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    Plantio de soja no Brasil atinge 20% e se firma como mais rápido da história

    SÃO PAULO (Reuters) - O plantio de soja 2018/19 no Brasil está no ritmo mais acelerado da história, atingindo um quinto da área total prevista e puxado por Mato Grosso e Paraná, justamente os principais produtores da oleaginosa, informou nesta segunda-feira a AgRural.

    Conforme a consultoria, o total de 20 por cento da área semeada até quinta-feira no país, o maior exportador mundial da commodity, superava tanto os 12 por cento de um ano atrás quanto os 10 por cento de média nos últimos cinco anos.

    Com o bom início do plantio, algumas regiões devem ter colheita já no final de dezembro, trazendo algum alívio para o mercado após exportações recordes do país que reduziram os estoques a volumes mínimos neste ano.

    Até então, o plantio mais rápido para esta época do ano havia se dado no ciclo 2016/17, quando os trabalhos alcançavam 18 por da área.

    'A aceleração dos trabalhos em Mato Grosso e o bom ritmo mantido no Paraná garantiram que o plantio da safra 2018/19 de soja saltasse dez pontos percentuais em uma semana', frisou a AgRural em boletim semanal.

    Segundo a consultoria, pancadas esparsas de chuva têm garantido umidade adequada para o plantio em Mato Grosso, onde 34 por cento da área já estava semeada até quinta-feira, contra 14 por cento na semana anterior, 18 por cento há um ano e 14 na média.

    Com efeito, nos últimos sete dias as precipitações ficaram acima do normal em todas as regiões mato-grossenses, segundo o Agriculture Weather Dashboard, do Refinitiv Eikon. Os dados mostram ainda que a parte sul do Estado terá chuvas acima ou na média histórica até o final do mês, enquanto o norte receberá menos chuva do que o normal.

    Mais cedo nesta segunda-feira, o Imea já havia destacado um plantio acelerado em Mato Grosso.

    No Paraná, o bom avanço do plantio no norte compensou parcialmente a lentidão causada pelas chuvas frequentes no oeste, disse a AgRural. Até quinta-feira, 40 por cento da área de soja do Estado da região Sul estava semeada, ante 30 por cento há um ano e 29 por cento na média de cinco anos.

    A consultoria relatou ainda avanço no plantio em Mato Grosso do Sul (26 por cento), Goiás (13 por cento), São Paulo (30 por cento) e Rio Grande do Sul (0,8 por cento).

    MILHO

    O plantio de milho de primeira safra no centro-sul do Brasil avançou seis pontos em uma semana e foi a 44 por cento da área até quinta-feira, frente 37 por cento há um ano e 38 por cento na média.

    'Santa Catarina continua na liderança, com 91 por cento de sua área já plantada. Em seguida vêm Rio Grande do Sul e Paraná, com 84 por cento cada, e São Paulo, com 21 por cento', afirmou a AgRural, acrescentando que em Minas Gerais e Goiás o plantio só começa no fim de outubro ou início de novembro, dependendo da região.

    (Por José Roberto Gomes)

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    Conservadora na previsão de soja do Brasil, Conab vê salto na safra de milho

    Por José Roberto Gomes e Jake Spring

    SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A safra de soja 2018/19 do Brasil, em fase de plantio, deve se manter estável ou mesmo cair ante o ciclo anterior, com rendimentos menores atenuando o aumento de área, afirmou nesta quinta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Se foi conservadora na previsão de safra de soja, na comparação com as expectativas do mercado, a Conab apontou salto de mais de 10 por cento na colheita de milho, o que pode garantir uma produção recorde de grãos e oleaginosas no atual ciclo.

    Em seu primeiro levantamento para a safra vigente, a Conab estimou uma colheita de soja entre 117,04 milhões e 119,42 milhões de toneladas, ante históricos 119,28 milhões em 2017/18.

    Em recente pesquisa da Reuters, analistas e consultorias apostaram em uma safra maior, próxima a 120,40 milhões de toneladas, no Brasil, o maior exportador global da commodity.

    A quantidade apontada pela Conab também fica aquém dos 120,5 milhões de toneladas reafirmados nesta quinta-feira pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) em seu relatório mensal de oferta e demanda. [nL2N1WR0RX]

    Conforme a Conab, a estimativa menos otimista que a do mercado leva em conta uma possível queda na produtividade, para 3,30 toneladas por hectare (-2,7 por cento), apesar de a área poder crescer para um recorde entre 35,44 milhões e 36,17 milhões de hectares, de 35,15 milhões em 2017/18.

    'A área projetada de soja está em linha com as nossas expectativas e sugere que, se as condições climáticas permitirem, podemos ter uma safra 2018/19 recorde no Brasil, com produção acima dos 122 milhões de toneladas', avaliou o analista sênior de agronegócios do Itaú BBA, Guilherme Bellotti.

    A soja é a principal cultura agrícola do Brasil e item de grande peso na pauta de exportação do país. Segundo a Conab, a expansão no plantio reflete os ganhos obtidos pelos sojicultores neste ano marcado por grande apetite chinês e alta do dólar.

    'A soja, pela sua demanda, é um produto com forte liquidez e a despeito das expectativas da grande safra norte-americana, os preços ainda estão em patamares considerados remuneradores pelos produtores', afirmou a estatal em relatório.

    'O ambiente que antecede as eleições, combinado com a volatilidade do dólar, tem proporcionado um quadro de suporte dos preços no âmbito interno, reforçando a aposta dos produtores no incremento de área para a oleaginosa', acrescentou a Conab.

    Atualmente, a referência do Cepea, da Esalq/USP, para a saca de soja está perto de 90 reais, contra 70 reais há um ano. Em contrapartida, os preços da commodity na Bolsa de Chicago trabalham no terreno de 8 dólares por bushel, perto do menor nível em uma década, em razão da disputa entre Estados Unidos e China.

    SAFRA RECORDE

    Embora as perspectivas da Conab para a safra de soja vigente sejam mais tímidas, a tendência é de que produção total de grãos e oleaginosas do Brasil cresça ante 2017/18, podendo atingir um recorde, graças ao milho, cultura que no último ano foi prejudicada por uma área plantada menor e condições climáticas adversas.

    A produção total de milho do Brasil em 2018/19 deve atingir algo entre 89,73 milhões e 91,08 milhões de toneladas, contra 80,78 milhões de toneladas em 2017/18, oferta esta que permitiria ao país exportar um volume recorde do cereal.

    Do total previsto, entre 26 milhões e 27,35 milhões de toneladas devem ser de milho primeira safra, em plantio, e 63,73 milhões, de segunda. Os números ainda podem variar sensivelmente, uma vez que a chamada 'safrinha' só é plantada após a colheita de soja.

    A área plantada com o cereal deve variar de 16,60 milhões a 16,82 milhões de hectares --de 16,63 milhões em 2017/18-- sendo de 5,05 milhões a 5,27 milhões de hectares na safra de verão.

    Dessa forma, graças ao milho, a Conab prevê uma produção total de grãos e oleaginosas em 2018/19 entre 233,55 milhões e 238,64 milhões de toneladas, versus 227,81 milhões de toneladas no ano anterior. Caso o limite superior das estimativas se concretize, ultrapassaria o volume histórico de cerca de 237 milhões de toneladas visto em 2016/17.

    'Se nós tivermos um clima ideal... Nós poderemos ter a maior safra brasileira de grãos', destacou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em coletiva de imprensa em Brasília.

    Segundo o órgão do governo, a área plantada total neste ano deve variar de 61,87 milhões a 63,14 milhões de hectares, contra 61,73 milhões em 2017/18.

    (Por José Roberto Gomes, em São Paulo, e Jake Spring, em Brasília; com reportagem adicional de Roberto Samora)

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    Puxada por milho, safra de grãos 2018/19 do Brasil tem potencial de recorde, diz Conab

    Por José Roberto Gomes e Jake Spring

    SÃO PAULO/BRASÍLIA (Reuters) - A safra de soja 2018/19 do Brasil deve se manter estável ou mesmo cair ante o ciclo anterior, mas ainda assim o país tem potencial para colher um volume recorde de grãos e oleaginosas na atual temporada graças à recuperação das lavouras de milho, afirmou nesta quinta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Em seu primeiro levantamento para a safra vigente, o órgão estimou uma colheita de soja entre 117,04 milhões e 119,42 milhões de toneladas, ante 119,28 milhões de toneladas em 2017/18.

    Em recente pesquisa da Reuters, analistas e consultorias apostaram em uma safra próxima a 120,40 milhões de toneladas no Brasil, o maior exportador global da commodity.

    Conforme a Conab, a estimativa conservadora leva em conta uma potencial produtividade menor, na casa de 3,30 toneladas por hectare (-2,7 por cento), apesar de a área poder crescer para um recorde de 36,17 milhões de hectares, de 35,14 milhões em 2017/18.

    A soja é a principal cultura agrícola do Brasil e item de grande peso na pauta de exportação do país.

    Embora as perspectivas da Conab para a safra vigente da oleaginosa sejam tímidas, a tendência é de que produção total de grãos e oleaginosas cresça ante 2017/18 graças ao milho, cultura que no último ano foi prejudicada por uma área plantada menor e condições climáticas adversas.

    A produção total de milho do Brasil em 2018/19 deve atingir algo entre 89,73 milhões e 91,08 milhões de toneladas, contra 80,78 milhões de toneladas em 2017/18. A maior oferta, inclusive, deve permitir ao país exportar um recorde do grão nesta temporada.

    Dessa forma, a Conab prevê uma produção total de grãos e oleaginosas em 2018/19 entre 233,55 milhões e 238,64 milhões de toneladas, versus 227,81 milhões de toneladas no ano anterior. Caso o limite superior das estimativas se concretize, ultrapassaria o volume histórico de cerca de 237 milhões de toneladas visto em 2016/17.

    'Se nós tivermos um clima ideal... Nós poderemos ter a maior safra brasileira de grãos', destacou o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em coletiva de imprensa em Brasília.

    Segundo o órgão do governo, a área plantada total neste ano deve variar de 61,87 milhões a 63,14 milhões de hectares, contra 61,73 milhões em 2017/18.

    (Por José Roberto Gomes, em São Paulo, e Jake Spring, em Brasília)

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    Indústria vê queda na produção de ração no Brasil no 1º semestre e perspectiva negativa

    Por Roberto Samora

    SÃO PAULO (Reuters) - A produção de rações e sal mineral do Brasil provavelmente fechou o primeiro semestre em queda, e as perspectivas para o ano, que inicialmente eram de um crescimento de até 3 por cento, agora são mais turvas, avaliou um representante da indústria em entrevista à Reuters.

    A redução nas expectativas de produção e exportação de carnes pelo Brasil, em meio a uma economia fragilizada e diante de alguns embargos internacionais --como o imposto pela União Europeia ao frango--, tem tido consequência direta no total produzido de ração.

    Enfrentando custos mais altos com matérias-primas como milho e farelo de soja, a indústria de carnes não tem conseguido repassá-los aos seus preços. Além disso, o setor ainda sofre os impactos da paralisação dos caminhoneiros em maio.

    'Toda a expectativa, lamentavelmente, não se deu. No primeiro semestre, a sensação é de recuo na produção de ração', disse o vice-presidente-executivo do Sindirações, Ariovaldo Zani, observando que não poderia adiantar os números dos primeiros seis meses, pois eles não estão fechados.

    A produção de ração do Brasil somou um recorde de cerca 68,6 milhões de toneladas no ano passado, segundo o Sindirações, entidade que representa a indústria, enquanto o volume produzido de sal mineral atingiu 2,8 milhões de toneladas.

    Em abril, após o embargo à carne de frango do Brasil pela UE, Zani ainda tinha uma visão de que poderia haver algum crescimento na produção, ainda que menor do que o previsto inicialmente. Mas o cenário agora está pior.

    'Colocando uma pequena dose de otimismo, quem sabe a gente empata (a produção de ração com 2017). Se empatar, vamos celebrar', disse ele, contabilizando nesta conta a produção de ração e a de sal mineral.

    'É possível que haja retrocesso', alertou o dirigente, ponderando que, excluindo o sal mineral, que tem tido um melhor desempenho em 2018, o cenário é mais negativo para a indústria.

    A conjuntura desse setor é um importante indicador para a agricultura, uma vez que 60 por cento ração é feita com milho e pouco mais de 20 por cento do produto é composto por farelo de soja. Uma queda na produção poderia ampliar os estoques de milho, por exemplo.

    Segundo Zani, é possível alguma recuperação no segundo semestre, mas ainda em ritmo insuficiente para um crescimento do setor em 2018, após a indústria de carnes do Brasil, o maior exportador mundial de frango, passar a estimar em agosto uma queda de até 2 por cento em volume de produção e reduzir previsão de aumento da produção de carne suína para apenas 1 por cento.

    Outro fator que tem influenciado negativamente a produção de rações é o custo das matérias-primas. No caso do milho, uma quebra de safra sustentou as cotações, além do câmbio, que tem ajudado também nas cotações do farelo de soja.

    O farelo de soja, por sua vez, tem registrado volumes de exportação recorde, o que ajuda reduzir estoques em momento de demanda menor pela indústria brasileira. O preço da soja subiu diante da demanda histórica da China pelo grão.

    O preço do milho, segundo o indicado Esalq/BM&FBovespa, está cotado em 40,87 reais por saca, alta de cerca de 40 por cento ante o mesmo período do ano passado. Já a soja, matéria-prima do farelo, está oscilando perto dos maiores níveis da história.

    Não bastasse a alta dos custos das matérias-primas, a indústria brasileira está enfrentando despesas adicionais com transporte, após a implementação da tabela de frete rodoviário, criada na esteira da paralisação dos caminhoneiros em maio.

    Os bloqueios nas estradas, aliás, causaram mortandade de animais que impactaram negativamente na demanda de ração neste ano, lembrou Zani.

    (Por Roberto Samora)

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    Placeholder - loading - Imagem da notícia Safra de soja do Brasil 17/18 soma recorde de 119,3 mi t; colheita de milho cai 17%

    Safra de soja do Brasil 17/18 soma recorde de 119,3 mi t; colheita de milho cai 17%

    SÃO PAULO (Reuters) - A safra de soja do Brasil 2017/18 somou um recorde de 119,3 milhões de toneladas, crescimento de 4,6 por cento na comparação com a temporada anterior, estimou nesta terça-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) em seu último levantamento para a temporada.

    Na previsão de agosto, a Conab havia estimado a produção da oleaginosa em 119 milhões de toneladas.

    O aumento na produção de soja do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa, está sendo absorvido pela China, principal importador, que tem buscado mais o produto brasileiro em meio a uma disputa comercial com os Estados Unidos, também grandes produtores.

    Considerando a safra total de grãos e oleaginosas, a produção brasileira em 2017/18 fechou em 228,3 milhões de toneladas, a segunda maior da história do país, atrás apenas da temporada anterior.

    A produção total ficou abaixo da de 2016/17 devido principalmente a uma queda na colheita de milho, atingida por uma severa seca na segunda safra.

    A produção total milho foi estimada em 81,3 milhões de toneladas, ante 82,2 milhões de toneladas na previsão de agosto. O volume total ficou 16,8 por cento abaixo do recorde da safra 2016/17, quando o país colheu 97,8 milhões de toneladas.

    A Conab apontou que uma redução na área cultivada aliada ao forte estresse hídrico resultaram em perdas de produtividade. Dessa forma, a segunda safra do cereal, a maior do país, foi projetada em 54,5 milhões de toneladas, 19,1 por cento inferior à anterior.

    Os estoques finais de milho, contudo, seguirão em patamares elevados, uma vez que o Brasil deve exportar menos milho, diante de custos adicionais com o tabelamento do frete.

    A Conab agora projeta exportações de 25,5 milhões de toneladas, ante 27 milhões na projeção de agosto e 30,8 milhões na temporada passada. Já os estoques finais foram vistos pela estatal em 13,86 milhões de toneladas, versus 13 milhões no mês passado.

    A safra de trigo do Brasil em 2018, apenas iniciada no maior produtor nacional, o Paraná, foi projetada em 5,24 milhões de toneladas, ante 5,14 milhões na previsão de agosto.

    Já safra de algodão do Brasil em 17/18 foi estimada em recorde de 2 milhões de toneladas (pluma), ante 1,98 milhão na previsão de agosto e 1,5 milhão não temporada passada, conforme havia antecipado a associação de produtores.

    (Por Roberto Samora)

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    Estoque de soja do Brasil tem mínima histórica com exportações recordes

    Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira

    SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil deverá fechar a temporada 2017/18 com exportações recordes de soja, impulsionadas pela demanda da China, o que reduzirá os estoques finais da oleaginosa do país para o menor volume da história, previu a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira.

    A Conab ainda reduziu a previsão de consumo de soja no país e destacou que o Brasil, maior exportador global da oleaginosa, pode ter de importar volumes adicionais do produto para suprir a demanda interna.

    Os estoques finais de soja do Brasil em 2017/18 foram estimados em 434 mil toneladas, ante estimativa em agosto de 638 mil toneladas. O volume estimado agora é menor que a mínima anterior verificada na safra 2011/12 (448 mil toneladas), disse a Conab à Reuters.

    A redução nos estoques foi feita apesar de um aumento na expectativa de produção de soja para um recorde de 119,3 milhões de toneladas, na colheita já encerrada, e com expectativa de exportações históricas de 76 milhões de toneladas, cerca de 8 milhões acima da temporada passada.

    O aumento da safra, no entanto, mostra-se incapaz de acompanhar o apetite da China, após o maior importador global voltar-se para o Brasil depois de aplicar uma tarifa retaliatória de 25 por cento para compras do produto dos Estados Unidos em meados deste ano.

    A Conab destacou que somente em agosto as exportações de soja do Brasil cresceram mais de 40 por cento, 'devido à guerra comercial entre China e Estados Unidos'.

    'As altas exportações brasileiras de grãos, incentivadas pelo dólar e prêmios de portos elevados, mas principalmente pela guerra comercial entre China e Estados Unidos, reduziram a estimativa brasileira de esmagamento', afirmou a Conab.

    'Mesmo com preços de farelo e óleo de soja no mercado internacional em alta, o Brasil deve continuar a exportar soja em grão, como forma de suprir o consumo dos chineses. Todavia, há uma chance remota do país começar a importar soja para suprir a demanda interna', acrescentou a agência brasileira.

    A Conab manteve a previsão de importação de 400 mil toneladas de soja para 2017/18 --a expectativa supera em 100 mil toneladas o total importado na temporada passada. O Brasil costuma importar volumes de seus vizinhos, especialmente do Paraguai.

    O consumo de soja do Brasil foi estimado em 45,5 milhões de toneladas, ante 47 milhões de toneladas na previsão de agosto --a maior parte desse consumo se refere a processamento de soja, e o restante diz respeito ao uso do grão como semente.

    Na temporada passada, o consumo de soja havia somado 45,6 milhões de toneladas, segundo a Conab.

    O economista da associação da indústria de soja, a Abiove, Daniel Amaral, afirmou que os números da Conab estão alinhados com os da entidade. A associação estima o processamento em 43,6 milhões de toneladas, enquanto o uso para sementes em 3,2 milhões de toneladas.

    Ele ressaltou que os volumes de importação previstos pela Abiove também são 'residuais', assim como aponta a Conab, e disse acreditar que o Brasil será capaz de atender toda a demanda interna --com as compras externas se mantendo baixas-- para a produção de farelo de soja para a indústria de ração e óleo para cozinha e utilizado também na indústria de biodiesel.

    (Por Roberto Samora e Marcelo Teixeira)

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    Nova tabela de fretes impacta setor de grãos em mais R$3,4 bi, avalia Anec

    Por José Roberto Gomes

    SÃO PAULO (Reuters) - A nova tabela de fretes para transporte rodoviário, divulgada nesta quarta-feira pela reguladora ANTT, representa um custo adicional de cerca de 3,4 bilhões de reais para o setor de grãos do Brasil, disse o diretor-geral da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes.

    O cálculo leva em conta a área plantada com soja e milho no Brasil e a rota de Rio Verde (GO) até o Porto de Santos (SP), considerada uma das mais tradicionais para o escoamento desses produtos pelo país, um dos maiores exportadores de grãos do mundo.

    Segundo Mendes, antes da imposição de uma tabela, os fretes por tonelada de soja e milho giravam em torno de 170 reais a tonelada.

    Com o tabelamento, aplicado pelo governo na esteira da greve dos caminhoneiros, o custo do frete subiu para 225 reais e agora passou para em torno de 236 reais, levando-se em consideração o reajuste médio de 5 por cento previsto nos novos valores.

    'É um passivo que as empresas nem sabem como fazer. Dentre os compromissos que tem, principalmente com soja, com o comércio internacional. Tem a China, que está comprando mais do Brasil por causa da disputa com os Estados Unidos. O Brasil não tem como deixar de fornecer', afirmou Mendes.

    'Se antes a tabela já era super pesada, impossível de se imaginar, agora fica pior ainda... A tabela anterior, ou qualquer tabela, para o setor, onde as margens são extremamente estreitas, qualquer coisa que você insere aí não tem como repassar. Você tem de deglutir esse custo adicional.'

    Conforme o diretor da Anec, 'nos últimos quatro anos, a margem líquida das exportadoras de grãos foi de cerca de 1 por cento', afirmou.

    Mendes acrescentou que, por ora, tanto produtores quanto exportadores não estão deixando de fechar negócios, na expectativa de uma reversão dessa situação, mas comentou que 'apenas o governo tem cacife' para alterar isso.

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    Justiça cassa liminar que suspendia glifosato, aliviando receios sobre nova safra

    Por Ricardo Brito

    BRASÍLIA (Reuters) - O Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) derrubou nesta segunda-feira liminar do início do mês passado, da Justiça Federal de Brasília, que determinava a suspensão de registros de produtos à base de glifosato e outros dois agroquímicos, abamectina e tiram.

    Caso a decisão não fosse cassada, os registros dos produtos que utilizam essas substâncias seriam suspensos a partir desta segunda-feira, trazendo problemas para agricultores. O glifosato, por exemplo, é um herbicida usado em larga escala no Brasil, onde a soja e o milho transgênicos resistentes ao agroquímico são dominantes nas lavouras.

    A decisão de primeira instância da Justiça Federal, do dia 3 de agosto, havia determinado que a União suspendesse, no prazo de 30 dias, o registro de tais produtos até a conclusão pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de procedimentos de avaliação toxicológica.

    Em sua decisão, o presidente em exercício do TRF-1, desembargador Kássio Marques, acatou recurso da Advocacia-Geral da União por entender que está caracterizada a 'grave lesão à ordem pública' na suspensão do uso dos produtos.

    'Nada justifica a suspensão dos registros dos produtos que contenham como ingredientes ativos abamectina, glifosato e tiram de maneira tão abrupta, sem a análise dos graves impactos que tal medida trará à economia do país e à população em geral...', disse o desembargador.

    Ele lembrou na decisão que tais produtos questionados 'já foram aprovados por todos os órgãos públicos competentes para tanto, com base em estudos que comprovaram não oferecerem eles riscos para a saúde humana e para o meio ambiente'.

    No recurso ao TRF-1, a AGU tinha defendido a revogação imediata da proibição e destacado que o impedimento, se mantido, geraria 'grave risco de lesão à ordem econômica'.

    REPERCUSSÃO

    O glifosato é um herbicida utilizado em importantes lavouras brasileiras, especialmente na soja, o principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

    A decisão judicial veio em momento em que produtores se preparam para o plantio da nova safra, a qual deve ser recorde, podendo superar os 120 milhões de toneladas, segundo algumas consultorias.

    O ministro da Agricultura, Blairo Maggi, comemorou a decisão em sua conta no Twitter.

    'Agora sim, a boa notícia!! Enfim, o TRF-1 suspendeu a liminar que proibia o uso do glifosato!', afirmou Maggi.

    No fim do mês passado, ele, que também é um importante empresário do setor agrícola, havia dito equivocadamente que a liminar fora derrubada.

    Para o gerente de Economia da Abiove, associação que representa a indústria de oleaginosas, Daniel Furlan Amaral, a sentença do desembargador Kássio Marques foi 'bastante ponderada' e ocorreu a tempo de os produtores se prepararem para o plantio.

    'O setor agora tem condição de se preparar adequadamente, para que o produto seja repensado ou validando que ele não oferece riscos à saúde. O importante é que essa decisão garante que o glifosato continue sendo usado e que novas discussões sejam feitas de maneira adequada, sem suspensões abruptas', afirmou.

    A gigante Bayer, que recentemente adquiriu a norte-americana Monsanto, que comercializa transgênicos resistentes ao glifosato, também comemorou a decisão.

    'Isso é realmente uma boa notícia para os produtores brasileiros, que usam herbicidas à base de glifosato para controlar ervas daninhas e ajudar suas lavouras a crescer de modo seguro e efetivo', afirmou em nota Liam Condon, integrante do Conselho da Bayer e presidente da Divisão de Crop Science.

    'O glifosato ajuda os produtores a cultivarem suas safras com menor impacto no solo e reduzida emissão de carbono.'

    A indústria de agroquímicos tem afirmado que décadas de uso do glifosato e avaliações de órgãos oficiais comprovam que o herbicida é seguro.

    A liminar contra o glifosato no Brasil surgiu na mesma época em que a Monsanto foi condenada a pagar uma indenização milionária a um jardineiro que trabalhava com o produto nos Estados Unidos.

    Já o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, ponderou que a derrubada da liminar 'não é garantia' e que outras 'decisões absurdas' podem ser tomadas.

    Logo após a suspensão dos registros dos produtos, Carvalho havia dito que a Justiça estava 'brincando com o que não conhece'.

    (Por Ricardo Brito, em Brasília; reportagem adicional de José Roberto Gomes, em São Paulo)

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    TRF-1 derruba liminar que suspendia registro de glifosato e outros agroquímicos

    BRASÍLIA (Reuters) - O Tribunal Regional Federal da Primeira Região (TRF-1) derrubou liminar do início do mês passado, da Justiça Federal de Brasília, que havia suspendido o uso de produtos à base de glifosato e de outros agroquímicos, de acordo com decisão obtida pela Reuters nesta segunda-feira.

    O presidente em exercício do TRF-1, desembargador Kássio Marques, acatou recurso da Advocacia-Geral da União por entender que está caracterizada a 'grave lesão à ordem pública' na suspensão do uso do produto.

    'Nada justifica a suspensão dos registros dos produtos que contenham como ingredientes ativos abamectina, glifosato e tiram de maneira tão abrupta, sem a análise dos graves impactos que tal medida trará à economia do país e à população em geral...', disse o desembargador.

    Ele lembrou na decisão que tais produtos questionados 'já foram aprovados por todos os órgãos públicos competentes para tanto, com base em estudos que comprovaram não oferecerem eles riscos para a saúde humana e para o meio ambiente'.

    No recurso ao TRF-1, a AGU tinha defendido a revogação imediata da proibição e destaca que o impedimento, se mantido, gera “grave risco de lesão à ordem econômica”.

    O glifosato é um herbicida utilizado em importantes lavouras brasileiras, especialmente na soja, o principal produto de exportação do Brasil, o maior exportador global da oleaginosa.

    A decisão judicial veio em momento em que produtores se preparam para o plantio da nova safra.

    (Por Ricardo Brito)

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    ESPECIAL-Demanda global por alimentos devora o Cerrado brasileiro

    Por Jake Spring

    CAMPOS LINDOS, Tocantins (Reuters) - Quando o fazendeiro Julimar Pansera adquiriu terras no interior do Brasil sete anos atrás, elas tinham árvores frutíferas, arbustos retorcidos e algumas palmeiras, destoando da típica vegetação rasteira do Cerrado.

    Ele desmatou a maior parte da mata nativa, botou fogo no terreno e depois disso iniciou o cultivo de soja. Na última década, Pansera e outros na região já desmataram uma área maior que a Coreia do Sul.

    Políticas permissivas de uso da terra e seu preço relativamente baixo ajudaram a catapultar o Brasil ao nível de potência agrícola, o maior exportador de soja, carne bovina e frango do mundo. O potencial do Cerrado também ofuscou o interesse de agricultores e pecuaristas pela região amazônica, cujo aumento do desmatamento provocou um clamor mundial por sua preservação.

    A contrapartida para a desaceleração da destruição da renomada floresta tropical, que já atingia os piores níveis da história, foi, segundo ambientalistas, colocar em risco outra zona ecológica vital: o Cerrado, uma vasta savana que abriga 5 por cento das espécies do planeta.

    O habitat perdeu mais de 105 mil quilômetros quadrados de mata nativa desde 2008, de acordo com dados do governo. O número representa 50 por cento a mais que o desmatamento visto no mesmo período na Amazônia, um bioma pelo menos três vezes maior. Considerando o tamanho relativo, o Cerrado desaparece quase quatro vezes mais rápido que a floresta amazônica.

    O Cerrado, a maior savana da América do Sul, é um reservatório vital de dióxido de carbono, o gás do efeito estufa cujo aumento de emissões causadas pela queima de combustíveis fósseis e pelo desmatamento contribui para o aquecimento da atmosfera terrestre.

    Autoridades brasileiras citaram a proteção da vegetação nativa como uma medida crítica para o cumprimento das obrigações do Acordo de Mudanças Climáticas de Paris. Mas cientistas alertam que o bioma atingiu um ponto de inflexão que pode dificultar os esforços do governo e piorar o aquecimento global.

    Ao focar na resolução de um problema, o Brasil acabou criando outro, diz Ane Alencar, diretora científica do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia, o IPAM.

    'Tem um risco climático alto para essa expansão', disse Ane.

    'Esse processo do limitar, de chamar atenção para o desmatamento na Amazônia, fez a indústria do agronegócio se sentir forçada a expandir para o Cerrado.'

    O peso já pode ser sentido nos recursos hídricos da região. Rios e nascentes estão se enchendo de sedimentos e secando, conforme a vegetação em torno deles desaparece.

    Isso por sua vez acaba enfraquecendo as cabeceiras de rios vitais que correm para o resto do país, dizem cientistas. Entre aqueles em perigo está o São Francisco, o mais longo do Brasil fora da região amazônica, onde os níveis estão atingindo mínimas históricas na temporada da seca.

    'A retirada da vegetação pode levar um corpo hídrico à extinção', disse Liliana Pena Naval, que é professora de engenharia ambiental na Universidade Federal do Tocantins.

    A vida selvagem também está ameaçada, incluindo as raras araras azuis, lobos-guará e onças, que tem o Cerrado como sua casa. Também estão a perigo milhares de espécies de plantas, peixes, insetos e outras criaturas que não são encontradas em nenhum outro local do planeta, muitas das quais estão apenas começando a ser estudadas.

    'Eu comparo muito com o que representou o incêndio da biblioteca de Alexandria da antiguidade', diz Mercedes Bustamante, ecologista da Universidade de Brasília. 'Toda vez que você queima e destrói o Cerrado você está perdendo um acumulo de informação evolutiva de milhares de anos que não vai poder ser mais recuperada.'

    Fazendeiros enxergam o desenvolvimento do Cerrado como crítico para a segurança alimentar global, e para manter a prosperidade do país. O setor agrícola cresceu impressionantes 13 por cento no ano de 2017, enquanto a economia como um todo quase não se mexeu.

    A habilidade para produzir continuadamente novas terras agrícolas de maneira barata deu ao país uma vantagem sobre seus principais rivais, e consolidou seu status como um fornecedor vital de alimentos para o mundo.

    'Você imaginou, se não fosse o Brasil, com essa produção que tem, quanto mais fome teria?', disse o produtor Pansera.

    REVOLUÇÃO VERDE

    Do tamanho aproximado do México, cortando o meio-oeste brasileiro a partir da fronteira com o Paraguai e se esticando em direção ao litoral do Nordeste, o Cerrado já viu praticamente a metade de suas matas nativas serem convertidas em fazendas, pastos e áreas urbanas nos últimos 50 anos.

    O desmatamento na região entrou em desaceleração desde os anos 2000, quando o boom da soja no Brasil ganhava embalo. Ainda assim, fazendeiros continuam a abrir novas áreas do bioma para cultivos, impulsionados em grande parte pela demanda chinesa por grãos e carnes brasileiros.

    O gigante asiático é o principal comprador de soja do Brasil para a engorda de sua produção de suínos e frangos. A China também é uma grande compradora de carne de porco, bovina e de aves para satisfazer as exigências de um mercado consumidor cada vez mais crescente.

    O aumento das tensões comerciais entre a China e os Estados Unidos apenas aprofundou essa conexão. As exportações de soja do Brasil para a China subiram 18 por cento em valor nos primeiros sete meses do ano, enquanto compradores chineses cancelaram dezenas de milhões de dólares em contratos com fornecedores norte-americanos.

    A tendência é um bom presságio para os produtores na região de fronteira agrícola do Matopiba, nome que inclui as abreviações dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, onde a terra é relativamente barata.

    Terras intocadas podem ser adquiridas na região por um preço de 248 dólares por acre em média, de acordo com a consultoria de agronegócio Informa Economics IEG FNP, em comparação com a média de 3.080 dólares por acre de terra já desmatada nos Estados Unidos. O plantio de soja no Matopiba mais que dobrou na última década.

    Pansera, de 50 anos, é parte de uma onda de empreendedores do Sul do Brasil que estão redesenhando a região. Sua educação formal parou no ensino fundamental, mas ele encontrou terra o bastante para atender suas grandes ambições.

    Ele agora comanda cerca de 49 quilômetros quadrados de campos de soja cultivados e têm cerca de 20 funcionários fixos em sua folha de pagamento.

    A soja de Pansera trará um lucro estimado de cerca de 5 milhões de reais neste ano, valor que será em grande parte reinvestido na fazenda.

    Políticas governamentais impulsionaram intencionalmente a agricultura em escala industrial na região. Com escassez de terras para alimentar sua população crescente nos anos 1970, o Brasil focou em sua vasta savana, uma região batizada pelos primeiros exploradores como 'Cerrado', ou 'fechado', por causa de sua vegetação entrelaçada.

    Pesquisadores estatais da área agrícola desenvolveram fertilizantes e outros insumos para aprimorar o solo ácido e pobre em nutrientes e criaram variedades de soja que prosperavam nos trópicos.

    Assim, a oferta de terra arável explodiu. Em uma década, o Brasil passou de importador de alimentos para exportador líquido chegando à década de 1990 com um peso importante nos mercados internacionais de commodities.

    'Agricultura no Cerrado para a gente tem isso, fez com que o Brasil mudasse de patamar', afirmou o ministro Blairo Maggi à Reuters.

    Chamado por um tempo de 'Rei da Soja', Maggi é um bilionário cuja família comanda uma das maiores operações privadas de soja no mundo, a maior parte dela no Cerrado.

    O ministro diz que os produtores respeitam os limites permitidos legalmente no desmatamento. A ocupação 'racional' do Cerrado ajudou a economia do Brasil, afirma ele.

    Fazendeiros emergiram como uma poderosa força política dedicada a manter o interior do país aberto para negócio.

    Parlamentares da chamada 'bancada ruralista', que compõe mais de 40 por cento do Congresso brasileiro, lideraram nos últimos anos uma reversão nas leis ambientais do país.

    Entre os esforços esteve o abrandamento do Código Florestal de 2012, que estabeleceu os requisitos de preservação de vegetação nativa. A mudança reduziu a possibilidade de multas e sanções para fazendeiros, pecuaristas e madeireiros acusados de desmatamentos ilegais no passado, e facilitou que proprietários de terras pudessem desmatar mais de suas propriedades.

    O desmatamento anual na Amazônia no ano passado apresentou alta de 52 por cento ante uma mínima histórica de 2012.

    Ainda assim, as proteções ambientais na Amazônia permanecem sendo as mais robustas do Brasil. Fazendeiros da região devem, por lei, preservar 80 por cento de mata nativa em suas terras.

    Compradores mundiais de grãos em 2006 também concordaram em parar de comprar soja colhida de novos territórios desmatados nas áreas do bioma amazônico. Como parte de suas obrigações sob o Acordo de Paris, o governo prometeu eliminar o desmatamento ilegal na Amazônia até 2030.

    O Brasil não teve a mesma iniciativa para preservar o Cerrado, que há muito é visto como um recurso a ser desenvolvido.

    É exigido que produtores do Cerrado preservem 20 por cento de mata nativa, chegando a 35 por cento em áreas próximas à Amazônia.

    Os que não maximizarem o uso de suas extensões correm o risco de terem suas terras declaradas ociosas e sujeitas à redistribuição sob o programa de reforma agrária lançado em 1980, iniciativa destinada a assistir as populações rurais de baixa renda, afirma Evilson Nunes Ramos, coordenador de sustentabilidade do Ministério da Agricultura.

    'A ideia que passa para o produtor é que ele não deveria ter preservado, que ele deveria ter desmatado', diz Ramos sobre a diretriz.

    Um porta-voz do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária, o Incra, que verifica o uso das terras rurais, diz que o trabalho da agência é garantir 'o cumprimento da função social da propriedade'.

    ÁGUA E VIDA SELVAGEM AMEAÇADAS

    Ambientalistas dizem que as planícies cobertas de mata do Cerrado não capturam a atenção do público da mesma maneira que a exuberante floresta amazônica o faz.

    As pessoas veem o Cerrado 'como só um mato, só uma vegetação torta e arbustiva', lamenta Ane, do IPAM.

    O que muitos não veem, diz, é a conexão entre a carne presente em seus pratos, alimentada pela soja cultivada também aqui, e o declínio de um dos maiores depósitos de carbono do mundo, um baluarte contra o aquecimento global.

    As plantas aqui enviam suas raízes para o fundo da terra, para sobreviver às secas sazonais e incêndios florestais, criando uma vasta rede subterrânea que alguns classificam como uma floresta de cabeça para baixo.

    A destruição da vegetação da superfície e a consequente morte da vida abaixo da terra liberaram 248 milhões de toneladas de gases de efeito estufa para a atmosfera em 2016, de acordo com estimativas do Observatório do Clima, um grupo ambientalista brasileiro. Isso corresponde a duas vezes e meia a quantidade anual de gases emitidos por todos os carros no país.

    As bacias hidrográficas também estão sentindo o efeito.

    Em Palmeirante, uma municipalidade rural no Estado do Tocantins, Ronivon Matias de Andrade, que cultiva apenas para sua subsistência, culpa os mega produtores por danificarem uma fonte de água da comunidade.

    Vestido com bermudas desbotadas e chinelos, ele mostrava a um visitante os restos do que até recentemente era uma mata cheia de sombra: árvores desenraizadas e terra marcada por trilhos formados por maquinário pesado.

    Despida de sua vegetação, o solo arenoso da superfície está invadindo um riacho e adentrando um poço de água doce que abastecia a sua e outras famílias de região. Ele encheu uma mão com a água escura e suja para mostrar.

    'Quantos estão acabando desta maneira só neste Estado aqui?', disse Andrade, de 43 anos.

    Ambientalistas dizem que riachos desaparecendo como em Palmeirante ameaçam o abastecimento do país. Nascentes aparentemente insignificantes --pequenos córregos, riachos sem nome-- são vitais para afluentes que alimentam alguns dos maiores rios brasileiros.

    De doze dos maiores sistemas hídricos do país, oito nascem no Cerrado. Eles incluem o São Francisco, o quarto maior rio do país, uma vez famoso pela navegação de barcos com rodas de pás, conhecidos como gaiolas.

    Ambientalistas dizem que desvios artificiais, incluindo represas agrícolas e hidrelétricas, ajudaram a alterar os níveis de água a tal ponto que grandes partes do rio são agora inavegáveis durante a temporada de seca.

    A perda de vegetação nativa também está alterando o microclima da região, dizem ambientalistas. A vegetação reduzida leva a maiores temperaturas terrestres e à perda de umidade, uma receita perfeita para a diminuição da chuva em consequência.

    Um estudo conduzido pela Universidade de Brasília associa o desmatamento a uma queda de 8,4 por cento nas precipitações entre 1977 e 2010 no Cerrado.

    A vida selvagem do Cerrado também é pressionada enquanto seu habitat encolhe. Mais de 300 espécies que vivem nele são consideradas ameaçadas de extinção, de acordo com o governo.

    Entre elas há 44 tipos de 'peixes anuais' exclusivos ao Cerrado, cujas vidas curtas se iniciam com as chuvas da primavera e terminam com o calor do verão. Cientistas suspeitam que a predominância das estações de seca poderiam estar interrompendo seus delicados ciclos de reprodução.

    Outras criaturas, incluindo as emas, entrarão em breve na lista de espécies ameaçadas se nada for feito para reverter este quadro, diz Ricardo Machado, um professor de zoologia na Universidade de Brasília.

    Ele diz que os números de pássaros despencaram devido à perda de mata nativa necessária para o acasalamento e o aninhamento das espécies.

    Machado teme que plantas únicas do Cerrado, insetos e outros animais possam desaparecer antes que cientistas tenham a oportunidade de sequer identificá-los, quanto mais estudá-los.

    'É um universo a ser descoberto', diz Machado. 'Toda atenção é voltada à Amazônia, ninguém fala pelo Cerrado.'

    RÉDEAS NO 'BOOM' DA SOJA

    Mas isso está começando a mudar.

    Dezenas de grupos, incluindo o Greenpeace, a World Wildlife Foundation (WWF) e o grupo de pesquisas brasileiro IPAM começaram a promover a proteção do bioma para grandes multinacionais.

    Em um documento chamado de Cerrado Manifesto, eles pediram ações imediatas para impedir o desmatamento na região.

    Mais de 60 empresas, incluindo McDonalds, Unilever e Walmart, já assinaram o documento até agora. As companhias concordaram em apoiar medidas que eliminariam a perda de vegetação nativa no Cerrado de suas cadeias produtivas.

    Mas, em contraste com a moratória de soja da Amazônia de 2006, o Cerrado Manifesto não exigiu o comprometimento de seus signatários na suspensão das compras de produtos agrícolas egressos de áreas recentemente desmatadas.

    O Walmart e a Unilever dizem estar comprometidos a atingirem zero de desmatamento líquido em suas cadeias produtivas até 2020, o que significa que qualquer destruição em uma região seria compensada por reflorestamento de mata similar em algum outro lugar.

    O Walmart diz que todos os seus fornecedores de carne bovina no Cerrado são monitorados para garantir que não contribuam com o desmatamento na região. O McDonalds não respondeu ao questionamento.

    Separadamente, Louis Dreyfus Company, com sede na Holanda, tornou-se em junho a primeira grande trading de commodities a se comprometer a não comprar mais soja de novas terras desmatadas especificamente no Cerrado.

    A companhia não ofereceu nenhum cronograma, mas disse que trabalharia para estabelecer 'uma data limite realista' para eliminar tais produtos de sua cadeia.

    O ex-ministro do Meio-Ambiente brasileiro José Sarney Filho, que recentemente deixou o cargo para concorrer ao Senado, propôs um esforço internacional para compensar proprietários de terras pela preservação de seu habitat natural.

    Ele levantou a questão na última Conferência do Clima na Alemanha, em novembro passado, mas a iniciativa ainda não atraiu grandes apoiadores.

    Enquanto isso, o fazendeiro Pansera enxerga um grande caminho à frente para seu pedaço de terra no Cerrado.

    Supervisionando sua colheita no início do ano, Pansera assistiu a duas colheitadeiras passando por fileiras e fileiras de soja. As máquinas retiravam os grãos, cuspindo-os em caminhões vazios que as acompanhavam para receber o produto.

    Ele diz que não há futuro sem o crescimento, e que a região fronteiriça de Matopiba está apenas começando. O agricultor tem o plano de plantar um total adicional de 180 hectares de soja na próxima safra, em terras recentemente limpas de mata nativa.

    'As áreas que têm ainda potencial para abrir são grandes', diz Pansera. 'Vai ser um dos grandes polos do Brasil na Agricultura.'

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