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    Malala critica política de Trump de separar famílias imigrantes e expande sua fundação para o Brasil

    Por Alexandra Alper

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A vencedora do prêmio Nobel da Paz Malala Yousafzai descreveu como “cruel” uma política realizada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de separar filhos de imigrantes ilegais de suas famílias, durante sua primeira visita à América do Sul para promover a educação de meninas.

    Mais de 2.300 crianças foram separadas de seus pais após o governo Trump iniciar uma política de “tolerância zero” no começo de maio, buscando processar todos os adultos que cruzassem a fronteira ilegalmente do México aos EUA. Trump parou de separar famílias no mês passado, após críticas públicas e desafios judiciais.

    “Isto é cruel, isto é injusto e isto é desumano. Eu não sei como alguém pode fazer isto”, disse Malala à Reuters nesta quarta-feira. “Eu espero que as crianças possam estar juntas de seus pais.”

    Suas palavras duras contrastaram com os elogios efusivos no ano passado ao recebimento de refugiados no Canadá sob o premiê Justin Trudeau. No Fórum Econômico Mundial em Davos neste ano, Malala também questionou o histórico de Trump no que envolve direitos das mulheres.

    Malala visitou o Rio de Janeiro para dar o pontapé inicial na expansão de sua organização de caridade com foco em educação, a Malala Fund, na América Latina, começando pelo Brasil.

    Seu objetivo no país é advogar por maiores gastos públicos em educação, uma tarefa difícil, após o Brasil aprovar uma emenda constitucional congelando gastos federais em termos reais por duas décadas para reduzir dívidas públicas.

    Ela também espera ajudar o que se estima ser 1,5 milhão de meninas que não vão à escola, com um foco especial em grupos minoritários que ficam atrás de crianças brancas em indicadores-chave, como alfabetização e conclusão do segundo grau.

    “É importante para nós alcançarmos indígenas e a população afro-brasileira. Estas garotas estão enfrentando muitos desafios”, disse Malala na entrevista.

    “Quando meninas abandonam a escola elas estão mais vulneráveis à pobreza, assédios sexuais, empregos com salários menores, elas não são capazes de alcançar seus sonhos e o ciclo continua.”

    Eles têm que investir em educação. Congelamento não é a solução , acrescentou.

    Em 2014, Malala foi a pessoa mais jovem a receber o prêmio Nobel, homenageada pelo trabalho com sua fundação, uma instituição de caridade que criou para apoiar grupos em defesa da educação com foco no Paquistão, Nigéria, Jordânia, Síria e Quênia.

    A presença do grupo no Brasil teve início com uma garantia de 700 mil dólares para três anos para três ativistas brasileiras concentradas em questões educacionais. Malala diz esperar expandir o projeto para outros lugares da América Latina.

    Mais cedo neste ano, a jovem de 20 anos retornou ao Paquistão pela primeira vez desde que foi baleada na cabeça por um atirador do Taliban, em 2012, por conta de seu blog em defesa da educação de meninas.

    Semanas antes das eleições presidenciais no país, Malala descartou a política para si por ora. “Ainda estou conversando com líderes e garantindo que eles priorizem educação em suas políticas”, disse. “É mais fácil desta maneira do que quando você está dentro.”

    CASO MARIELLE

    Durante a visita ao Rio, Malala posou para fotos em um muro com uma imagem da vereadora Marielle Franco (PSOL), assassinada junto com seu motorista, Anderson Gomes, em março, e defendeu a justiça.

    “É trágico. Eu tenho orações e apoio e mando amor à família e estou mandando meus sentimentos. Justiça é necessária neste caso e eu espero que as autoridades relacionadas possam investigar isto o mais rápido que puderem. Quando um ativista é mirado, também há um sentimento de medo que se espalha por outras atividades que lutam por estas causas”, disse.

    Marielle, ativista dos direitos humanos e que denunciava as milícias e abusos em ações policiais em favelas locais, foi perseguida após deixar um encontro de mulheres na Lapa até o bairro do Estácio, onde ocorreu o crime que provocou comoção nacional e até no exterior.

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    PF prende 12 suspeitos de integrar quadrilha de tráfico internacional de drogas que operava com bitcoins

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira ao menos 12 pessoas suspeitas de integrarem uma quadrilha internacional de tráfico de drogas acusada de lucrar milhões de dólares com envios de cocaína do Brasil para o exterior e de utilizar moedas virtuais para lavar os recursos, informou a PF.

    Como parte da chamada operação Antigoon, deflagrada em parceria com a Receita Federal, aproximadamente 100 policiais federais foram às ruas para cumprir um total de 15 mandados de prisão, dos quais três não tinham sido cumpridos até o início da tarde, e 21 mandados de busca e apreensão nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

    Ao longo de quase um ano de investigação foram apreendidas cerca de 4 toneladas de cocaína nos portos do Rio de Janeiro, Vitória, Santos, Salvador e Suape (PE). As remessas de droga eram feitas para Europa, Ásia e África.

    A droga despachada para o exterior vinha principalmente do Peru, Colômbia e Bolívia, e o Brasil, de acordo com investigadores, era um corredor para o envio para outros continentes.

    Eles movimentavam milhões e milhões de dólares. Foi muito dinheiro, e a quadrilha usava bitcoins e moedas cibernéticas para despistar e fugir dos órgão de controle , afirmou o delegado da PF Carlos Eduardo Thomé em entrevista coletiva sobre a operação.

    A quadrilha recebia parte do pagamento em moedas virtuais para dificultar o rastreamento, e para a movimentação volumosa e atípica de dinheiro não ser detectada , acrescentou.

    A PF não detalhou a quantia de dinheiro que teria sido movimentada pela quadrilha.

    Entre os presos estão empresários que atuam no segmento de comércio exterior, despachantes, funcionários de terminais portuários e até caminhoneiros, de acordo com a PF.

    Ao longo de 15 meses, a Polícia Federal e a Receita Federal realizaram ações controladas com autorização da Justiça para monitorar o caminho da droga e os envolvidos.

    A origem da droga e se essa quadrilha tem ligação com cartéis que atuam na América do Sul farão parte de outras investigações”, disse a jornalistas o delegado da PF Osvaldo Scalezi.

    A PF informou também que foram realizadas apreensões nos portos de Antuérpia, na Bélgica; Gioia Tauro, na Itália e Valência, na Espanha, utilizando-se dos institutos de cooperação policial.

    Segundo os investigadores, a quadrilha montou empresas de fachada para enviar a droga para Europa, Ásia e África, ou violava contêineres de empresas lícitas que não tinham ligação com o bando para conseguir embarcar a cocaína.

    O nome da operação, Antigoon, faz referência a uma lenda sobre a origem do nome da cidade de Antuérpia, na Bélgica, principal destino da droga na Europa, de acordo com a PF.

    (Por Rodrigo Viga Gaier e Maria Clara Pestre, no Rio de Janeiro)

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    EXCLUSIVO-Pesquisa revela os 10 países mais perigosos do mundo para as mulheres

    LONDRES (Thomson Reuters Foundation) - A Índia foi apontada como o país mais perigoso do mundo para as mulheres em uma pesquisa com especialistas internacionais divulgada nesta terça-feira.

    O levantamento da Thomson Reuters Foundation com cerca de 550 especialistas em temas femininos colocou Afeganistão e Síria em segundo e terceiro lugares, com Somália e Arábia Saudita a seguir.

    A pesquisa foi uma repetição de um estudo semelhante feito em 2011, que listou os países mais perigosos para as mulheres à época como Afeganistão, República Democrática do Congo, Paquistão, Índia e Somália.

    A pesquisa indagou quais cinco dos 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) são os mais perigosos para as mulheres nos quesitos sistema de saúde, recursos econômicos, práticas tradicionais, abuso sexual e não sexual e tráfico humano.

    Veja a seguir a lista dos 10 países mais perigosos para as mulheres segundo a sondagem feita entre 26 de março e 4 de maio.

    1. ÍNDIA – Lidera a lista, uma vez que o nível de violência contra as mulheres ainda é alto mais de cinco anos depois de o estupro e assassinato de uma estudante em um ônibus em Nova Délhi ter provocado uma revolta nacional e o governo prometer lidar com o assunto.

    2. AFEGANISTÃO – Especialistas dizem que as mulheres ainda enfrentam problemas graves 17 anos após a deposição do Taliban.

    3. SÍRIA – Depois de sete anos de guerra civil, é visto como o segundo país mais perigoso para as mulheres em termos de acesso ao sistema de saúde e de violência não sexual, o que inclui violência relacionada a conflitos e abusos domésticos.

    4. SOMÁLIA – Mergulhada em conflitos desde 1991 e listada como o terceiro país mais perigoso para as mulheres em termos de acesso ao sistema de saúde e por colocá-las em risco de práticas tradicionais e culturais prejudiciais.

    5. ARÁBIA SAUDITA – Em quinto no geral, o reino conservador foi considerado o segundo país mais perigoso em termos de acesso econômico e discriminação, inclusive no ambiente de trabalho e em termos de direitos de propriedade.

    6. PAQUISTÃO – O sexto mais perigoso e o quarto pior em termos de recursos econômicos e discriminação, além do risco advindo de práticas tradicionais, culturais e religiosas.

    7. REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO – A ONU alertou que milhões de pessoas enfrentam condições de vida infernais depois de anos de violência entre facções e ausência da lei.

    8. IÊMEN – Oitavo da lista devido às deficiências no acesso ao sistema de saúde, recursos econômicos, risco de práticas tradicionais e culturais e violência não-sexual.

    9. NIGÉRIA – Grupos de direitos humanos acusam os militares do país de torturarem, estuprarem e matarem civis durante o confronto de nove anos contra militantes do Boko Haram.

    10. ESTADOS UNIDOS – A única nação ocidental entre as 10 compartilha a terceira posição com a Síria no quesito dos riscos que as mulheres enfrentam em termos de violência sexual, incluindo estupro, assédio, coerção e falta de acesso à justiça em casos de estupro.

    (Reportagem de Belinda Goldsmith)

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    ESPECIAL-Disputas por terras complicam obtenção de títulos fundiários para quilombolas

    Por Karla Mendes

    QUILOMBO KALUNGA (Thomson Reuters Foundation) - Com um balde na mão, Valdemir Francisco da Conceição sai de sua casa de palha todas as manhãs e caminha 150 metros para buscar água em um rio que flui entre exuberantes montanhas em Goiás.

    Na comunidade Vão de Almas não tem água encanada, mas Conceição não se importa -- ele gosta de sua vida simples como agricultor, plantando mandioca, milho e arroz em sua pequena propriedade no remoto vilarejo.

    Conceição é um quilombola, como são conhecidos os cerca de 16 milhões de descendentes dos escravos que fugiram das duras condições de trabalho nas fazendas e minas e formaram comunidades conhecidas como quilombos.

    A bucólica vila Vão de Almas está ameaçada pelo projeto de uma pequena central hidrelétrica (PCH) que, segundo os empreendedores, gerará eletricidade e empregos em uma vasta área de floresta a cerca de 354 quilômetros ao norte de Brasília.

    Conceição teme que a PCH impossibilite o acesso à água do rio e sente a segurança de sua família ameaçada pela barragem.   

    A gente lava, a gente pega água para fazer a comida, a gente toma banho, a gente depende do rio , disse o quilombola de 37 anos à Thomson Reuters Foundation.

    * Veja uma cobertura multimídia no link a seguir: http://www.thisisplace.org/i/?id=233e955c-e0b0-4435-aec4-d548048cf2a2

    O projeto da PCH Santa Mônica ameaça a comunidade Vão de Almas há duas décadas, em meio a uma complexa disputa de reivindicações concorrentes por terras no vilarejo quilombola.

    A reivindicação dos quilombolas por suas terras faz parte de uma ampla luta por títulos de propriedade em todo o Brasil.

    O país tem terras em abundância propensas ao desenvolvimento, mas com poucos títulos formais para provar a propriedade, uma situação que provoca tensão e conflitos em todo o país.

    DIFICULDADE DE INDENIZAÇÃO

    Apesar de o Brasil ter abolido a escravidão há 130 anos e a Constituição de 1988 ter garantido os direitos dos quilombolas a suas terras, muitos deles ainda estão lutando por títulos.

    O governo reconhece a existência de cerca de 5.000 quilombos, o primeiro passo de um longo processo para obter títulos de propriedade, que demanda pesquisas e investigações sobre a ancestralidade dessas comunidades.

    A comunidade Vão de Almas faz parte do Kalunga, um dos maiores quilombos do Brasil, cujo território foi demarcado pelo governo em 2009.

    Quase uma década depois, foram emitidos títulos de propriedade para apenas um quinto do seu território de 261.000 hectares, de acordo com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Inca).

    Embora a delimitação das fronteiras do quilombo esteja claramente demarcada, há falta de informações --e títulos-- sobre os donos das propriedades dentro do quilombo.

    Apenas cerca de 250 comunidades quilombolas possuem títulos legais de suas terras no país, segundo a Fundação Cultural Palmares.

    Se uma propriedade dentro de um quilombo é privada, o Incra inicia um processo de expropriação, que envolve o pagamento de indenização aos proprietários que provarem ter os títulos formais da terra.

    Na comunidade Vão de Almas, cerca de 700 hectares de terra dentro de uma fazenda foram vendidos para a Rialma, a empresa que quer construir a PCH. A companhia não tem intenção de abrir mão da área.

    Um porta-voz da empresa disse que os moradores de Vão de Almas concordaram com o projeto e assinaram um abaixo-assinado dando aval ao projeto. Segundo o porta-voz, a empresa aguarda a obtenção de licença ambiental do governo de Goiás para dar início às obras de construção da PCH.

    Não podemos inibir investimento, construção de estrada, não podemos fazer nenhum tipo de impedimento (até o processo de desapropriação), disse Antônio Oliveira Santos, coordenador geral de regularização de territórios quilombolas do Incra.

    Além das complexidades do processo para conceder títulos, o Incra também está sem orçamento para pagar indenizações.

    O orçamento do governo para regularização fundiária dos quilombolas foi reduzido em 93 por cento nos últimos cinco anos, de acordo com a ONG Justiça Global.

    INVASÕES

    Na comunidade Engenho II, outro vilarejo remoto no Quilombo Kalunga, a cerca de 3 horas de carro a sudoeste de Vão de Almas, cerca de 250 famílias quilombolas dizem que fazendeiros têm invadido suas terra de forma frequente.

    Tanto os agricultores quanto os quilombolas dizem que precisam da terra para viver.

    Nosso território foi reconhecido, mas muitos fazendeiros ainda estão pendentes de indenização , disse o líder quilombola Cirilo dos Santos Rosa. Eles dizem que querem sair, mas querem receber a indenização.

    Sua ex-mulher e os tios dela perderam suas colheitas recentemente, segundo ele, porque um fazendeiro destruiu suas plantações.

    Os fazendeiros não puderam ser contactados para comentar.

    Apesar dos problemas das invasões, os quilombolas se consideram sortudos porque controlam a famosa cachoeira Santa Bárbara, com 35 metros de altura.    

    A cachoeira, cercada por um lago com águas azuis, atrai turistas do mundo todo e representa uma importante fonte de renda para a comunidade.

    Os turistas pagam uma taxa para visitar a cachoeira, e os quilombolas também têm como fonte de renda serviços de transporte e hospedagem.

    A Santa Bárbara é um verdadeiro santuário... Essa cachoeira a gente fala que é a nossa mãe porque nos abraça, que está nos dando uma oportunidade de melhoria e de vida , disse Dominga Natalia Moreira dos Santos Rosa, a filha do líder da aldeia de quilombola.

    A renda da cachoeira Santa Bárbara tem ajudado os quilombolas a fazer melhorias na vila e a pagar para que seus líderes participem de reuniões para lutar por seus direitos à terra.

    Meu sonho é a gente poder ter realmente essas terras em nossos nomes, que é uma coisa que a gente vem lutando há anos. Eu cresci vendo meus pais lutarem pelo direitos à terra, que é um direito que a gente tem , disse Dominga.

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    WIDER IMAGE-À espera de moradia, vida em ocupação exige luta e resistência

    Por Laís Martins

    SÃO PAULO, 20 Jun (Reuters) - O cheiro de comida inunda as escadas do Edifício Prestes Maia, maior ocupação vertical da América Latina. No 6º andar do prédio na capital paulista, Vera Helena, de 66 anos, apronta o almoço para comemorar o Dia das Mães, uma data feliz em meio a incertezas agravadas pela queda de um outro edifício ocupado e localizado a menos de 1 quilômetro dali.

    Vera vive desde 2002 à espera de uma solução. Matriarca de uma das 480 famílias que estão na ocupação, ela agora aguarda um chamado do poder público para uma avaliação que dirá se ela está apta a participar do sorteio por uma das unidades habitacionais construídas por meio das PPPs --parcerias públicos privadas.

    A PPP do Centro, um projeto do governo do Estado que prevê a construção de mais de 3.600 unidades de habitação na região central de São Paulo até 2020, teve 191 mil famílias inscritas. Até agora, cerca de 720 unidades foram concluídas, segundo números da Secretaria de Estado de Habitação de São Paulo.

    Enquanto a solução não chega, ela segue vivendo no apartamento que divide com o ex-marido e uma neta na Ocupação Prestes Maia, dois blocos de 9 e 22 andares que já abrigaram uma indústria de tecidos.

    Vera relembra quando chegou ao prédio, depois de se ver sem condições de pagar o aluguel de onde vivia. Não tinha nada. Sabe esse emaranhado de bloco, de coluna? Era vazio. Aí já começamos a pegar madeira, dividir nossos espaços , conta.

    O prédio, que foi comprado pela Prefeitura de São Paulo em 2015, também aguarda uma solução. A revitalização e a reforma que poderão transformá-lo em moradia de interesse social dependem do projeto ser aprovado para receber um financiamento que viabilizará a obra.

    Só na cidade de São Paulo, segundo número da administração municipal, 46 mil famílias sem-teto buscam moradia nas ocupações, edifícios abandonados e ociosos ocupados por movimentos sociais, do centro de São Paulo.

    O desabamento em maio do prédio Wilton Paes de Almeida, também uma ocupação na região central de São Paulo, foi mais um alerta da crise de moradia enfrentada pela cidade, onde o déficit habitacional é estimado em 830 mil domicílios.

    A gente ocupa prédios vazios, ociosos, abandonados, cheios de lixo, de ratos, baratas, então a gente já faz a tratativa de prevenção desde o momento em que a gente entra , explica Carmen Silva, coordenadora da Frente de Luta por Moradia (FLM), à Reuters.

    Embora não tenham havido mudanças estruturais por parte dos movimentos, a Prefeitura de São Paulo passou a realizar vistorias em outras ocupações, ainda que não haja, no momento, uma decisão sobre o que será feito depois que essa etapa for concluída.

    ALUGUEL OU COMIDA

    Segundo os movimentos, há mais de 20 anos famílias de baixa renda procuram moradia em ocupações por não terem condições de pagar aluguéis, em um Estado onde a renda média per capita é de 1.712 reais, segundo o IBGE.

    O movimento sem-teto tem uma frase: Se paga o aluguel, não come. E se come, não paga o aluguel , diz Benedito Barbosa, um advogado popular que presta apoio aos movimentos, citando o custo e o impacto que os altos aluguéis têm sobre o orçamento de famílias de baixa renda.

    É na lacuna deixada pelo poder público que atuam os movimentos por moradia, afirma Netti Araújo, coordenadora do Movimento de Moradia na Luta por Justiça.

    Estamos organizados para fazer uma luta para aquelas famílias que não têm condições de ter acesso à moradia e, infelizmente, o poder público –o governo, a prefeitura, até mesmo a Presidência– acabam jogando para nós uma responsabilidade que é deles , afirma.

    Ao contrário do que é praticado, segundo os movimentos, a legislação brasileira é muito clara ao estabelecer que dar moradia é uma obrigação do Estado, citando a Constituição Federal, o Código Civil e diversos marcos municipais e estaduais de habitação.

    Direito à moradia é direito humano universal. Ele vem desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos , lembra a docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie Viviane Manzione, citando o documento de 1948.

    No entendimento da arquiteta, no entanto, o problema não é a ausência do Estado e de políticas públicas, mas sim a sua má atuação e aplicação, o que encoraja a população a resolver o problema pelas próprias mãos . A população, junto aos movimentos organizados, acaba por atender e ir atrás dessas questões , afirmou.

    Entre outubro de 2014 e dezembro de 2017, segundo dados da Prefeitura de São Paulo, 1.380 imóveis foram notificados por não cumprirem a chamada função social da propriedade, que determina que, se um imóvel não está servindo à sociedade como um todo, o proprietário será notificado e terá de cumprir algumas obrigações que garantam o uso social.

    Se o proprietário não reagir à notificação, está sujeito a uma série de medidas punitivas, como por exemplo, um aumento progressivo do IPTU (Imposto Predial Territorial Urbano).

    O instrumento, previsto no Plano Diretor Estratégico de 2014, fez com que, durante o período de quase três anos, 182 imóveis cumprissem as obrigações ou tivessem a notificação cancelada.

    Dos 1.380 imóveis notificados entre 2014 e 2017, cerca de 780 estão localizados na subprefeitura Sé, que compreende o centro da cidade, um número que indica a razão de tantas ocupações nesta região.

    MAL NECESSÁRIO

    Os movimentos defendem que ocupar não é um desejo permanente de nenhum morador, mas também veem poucos incentivos do poder público para que a situação mude.

    Para nós, sempre, a ocupação é a última alternativa e ela é um mal necessário. Ninguém quer ficar em ocupação. Se as famílias estão aqui há nove anos, não é porque as famílias querem, porque o movimento quer , disse Benedito.

    Segundo a docente da FAU-Mackenzie, faltam políticas que deem aos moradores condições de, no longo prazo, mudarem de status. Para ela, não há sentido em construir políticas de habitação sem que se realize um trabalho paralelo de capacitação para trabalho e geração de renda.

    De acordo com Vera, seu genro chegou a ser sorteado para a primeira etapa da seleção para uma PPP, mas não foi escolhido por não ter renda suficiente.

    Da parte da prefeitura, conseguir financiamentos para produção de moradias também é tarefa árdua, explica o secretário de Habitação da capital, Fernando Chucre. Segundo ele, a prefeitura está negociando junto ao governo federal e ao Ministério das Cidades a criação de uma linha de financiamento específica para revitalizações no centro de São Paulo, o que permitiria criar habitações.

    De acordo com a administração municipal, durante o ano de 2017, foram entregues 2.800 moradias entre todas as modalidades de programas de habitação.

    Formada em Serviço Social e avó de 18 netos e bisavó de 4, Vera coordena hoje o andar onde mora e é encarregada de levar as reivindicações dos vizinhos para a reunião semanal da ocupação.

    Apesar dos desafios, consegue enxergar conforto na vida que leva na ocupação e reconhece que tem privilégios na comparação com outros prédios ocupados.

    Até que aqui é grande, em vista de algumas ocupações em hotéis, que o quarto de hotel é bem pequeno e limitado. No Japão também é tão pequenininho , diz. A gente mora num palacete.

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