileiro, pois possibilita que operações contra a corrupção e o crime organizado cometidos, como por exemplo a denominada operação Lava Jato sejam devidamente garantidas e sejam julgadas pela Justiça competente de modo a evitar possíveis impunidades', disse o senador, em nota divulgada pela assessoria de imprensa.

    Deputados federais do Podemos também apresentaram projetos com o mesmo objetivo. 'O Brasil avançou nos últimos anos. Não vamos permitir que o país retroceda um milímetro no combate à corrupção', disse em nota a deputada Renata Abreu (SP), presidente nacional do partido.

    Na semana que vem, a bancada do Podemos pretende se reunir com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Na sessão do STF de quinta-feira, Dodge chegou a cogitar a ideia de avaliar com o Congresso Nacional uma medida para alterar a legislação sobre o assunto.

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    Nova procuradora-geral do Peru critica lei proposta por presidente para reformar Ministério Público

    LIMA (Reuters) - A nova procuradora-geral do Peru, Zoraida Ávalos, criticou na terça-feira uma legislação proposta pelo presidente peruano, Martín Vizcarra, para reformular a Procuradoria, advertindo que a medida violaria a autonomia da instituição.

    Zoraida disse que enviará ao Congresso seu próprio projeto de lei para fortalecer a confiança no Ministério Público peruano, que ficou comprometida depois que seu predecessor no comando da organização tentou demitir dois importantes promotores da investigação de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht, na semana passada.

    Os comentários de Zoraida refletem o argumento de críticos que têm acusado Vizcarra de ultrapassar os limites do cargo, à medida que o presidente busca políticas para combater a corrupção enraizada em uma das economias que cresce mais rápido na América Latina.

    Vizcarra propôs a legislação, que mudaria a estrutura da liderança da Procuradoria, depois que o ex-procurador-geral Pedro Chávarry inicialmente se recusou a renunciar, apesar de crescente pressão e de protestos na semana passada.

    Chávarry acabou renunciando na terça-feira, se retratando como a vítima de uma campanha midiática para difamá-lo.

    “Eu entendo que esse projeto de lei foi proposto devido à crise que vivíamos”, disse Zoraida a repórteres após assumir o cargo. “Mas acho que é claro que é um projeto de lei que, de uma maneira, viola a estrutura constitucional ou o projeto constitucional da Procuradoria”.

    O gabinete de Vizcarra não respondeu de imediato a pedidos por comentário.

    Ex-vice-presidente do Peru, Vizcarra tem feito do combate à corrupção o foco de seu governo, após assumir a Presidência no ano passado para substituir Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou devido a um dos muitos escândalos de corrupção a abalar o Peru nos últimos anos.

    Vizcarra havia pedido repetidamente a renúncia de Chávarry, mas não tinha poderes para demiti-lo diretamente. De acordo com a Constituição peruana, apenas o Congresso, onde Chávarry contava com apoio da maioria de oposição, pode remover o procurador-geral.

    Zoraida também havia pedido a renúncia de Chávarry. Após assumir o cargo para substituí-lo, ela prometeu apoio completo aos promotores que investigam a corrupção.

    Os dois promotores inicialmente demitidos por Chávarry, Rafael Vela e José Domingo Pérez, são vistos como figuras essenciais na investigação envolvendo a Odebrecht no Peru.

    Os dois haviam recentemente elaborado um acordo de leniência que obrigava a construtora a fornecer evidências sobre 30 milhões de dólares em propinas que admite ter pago a políticos locais.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de diversos países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

    (Reportagem de Marco Aquino e Mitra Taj)

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    Procurador-geral do Peru renuncia em meio a investigação da Odebrecht

    Por Marco Aquino

    LIMA (Reuters) - O procurador-geral do Peru, Pedro Chávarry, disse que irá renunciar nesta terça-feira, em meio à crescente indignação pública com a maneira como tem lidado com a investigação de corrupção envolvendo a construtora brasileira Odebrecht.

    A decisão de Chávarry acontece pouco mais de uma semana depois que ele demitiu dois importantes promotores do inquérito, uma medida que desencadeou ampla condenação e uma ameaça do presidente peruano, Martín Vizcarra, de suspendê-lo.

    Chávarry negou as acusações de que estaria tentando interferir na investigação e, mais tarde, reconvocou os dois promotores, ambos admirados no Peru como combatentes da corrupção.

    Entretanto, a reversão não foi suficiente para acalmar muitos peruanos, que têm continuado a protestar contra Chávarry.

    Na noite de segunda-feira, Chávarry disse em comunicado que irá apresentar sua renúncia do Ministério Público peruano às 10h (13h no horário de Brasília) desta terça-feira por “respeito a minha instituição”.

    A decisão de Chávarry marca uma importante vitória para o presidente Vizcarra que, na semana passada, enviou ao Congresso uma legislação para suspender o procurador-geral do cargo.

    Vizcarra, que substituiu o ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski após sua renúncia devido a um escândalo de corrupção no ano passado, tem feito do combate à corrupção o foco de seu governo.

    Os dois promotores inicialmente demitidos por Chávarry, Rafael Vela e José Domingo Pérez, são vistos como figuras essenciais na investigação da Odebrecht no Peru.

    Os dois haviam recentemente elaborado um acordo de leniência que obrigava a construtora a fornecer evidências sobre 30 milhões de dólares em propinas que a empresa admite ter pago a políticos locais.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de diversos países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

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    Procurador-geral do Peru reverte afastamento de procuradores de inquérito da Odebrecht

    LIMA (Reuters) - O procurador-geral do Peru, Pedro Chavarry, reconvocou na quarta-feira dois procuradores destacados que havia afastado do inquérito sobre corrupção envolvendo a Odebrecht, depois que a decisão causou um repúdio generalizado e o presidente Martín Vizcarra ameaçou suspendê-lo.

    Os procuradores Rafael Vela e José Domingo Pérez acertaram um acordo de leniência com a Odebrecht que obrigava a empreiteira brasileira a apresentar provas de cerca de 30 milhões de dólares em propinas que disse ter pago a políticos locais.

    Muitos peruanos os louvam por vê-los como verdadeiros combatentes da corrupção por mirarem políticos notórios, inclusive quatro ex-presidentes e a líder opositora Keiko Fujimori.

    No entanto, na noite de segunda-feira Chavarry anunciou que estava afastando Vela e Pérez do caso por excederem sua autoridade.

    Na quarta-feira, depois de ser alvo de protestos e críticas, Chavarry assinou uma resolução restituindo ambos aos seus postos e dizendo que outros procuradores se recusaram a substituí-los.

    O recuo foi mais uma vitória de Vizcarra, que havia prometido fazer tudo que pudesse para reconduzir os dois procuradores ao caso.

    No início da quarta-feira Vizcarra enviou uma legislação ao Congresso para afastar Chavarry de seu cargo e declarar um estado de emergência na Procuradoria-Geral para reestruturá-la.

    Chavarry negou ter tentado interferir no inquérito sobre a Odebrecht dispensando Pérez e Vela.

    Vizcarra, que assumiu no lugar do ex-presidente Pedro Pablo Kuczynski, que renunciou no ano passado devido a um escândalo de corrupção, fez do combate à corrupção um dos pilares de seu governo. Seu índice de aprovação superava os 60 por cento no final de 2018, na esteira de reformas para extirpar o nepotismo enraizado que foram aprovadas com grande respaldo em um referendo.

    Vizcarra pediu a renúncia de Chavarry diversas vezes, mas pela Constituição peruana só o Congresso pode afastar o procurador-geral.

    A investigação contra a Odebrecht foi deflagrada pela operação Lava Jato no Brasil e repercute na América Latina, no que procuradores dos Estados Unidos disseram ser o maior esquema de corrupção política já revelado.

    Em 2016 a Odebrecht admitiu ter pago milhões de dólares em propinas a autoridades de uma dúzia de países para obter contratos de obras públicas ao longo de uma década, e se comprometeu a pagar multas de bilhões de dólares.

    (Por Mitra Taj)

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