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    Relatório dos EUA contradiz Trump e prevê que mudanças climáticas afetarão economia

    (Reuters) - As mudanças climáticas custarão à economia dos Estados Unidos centenas de bilhões de dólares até o final do século, prejudicando tudo desde a saúde humana até infraestrutura e produção agrícola, segundo um relatório do governo norte-americano publicado nesta sexta-feira.

    O relatório encomendado pelo Congresso, redigido com a ajuda de mais de uma dúzia de agências governamentais e Departamentos dos Estados Unidos, listou estimativas dos impactos do aquecimento global em todos os setores da sociedade norte-americana, num aviso alarmante sobre a agenda pró-combustíveis fósseis do governo Trump.

    'Com o crescimento contínuo das emissões a taxas histórias, as perdas anuais em alguns setores econômicos podem chegar às centenas de bilhões de dólares até o final do século - mais que o atual produto interno bruto (PIB) de alguns estados norte-americanos', diz o relatório.

    Segundo o documento, o aquecimento global afetaria desproporcionalmente os pobres, atingiria amplamente a saúde humana, danificaria a infraestrutura existente, limitaria a disponibilidade de água, alteraria limites costeiros e aumentaria os custos industriais tanto no campo quanto na produção de energia.

    Embora o relatório diga que muitos dos impactos das mudanças climáticas - incluindo tempestades mais frequentes e mais poderosas, secas e inundações - já estão acontecendo, as projeções de danos ainda maiores poderiam mudar se as emissões de gases do efeito estufa fossem drasticamente contidas: 'Os riscos futuros das mudanças climáticas dependem principalmente das decisões que são tomadas hoje', diz.

    A Quarta Avaliação Nacional Climática Volume II, complementa um estudo publicado no ano passado que concluía que os seres humanos são os principais causadores do aquecimento global, e que alertava sobre seus efeitos potencialmente catastróficos ao planeta.

    Os estudos confrontam as políticas do governo do atual presidente, Donald Trump, que tem reduzido proteções ambientais e climáticas implementadas durante o governo Obama para maximizar a produção doméstica de combustíveis fósseis, incluindo petróleo cru. Os Estados Unidos são os maiores produtores mundiais da commodity, acima da Rússia e da Arábia Saudita.

    Trump anunciou no ano passado suas intenções de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris de 2015, estabelecido entre 200 países para combater as mudanças climáticas, argumentando que o tratado afetaria a economia dos Estados Unidos e forneceria efeitos ambientais pouco tangíveis. Trump e vários outros membros de seu gabinete também frequentemente colocam em dúvida o aspecto científico das mudanças climáticas, argumentando que suas causas e impactos não são ainda comprovados.

    A porta-voz da Casa Branca Lindsay Walters não respondeu imediatamente a um pedido para comentários.

    Grupos ambientalistas dizem que o relatório reforça os pedidos para que os Estados Unidos tomem medidas diante das mudanças climáticas.

    'Esse relatório deixa claro que as mudanças climáticas não são um problema do futuro distante. Estão acontecendo agora em todas as partes do país', disse Brenda Ekwurzel, diretora de Ciências Climáticas da União dos Cientistas Interessados e uma das autoras do relatório.

    Pesquisas anteriores, inclusive de cientistas do governo dos Estados Unidos, também concluíram que as mudanças climáticas poderiam ter severas consequências econômicas, incluindo danos à infraestrutura, fornecimento de água e agricultura.

    Impactos severos nas temperaturas médias também aumentam os riscos de transmissão de doenças, pioram a qualidade do ar, aumentam a ocorrência de problemas de saúde mental, entre outros efeitos.

    Treze departamentos governamentais e agências, do Departamento de Agricultura à NASA, integraram o comitê que compilou o novo relatório.

    O relatório completo pode ser acessado, em inglês: http://www.globalchange.gov

    (Por Richard Valdmanis)

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    Bolsonaro incluirá Indústria em superministério para economia e unirá Agricultura e Meio Ambiente

    Por Rodrigo Viga Gaier

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente eleito Jair Bolsonaro criará um superministério para cuidar da economia que unirá as pastas da Fazenda, do Planejamento e da Indústria e Comércio sob comando do economista Paulo Guedes, e unirá as pastas da Agricultura e do Meio Ambiente, disse nesta terça-feira o deputado Onyx Lorenzoni (DEM-RS), futuro chefe da Casa Civil de Bolsonaro.

    Na semana passada, representantes dos setores da indústria pesada, infraestrutura, petróleo, gás, energia e comércio exterior estiveram na casa de Bolsonaro e pediram que a pasta da Indústria e Comércio ficasse desvinculada de outro ministério.

    Os executivos saíram do encontro com a certeza de que isso aconteceria e isso foi até motivo de comemoração. O próprio presidente eleito tinha sinalizado a manutenção da pasta da Indústria e Comércio separada.

    'Ministério da Economia vai ter Fazenda, Planejamento e Indústria e Comércio', disse Onyx a jornalistas após reunião com Guedes e Bolsonaro no Rio de Janeiro.

    Guedes também confirmou após o encontro a união dos ministérios sob uma mesma pasta.

    'No programa de governo, os três já estavam juntos. Ele foi criticado pelo setor industrial? Interessante isso”, emendou o economista Paulo Guedes

    Guedes disse que o governo Bolsonaro salvará a indústria brasileira do processo de desindustrialização vivido nos últimos 30 anos, 'apesar dos industriais brasileiros'.

    Onyx anunciou ainda que as pastas da Agricultura e do Meio Ambiente também serão unificadas sob um único ministério, depois de Bolsonaro também ter afirmado que estaria aberto à sugestão de setores do agronegócio que defendiam a manutenção da separação das duas pastas. O futuro ministro-chefe da Casa Civil negou que Bolsonaro tenha recuado nos dois casos.

    'O presidente não recuou em nada e o presidente desde o início tem claro que... Agricultura e Meio Ambiente (andarão) de mãos dadas', disse Onyx, acrescentando que a união desses dois ministérios já foi experimentada no Mato Grosso do Sul e em outros países.

    Segundo Onyx, o total de ministério deve ficar entre 15 e 16.

    'Essa definição ocorrerá na quinta ou sexta-feira para permitir que na segunda-feira a gente já tenha o desenho dos ministérios com capacidade de ser divulgado“, disse.

    PREVIDÊNCIA

    Guedes disse ainda que a economia brasileira será aberta de forma gradual para evitar prejuízos e afirmou que a indústria brasileira será retomada com juros baixos e redução de impostos. Ele fez ainda a avaliação de que, do ponto de vista econômico, a reforma da Previdência já está atrasada e que quanto mais rápido ela for feita, melhor será.

    Ele alertou, no entanto, que o futuro governo precisa fazer um cálculo político para avaliar a viabilidade da medida, apontada como crucial para equilibrar as contas públicas.

    'Não queremos que uma vitória nas urnas se transforme numa confusão no Congresso, e se o Congresso não tiver condições de aprovar, não submetemos”, disse Guedes.

    Após o encontro com o núcleo duro do futuro governo, incluindo Bolsonaro, na casa do empresário Paulo Marinho, o economista afirmou que já tem em mente uma solução para o programa de subvenção ao diesel, mas ainda não houve tempo de discuti-la.

    O programa atual se encerra em 31 de dezembro e o mero sinal de que haveria uma redução gradual antes do fim do programa provocou ameaças de uma nova greve dos caminhoneiros, após a categoria paralisar o país em maio.

    Na segunda-feira a equipe de transição de Bolsonaro já começa a trabalhar em Brasília e, segundo Onyx, o presidente eleito deverá ir à capital na terça para se reunir com o presidente Michel Temer e tratar da transição.

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    Equipe de Bolsonaro sonda secretários da Fazenda para permanência, Mansueto deixa porta aberta

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - A equipe do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) sondou secretários da Fazenda para permanecerem no time em seu eventual governo, mas apenas o atual secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, deixou a porta aberta para a possibilidade, disse à Reuters uma fonte com conhecimento do assunto.

    Também foram convidados o secretário de Política Econômica, Fabio Kanczuk, e o chefe da assessoria especial do ministro, Marcos Mendes, segundo a fonte, que falou em condição de anonimato.

    Kanczuk, inclusive, deixará a Fazenda rumo ao Banco Mundial, o que deve ser anunciado nesta semana. O secretário cumprirá a partir desta terça-feira suas últimas agendas em São Paulo e então entregará o cargo.

    Em seu lugar ficará o atual secretário de Promoção da Produtividade e Advocacia da Concorrência, João Manoel Pinho de Mello, que acumulará as duas funções.

    Procurada, a Fazenda informou que não comentaria o assunto.

    Em julho, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, já havia indicado à Reuters que poderia manter alguns integrantes da atual equipe econômica do governo do presidente Michel Temer, elogiando Mansueto e o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

    No fim de semana, Bolsonaro não descartou a possibilidade de manter Goldfajn à frente da autoridade monetária, reforçando que a indicação para o BC será feita junto com Guedes, seu escolhido para ser ministro da Fazenda. Sobre a permanência ou não de Ilan no BC ainda não há definição, segundo fontes ouvidas na semana passada pela Reuters.

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    Equipe econômica de Bolsonaro ainda discute se pauta econômica deverá ser atacada de uma vez ou aos poucos

    Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - A equipe que elabora o programa econômico do candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) ainda discute se a pauta econômica no Congresso, incluindo a reforma da Previdência, deverá ser abordada de uma vez ou aos poucos, informou uma fonte que acompanha as negociações.

    Segundo essa fonte, uma corrente do grupo, liderada pelo economista Paulo Guedes, entende que é necessário investir nos temas prioritários já no início de um eventual governo de Bolsonaro, enquanto outra frente, formada principalmente por técnicos e burocratas com experiência na máquina pública em Brasília, aconselha uma abordagem mais paulatina.

    Um dos temas que poderiam funcionar como teste, segundo essa abordagem gradual, seria o projeto que trata da autonomia do Banco Central. O assunto, avalia a fonte, não encontraria grandes resistências no Congresso e, uma vez aprovado, serviria para animar e dar fôlego à base de sustentação a ser construída em torno do governo.

    Para construir seu colchão de aliados, aliás, Bolsonaro contará muito com as bancadas parlamentares já identificadas com a sua pauta original, muito centrada nos problemas de segurança pública e em questões morais e culturais. São elas a bancada do agronegócio, a religiosa e a da “bala”, além dos parlamentares eleitos na esteira de corporações como policiais e militares.

    Na semana passada, reportagem da Reuters antecipou que Bolsonaro tem conquistado uma espécie de potencial “base” no Congresso por meio do suporte de importantes frentes parlamentares. As frentes da segurança pública, da agropecuária e dos evangélicos, conhecidas como a bancada BBB --bala, boi e Bíblia-- são apostas de aliados de Bolsonaro para avançar propostas no Congresso.

    A  declaração de neutralidade dos principais partidos do centrão foi encarada como positiva, uma vez que um apoio formal poderia ser visto como 'mais do mesmo na política', segundo essa fonte. Isto é, um aval do chamado establishment político poderia contradizer o ativo que o próprio Bolsonaro tem cultuado durante toda a sua campanha.

    Essa agenda moral e de costumes, a pauta “raiz” do candidato, seria usada, neste contexto, como um instrumento de negociação justamente para a aprovação da pauta econômica de interesse de Paulo Guedes no Congresso, nome confirmado por Bolsonaro nesta sexta-feira para comandar o Ministério da Fazenda em seu eventual governo.

    A fonte, que tem circulação no Congresso, prevê ainda um isolamento da esquerda no Legislativo diante do apoio temático a Bolsonaro dessas bancadas, do crescimento do PSL e da provável inclusão do centrão à base. As chances de aprovação de uma reforma da Previdência ainda no governo Temer, segundo avaliou, são muito pequenas, quase nulas.

    O PT, do adversário de Bolsonaro no segundo turno, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, elegeu a maior bancada na Câmara, com 56 deputados. O PSL de Bolsonaro conseguiu 52 cadeiras.

    SUCESSÃO NA CÂMARA

    Nessa conjuntura, há possibilidade de composição com o atual presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que pretende se reeleger para o posto. A intenção, no entanto, pode ser ameaçada pelo PSL, que ainda pode inchar com a migração de parlamentares de partidos que não atingiram a cláusula de barreira e pleitear o cargo com base no critério da proporcionalidade.

    No Senado, avaliou a fonte, o emedebista Renan Calheiros (AL) --identificado politicamente com os petistas-- deve encarar dificuldades para se lançar à Presidência da Casa. O Senado tem uma tradição de eleger para o comando da Casa o parlamentar do partido com o maior número de cadeiras --o MDB terá 12 senadores.

    Ainda assim, há uma abertura para o eventual governo Bolsonaro buscar uma composição com um nome mais palatável do partido, como Simone Tebet (MS) e Fernando Bezerra Coelho (PE).

    A equipe econômica do candidato já tem visão consolidada, no entanto, sobre a necessidade da presença de investimento estrangeiro na economia. Será dada prioridade a licitações internacionais, sem “preconceito” com o capital --mesmo que tenha origem na China. Bolsonaro, no entanto, tem mostrado repetidas vezes preocupação com a entrada de capital chinês no país.

    Para esse grupo, o Programa de Parceria de Investimentos (PPI), criado para ampliar a interação entre o Estado e a iniciativa privada em contratos de parceria e de medidas de desestatização, já oferece um avanço em relação ao que era praticado.

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    Propostas econômicas devem seguir fora dos holofotes no 2º turno das eleições

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - As propostas econômicas dos candidatos Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) devem atrair questionamentos a partir de agora na disputa presidencial, mas dificilmente, na visão de agentes do mercado, vão embalar as campanhas nesta rodada final.

    Bolsonaro, com 46 por cento dos votos, e Haddad, com 29 por cento, passaram para o segundo turno das eleições presidenciais em votação no domingo, depois de uma campanha em primeiro turno que relegou ao segundo plano o debate econômico.

    'Eu acho que o detalhamento está fora do radar', afirmou o economista-chefe do Fator, José Francisco de Lima. 'Bolsonaro não precisa disso pra avançar e para o Haddad seria muito custoso detalhar alguma coisa nessa linha (do ajuste fiscal)', afirmou ele, em referência à chance de o petista afastar um eleitorado cativo, de esquerda, se optar por fazer muitos acenos ao mercado.

    'No curto prazo, a situação também é boa para o Bolsonaro. Porque se o dólar cai e a bolsa sobe, e isso for visto como persistente, vai entrar na campanha um argumento importante que é o da confiança e o da estabilidade', acrescentou ele.

    Os ativos brasileiros subiram com força na segunda-feira, repercutindo o resultado eleitoral do primeiro turno, inclusive a nova composição do Congresso, com o principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, fechando em alta de 4,6 por cento e o dólar recuando 2,35 por ante o real.

    Na retomada da campanha após a votação de domingo, os presidenciáveis já deram mostras do caminho que pretendem trilhar daqui para frente. Bolsonaro fez fortes críticas ao fato de Haddad se aconselhar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na prisão, reforçando a artilharia contra o establishment e contra a corrupção.

    Embora Haddad tenha dito que o que guiará o segundo turno é o debate econômico, criticando o 'projeto neoliberal' de seu opositor, ele está centrando esforços para emplacar sua candidatura como de defesa da democracia, tentando marcar uma contraposição ao estilo autoritário associado ao candidato do PSL. O petista também vem reforçando seus laços familiares.

    'O tema dessa eleição todinha foi um tema moral, e em cima disso vai continuar sendo no segundo turno. Não acho que tem motivo para de repente começar a olhar o lado fiscal, crescimento, coisa que foi pouquíssimo mencionada nesse primeiro turno', avaliou o economista-chefe do Grupo Confidence, Robério Costa.

    Para ele, o fato de um grande número de parlamentares terem sido eleitos na onda de Bolsonaro tende a amainar temores de que, se eleito, ele não teria força para emplacar reformas importantes que o mercado espera, como a da Previdência.

    'Agora, mais à frente, num prazo mais longo, essa expectativa precisa se materializar', destacou Costa. 'O fato de ele ter esse meio de campo mais aberto pra atuar não significa dizer que vai conseguir encontrar consenso lá dentro pra votar reformas. Quando você vai para o embate no Congresso estão em jogo questões corporativas muito fortes.'

    Em condição de anonimato, uma fonte do alto escalão da equipe econômica do governo lembrou que, passada a primeira etapa da disputa ao Palácio do Planalto, também perduram dúvidas sobre o programa de cada um dos candidatos e se as propostas originais seguirão de pé.

    DIREÇÕES OPOSTAS

    Apesar de os programas terem direções claras, com o petista priorizando maior participação do Estado na economia e o candidato do PSL se alinhando à cartilha do livre mercado, ambos não detalharam ainda como de pretendem implementar as reformas importantes. Ao mesmo tempo os dois lados vêm flexibilizando posições em busca de menor controvérsia.

    'As propostas de Paulo Guedes (assessor econômico de Bolsonaro) são boas. Dífícil é implementar', afirmou a fonte, acrescentando ainda que a expectativa também é de que Haddad caminhe de maneira clara para o centro.

    Apesar de o programa do PT defender que é possível equilibrar as contas da Previdência com a retomada dos empregos, formalização de atividades econômicas e maior arrecadação, Haddad já vem publicamente reconhecendo a necessidade de mexer nas regras de acesso à aposentadoria.

    Bolsonaro, por sua vez, afirmou na segunda-feira que 'desde o início' quer isenção de Imposto de Renda para os que ganham até 5 mil reais, embora a proposta não conste formalmente em seu programa, mas esteja no do PT.

    Ambos, contudo, não esclarecem com números como abrirão mão desta receita em meio à grave situação fiscal do país, que caminha para seu quinto ano seguido de déficit primário.

    O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, já afirmou que isentar de IR os que ganham até 5 salários mínimos teria um custo de 60 bilhões de reais por ano, o que considera 'absolutamente inviável'.

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    Teoria econômica sobre mudança climática rende Nobel a dupla dos EUA

    ESTOCOLMO (Reuters) - Os norte-americanos William Nordhaus e Paul Romer, que foram pioneiros ao adaptar a teoria econômica para dimensionar melhor as questões ambientais e o progresso tecnológico, dividiram o Prêmio Nobel de Economia 2018 nesta segunda-feira.

    Ao conceder um prêmio que destacou o debate global dos riscos associados à mudança climática, a Academia Real Sueca de Ciências disse que o trabalho dos laureados ajudou o responder perguntas fundamentais sobre como promover o crescimento sustentável de longo prazo e enfatizar o bem-estar humano.

    A premiação pegou Romer, da Escola de Administração Stern da Universidade de Nova York, de surpresa.

    'Recebi duas ligações hoje de manhã, e não respondi nenhuma porque achei que eram telemarketing, então não estava esperando o prêmio', disse ele, comemorando a chance de expandir sua teoria.

    'Acho que... muitas pessoas acreditam que proteger o meio ambiente será tão caro e difícil que querem ignorá-lo...', disse, em uma entrevista à imprensa por telefone.

    '(Mas) com certeza podemos fazer um progresso substancial protegendo o meio ambiente, e fazê-lo sem desistir da chance de sustentar o crescimento.'

    Romer mostrou como as forças econômicas governam a disposição das empresas para produzir novas ideias e inovações e estabeleceu os fundamentos de um novo modelo para o desenvolvimento, conhecido como teoria do crescimento endógeno.

    Nordhaus, da Universidade Yale, foi a primeira pessoa a criar um modelo quantitativo que descreveu a interação entre a economia e o clima.

    'Suas descobertas ampliaram significativamente o âmbito da análise econômica por meio da construção de modelos que explicam como a economia de mercado interage com a natureza e o conhecimento', disse a academia em um comunicado.

    Horas antes do anúncio do prêmio, o Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática das Nações Unidas (IPCC) alertou para o risco de ondas de calor mais frequentes, enchentes e secas em algumas regiões, além da perda de espécies, sem uma mudança radical na maneira como as sociedades operam.

    O anúncio do último Prêmio Nobel de 2018 nesta segunda-feira também ocorreu menos de um mês depois do 10º aniversário da quebra do banco de investimento Lehman Brothers.

    Seu colapso desencadeou uma crise econômica, da qual muitos avaliam que o sistema financeira mundial ainda se recupera.

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    Argentina anuncia imposto sobre exportações e corte de gastos, mas não acalma mercados

    Por Maximilian Heath e Nicolás Misculin

    BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina aplicará um novo imposto sobre as exportações e cortará os gastos para reduzir seu déficit fiscal, enquanto negocia um financiamento com o Fundo Monetário Internacional (FMI) depois da crise cambial que minou a confiança na terceira economia da América Latina.

    Com estas medidas, o governo busca eliminar o déficit primário fiscal de 2019 e mitigar a inflação alta e a recessão que abalam o país, mas o mercado cambial respondeu negativamente aos anúncios com nova queda do peso.

    'No ano de 2019... vamos convergir ao equilíbrio fiscal antes do pagamento de juros, isso implica em economizar 6 bilhões de dólares mais, que não necessitamos financiar nos mercados', disse nesta segunda segunda-feira o ministro da Fazenda, Nicolás Dujovne, em entrevista à imprensa.

    Segundo Dujovne, o novo imposto, que não está claro se deverá ou não ser aprovado pelo Congresso, taxará até o fim de 2020 os embarques de produtos primários em 4 pesos por dólar e do resto das exportações em 3 pesos por dólar.

    A expectativa é de que a medida, que recai principalmente sobre os embarques agrícolas e do setor de mineração, gere receitas equivalentes a 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB) para 2019.

    Com o dólar atualmente em 38 pesos, o imposto é quase de 10 por cento do valor exportado, que no caso dos grãos de soja e seus derivados --dos quais a Argentina é um dos maiores exportadores mundiais-- soma-se aos 18 por cento já cobrados.

    'Embora os exportadores com certeza se queixem, eles se beneficiarão igualmente da recente e profunda depreciação do peso', disse à Reuters o economista Federico Thomsen.

    A Argentina busca superávit primário de 1 por cento em 2020, segundo Dujovne, que à noite viajará aos Estados Unidos para fechar novo acordo de financiamento com o FMI.

    Em junho, após as primeiras turbulências financeiras nos mercados locais, a Argentina fechou com o FMI uma linha de empréstimo de 50 bilhões de dólares, cujo desembolso agora o governo pretende acelerar para lidar com a crise.

    Pela manhã, o presidente Mauricio Macri assegurou que vai reduzir a menos da metade o número de ministérios de seu gabinete para reduzir o gasto público.

    As pastas de Energia, Trabalho, Modernização, Agroindústria, Saúde, Turismo, Ambiente, Ciência e Cultura serão transformadas em secretarias de Estado, segundo comunicado oficial.

    As medidas, no entanto, não trouxeram tranqüilidade ao mercado de câmbio. O peso aprofundou sua queda para 38,7 unidades por dólar, acumulando desvalorização de quase 50 por cento ao longo de 2018.

    (Reportagem adicional de Gabriel Burin, Hernán Nessi e Jorge Otaola)

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    Argentina tenta conter queda do peso com mais austeridade e alta de juros

    BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina buscava formas de conter uma crise financeira nesta quinta-feira, mas a moeda local continuava a cair fortemente no mercado em relação ao dólar, o que gerou uma desconfiança e críticas de empresários e insegurança de investidores.

    O peso caía para uma mínima de 39,25 por dólar, apesar de o chefe de gabinete do governo, Marcos Peña, ter anunciado que vai acelerar uma redução de seu déficit fiscal para trazer tranquilidade a um mercado que desde maio tem estado sob pressão.

    Pouco tempo depois, o banco central argentino registrou um aumento na sua taxa de política monetária para 60 por cento ao ano, de 45 por cento anteriormente, e um aumento de 5 cinco pontos percentuais na taxa de compulsório para bancos, com o intuito de remover a liquidez do sistema.

    A Argentina atravessa uma fortes turbulências financeiras e acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de 50 bilhões de dólares, pelo qual o governo se compromete a reduzir seu déficit a 1,3 por cento do Produto Interno Bruto em 2019.

    'Estamos trabalhando na instrumentalização, para adiantar nossas metas para o próximo ano para reduzir esse risco financeiro, o qual vai levar necessariamente à continuidade das discussões de como acelerar também o caminho até o equilíbrio fiscal', disse o chefe de gabinete do governo, Marcos Peña, em um discurso num evento com empresários.

    Após o evento, ele disse a jornalistas que o governo argentino cometeu erros, mas que o país agora vai na direção correta.

    No entanto, o presidente da Câmara da Construção, Carlos Weiss, disse à Reuters que 'estes aumentos repentinos do dólar e da taxa de juros inviabilizam qualquer atividade produtiva (...) A economia está paralisada, ninguém sabe o valor do dólar.'

    O presidente da empresa de café Cabrales, Martin Cabrales, considerou que a Argentina 'terá uma recessão por algum tempo, pelo menos este ano e no início do próximo ano'.

    Como resultado da profunda desvalorização da moeda, o mercado de ações da Argentina subia 6,5 por cento nesta quinta-feira recomprando ações de empresas com negócios de exportação.

    O presidente argentino, Mauricio Macri, havia anunciado na quarta-feira que acertou um adiantamento de recursos com o FMI para garantir o financiamento do país, em meio a temores de uma potencial interrupção dos pagamentos da dívida.

    Operadores informaram nesta quinta-feira que o banco central da Argentina vai leiloar 500 milhões de dólares antes do fechamento do mercado.

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    Argentina anuncia mais austeridade fiscal e peso despenca

    BUENOS AIRES (Reuters) - O governo argentino anunciou nesta quinta-feira que está buscando maneiras de acelerar uma redução de seu déficit fiscal e conter os riscos financeiros, mas no mercado a moeda sofria uma queda brusca ante o dólar.

    Na abertura dos negócios, o peso argentino desabou 15,6 por cento, a 39 por dólar, alcançando uma nova mínima histórica e com uma perda de metade de seu valor no ano.

    No meio do pacote de medidas para conter o colapso de sua moeda, o banco central argentino anunciou que elevou sua taxa de juros para 60 por cento, de 45 por cento, e que aumentou em cinco pontos percentuais a taxa de compulsório para bancos privados.

    O banco central explicou, em comunicado, que adotou as medidas 'em resposta à conjuntura cambial atual e ante o risco de que implique em um impacto maior sobre a inflação doméstica'.

    A Argentina atravessa uma forte crise financeira e acertou com o Fundo Monetário Internacional (FMI) um empréstimo de 50 bilhões de dólares, pelo qual o governo se compromete a reduzir seu déficit a 1,3 por cento do Produto Interno Bruto em 2019.

    'Estamos trabalhando na instrumentação para adiantar nossas metas para o próximo ano para reduzir esse risco financeiro, o qual vai levar necessariamente à continuidade das discussões de como acelerar também o caminho até o equilíbrio fiscal', disse o chefe de gabinete, Marcos Peña, em um discurso num evento com empresários.

    Após o evento, ele disse a jornalistas que o governo argentino cometeu erros, mas que o país agora vai na direção correta.

    O presidente argentino, Mauricio Macri, havia anunciado na quarta-feira que acertou um adiantamento de recursos com o FMI para garantir o financiamento do país, em meio a temores de uma potencial interrupção dos pagamentos da dívida.

    (Por Maximilian Heath)

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    Líder supremo do Irã pede que Rouhani e ministros resolvam problemas econômicos

    LONDRES (Reuters) - Parlamentares iranianos iniciaram nesta quarta-feira procedimentos para derrubar o ministro da Educação, aumentando a pressão contra o presidente Hassan Rouhani, que está sob ataque do Parlamento pela maneira como tem lidado com uma crise econômica depois que os Estados Unidos retomaram sanções contra o país.

    O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, durante reunião com Rouhani e seu gabinete nesta quarta-feira, pediu que o governo trabalhe 'dia e noite' para resolver os problemas econômicos.

    'Precisamos ser fortes no campo econômico... As autoridades devem trabalhar duro dia e noite para resolver os problemas', disse Khamenei, segundo a TV estatal.

    O procedimento contra o ministro da Educação acontece apenas três dias depois que parlamentares removeram o ministro da Economia e Finanças, o responsabilizando pelo colapso da moeda iraniana, o rial, e pelo aumento nas taxas de desemprego.

    Semanas antes, o Parlamento havia derrubado o ministro do Trabalho.

    Outra moção, assinada por 70 4parlamentares, visa derrubar o ministro da Indústria, Minas e Negócios.

    Rouhani venceu duas eleições com uma plataforma de reforma econômica e com o objetivo de abrir o Irã para o mundo, e seus partidários pragmáticos têm maioria no Parlamento.

    Mas sua reputação e influência política têm caído fortemente à medida que suas promessas de ganhos econômicos não têm se materializado.

    Especificamente, Rouhani enfrenta grande repreensão desde que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou Washington de um acordo internacional que havia reduzido as ambições nucleares do Irã em troca da suspensão de sanções.

    (Reportagem de Bozorgmehr Sharafedin)

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    Alckmin se posiciona como candidato que resolverá problemas econômicos do país

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O candidato do PSDB à Presidência da República, Geraldo Alckmin, se colocou nesta terça-feira como o candidato com a solução para os problemas econômicos do país, como déficit fiscal e desemprego.

    O tucano abordou as questões econômicas ao comentar a alta do dólar para o patamar de 4 reais nesta terça, um dia após pesquisa eleitoral mostrar que Alckmin, candidato preferido do mercado, continua sem ganhar tração na disputa.

    “Nós vamos ganhar a eleição, a bolsa vai para mais de 100 mil pontos, vai ter muito investimento no Brasil, que é preciso para crescer”, declarou ele a jornalistas no Rio de Janeiro.

    “Para ter investimento é preciso ter confiança e é isso que nós vamos trazer de volta. O Brasil tem pressa e não vamos reduzir a situação com voluntarismo e sim com reformas profundas… sou o candidato para o Brasil voltar a crescer e para corrigir os desajustes que o país está passando. No ano que vem vamos para sexto ano de déficit fiscal. É preciso agir rápido… outro foco é o emprego”, complementou o ex-governador de São Paulo.

    Pesquisa do Ibope divulgada na noite passada revelou que, no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado Jair Bolsonaro (PSL) liderava a corrida pelo Palácio do Planalto com 20 por cento das intenções de voto. Em seguida, vinham Marina Silva (Rede), com 12 por cento, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 9 por cento, Alckmin com 7 por cento, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), com 4 por cento e o senador Álvaro Dias (Podemos), com 3 por cento.

    O Ibope mostrou ainda que, num cenário com a presença de Lula, que está preso desde abril, o petista liderava a pesquisa com 37 por cento das intenções de voto.

    Alckmin afirmou que sua primeira missão é conseguir chegar ao segundo turno.

    “Eleição tem dois momentos; o primeiro é ir para o segundo turno e acho que vamos e, estando no segundo turno a chance de ganhar a eleição é muito grande”, disse ele. “Agora que a campanha está começando a embalar.”

    Durante o encerramento de seu discurso no evento político, Alckmin pediu que “uma luz acenda a consciência de cada brasileiro para sermos instrumentos da paz, desenvolvimento, geração e emprego e renda” no país.

    SEGURANÇA

    Para um público tomado por cabos eleitorais, o ex-governador de São Paulo prometeu atenção especial com a segurança. Mesmo sob intervenção federal há mais de 6 meses, a criminalidade não diminuiu no Estado do Rio como se imaginava e, na véspera, ao menos 13 pessoas morreram, entre elas dois militares.

    “É preciso ter soluções permanentes e agir nas causas da violência que é a questão de fronteira com a questão do tráfico de drogas e de armas, fazer integração de inteligência, e ter uma guarda nacional que será o corpo permanente”, disse o tucano, ressaltando que a continuidade da intervenção federal no Estado é algo a ser estudado mais à frente, caso vença a eleição.

    Alckmin afirmou que quando comandou São Paulo os índices de mortos diminuíram de quase 13.000 ao ano para cerca de 3.500 por ano.

    “O governo federal vai liderar o trabalho da segurança no Brasil e não vamos resolver segurança na base do grito”, acrescentou ele.

    (Por Rodrigo Viga Gaier)

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