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Trump vê alívio na repressão iraniana enquanto Teerã nega execução de homem

Trump vê alívio na repressão iraniana enquanto Teerã nega execução de homem

Reuters

15/01/2026

Placeholder - loading - Veículos queimados em protestos em Teerã, em captura de tela de imagens transmitidas pela mídia estatal do Irã 10/01/2026 IRIB via WANA (West Asia News Agency)
Veículos queimados em protestos em Teerã, em captura de tela de imagens transmitidas pela mídia estatal do Irã 10/01/2026 IRIB via WANA (West Asia News Agency)

(Retira palavra a mais no título, sem alterações no texto)

Por Parisa Hafezi e Steve ⁠Holland

DUBAI/WASHINGTON, 15 Jan (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse ter sido informado de que as mortes na repressão aos protestos no Irã estavam diminuindo e que acreditava não haver nenhum plano atual para execuções em larga escala, adotando uma postura de cautela após ter ameaçado intervir no país.

Depois de o ministro das Relações Exteriores do Irã afirmar que o país 'não tinha planos' de enforcar pessoas, a mídia estatal iraniana informou nesta quinta-feira que um homem de 26 anos preso durante protestos na cidade de Karaj não seria condenado à morte.

A organização de direitos humanos Hengaw, que noticiou no início desta semana que Erfan Soltani seria executado na quarta-feira, afirmou que uma ordem de execução previamente comunicada foi adiada, citando seus familiares.

Em uma publicação nas redes sociais nesta quinta-feira, Trump respondeu a uma notícia de que um manifestante iraniano não seria mais condenado à morte, escrevendo: 'Esta é uma boa notícia. Espero que continue assim!'.

A mídia estatal iraniana afirmou que, embora Soltani estivesse sendo acusado de conspirar contra 'atividades de segurança interna e propaganda contra ​o regime', a pena de morte não se aplica a tais acusações.

Os comentários de Trump na ⁠quarta-feira fizeram os ⁠preços do petróleo recuarem das máximas de vários meses e o ouro se desvalorizar após atingir um pico recorde. Trump ameaçou repetidamente intervir em favor dos manifestantes no Irã, onde o clero tem reprimido duramente os protestos em todo o país desde 28 de dezembro.

PROTESTOS PARECEM DIMINUIR

Pessoas dentro do país, contatadas pela Reuters na quarta e nesta quinta-feira, disseram que os protestos parecem ter diminuído desde segunda-feira. O fluxo de informações foi prejudicado por um apagão da internet que durou uma semana.

As tensões aumentaram na quarta-feira, com o Irã afirmando ter alertado os países vizinhos de que atacaria bases ‌norte-americanas na região caso os EUA realizassem ataques. Um oficial norte-americano declarou que os EUA estavam retirando parte de seu pessoal de bases na região.

Trump, falando ​na Casa Branca, disse que foi informado de que as mortes na repressão estavam diminuindo. Questionado ‌sobre quem lhe disse que as mortes ​haviam parado, ​Trump descreveu a informação como sendo de 'fontes muito importantes do outro lado'.

O presidente não descartou uma possível ação militar dos EUA. 'Vamos observar como o processo se desenrola', afirmou, antes de observar que seu governo havia recebido uma 'declaração muito positiva' do Irã.

Em declarações exclusivas à Reuters, Trump expressou incerteza sobre se Reza Pahlavi, filho do falecido xá do Irã e figura ​proeminente na fragmentada oposição iraniana, seria capaz de reunir apoio dentro do país para eventualmente assumir o poder.

Trump disse à Reuters que é possível que o governo em Teerã caia devido aos protestos, mas que, na verdade, 'qualquer regime pode falhar'.

A Turquia, um dos vários países da região onde os EUA têm forças armadas, expressou oposição ao uso da violência contra o Irã. O ministro das Relações Exteriores, Hakan Fidan, afirmou em uma coletiva de imprensa em Istambul que a prioridade é evitar a desestabilização.

Já o ministro das Relações Exteriores da Arábia Saudita, príncipe Faisal bin Farhan, conversou por telefone com o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, nesta quinta-feira. Os dois discutiram maneiras de apoiar a segurança e a estabilidade na região, informou a mídia estatal saudita.

O Catar afirmou na quarta-feira que a redução de tropas em sua base aérea de Al Udeid -- a maior dos EUA no Oriente Médio -- está sendo 'realizada em resposta às atuais tensões regionais'.

No ano passado, o Irã lançou mísseis contra Al Udeid em resposta aos ataques aéreos dos EUA contra suas instalações nucleares, durante a guerra de 12 dias entre Teerã e Israel.

G7 CONDENA REPRESSÃO

O grupo de direitos humanos HRANA, com sede nos EUA, afirma ter verificado até o momento a morte de 2.435 manifestantes e 153 indivíduos ligados ao governo nos distúrbios no Irã. Eles começaram com protestos contra a alta ⁠dos preços e se transformaram em um dos maiores desafios ao regime clerical desde a Revolução Islâmica de 1979.

O número de mortos superou em muito o de distúrbios anteriores reprimidos ‌pelas autoridades iranianas, como os protestos 'Mulher, Vida, Liberdade' de 2022 e os ⁠distúrbios desencadeados por uma eleição contestada em 2009.

O Irã e seus adversários ocidentais descreveram os distúrbios como os mais violentos desde a Revolução Islâmica de 1979.

As autoridades iranianas afirmaram que as manifestações, que começaram como protestos legítimos contra problemas econômicos, transformaram-se em distúrbios fomentados por inimigos estrangeiros. O governo acusou pessoas, descritas como terroristas, de ‍atacar as forças de segurança e propriedades públicas.

Já os países do G7 condenaram o que descreveram como a brutal repressão das autoridades iranianas contra o povo, afirmando estarem preparados para impor medidas restritivas adicionais ao Irã caso a ​repressão ‌continue.

(Reportagem de Parisa Hafezi, Tala Ramadan, Nayera Abdallah e Jana Choukeir em Dubai; reportagem de Jonathan Spicer e Tuvan Gumrukcu em Istambul; Susan Heavey em Washington; texto de Tom Perry)

Reuters

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