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    Ilan prevê ficar no BC até março, e não vê mudanças em relação à política cambial e de reservas

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, previu nesta quarta-feira que deve permanecer no comando da autoridade monetária até março do ano que vem e ressaltou que, mesmo com sua saída, as atuais políticas cambial e de gestão de reservas devem seguir adiante.

    Em coletiva de imprensa, ele estimou que a sabatina no Senado de Roberto Campos Neto, indicado ao cargo pelo governo de Jair Bolsonaro (PSL), deverá ocorrer ao longo de fevereiro.

    Ilan, que se reuniu com Campos Neto há poucos dias, explicou que as conversas que tem travado com seu substituto ainda são iniciais e preliminares.

    A jornalistas, ele disse ainda não ter aceitado permanecer na presidência do BC por motivos pessoais e não quis dar mais detalhes a respeito. Ressaltou, contudo, ver com 'bons olhos' o novo governo e as medidas que estão sendo pensadas.

    Questionado sobre a permanência de outros diretores do BC na futura administração, ele afirmou que 'a ideia é a transição ocorrer, a diretoria permanecer, acho que não temos muita insegurança em relação a isso'.

    Segundo Ilan, a política cambial do BC é da instituição e vai continuar sendo.

    'Não prevejo nenhuma mudança em nada, acho que o BC vai continuar tendo o papel que teve', afirmou.

    Sobre as reservas internacionais, Ilan avaliou que ainda não é o momento de discutir o nível ótimo do estoque, com a prioridade sendo avançar com as reformas na economia.

    'Eu sempre disse lá atrás que em algum momento iríamos discutir (reservas internacionais), acho que a gente tem que pensar nas reformas -- reforma fiscal, de produtividade --, acho que essas questões são questões que têm quer ser discutidas antes de a gente começar outro tipo de discussão mais perene', afirmou ele.

    Após o futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, ter afirmado mais cedo neste ano que poderia vender parte das reservas em caso de ataque especulativo, com o dólar se aproximando de 5 reais, Ilan afirmou que não lhe cabia comentar a situação hipotética.

    'O que posso dizer é que a política continua a mesma, o BC continua o mesmo, não vejo grandes mudanças nessa área', destacou.

    AGENDA BC+

    Durante a coletiva, Ilan fez uma avaliação da agenda institucional da autarquia, batizada de BC+, apontando que 19 ações foram concluídas entre 2016 e 2017, outras 22 foram finalizadas este ano e mais 27 seguem em andamento.

    No grupo das medidas que o BC espera ver avançando no ano que vem estão, por exemplo, a coordenação de dados para regulação do 'open banking', que passa para os correntistas o poder de decidir quem pode ter acesso a seus dados bancários, dando abertura para que outras instituições lhes ofereçam serviços como seguros, cartões de crédito e empréstimos.

    Entre as ações futuras, Ilan também citou o incentivo a pagamentos instantâneos e uma Lei de Coordenação da Estabilidade Financeira, que instituirá um comitê para momentos de crise que exijam resposta conjunta de BC, Ministério da Fazenda e Comissão de Valores Mobiliários (CVM), atendendo a uma demanda que o resto do mundo tem feito ao Brasil.

    'Cada instituição vai continuar fazendo o seu, não mudam suas tarefas ... Única coisa é que vai ter um polo onde cada um vai discutir o que está fazendo no meio de momentos em que precisa a conversa. Só isso', explicou.

    Ilan também disse esperar para o início de 2019 uma oferta voluntária pela indústria de cartão de crédito de um produto com prazos menores de pagamento para o lojista.

    'Isso tudo a gente tem avaliado para que seja adotado de forma voluntária pelo sistema e tudo indica que está em fase final ... e será oferecido no começo do ano um novo produto que não vai proibir nada', disse.

    Ele pontuou que o BC não está satisfeito ainda com os juros cobrados no cartão de crédito, embora já tenha ocorrido queda relevante na modalidade.

    Olhando em retrospecto, Ilan disse ter orgulho de todas as medidas adotadas na sua gestão que foram além da política monetária, incluindo aquelas para competição bancária cujos maiores efeitos, na sua opinião, só serão percebidos pela sociedade à frente. Nesse sentido, citou medidas para fomento às fintechs, portabilidade bancária e maior digitalização.

    Segundo o presidente do BC, ainda há espaço para a autoridade monetária seguir simplificando compulsórios e reduzindo alíquotas, processo que seguirá em curso.

    Em outra frente, Ilan disse que o BC acredita no projeto de autonomia da instituição que está tramitando no Congresso e que trabalhará para ajudar na sua aprovação, mas que o debate agora cabe aos parlamentares.

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    Ilan anuncia medida que trava câmbio de compra em moeda estrangeira no cartão de crédito ao dia do gasto

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, anunciou nesta quarta-feira nova norma para que os gastos em moeda estrangeira nos cartões de crédito internacionais tenham seu valor fixado em reais pela taxa de câmbio vigente no dia do gasto.

    A medida, contudo, só entrará em vigor em 1º de março de 2020.

    Em coletiva a jornalistas, Ilan ressaltou que a ideia é aumentar a previsibilidade para o consumidor, que assim saberá o valor em reais que deverá desembolsar pela compra, já que a norma elimina a necessidade de ajuste na fatura subsequente.

    'Acreditamos que o consumidor vai se sentir mais confortável sabendo quanto está gastando', disse Ilan. 'É uma medida que facilita a vida do cidadão', completou.

    Em nota, o BC destacou ainda que a investida 'aumenta a transparência e a comparabilidade na prestação do serviço, padronizando as informações sobre o histórico das taxas de conversão nas faturas e terão que ser divulgadas em formato de dados abertos, de forma que rankings de taxas possam ser estruturados e divulgados'.

    Para a fixação do valor em reais na data do gasto, a fatura terá que apresentar a identificação da moeda, a discriminação de cada gasto na moeda em que foi realizado e o seu valor equivalente em reais. A fatura também precisará incluir data, valor equivalente em dólares e a taxa de conversão do dólar para o real.

    Na circular sobre o assunto publicada nesta quarta-feira, o BC ressalta que o emissor do cartão de crédito deverá obrigatoriamente oferecer ao cliente a sistemática do pagamento da fatura pelo valor equivalente em reais na data de cada gasto.

    Contudo, poderá também ofertar a alternativa de pagamento pelo valor equivalente em reais no dia do pagamento da fatura, 'observado que a adoção dessa sistemática está condicionada ao cliente expressamente optar por aceitá-la'.

    (Por Marcela Ayres)

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    Ilan faz apelo a líderes para aprovação da independência do BC ainda neste ano

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, participou de reunião com lideranças partidárias na presidência da Câmara dos Deputados nesta quarta-feira em que foi discutida a aceleração do projeto que concede independência para a autoridade monetária e temas de prevenção à lavagem de dinheiro.

    Uma das ideias abordadas no encontro foi como fechar um acordo com lideranças partidárias para votar um regime de urgência para o projeto que concede independência ao BC, permitindo que o texto siga diretamente para o Plenário da Câmara na próxima semana, disse uma fonte à Reuters.

    'O apelo do presidente (Ilan) foi para que pudesse avançar esse ano', disse o líder do governo, deputado Aguinaldo Ribeiro, a jornalistas depois da reunião.

    As perspectivas estavam mistas, uma vez que o quórum no Congresso diminui em semanas de feriado, como o da proclamação da República no dia 15, ao mesmo tempo em que o clima entre parlamentares ficou mais positivo depois da eleição de Jair Bolsonaro (PSL), que defende a independência do BC, disse a fonte.

    O líder do governo na Câmara dos Deputados, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), disse que a votação da proposta de autonomia do BC dependerá de todos os líderes e que caberá às lideranças decidirem se esta é uma matéria prioritária para a Câmara, afirmando que não há uma data para a proposta sobre o tema ser votada.

    Na véspera, o futuro ministro da economia de Bolsonaro, Paulo Guedes, defendeu que a aprovação não apenas da independência do BC como também da reforma da Previdência neste ano representariam avanços importantes para a economia e um 'belo encerramento' do governo Michel Temer.

    MAIORIA FAVORÁVEL

    A maioria dos partidos presentes à reunião foi 'favorável' a acelerar a tramitação do projeto de independência do BC, segundo Ribeiro, destacando posição contrária do PT, PSOL e PCdoB -partidos que fazem oposição a Temer e tendem a permanecer no bloco antagônico a Bolsonaro na próxima legislatura.

    Ilan fez um relato sobre os 50 países mais ricos cujos bancos centrais atuam descolados da política, defendendo que o Brasil seguisse a mesma linha. Um dos pontos do projeto é a adoção de mandatos para diretores e presidente do BC.

    'Hoje a gente iniciou esse processo de discussão desse tema, que seria relevante para dar estabilidade à política monetária do país', disse Ribeiro.

    'É um tema que vem sendo discutido na Casa há algum tempo e que foi colocado para os líderes a possibilidade de avançar nessa discussão.'

    A eventual permanência de Ilan à frente do BC não foi discutida na reunião que ocorreu entre ele e os líderes mais cedo, de acordo com Ribeiro.

    (Reportagem adicional de Maria Carolina Marcello)

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    Ilan ainda não foi formalmente convidado a ficar no BC, diz fonte

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, ainda não foi formalmente convidado para permanecer à frente da autoridade monetária no governo de Jair Bolsonaro (PSL), afirmou uma fonte com conhecimento direto do assunto nesta terça-feira.

    A expectativa é que uma conversa ocorra nos próximos dias, conforme a equipe de transição do presidente eleito começa a trabalhar em Brasília. Os primeiros nomes do time da transição foram divulgados na véspera.

    Indicado por Bolsonaro ao comando de um superministério da Economia, o economista Paulo Guedes já afirmou publicamente que a permanência de Ilan seria natural, mas que a possibilidade não estaria ainda definida, pois seria necessário que o atual presidente do BC quisesse e tivesse a 'motivação' para ficar.

    'O Ilan tem uma proposta de Banco Central independente. Qual seria a coisa mais natural do mundo? Eu dar um abraço no Ilan e falar que defendo há 30 anos o Banco Central independente. Ele ia falar assim: 'Paulo, eu tenho um projeto de Banco Central independente'. Eu vou falar: 'Que beleza, Ilan. Então a gente vai junto, aprova o projeto. Você ficou dois anos, você fica mais dois anos'', disse Guedes na semana passada.

    O futuro ministro defende um projeto de independência do BC em que diretores e o presidente da autarquia terão mandatos definidos e não coincidentes com o do presidente da República.

    Sobre a gestão das reservas internacionais, atribuição que hoje compete ao BC, Guedes negou ter planos de vender parte do estoque, a não ser no caso de um 'ataque especulativo' que fizesse o dólar se aproximar de 5 reais, situação em que poderia se desfazer de 100 bilhões de dólares.

    Após as falas, Ilan defendeu no fim de semana o regime de câmbio flutuante e o sistema de metas para inflação como mecanismos de defesa da economia doméstica contra choques externos, também destacando o papel das reservas internacionais e das expectativas de inflação ancoradas para contê-los.

    Nesta terça-feira, Guedes se encontra com o atual ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, para um almoço às 13h no prédio do ministério, em Brasília.

    (Por Marcela Ayres)

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    Guedes admite usar reservas internacionais em caso de dólar em torno de R$5

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O economista Paulo Guedes, indicado pelo presidente eleito Jair Bolsonaro para ser ministro da Fazenda, negou nesta terça-feira que planeje usar as reservas internacionais do país, a não ser no caso de um 'ataque especulativo' que fizesse o dólar se aproximar de 5 reais, situação em que poderia usar 100 bilhões de dólares.

    Questionado sobre o uso das reservas, Guedes explicou que o tema foi abordado durante um 'overshooting' da moeda norte-americana, que chegou a superar o patamar de 4,20 reais antes do primeiro turno da eleição presidencial.

    'O que existe hoje sobre venda de 100 bilhões de dólares é que, se houver uma crise especulativa, não tem problema nenhum e vai acelerar nosso ajuste fiscal. Se o dólar vier para 4,50 ou 5 reais, vamos vender 100 bilhões dentro da política de esterilização', disse o economista a jornalistas ao chegar para encontro do núcleo do futuro governo com o presidente eleito.

    O jornal Valor Econômico publicou nesta terça-feira que Guedes propôs a redução das reservas internacionais durante discussões internas da equipe do governo eleito, alegando que não faz sentido o Brasil manter nível tão elevado de reservas cambiais, principalmente porque o custo de carregamento é muito alto.

    De acordo com os dados mais recentes do Banco Central, o estoque das reservas atual é de 381,7 bilhões de dólares.

    Guedes, no entanto, destacou que a conversa ocorreu há mais de um mês e não se aplica ao momento atual.

    'Isso (vender reservas) não vai se fazer... se houver crise especulativa nós não temos medo e pode vir. Se tiver crise especulativa e botarem o dólar a mais de 4 e perto de 5 reais, vamos reduzir dívida interna. Agora, vender reservas sem crise, para quê?”, acrescentou.

    O futuro ministro da Fazenda disse ainda que o governo de Bolsonaro vai trabalhar para aprovar no Congresso projeto para dar independência ao Banco Central, com diretores e presidente do BC com mandatos definidos e não coincidentes com o período do mandato do presidente da República.

    “Os mandantes são não coincidentes e essa é a essência da independência“, afirmou.

    O economista também defendeu a permanência de Ilan Goldfajn como presidente do BC, dizendo que seria algo natural, mas acrescentou que essa possibilidade ainda não está definida.

    PREVIDÊNCIA

    Paulo Guedes aproveitou, ainda, para esclarecer declarações do futuro ministro da Casa Civil de Bolsonaro, Onyx Lorenzoni, que disse não ver necessidade de pressa para aprovar uma reforma da Previdência.

    “Vocês estão assustados porque é político falando de economia, é o mesmo que eu sair falando de política. Não vai dar certo“, disse.

    O indicado para liderar a economia no próximo governo reiterou que realizar a reforma da Previdência é uma prioridade, lembrando que controlar os gastos públicos é uma necessidade para o país. Segundo ele, será proposta a criação de um novo regime previdenciário no modelo da capitalização, mas também é necessário corrigir erros do regime atual.

    “Temos que controlar os gastos públicos, e o déficit está galopante... eu digo: aprovem a reforma da Previdência“, afirmou. “Nós vamos criar uma nova Previdência com regime de capitalização, mas tem um Previdência antiga que está aí e é preciso consertar e corrigir os problemas da atual. Nossa Previdência é um avião com cinco bombas a bordo a explodir a qualquer momento.“

    (Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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    Bolsonaro admite chance de manter Ilan Goldfajn no BC e defende fim da reeleição

    RIO DE JANEIRO (Reuters) - O candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, afirmou neste sábado que nem tudo do governo de Michel Temer é ruim e não descartou a possibilidade de manter o atual presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, caso seja eleito, além de defender o fim da reeleição presidencial.

    ”Não sei se ele vai ser mantido, mas o que está dando certo você tem que continuar e não vou dizer que tudo está errado no governo Temer“, disse Bolsonaro a jornalistas, acrescentando que a escolha para o BC será feita junto com o economista Paulo Guedes, seu escolhido para ser ministro da Fazenda.

    De acordo com reportagem da Bloomberg desta semana, Goldfajn vem se preparando para deixar o cargo no fim deste ano. O BC informou que não comentaria a notícia.

    Em entrevista no Rio de Janeiro, onde gravou programas para o horário eleitoral, Bolsonaro prometeu trabalhar por uma reforma política que promove o fim da reeleição e uma redução no quadro de parlamentares.

    “O que eu pretendo é fazer uma excelente reforma política, acabando com o instituto da reeleição, que começa comigo caso seja eleito, e reduzindo um pouco, em 15 ou 20 por cento, a quantidade de parlamentares“, disse ele.

    O candidato do PSL afirmou ainda que está quase definido que o astronauta Marcos Pontes será o ministro da Ciência e Tecnologia e que se for eleito vai tirar a pasta da Comunicação da Ciência e Tecnologia.

    Ao ser perguntado se a Comunicação poderia se fundir com a Educação, ele disse que essa poderia ser uma boa ideia.

    Sobre a denúncia de que empresários teriam se mobilizado para uma onda de mensagens em redes sociais em seu favor e contra o petista Fernando Haddad, Bolsonaro afirmou que “não tem nada a ver com isso“.

    “Eu não preciso de fake news”, disse.

    O presidenciável reiterou sua admiração pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Ele quer a América grande e nós também queremos o Brasil. Ele reduziu carga de impostos e muitos criticaram mas isso gerou emprego”, afirmou Bolsonaro.

    “Eu gosto muito dele e nunca neguei, ou querem que eu admire o (presidente venezuelano, Nicolás) Maduro ou governo cubano“, questionou o candidato do PSL.

    (Por Rodrigo Viga Gaier)

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    Dólar futuro aprofunda alta ante real após notícia de saída de Ilan no fim do ano

    Por Claudia Violante

    SÃO PAULO (Reuters) - A notícia de que o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, estaria se preparando para deixar a instituição até o final do ano acabou pressionando o dólar nos minutos finais da sessão.

    A moeda norte-americana aprofundou a alta com que já trabalhava desde mais cedo e terminou acima de 1 por cento de valorização no mercado à vista, movimento que se estendeu pontualmente no dólar futuro, que continua sendo negociado após o pregão.

    A notícia, veiculada pela Bloomberg, pegou alguns investidores de surpresa, sobretudo pelo 'timing' em que ocorreu, no meio de um processo eleitoral bastante polarizado.

    'Achei ruim pelo momento, traz um ruído desnecessário', comentou um profissional da mesa de derivativos de uma instituição local.

    Ilan Goldfajn goza de muita credibilidade junto ao mercado financeiro, depois de uma gestão que conseguiu conter a alta da inflação e ancorar as expectativas dos agentes, até o momento.

    'Ele está fazendo uma ótima presidência no BC e é claro que o mercado gostaria que ele ficasse. Mas o mercado tem confiança no Paulo Guedes, acho que foi um susto inicial', acrescentou o diretor de operações da Mirae, Pablo Spyer.

    Assessor econômico do candidato Jair Bolsonaro (PSL) --que lidera a disputa à Presidência da República--, Paulo Guedes é o principal responsável pelo apoio que o ex-capitão tem recebido do mercado financeiro. Liberal, ele é responsável pelas propostas que passam pelo ajuste do estado e reformas fiscais.

    'Sem ele no BC, um dos sonhos não vai acontecer... o novo governo ficar com Ilan e toda a diretoria, mesmo que num prazo combinado', acrescentou o economista do banco Fator José Francisco de Lima Gonçalves.

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    Condições financeiras em mercados emergentes estão se apertando, diz presidente do BC brasileiro

    (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, avaliou que o crescimento global tornou-se mais desigual e as condições financeiras nos mercados emergentes mais apertadas, com um quadro geral ainda benigno, mas que requer uma visão 'mais cautelosa'.

    Em discurso preparado para a plenária do Comitê Monetário e Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês) em Bali, na Indonésia, Ilan apontou que, com a normalização das condições monetárias nos Estados Unidos, o sentimento do mercado provavelmente ficará mais nervoso durante um período de transição, em direção a um menor apetite ao risco.

    'Condições financeiras mais apertadas e surtos de volatilidade devem ser esperados durante essa mudança para um novo equilíbrio', disse ele, segundo documento divulgado nesta sexta-feira pelo BC.

    Ilan também afirmou que as tensões comerciais vigentes alimentam-se da descrença na globalização e podem levar a um menor equilíbrio de crescimento, uma vez que a economia global perde eficiência.

    Segundo o presidente do BC, a materialização desses riscos pode levar a uma deterioração nas condições financeiras globais, razão pela qual o Fundo Monetário Internacional (FMI) deve estar bem financiado e preparado para enfrentar a volatilidade internacional. Nesse sentido, Ilan fez um apelo para a comunidade internacional para garantir o financiamento ao FMI através da revisão geral de cotas.

    Sobre o Brasil, Ilan reiterou mensagem que já havia divulgado na véspera, de que o país está bem posicionado para resistir a choques em sua economia, citando um robusto balanço de pagamentos, regime de câmbio flutuante, nível adequado de reservas, inflação em níveis baixos e expectativas de inflação bem ancoradas.

    (Por Marcela Ayres, em Brasília)

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    Economia brasileira está bem posicionada para resistir a choques, diz Ilan

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil está bem posicionado para resistir a choques em sua economia e repetiu a mensagem de que os juros básicos só subirão se houver piora no balanço de riscos e nas expectativas de inflação.

    Em apontamentos no âmbito de sua participação em encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Bali, na Indonésia, Ilan destacou que o quadro global permanece desafiador para economias emergentes, com riscos associados à normalização monetária em economias avançadas e incertezas sobre o comércio global.

    Mas ponderou que o país está preparado para lidar com eventuais choques, citando um robusto balanço de pagamentos, regime de câmbio flutuante, nível adequado de reservas, inflação em níveis baixos e expectativas de inflação bem ancoradas.

    Ilan também chamou atenção para o fato de a fatia dos investidores estrangeiros na dívida mobiliária interna responder por cerca de 12 por cento do total, abaixo da média de 22,7 por cento de economias emergentes no G20, segundo o FMI.

    Segundo Ilan, este seria outro colchão da economia brasileira, somando-se às reservas internacionais, que no caso brasileiro excedem 380 bilhões de dólares, cerca de 20 por cento do Produto Interno Bruto (PIB).

    Em relação à política monetária, o presidente do BC reiterou que os juros básicos só subirão e de modo gradual se houver piora no quadro que segue avaliando.

    'As condições econômicas ainda prescrevem a adoção de uma política monetária estimulativa, com taxa de juros abaixo do nível estrutural', disse.

    'O estímulo começará a ser removido gradualmente se o cenário para a inflação no horizonte relevante para condução da política monetária e/ou o balanço de riscos piorarem', completou.

    A mensagem é a mesma desde meados de setembro, quando o BC manteve a Selic na mínima histórica de 6,5 por cento, tendo como pano de fundo um balanço de riscos assimétrico, com riscos altistas para a inflação que haviam se elevado.

    Reagindo às incertezas eleitorais, o dólar vinha então mostrando forte alta, chegando a flertar com o patamar de 4,20 reais. De lá para cá, contudo, a moeda norte-americana caiu, embalada pelas expectativas do mercado quanto à vitória de Jair Bolsonaro (PSL) na corrida ao Palácio do Planalto.

    Após outras candidaturas de centro e de direita não ganharem tração na disputa, o capitão da reserva passou a ser visto como o candidato reformista, com uma agenda de austeridade fiscal, privatizações e reformas. Nas últimas quatro semanas, o dólar acumula queda de 9,31 por cento, fechando esta sessão a 3,7788 reais na venda.

    Em seus apontamentos, Ilan afirmou que o 'decisivo passo de reformar o sistema previdenciário ainda precisa ser tomado'. Também afirmou que o cenário financeiro mais adverso no mundo reforça a necessidade de o país prosseguir no caminho de reformas e ajustes para garantir sustentabilidade fiscal e maior crescimento.

    Sobre a inflação, Ilan avaliou que o avanço de preços na economia segue bem comportado e que as expectativas de inflação continuam próximas às metas estabelecidas pelo governo.

    De acordo com pesquisa Focus mais recente, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, as projeções seguem sendo de que a Selic terminará este ano a 6,5 por cento e 2019 a 8 por cento.

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    Mensagem de política monetária do BC é a mesma, juros sobem se quadro piorar, diz Ilan

    Por Marcela Ayres

    BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou nesta quinta-feira que a mensagem de política monetária do BC não mudou, mantendo em aberto a possibilidade de elevar a taxa básica de juros à frente caso veja piora no cenário para a inflação, além de esquivar-se de comentar diretamente os desdobramentos políticos e suas eventuais implicações.

    Em coletiva de imprensa, Ilan ressaltou que a mensagem de política monetária mantém-se a mesma do comunicado do Comitê de Política Monetária da semana passada, quando manteve os juros na mínima histórica de 6,5 por cento, tendo como pano de fundo um balanço de riscos assimétrico, com riscos altistas para a inflação que se elevaram.

    'O Comitê entendeu que a política monetária deveria continuar sendo estimulativa na última reunião do Copom. Agora esse estímulo começará a ser removido gradualmente caso o cenário para a inflação apresente piora', disse Ilan.

    Na última pesquisa Focus do BC, feita pelo BC junto a uma centena de economistas, as projeções ainda são de que a Selic seguirá em 6,5 por cento até o final do ano, subindo a 8 por cento em 2019.

    Já no mercado futuro de juros, a curva a termo passou a precificar nesta manhã apostas majoritárias de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em outubro, com 55 por cento do total, e o restante indicando avanço de 0,50 ponto percentual, segundo operadores. Na véspera, 60 por cento das apostas eram de alta de 0,50 ponto e o restante, de 0,25 ponto.

    De um lado, Ilan apontou que a capacidade ociosa hoje existente pode surpreender e levar à uma inflação mais baixa. No entanto, ressaltou que há dois riscos para os quais o BC já vê aumento: a frustração sobre a continuidade das reformas e ajustes e um cenário internacional mais incerto, especialmente para países emergentes.

    'Temos comunicado que os riscos altistas para a inflação se elevaram e portanto isso tornou o balanço de riscos assimétrico', disse.

    O presidente do BC enfatizou que as mudanças estruturais na economia são essenciais para manutenção da inflação baixa no médio e longo prazo e para recuperação da atividade. As preocupações com o comprometimento do próximo presidente eleito em tocar essa agenda têm injetado volatilidade nos mercados, ajudando a impulsionar a alta do dólar frente ao real.

    Sobre a política do BC em relação ao câmbio, Ilan também disse que nada mudou e que a autoridade monetária seguirá monitorando os mercados para identificar eventual excesso de volatilidade.

    Ilan reiterou a importância de manter as expectativas de inflação ancoradas, apontando que este é trabalho e objetivo do Copom. 'Isso é importante para poder lidar com os choques, o repasse cambial também depende de as expectativas estarem ancoradas ou não', disse.

    'Ponto importante é mensagem de que repasse cambial é objeto que pode mudar ao longo do tempo e é algo que tem que ser acompanhado, como o Copom tem comunicado', acrescentou o diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana, também presente na coletiva.

    No Relatório Trimestral de Inflação, publicado mais cedo nesta manhã, o BC destacou que o grau de repasse cambial ao aumento de preços na economia tende a ser atenuado pela ancoragem das expectativas de inflação, atividade econômica fraca e ociosidade das empresas, reforçando que a escalada do dólar frente ao real será analisada a fundo antes de motivar eventual elevação nos juros básicos.

    FUTURO NO BC

    Bastante questionado a respeito do cenário político e sua influência para a política monetária e sobre eventual permanência no comando do BC no próximo governo, Ilan ponderou que a instituição é apartidária e que quer ser neutra para o país.

    'Isso não me permite entrar nessas considerações sobre campanhas, convites. Vou continuar na mesma linha de não comentar', afirmou.

    Ilan também falou que não se manifestaria sobre qualquer proposta dos candidatos à Presidência, pois não queria o BC se posicionando a favor ou contra.

    'Agora, quando a gente diz que precisa de reformas fiscais e precisa de reformas de produtividade, isso não é novo e continuamos achando que isso vai ajudar o BC', afirmou.

    Sobre as reuniões das quais participou com assessores econômicos dos principais presidenciáveis, Ilan afirmou que não foram firmados compromissos. Segundo o presidente do BC, os encontros foram importantes 'para pensar na transição'.

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