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    Cuba decide retirar profissionais do Mais Médicos; Bolsonaro diz que dará asilo a cubanos

    Por Nelson Acosta e Mateus Maia

    HAVANA/BRASÍLIA (Reuters) - Cuba anunciou nesta quarta-feira que vai se retirar do programa Mais Médicos, que durante cinco anos tem enviado especialistas de saúde da ilha ao Brasil, depois que o presidente eleito Jair Bolsonaro afirmou que iria modificar os termos de colaboração da iniciativa e estabeleceu condições ao governo cubano.

    Bolsonaro comparou a atuação dos médicos cubanos no programa Mais Médicos a trabalho escravo e garantiu que, quando assumir o governo, 'o cubano que quiser pedir asilo aqui vai ter'.

    'Eu jamais faria um acordo com Cuba nesses termos. Isso é trabalho escravo, não é nem análogo à escravidão, é trabalho escravo, não poderia compactuar com isso daí', disse Bolsonaro em entrevista coletiva em Brasília.

    O presidente eleito também questionou a capacidade dos médicos cubanos, afirmando aos jornalistas 'duvidar' que alguém quisesse ser atendido por um dos profissionais de saúde da ilha e afirmando ter relatos de 'barbaridades' cometidos por médicos cubanos no país.

    A televisão estatal cubana informou, ao ler comunicado do Ministério de Saúde de Cuba, que Bolsonaro, 'com referências diretas, depreciativas e ameaçadoras à presença de nossos médicos, tem declarado e reiterado que modificará os termos e condições do programa Mais Médicos, com desrespeito à Organização Pan-Americana da Saúde e ao que foi acordado por esta com Cuba'.

    Logo após o anúncio de Havana, Bolsonaro foi ao Twitter para afirmar que o governo cubano não aceitou as condições de seu governo para a manutenção da ilha no Mais Médicos, entre elas o pagamento integral dos salários aos profissionais cubanos que atuam no país.

    De acordo com o presidente eleito, a maior parte dos vencimentos tem como destino a 'ditadura' da ilha caribenha, e a decisão cubana de abandonar o Mais Médicos não leva em conta os impactos na saúde dos brasileiros e na integridade dos médicos cubanos.

    'Condicionamos à continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou', escreveu Bolsonaro na rede social.

    'Além de explorar seus cidadãos ao não pagar integralmente os salários dos profissionais, a ditadura cubana demonstra grande irresponsabilidade ao desconsiderar os impactos negativos na vida e na saúde dos brasileiros e na integridade dos cubanos', acrescentou.

    Cuba participa desde agosto de 2013 do Mais Médicos, programa criado durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff com o objetivo de ampliar o atendimento médico no país a cidadãos de baixa renda.

    O Ministério da Saúde cubano disse que comunicou sua decisão à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e aos políticos brasileiros que 'fundaram e defenderam essa iniciativa'.

    Em nota, o Ministério da Saúde do Brasil informou que vai convocar 'nos próximos dias um edital para médicos que queiram ocupar as vagas que serão deixadas pelos profissionais cubanos' e que desde 2016 vem trabalhando para diminuir os médicos cubanos no programa.

    'Até aquela data, cerca de 11.400 profissionais de Cuba trabalhavam no Mais Médicos. Neste momento, 8.332 das 18.240 vagas do programa estão ocupadas por eles', acrescentou.

    De acordo com o governo cubano, cerca de 20.000 médicos atenderam 113 milhões de pacientes brasileiros em mais de 3.000 municípios do país. Os profissionais ficam com 25 por cento dos mais de 3.000 dólares pagos pelo Brasil à ilha por cada médico por mês, com 75 por cento ficando com o governo de Havana.

    Os serviços de saúde de Cuba, que estão presentes em 67 países, se tornaram uma das principais fontes de receita em dólares para Havana, assim como o turismo.

    Por meio da Opas, os médicos cubanos colaboraram na luta contra o Ebola na África e os problemas de visão na América Central e no Caribe, além de estarem presentes em países como Equador, Peru, Chile, México e Venezuela, entre outros.

    O fim da parceria com Cuba foi lamentado pelo governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), que participava de encontro de governadores eleitos com Bolsonaro em Brasília no momento do anúncio da ilha.

    “É mais um problema para gestores estaduais e mais ainda para municípios, que estão quebrados. Município não tem capacidade de pagar os médicos para ficar nas comunidades”, disse Casagrande a jornalistas.

    (Reportagem adicional de Eduardo Simões, em São Paulo, e Lisandra Paraguassu e Mateus Maia, em Brasília)

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    WIDER IMAGE - Mães de bebês afetados por Zika ainda lutam contra dificuldades financeiras e desamparo

    (Veja versão multimídia em https://reut.rs/2RRMEWN)

    Por Ueslei Marcelino

    RECIFE (Reuters) - Quase três anos depois que um surto de Zika no Brasil provocou milhares de casos de microcefalia e outras deficiências congênitas em recém-nascidos, a Reuters reencontrou mães e filhos afetados pelo vírus.

    Desde então, o primeiro vírus transmitido por mosquito de que se tem conhecimento que afeta fetos em desenvolvimento, desapareceu das manchetes, mas autoridades de saúde global temem que o vírus possa atingir novas populações.

    Em Angola, dezenas de casos de bebês nascidos com microcefalia desde 2017 parecem estar ligados ao mesmo tipo de Zika que atingiu a América Latina.

    No Nordeste, conversamos com cerca de 30 mães que contraíram o vírus da Zika durante a gravidez. A maioria foi abandonada pelos maridos e hoje precisa cuidar das crianças sozinha.

    Muitas se adaptaram em grande parte ao choque inicial de descobrir a deficiência dos filhos, trocando sonhos de suas próprias carreiras pela realidade de cuidar 24 horas por dia de uma criança que pode nunca andar ou falar.

    Muitas lutam para sobreviver com um auxílio mensal de apenas 954 reais, que deve cobrir gastos com moradia, alimentação, medicamentos e transporte para as frequentes consultas médicas.

    Algumas encontram apoio entre mães cujos filhos passam as mesmas dificuldades. Outras expressaram gratidão por familiares ou amigos que ajudam na luta diária. Muitas confessaram passar por momentos de desespero e depressão, e algumas chegaram a considerar suicídio. Mas, todas compartilham um forte amor por seus filhos e a esperança de uma vida melhor.

    Quatro delas nos revelaram um pouco de sua rotina em casas simples nas redondezas de Recife e Olinda.

    APOIO MORAL

    Gabriela Alves de Azevedo, de 22 anos, vive nas redondezas de Olinda com sua filha, Ana Sophia, agora com 3 anos de idade.

    Ana Sophia tem microcefalia, uma rara deficiência congênita marcada pelo tamanho reduzido da cabeça devido a uma má-formação do cérebro durante a gestação. Antes da Zika, deficiências congênitas do tipo nunca haviam sido ligadas a doenças transmitidas por mosquito. Além dos problemas de desenvolvimento, Ana Sophia tem dificuldades para ver, ouvir e engolir.

    Gabriela planejava terminar o ensino médio e estudar fisioterapia. Agora, passa os dias cuidando da filha. Seu marido a deixou pouco depois do nascimento de Ana Sophia. Ele não conseguiu aceitar a condição da criança, disse Gabriela, e não paga a pensão alimentícia.

    'Graças a Deus minha família me consolou, porque eu já estava entrando em depressão', disse. 'Se não fosse minha família eu já estaria louca.'

    Hoje, alguns parentes ajudam com apoio moral, e a avó paterna de Ana Sophia ajuda com seu cuidado diário.

    Gabriela faz exercícios de fisioterapia com a filha em casa e acredita que a saúde dela melhorou.

    'Hoje em dia eu a trato como uma criança normal. Eu vejo que ela tem a deficiência dela... mas finjo que ela não tem nada na verdade', disse.

    'NUNCA DESISTAM'

    Gleyse Kelly da Silva, de 28 anos, conta com a ajuda de seu marido e mãe para cuidar de Maria Giovanna, a 'Gigi', de 3 anos. Mas, o peso ainda é grande, e ela foi obrigada a deixar seu emprego para se dedicar à filha.

    Depois que Gigi nasceu, houve muitas consultas com equipes médicas para tentar entender as implicações da Zika. Hoje, essas consultas são menos frequentes, mas os desafios médicos de Gigi ainda são significativos.

    'Ela não senta sozinha, não rola, não faz nada só', disse Gleyse.

    Gigi precisa de um ortopedista, mas não há médicos suficientes e ela está há muito tempo em listas de espera.

    Gleyse sofre levando a cadeira de rodas de sua filha no transporte público. Poucos ônibus têm elevadores que funcionam, e mesmo assim alguns motoristas já se recusaram a ajudá-la.

    'As pessoas não respeitam os direitos da minha filha', disse. Outras mães já compartilharam com Gleyse histórias semelhantes, incluindo quando um passageiro se recusou entrar no ônibus com 'aquele demônio', em referência a um bebê com microcefalia.

    Dificuldades como essa fizeram com que Gleyse criasse a União de Mães de Anjos (UMA), que fornece ajuda e apoio logístico a mães de crianças com microcefalia. O grupo agora ajuda mais de 250 famílias em Pernambuco.

    Gleyse disse que algumas mães abandonaram seus filhos devido às muitas dificuldades, enviando-os para morar com avós ou outros parentes. Ela está determinada a criar um espaço no mundo para crianças como Gigi. Seu conselho para outras mães é: 'Não desistam dos seus filhos nunca.'

    MILAGRE

    Alguns anos atrás, Jackeline Vieira de Souza, de 28 anos, lutou para superar uma rara complicação de uma gravidez anterior e sobreviveu a um câncer.

    'O meu sonho era ser mãe de novo', disse.

    Em 2015, seu sonho virou realidade. Mas, durante a gravidez, Jackeline descobriu que o filho, Daniel Vieira de Oliveira, tinha microcefalia.

    'Quando eu vi rosto, o jeitinho dele, eu me apaixonei de cara. Eu sabia que esse menino iria ser algo muito bom na minha vida. Eu sabia que as dificuldades iriam vir, mas também a alegria.'

    O pai de Daniel se separou de Jackeline pouco depois de descobrir que o filho tinha microcefalia. Ele paga uma pequena pensão alimentícia todos os meses, que é somada ao auxílio mensal que Jackeline ganha do governo.

    A viagem de ônibus entre a casa de Jackeline, em Olinda, e onde Daniel faz tratamentos, em Recife, demora horas. Ultimamente, essas viagens têm sido menos frequentes, e Jackeline acredita que a saúde de Daniel é mais estável.

    Ela sabe que seu filho nunca irá andar, comer sozinho ou ter uma vida normal. Mesmo assim, Jackeline é grata por seu 'milagre', que diz a fazer se sentir 'feliz e mais realizada'.

    ESPERANÇA E DESESPERO

    Rosana Vieira Alves, de 28 anos, tem três filhas, mas quase toda sua atenção é dedicada à mais nova, Luana Vieira da Silva, de 3 anos.

    'A relação entre elas é de ciúmes uma com a outra. Eu gosto de todas, é que Luana precisa de mais cuidados... Com o tempo elas vão entender isso', disse.

    Rosana não tem nenhuma ajuda da família e sofre para pagar gastos com moradia e os remédios de Luana. Ela afirma ter sido uma vitória conseguir uma cadeira de rodas para a filha, e se preocupa com as quatro cirurgias que Luana precisa para corrigir problemas com seus olhos, estômago e a posição de seu quadril e pés.

    As exigências já levaram Rosana a momentos difíceis, e ela confessa ter considerado cometer suicídio. Mas ela ainda sonha com um futuro melhor e espera estudar contabilidade ou engenharia civil.

    'Tenho certeza que um dia ainda vou chegar lá', disse.

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    ESPECIAL-O que separa crianças indígenas de suas famílias: pobreza ou preconceito?

    (Versão multimídia: http://www.thisisplace.org/i/?id=db8ab6c4-5e2b-4f95-ba88-f7a289a11edb ))

    Por Karla Mendes

    DOURADOS, Mato Grosso do Sul (Thomson Reuters Foundation) - Como juiz, Zaloar Murat Martins de Souza tem que tomar decisões difíceis. Cada vez mais, ele se depara com uma das mais delicadas -- separar ou não uma criança de sua família.

    Souza atua há 14 anos como juiz da Vara da Infância e da Juventude em Dourados, Mato Grosso do Sul, onde um número significativo de crianças indígenas tem sido levado para abrigos, levantando discussões sobre quem tem melhores condições de cuidar de jovens vulneráveis.

    A pobreza está impulsionando a dependência de drogas e álcool, disse o juiz, e aumentando a violência entre comunidades indígenas de Dourados, cidade com uma população de cerca de 220 mil pessoas, incluindo cerca de 10 mil indígenas.

    “A grande maioria vive em estado de miséria. E esse estado é que traz a destituição da família”, disse Souza à Thomson Reuters Foundation em seu escritório, olhando para uma pilha de processos.

    “(A gente) se depara com uma situação que fere o brio do homem branco... Alcoolismo e drogadição são os dois grandes males das nossas aldeias”.

    O número de crianças e adolescentes indígenas em abrigos dobrou de 19 em julho de 2014 para 38 em julho deste ano, segundo dados levantados pela assistente social judiciária Ana Liége Charão Dias Borges a pedido da Thomson Reuters Foundation.

    Mas a Fundação Nacional do Índio (Funai) alerta que crianças têm sido retiradas de seus pais de maneira equivocada.

    Em relatório publicado em novembro, a Funai informou que recebeu denúncias de crianças sendo retiradas de suas famílias “sem aviso, sem apresentar motivação, sem tempo para despedidas, sem falar com a criança na língua materna”.

    Ao serem colocadas em abrigos, as crianças são forçadas a se adaptar a um modo de vida novo e desconhecido, o que torna difícil sua reintegração à comunidade indígena, segundo o relatório.

    “(A criança) esquece os costumes, esquece a língua materna... tirar as crianças de um povo também é condenar esse povo a não ter futuro coletivo”.

    Borges afirma que crianças indígenas respondem por mais da metade das crianças em abrigos em Dourados, um aumento significativo em relação há quatro anos, quando elas representavam menos de um terço do total de crianças abrigadas. No geral, a população indígena representa cerca de 5 por cento da população total de Dourados.

    Entre essas crianças está Ana, uma indígena da etnia Kaiowá que foi levada para um abrigo após ter sido estuprada em casa há dois anos, quando tinha apenas 9 anos de idade. Seu nome foi alterado para proteger sua identidade.

    No quarto que ela compartilha com outras três meninas no abrigo, Ana disse à Thomson Reuters Foundation que sua mãe ficava bêbada frequentemente e saía de casa, deixando a menina e sua irmã mais nova sozinhas.

    “Ele me machucou... Ele fechou minha boca (e fiquei) sem respirar. Eu mordi a mão dele, mas só que ele não sentia porque ele estava bêbado”, disse Ana sobre o abuso no escuro, cercada por bonecas e sentada em sua cama.

    Documentos judiciais citam seu pai como o principal suspeito.

    “QUERO MEU FILHO”

    Ana agora vive no Lar Santa Rita, onde crianças retiradas de seus pais permanecem até que um juiz decida se elas podem retornar para suas famílias ou se elas serão levadas para adoção.

    O local tem uma escola e casas onde as crianças vivem sob supervisão de um responsável em tempo integral, cercadas por brinquedos. Para muitas, a vida no abrigo é melhor que na aldeia.

    De acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, crianças só podem permanecer em abrigos por um período máximo de 18 meses. Mas a Funai informou que algumas permanecem por vários anos -- e, quanto mais ficam, mais difícil é para voltarem para suas casas.

    A diretora do Lar Santa Rita, Mônica Roberta Marin de Medeiros, disse que níveis crescentes de violência e abusos são o principal obstáculo para enviar as crianças de volta para suas famílias.

    A Lei Nacional de Adoção estabelece que crianças indígenas só podem ser adotadas por pais não indígenas depois que todas as opções forem esgotadas dentro da própria comunidade, disse Medeiros.

    Élida Oliveira, uma indígena da etnia Kaiowá, disse que seu filho foi retirado dela apenas uma semana após dar à luz em 2015.

    Quando (ele) completou oito dias (agentes de saúde) chamaram o conselho (tutelar): ‘tem que levar criança porque Dona Élida não tem condição de criar”.

    Oliveira, que possui outros cinco filhos, incluindo um bebê de menos de 2 anos que ainda vive com ela, negou, dizendo que sempre foi capaz de alimentar sua família.

    “Eu senti falta. É o meu filho. Quero de volta... Eu estou viva, eu não estou morta”, disse Oliveira, de 39 anos, do lado de fora de sua casa de madeira, em um assentamento indígena em Dourados.

    O juiz Souza, que atuou no caso desde o início, disse que decidirá em breve se a criança será devolvida para a mãe ou se será colocada para adoção.

    “Tem que ver como está essa situação de vínculo. Não nasce de uma hora para a outra... Já se passaram três anos”, disse.

    “QUANDO TUDO DER ERRADO”

    Diógenes Cariaga, um antropólogo de Dourados, disse que crianças indígenas só devem ser levadas para abrigos “quando tudo der errado”.

    Não podemos afirmar que todos os moradores da aldeia são agentes de violência... o que tem que se evitar é que essa criança volte a conviver com o seu ciclo de abusadores”, disse.

    Em vez disso, disse Cariaga, autoridades devem atuar nas raízes dos abusos e negligências de crianças - como pobreza, dependência química e condições insalubres.

    Quando Ana entrou no abrigo em 2016, a primeira coisa que lembra é que “as meninas todas estavam limpas quando cheguei e eu estava suja”.

    Ainda assim, ela sonha em voltar para casa, pois disse que sua mãe a visita regularmente e não fica mais bêbada.

    'Eu acho muito melhor ela parar de beber... (Vamos poder) ir para a igreja direto, ir para a escola, brincar... até eu crescer”.

    Outras crianças preferem uma nova vida, entre elas Carolina, de 10 anos, que também teve seu nome alterado. Ela mora no abrigo de crianças desde 2016, quando líderes comunitários e agentes de saúde relataram que ela era negligenciada por sua mãe, que também é dependente de bebida alcóolica e a deixava sozinha em casa com sua irmã.

    “Aqui é melhor porque aqui tem uma cama para dormir, uma comida pra comer e também a gente dorme quentinho. A gente não passa frio (como na aldeia)”.

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    PF prende suposto operador financeiro do Hezbollah em Foz do Iguaçu

    SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira um homem identificado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos como um financiador de alto escalão do Hezbollah, depois que o Paraguai pediu a detenção por declaração de nacionalidade incorreta, disseram autoridades nesta sexta-feira.

    Autoridades dos EUA designaram o libanês Assad Ahmad Barakat como um dos 'membros mais proeminentes e influentes' do Hezbollah em 2004. Segundo as autoridades norte-americanas, ele atuou como tesoureiro do grupo durante muito tempo e era associado ao então diretor financeiro do Hezbollah, grupo militante sediado no Líbano.

    Barakat foi preso em Foz do Iguaçu, do lado brasileiro da Tríplice Fronteira, pela divisão antiterrorismo da Polícia Federal, de acordo com comunicado da Procuradoria-Geral da República.

    Não ficou claro de imediato se Barakat tem um advogado.

    A Polícia Federal informou, também em comunicado, que o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou a prisão de Barakat depois que as autoridades paraguaias emitiram um mandado em agosto.

    De acordo com a PF, autoridades argentinas o acusaram de lavar 10 milhões de dólares por meio de um cassino em Puerto Iguazú.

    Barakat já esteve preso no Paraguai entre 2002 e 2008 devido a acusações de sonegação fiscal. Depois de sua libertação, disse a PF, Barakat passou a morar no Brasil e a realizar negócios no Paraguai, na Argentina e no Chile.

    (Por Gram Slattery)

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    Estação espacial de Alcântara prepara abertura para pequenas empresas de satélites

    Por Anthony Boadle

    CENTRO DE LANÇAMENTO DE ALCÂNTARA (Reuters) - O Brasil está pronto para lançar pequenos foguetes comerciais a partir de seu Centro de Lançamento de Alcântara, próximo à Linha do Equador, assim que fechar um acordo para salvaguardar a tecnologia norte-americana dominante no setor, afirmou nesta sexta-feira o major-brigadeiro Luiz Fernando Aguiar, da Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pela coordenação do programa.

    Aguiar disse que o Brasil quer obter uma parte do negócio de lançamento espacial de 300 bilhões de dólares ao atrair empresas norte-americanas interessadas em lançar pequenos satélites a um custo menor a partir da base de Alcântara, no Maranhão.

    'O mercado de microssatélites é mais atrativo hoje e estamos interessados ??no nicho de 50 a 500 quilos', disse Aguiar à Reuters na principal plataforma de lançamento da base. 'Estamos desenvolvendo um foguete para microssatélites. Para isso esta torre está totalmente pronta.'

    A cooperação espacial entre Estados Unidos e Brasil deu um grande passo quando os países assinaram um acordo de Consciência Situacional Espacial, no mês passado, durante uma visita a Brasília do secretário de Defesa dos EUA, James Mattis.

    O acordo sobre o compartilhamento de dados de rastreamento em tempo real sobre objetos e detritos no espaço é necessário para desenvolver um negócio de lançamento de satélites sem o risco de colisão.

    Boeing Co e Lockheed Martin Corp visitaram em dezembro o Centro de Lançamento de Alcântara, que é especialmente atraente para empresas menores, como a Tucson, porque a sua localização equatorial corta custos de combustível, permitindo cargas mais pesadas.

    Mas o plano do Brasil de se tornar um novo centro na indústria espacial dependerá da conclusão de um acordo de salvaguarda de tecnologia com os Estados Unidos para proteger o lançamento espacial norte-americano e a tecnologia de satélite, disse Aguiar. Sem isso, nenhum foguete dos EUA pode decolar do país.

    'É um país (EUA) que domina plenamente a área de espaço e queremos começar com boas parcerias. Nossa expectativa é que (o acordo) esteja pronto no início do ano que vem', acrescentou Aguiar à Agência Brasil.

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    BNDES abrirá edital de R$25 mi para apoio a museus

    BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)abrirá um edital de doação de 25 milhões de reais para ações de segurança e modernização de instituições culturais e o governo federal edita nos próximos dias uma medida provisória permitindo a criação de fundos patrimoniais para receber doações que possam garantir o financiamento do patrimônio histórico nacional.

    As duas ações foram anunciadas nesta terça-feira, depois de uma reunião no Palácio do Planalto, como parte das medidas federais para recuperar o que for possível do Museu Nacional do Rio de Janeiro, destruído por um incêndio no último domingo, e tentar evitar novas tragédias.

    'Até o final deste mês vamos publicar o edital. Será destinado à elaboração de projeto executivo de segurança e modernização das instalações e para implantação propriamente dita das melhorias', disse o presidente do BNDES, Dyogo Oliveira. 'Visa prevenir e evitar novos episódios dessa natureza. O edital será para todas as instituições que têm acervo. Não é empréstimo, são doações que o BNDES faz e que estão abarcadas pela Lei Rouanet.'

    O BNDES já tinha a previsão de um acordo de 21 milhões de reais para modernização do Museu Nacional que incluía também a instalação de um projeto de segurança contra incêndio, mas não chegou a ser iniciado.

    De acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares, o governo federal já separou 10 milhões de reais para as primeiras ações emergenciais no museu, inicialmente para reforçar a estrutura do prédio e um projeto executivo de recuperação, o que será feito em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

    Depois, um projeto executivo será feito, para a reconstrução propriamente dita. Apenas essa segunda fase, segundo Rossieli, deve levar de 10 meses a um ano, antes mesmo de se começar a fazer a recuperação do prédio.

    FINANCIAMENTO

    Depois da destruição do museu, o governo decidiu acelerar também a legislação que cria os chamados fundos patrimoniais, que permitem a instituições culturais, de educação, saúde, etc, receberem doações independentes do orçamento federal para garantirem seu financiamento. De acordo com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o texto deve ser finalizado até a próxima semana.

    Os fundos patrimoniais, usados em diversas partes do mundo, recebem doações para instituições específicas --como o Museu Nacional, por exemplo-- e tem administração profissional independente. O recurso principal não pode ser usado, mas os rendimentos financiam a manutenção da instituição.

    'É uma medida estruturadora que visa dar sustentabilidade permanente para essas instituições que hoje dependem quase exclusivamente de recursos públicos e tem gestão ineficiente', defendeu o presidente do BNDES.

    Um comitê gestor formado pelos ministérios da Cultura, Educação, Relações Exteriores e Casa Civil, além do BNDES e dos bancos públicos, também foi criado para cuidar das ações mais imediatas de recuperação do museu e irá, entre coisas, buscar doações e estudar medidas para melhorar a gestão das instituições.

    De acordo com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o governo também estuda acelerar a proposta de criação de Organizações Sociais para gerir instituições culturais.

    'O modelo por OS permite captação de recursos por outras fontes e redução da dependência do modelo estatal, ter horizonte de sustentabilidade e não vir a ter os mesmos problemas. O assunto vai ser discutido no âmbito deste comitê para que possamos elaborar uma proposta legislativa para permissão das OS no âmbito federal', explicou.

    De acordo com os ministros, na quarta-feira o presidente Michel Temer irá se reunir em Brasília com representantes de bancos e grandes empresas que já se dispuseram a colaborar para negociar a doação de recursos para recuperação do Museu Nacional, o que seria feito através de fundo patrimonial.

    Os ministros aproveitaram a entrevista para tentar rebater as acusações de que o governo federal havia reduzido os recursos para o museu nacional. Segundo Padilha, o orçamento da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) subiu 48,9 por cento entre 2012 e 2017. No mesmo período, o orçamento do museu teria caído 43,1 por cento.

    'A gestão do museu nacional é da universidade. As universidades têm autonomia financeira e administrativa. Ela distribui seu orçamento de acordo com suas prioridades', diz Padilha.

    Na véspera, o reitor da UFRJ, Roberto Leher, disse que a universidade 'faz a distribuição de seus recursos de custeio da maneira mais cuidadosa, profissional, ética e qualificada possível'.

    Sérgio Sá Leitão, ministro da Cultura, afirmou que sua pasta pediu projetos específicos para o Museu Nacional à diretoria da UFRJ, mas nunca recebeu.

    No Congresso, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que “o papel dos deputados é estarem todos juntos em apoio às soluções que serão organizadas inclusive pelo Poder Executivo'.

    'Todos vão poder colaborar inclusive na possibilidade de edição de um a medida provisória que o governo está avaliando e que pode ser anunciada hoje. Então o Congresso fará parte da solução de qualquer forma”, disse Maia.

    (Reportagem de Lisandra Paraguassu; reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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    Desdobramento da Lava Jato apura lavagem de dinheiro em exportação de pedras preciosas

    (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou, nesta terça-feira, operação conjunta com o Ministério Público Federal para investigar esquema de lavagem de dinheiro na exportação de pedras preciosas que teria movimentado cerca de 44 milhões de dólares entre 2011 e 2017.

    Como parte da operação Marakata, desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, foram emitidos cinco mandados de prisão preventiva e 12 de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e na Bahia, informou o MPF em comunicado.

    A operação investiga sócios-administradores da empresa Comércio de Pedras O S Ledo suspeitos de comprar esmeraldas e outras pedras preciosas de garimpos na Bahia e exportá-las, principalmente para companhias na Índia e Hong Kong, usando 'notas fiscais e invoices falso', segundo o MPF.

    'Parte dos valores era internalizado no país pelo sistema de dólar-cabo invertido e usado para pagamentos em reais, também 'por fora', aos garimpeiros e atravessadores com os quais a O S Ledo negociava as pedras no mercado nacional', disse o MPF em comunicado.

    'Entre 2011 e 2017, há registros de que as transações desse esquema em duas contas internacionais movimentaram cerca de 44 milhões de dólares, o que será aprofundado nas investigações do MPF, PF e Receita Federal', acrescentou.

    Procurada pela Reuters, a Comércio de Pedras O S Ledo não tninha um posicionamento de imediato sobre a investigação.

    A operação é um desdobramento da Lava Jato no Rio de Janeiro, que tem como principal alvo o ex-governador Sérgio Cabral, preso desde novembro de 2016 e condenado em diversas ações.

    (Por Maria Clara Pestre, no Rio de Janeiro)

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    Governo libera R$10 mi e prevê 'custo vultoso' para recuperação do Museu Nacional

    (Reuters) - O governo federal anunciou nesta segunda-feira o repasse de 10 milhões de reais para o Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em meio a um embate sobre os recursos destinados à instituição depois que um incêndio destruiu boa parte do local e da projeção de um 'custo vultoso' para recuperá-lo.

    De acordo com o ministro da Educação, Rossieli Soares da Silva, o montante inicial destinado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), instituição à qual está vinculado o museu, visa garantir a proteção da estrutura física, bem como reforçar as estruturas e a cobertura.

    'Imediatamente o Ministério da Educação vai repassar à UFRJ neste primeiro momento 10 milhões de reais para garantir a segurança do patrimônio', disse o ministro a jornalistas, após reunião no Rio sobre o incêndio, acrescentando que vai ser criado um comitê executivo visando a recuperação do Museu Nacional, que já serviu como Palácio Imperial no século 19.

    'Esse comitê é para acelerarmos efetivamente as ações de recuperação envolvendo o governo como um todo, a UFRJ e instituições que sejam importantes, a Unesco (órgão da ONU para educação, ciência e cultura) vai contribuir com esse processo', afirmou.

    O incêndio no emblemático prédio da zona norte do Rio de Janeiro acendeu uma polêmica sobre a liberação de recursos para a instituição, com a UFRJ dizendo que o repasse de recursos caiu nos últimos anos, enquanto a secretária executiva do Ministério da Fazenda, Ana Paula Vescovi, alegando que houve aumento.

    'Entre 2015 e 2017, o orçamento do Ministério da Educação destinado à Universidade Federal, no caso, do Rio de Janeiro, aumentou em 15 por cento, nominalmente', disse ela, segundo áudio divulgado pelo Ministério da Fazenda.

    O aumento das verbas em valores não significa necessariamente um aumento em termos reais, quando se leva em conta a inflação acumulada no período.

    Por sua vez, o reitor da UFRJ, Roberto Leher, afirmou que desde 2014 'houve perda de orçamento e isso é um assunto permanente com o governo'.

    'A UFRJ faz a distribuição de seus recursos de custeio da maneira mais cuidadosa, profissional, ética e qualificada possível', disse.

    O reitor acrescentou que estava confiante em fazer melhorias no prédio com um financiamento de 21,6 milhões de reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), anunciado em junho e que ainda não havia sido liberado.

    HISTÓRICO

    O Museu Nacional foi fundado em 1818. Seu acervo contava com diversas coleções importantes, incluindo artefatos egípcios e o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil.

    Segundo levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados, de 2013 para cá os recursos destinados ao local caíram significativamente, embora tenham oscilado ano a ano.

    De janeiro a agosto de 2018, foram pagos 98.115 reais à instituição, sendo 46.235 reais via UFRJ, para funcionamento do museu, e outros 51.880 reais pelo Ministério da Cultura, para concessão de bolsas de estudo. No total, a cifra corresponde a 15 por cento da verba de 2017.

    De acordo com o levantamento da Câmara, o total de recursos recebidos pelo museu foi de 979.952 reais em 2013 e de 941.064 reais em 2014, com forte recuo em 2015, quando passou a 638.267 reais. Em 2016 houve alguma recuperação, para 841.167 reais, valor que novamente voltou a cair no ano passado, para 643.568 reais pagos.

    Em 2017, após uma infestação de cupins que levou ao fechamento da sala de exposição de fósseis de dinossauros, o Museu Nacional recorreu a um site de financiamento coletivo para buscar recursos para reabrir a exibição, e arrecadou quase 60.000 reais, quase o dobro da meta.

    'CUSTO VULTOSO'

    O ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, disse que o presidente Michel Temer entrou em contato com empresas e bancos privados e que essas instituições sinalizaram interesse em patrocinar a recuperação do museu, via lei federal de incentivo à cultura.

    'Acho que seremos capazes de viabilizar essa obra que terá um custo vultoso', declarou.

    Ao ser questionado por que não foi feito investimento antes no museu, ele respondeu: 'A questão não deve ser endereçada ao Ministério da Cultura, porque a 'Lei Rouanet (de incentivo à cultura) estava disponível e de fato poderia ter sido utilizada'.

    Sá Leitão disse que parte das obras do museu não foi destruída, mas as autoridades evitaram afirmar quanto está danificado, uma vez que o acesso ao prédio ainda está interditado para resguardar as condições de segurança e de lisura da investigação sobre as causas do incêndio.

    A Polícia Federal participou da reunião nesta tarde e vai comandar investigações sobre a tragédia, enquanto a UFRJ fará a sua própria perícia.

    (Por Tatiana Ramil, em São Paulo; com reportagem adicional de Mateus Maia, em Brasília)

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    Incêndio no Museu Nacional provoca indignação por 'tragédia anunciada'

    Por Gabriel Stargardter

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Policiais usaram bombas de gás para afastar dezenas de pessoas que se reuniram no entorno do Museu Nacional nesta segunda-feira para demonstrar indignação e manifestar apoio à instituição, após um incêndio devastador da noite de domingo que atingiu o emblemático prédio na zona norte do Rio de Janeiro.

    Imagens aéreas transmitidas ao vivo pela emissora GloboNews mostraram policiais lançando bombas de gás e usando cassetetes para afastar algumas dezenas de pessoas, principalmente pesquisadores, estudantes e funcionários, que tentavam entrar pelos portões do parque onde fica o museu.

    Após alguns minutos de tensão, a polícia liberou o acesso à área externa do Museu Nacional, e dezenas de pessoas formaram um cordão humano no entorno do prédio histórico para dar um abraço simbólico no museu, mostraram imagens aéreas.

    Depois do incêndio de domingo, a fachada amarela do Museu Nacional, que já serviu como Palácio Imperial, permanecia de pé na manhã desta segunda-feira, mas suas grandes janelas revelavam corredores queimados e vigas de madeira carbonizadas em um interior sem teto.

    De vez em quando, bombeiros saíam do prédio com um vaso ou pintura que conseguiram resgatar entre os 20 milhões de itens que foram provavelmente destruídos após o incêndio de domingo, cuja causa ainda não foi determinada por autoridades.

    O Ministério Público Federal (MPF) pediu instauração de inquérito policial para apurar as causas e as responsabilidades pelo dano causado ao imóvel e ao acervo, e informou que no final de junho do ano passado a Câmara do Meio Ambiente e Patrimônio Cultural realizou encontro técnico sobre prevenção de incêndios em bens culturais protegidos, 'voltado à produção de norma pelo Iphan que compatibilize as exigências do Corpo de Bombeiros com aquelas inerentes ao patrimônio cultural'.

    'Infelizmente, passado mais de um ano do evento, as instituições públicas federais responsáveis não publicaram a referida norma, padronização mínima para atuação dos bombeiros e outras instituições em todo o Brasil', disse o MPF em nota.

    O vice-diretor do museu, Luiz Duarte, disse à GloboNews que a instituição vinha sendo negligenciada por sucessivos governos federais, e que um financiamento ainda não liberado de 21,6 milhões de reais do BNDES anunciado em junho incluía, ironicamente, um plano para instalar equipamentos modernos de proteção contra incêndios.

    O comandante do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro, Roberto Robadey, disse a repórteres nesta segunda-feira que os dois hidrantes localizados do lado de fora do prédio estavam secos. Isso forçou bombeiros a utilizarem água de um lago próximo para abastecer os caminhões, mas as chamas consumiram o prédio rápido demais.

    'Em um mundo ideal, nós teríamos muitas coisas que não temos aqui: sprinkler dentro da edificação', disse Robadey, acrescentando que o Corpo de Bombeiros irá avaliar sua resposta ao incêndio e tomar medidas se necessário. 'Ontem foi um dos dias mais tristes da minha carreira.'

    Renato Rodriguez Cabral, professor de geologia e paleontologia do Museu Nacional, disse que o declínio do museu não aconteceu de um dia para o outro.

    'Isso não é de hoje. É uma tragédia anunciada desde 1892 quando o museu veio para cá', disse Cabral enquanto abraçava alunos e colegas de trabalho. 'Sucessivos governos republicanos nunca deram dinheiro, nunca investiram em infraestrutura'.

    Cabral disse que o prédio recebeu novas fiações há 15 anos, mas que claramente não havia um plano suficiente para proteger o museu de um incêndio, acrescentando: 'Os bombeiros praticamente assistiram ao incêndio'.

    'Para a história e ciência brasileiras, isso é uma tragédia completa', disse. 'Não tem como recuperar o que perdemos'.

    MENOS RECURSOS

    O museu, ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ao Ministério da Educação, foi fundado em 1818. Seu acervo contava com diversas coleções importantes, incluindo artefatos egípcios e o fóssil humano mais antigo encontrado no Brasil.

    De 2013 para cá os recursos destinados ao local caíram significativamente, embora tenham oscilado ano a ano, segundo levantamento da Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados.

    De janeiro a agosto de 2018, foram pagos apenas 98.115 reais à instituição, sendo 46.235 reais via UFRJ, para funcionamento do museu, e outros 51.880 reais pelo Ministério da Cultura, para concessão de bolsas de estudo. No total, a cifra corresponde a 15 por cento da verba de 2017.

    De acordo com o levantamento da Câmara, o total de recursos recebido pelo museu foi de 979.952 reais em 2013 e de 941.064 reais em 2014, com forte recuo em 2015, quando passou a 638.267 reais. Em 2016 houve alguma recuperação, para 841.167 reais, valor que novamente voltou a cair no ano passado, para 643.568 reais pagos.

    Em 2017, após uma infestação de cupins que levou ao fechamento da sala de exposição de fósseis de dinossauros, o Museu Nacional recorreu a um site de financiamento coletivo para buscar recursos para reabrir a exibição, e arrecadou quase 60.000 reais, quase o dobro da meta.

    A destruição do prédio, onde imperadores já viveram, foi uma perda 'incalculável para o Brasil', disse o presidente Michel Temer em publicação no Twitter. 'Foram perdidos 200 anos de trabalho, pesquisa e conhecimento'.

    O Palácio do Planalto disse em nota oficial que Temer se reuniu nesta manhã com entidades financeiras e empresas pu?blicas e privadas, e que ficou definida a criação de uma rede de apoio econo?mico para viabilizar a reconstruc?a?o do Museu Nacional.

    (Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Marcela Ayres, em Brasília)

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    População brasileira cresce 0,82% e atinge 208,5 milhões de pessoas, diz IBGE

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A população brasileira cresceu 0,82 por cento em um ano e atingiu 208,5 milhões de pessoas em julho de 2018, de acordo com estimativa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que revelou aumento populacional nas cidades de Boa Vista e Pacaraima, em Roraima, mediante grande fluxo de imigrantes venezuelanos.

    A estimativa da população brasileira com data de referência em 1º de julho de 2018 é de 208.494.900 pessoas, ante 207.660.929 pessoas um ano antes, informou o IBGE nesta quarta-feira.

    São Paulo manteve a posição de cidade mais populosa do Brasil com 12,2 milhões de pessoas, seguida por Rio de Janeiro (6,7 milhões), Brasília (2,9 milhões) e Salvador (2,8 milhões). Por outro lado, a cidade de Serra da Saudade, em Minas Gerais, é a menor do país em termos populacionais, com apenas 786 habitantes.

    A projeção populacional realizada pelo IBGE é utilizada para a repartição de recursos dos fundos de participação dos Estados e dos municípios. A estimativa é um dos parâmetros usados pelo Tribunal de Contas da União (TCU) para atuar no rateio de recursos.

    Segundo o IBGE, pouco mais de metade da população brasileira (57 por cento, ou 118,9 milhões de habitantes) vive em apenas 317 municípios, que são aqueles com mais de 100 mil habitantes.

    Os municípios com mais de 500 mil habitantes (46) concentram 31,2 por cento da população do país (64,9 milhões de habitantes). Por outro lado, a maior parte dos municípios brasileiros (68,4 por cento) possui até 20 mil habitantes e abriga apenas 15,4 por cento da população do país (32,1 milhões de habitantes).

    As cidades de Boa Vista, capital de Roraima, e Pacaraima, no mesmo Estado e que faz fronteira com a Venezuela, registraram um aumento populacional entre 2017 e 2018, uma vez que 99 por cento dos imigrantes venezuelanos em Roraima estavam concentrados nas duas cidades, segundo o IBGE.

    Boa Vista tem atualmente uma população estimada em 375.374 pessoas, ante 332.020 em 2017. Em Pacaraima, a população de um ano para o outro subiu de 12.375 em 2017 para 15.580 habitantes.

    No Estado de Roraima como um todo a população estimada em 2017 era de 522.636 pessoas, e saltou neste ano para 576.568 pessoas.

    O IBGE fez uma ressalva de que houve uma mudança metodológica de 2017 para 2018 que pode afetar as projeções, visto que até o ano passado as estimativas eram feitas com base em uma taxa de fecundidade maior do que a que tem sido efetivamente registrada no país.

    (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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    Morre soldado do Exército ferido em operação em favelas do Rio

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - Um soldado do Exército que ficou ferido por disparo de arma de fogo na segunda-feira durante operação contra o tráfico de drogas em favelas do Rio de Janeiro morreu na tarde desta quarta-feira em decorrência do ferimento, informou o Comando Militar do Leste (CML), o que eleva para três o número de militares mortos na ação.

    O soldado havia sofrido um ferimento na perna considerado inicialmente de média complexidade, o que levou os militares a dizerem na segunda-feira que ele não corria risco de morte.

    O quadro clínico do soldado, no entanto, sofreu uma 'evolução indesejável' que resultou em sua morte, de acordo com o CML, que é responsável por implementar a intervenção federal na área de segurança pública do Rio de Janeiro.

    A confirmação da morte aumenta para três os números de militares mortos na operação nos Complexos do Alemão, da Penha e da Maré no contexto da intervenção federal na segurança pública do Estado do Rio. As mortes foram as primeiras de militares das Forças Armadas desde o início da intervenção, há seis meses.

    A operação, segundo os militares, também resultou nas mortes de cinco suspeitos e na prisão de mais de 70 pessoas, além da apreensão de armas, munições e drogas.

    Há seis meses o presidente Michel Temer decretou uma intervenção federal na segurança pública do Rio devido à crise de violência no Estado.

    Desde o início da intervenção, tanto o número de assassinatos como o número de pessoas mortas em confrontos com a polícia subiram, colocando em dúvida a eficiência da estratégia, criticada por depender de táticas militares, pela falta de transparência e por ter metas incertas.

    Cerca de 64 mil pessoas foram assassinadas no Brasil em 2017, e a violência tem se tornado uma questão-chave para as eleições presidenciais de outubro.

    (Por Pedro Fonseca)

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