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    IPCA tem alta mais fraca para dezembro em 24 anos e inflação termina 2018 abaixo do centro da meta

    Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial brasileira registrou em dezembro o nível mais baixo para o mês em 24 anos, apesar da pressão dos preços de alimentos, e terminou 2018 abaixo do centro da meta oficial, corroborando o cenário de que o Banco Central levará tempo para elevar os juros básicos.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou em 2018 alta de 3,75 por cento, depois de ter subido no ano anterior 2,95 por cento, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Assim, a inflação do país terminou o ano abaixo do centro da meta do governo de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, em meio a um cenário de atividade econômica sem fôlego, desemprego alto e demanda fraca. A expectativa em pesquisa da Reuters era de alta de 3,70 por cento.

    É o segundo ano seguido em que isso acontece depois de ter ficado em 2017 abaixo do piso pela primeira vez desde que o regime de metas de inflação foi definido, em 1999. Também é o terceiro ano seguido que o IPCA fica dentro do intervalo definido como objetivo.

    'A inflação em 2018 poderia ter sido menor se não fosse a greve dos caminhoneiros (em maio), visto que a paralisação afetou a oferta de alimentos e de combustíveis', afirmou o economista do IBGE Fernando Gonçalves.

    Para 2019, o governo determinou como meta inflação de 4,25 por cento, mantendo a margem de tolerância em 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    Em dezembro, o IPCA avançou 0,15 por cento, depois de queda de 0,21 por cento em novembro e projeção na pesquisa da Reuters com analistas de alta de 0,13 por cento. Esse é o resultado mais fraco para o mês desde o início do Plano Real, em 1994.

    No último mês do ano a pressão veio principalmente do grupo Alimentação e bebidas, que passou a subir 0,44 por cento depois de alta de 0,39 por cento em novembro e foi responsável por quase 3/4 do índice de dezembro.

    Os principais impactos vieram dos alimentos para consumo em casa, cujos preços aceleraram a alta a 0,50 por cento em dezembro de 0,34 por cento antes.

    Na outra ponta, Transportes registrou deflação de 0,54 por cento, com destaque para a queda de 4,25 por cento de combustíveis. Habitação também registrou queda no mês, de 0,15 por cento.

    2018

    No ano, o destaque também ficou para Alimentação e Bebidas, com uma alta acumulada de 4,04 por cento, depois de ter recuado 1,87 por cento em 2017.

    Também cabe mencionar os avanços de 4,72 por cento de Habitação e de 4,19 por cento de Transportes. Juntos, esses três grupos foram responsáveis por 66 por cento do IPCA de 2018.

    No ano passado, os preços de serviços apresentaram menor pressão ao subirem 3,36 por cento, após avançarem 4,51 por cento no acumulado de 2017. Esse é o nível mais baixo desde que a inflação de serviços começou a ser medida em 2012.

    'O nível de serviços baixo em 2018 tem a ver com a atividade econômica e menor demanda. A renda das famílias foi destinada para bens essenciais como alimentos e transportes, além de habitação', explicou Gonçalves.

    A persistência do nível fraco de inflação em meio a uma retomada econômica que segue sem fôlego expressivo favorece a perspectiva apontada pelo BC de que o início do aperto monetário está distante.

    A pesquisa Focus que o BC realiza semanalmente com mais de 100 economistas mostra que a expectativa é de que a Selic seja mantida no atual patamar de 6,5 por cento na primeira reunião deste ano, em 5 e 6 de fevereiro, terminando 2019 a 7,0 por cento.

    Para o analista de inflação da consultoria Tendências, Marcio Milan, a inflação deve acelerar ligeiramente a 4,1 por cento em 2019, como reflexo de uma esperada recuperação da economia e do mercado de trabalho, o que tende a favorecer a demanda.

    'Mas nada muito diferente do que vimos em 2018. Essa aceleração deve ser pautada por uma reação dos preços livres, e em contrapartida espera-se alta menor dos preços administrados, como energia e combustível', disse ele.

    No Focus, a estimativa é de uma inflação de 4,01 por cento em 2019, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 2,53 por cento, depois de ter expandido 1,30 por cento no ano passado.

    O presidente do BC, Ilan Goldfajn, passará o bastão em breve para Roberto Campos Neto, indicado pelo governo de Jair Bolsonaro para o comando da autoridade monetária e que será ainda sabatinado pelo Congresso.

    Veja detalhes na variação mensal (%):

    Grupo Novembro Dezembro 2018

    Índice Geral -0,21 +0,15 +3,75

    Alimentação e Bebidas +0,39 +0,44 +4,04

    Habitação -0,71 -0,15 +4,72

    Artigos de Residência +0,48 +0,57 +3,74

    Vestuário -0,43 +1,14 +0,61

    Transportes -0,74 -0,54 +4,19

    Saúde e Cuidados Pessoais -0,71 +0,32 +3,95

    Despesas Pessoais +0,36 +0,29 +2,98

    Educação +0,04 +0,21 +5,32

    Comunicação -0,07 +0,01 -0,09

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    Gasolina e energia recuam e IPCA cai 0,21% em novembro, maior deflação para o mês em 24 anos

    Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil registrou a maior deflação para o mês de novembro em 24 anos graças à queda dos preços principalmente de Habitação e Transportes e caminha para encerrar o ano com a inflação abaixo do centro da meta, favorecendo a visão de que o Banco Central deve demorar para elevar os juros.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve em novembro queda de 0,21 por cento, ante alta de 0,45 por cento no mês anterior, de acordo com os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Trata-se da maior queda do indicador desde junho de 2017 (-0,23 por cento), e a menor taxa para um mês de novembro desde a implantação do Plano Real, em 1994. O recuo também foi mais acentuado do que a expectativa mediana na pesquisa da Reuters com especialistas de queda de 0,10 por cento.

    No acumulado em 12 meses até novembro, o IPCA tem alta de 4,05 por cento, resultado mais fraco desde maio, ante avanço de 4,56 por cento em 12 meses até outubro. Com isso, o índice recuou abaixo do centro da meta de inflação --de 4,50 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    Os analistas consultados na pesquisa da Reuters esperavam alta de 4,19 por cento em 12 meses, na mediana das projeções.

    'Para ficar no centro da meta, o IPCA de dezembro teria que ficar em 0,88 por cento --uma taxa fora do padrão dos últimos dois anos. Para dezembro não há pressões tão intensas previstas', disse o gerente da pesquisa no IBGE, Fernando Gonçalves.

    Neste final de ano, o alívio nos preços de combustíveis e das tarifas de eletricidade aliadas ao desemprego ainda alto e atividade ainda em ritmo fraco favorecem a manutenção do cenário de pressões inflacionárias contidas.

    O destaque em novembro ficou para as queda de 0,74 por cento de Transportes e de 0,71 por cento de Habitação, após altas respectivamente de 0,92 e 0,14 por cento no mês anterior.

    O recuo de 2,42 por cento nos preços dos combustíveis deu a maior contribuição para o resultado de Transportes, com a gasolina ficando em média 3,07 por cento mais barata.

    A Petrobras reduziu ao longo de novembro o preço médio da gasolina nas refinarias em quase 20 por cento, para 1,5007 real por litro, refletindo o tombo do petróleo no mercado internacional.

    Em Habitação, a energia elétrica, com queda de 4,04 por cento, deu a maior contribuição negativa no IPCA de novembro, com a entrada em vigor a partir de 1º de novembro da bandeira tarifária amarela, o que significa redução de custos para os consumidores frente aos cinco meses anteriores.

    Na outra ponta, Alimentação e Bebidas exerceu a maior pressão de alta, embora o avanço tenha desacelerado a 0,39 por cento, de 0,59 por cento em outubro.

    'A alimentação impediu uma queda mais forte em novembro por conta de tomate, batata, cebola e hortaliças. Questões climáticas afetaram a oferta desses produtos', disse Gonçalves.

    O BC volta a se reunir na próxima semana para discutir a taxa básica de juros, já tendo indicado que não há urgência para elevar a Selic.

    A expectativa no mercado é de manutenção da Selic no atual patamar de 6,5 por cento, com a pesquisa Focus do BC mostrando que em 2019 ela deve terminar a 7,75 por cento. O levantamento mostra ainda que os economistas veem o IPCA encerrando este ano com alta de 3,89 por cento.

    No próximo ano o BC passará a ser comandado por Roberto Campos Neto, indicado pelo governo Bolsonaro para substituir Ilan Goldfajn.

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    IPCA sobe 0,45% e tem maior taxa para outubro em 3 anos, mas abaixo do esperado

    Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial no Brasil foi pressionada pela alta de alimentos e transportes e registrou em outubro a maior taxa para o período em três anos, permanecendo pelo segundo mês seguido acima do centro da meta no acumulado em 12 meses.

    O movimento, entretanto, ficou abaixo do esperado e tende a perder força, mantendo o Banco Central confortável em sua indicação de que não há urgência para elevar os juros.

    Em outubro, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,45 por cento, ante 0,48 por cento em setembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira.

    O resultado é o mais elevado para o mês desde os 0,82 por cento registrados em 2015, mas ficou aquém da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,55 por cento.

    Em 12 meses, o IPCA chegou a 4,56 por cento, de 4,53 por cento no mês anterior, permanecendo pouco acima do centro da meta de inflação --de 4,50 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    Os analistas consultados na pesquisa da Reuters esperavam alta de 4,66 por cento em 12 meses, na mediana das projeções.

    As pressões inflacionárias permanecem confortáveis, com o nível alto de desemprego e atividade fraca contendo avanços mais fortes, além de expectativas de alívio nos preços de combustíveis e tarifas de eletricidade em novembro.

    'O mercado de trabalho ainda não tem força necessária para se falar em pressão de demanda no país. O nível de desemprego ainda está elevado e as pessoas não tem a mesma segurança para consumir', disse o gerente da pesquisa no IBGE, Fernando Gonçalves.

    Em outubro, os maiores impactos foram exercidos pelos grupos Alimentação e bebidas e Transportes, que juntos responderam por 70 por cento do índice do mês.

    Os preços de alimentação subiram 0,59 por cento em outubro depois de alta de 0,10 por cento em setembro, pressionados principalmente pelo aumento de 0,91 por cento da alimentação no domicílio.

    Já os Transportes registraram a maior alta no mês, de 0,92 por cento, mas mostraram alívio diante do avanço de 1,69 por cento visto em setembro.

    O destaque pelo segundo mês seguido foram os combustíveis, que subiram 2,44 por cento, mas todos os itens apresentaram pressão menor de um mês para outro --etanol (de 5,42 por cento para 4,07 por cento), óleo diesel (de 6,91 por cento para 2,45 por cento), gasolina (de 3,94 por cento para 2,18 por cento) e gás veicular (de 0,85 por cento para 0,06 por cento).

    'Ainda que os transportes tenham pesado bastante, os combustíveis ajudaram na pequena desaceleração do IPCA', explicou Gonçalves.

    Em novembro, os preços devem mostrar ainda mais alívio com a entrada em vigor de bandeira tarifária amarela nas contas de luz, com redução de custos para os consumidores frente aos cinco meses anteriores.

    Também ajudará a conter a inflação a decisão da Petrobras de reduzir o preço médio da gasolina nas refinarias em 6,20 por cento desde 31 de outubro, no maior corte já feito pela estatal desde o anúncio de uma política de reajustes diários do combustível.

    O BC manteve na semana passada a taxa básica de juros Selic em seu piso histórico de 6,5 por cento e avaliou que houve alguma melhora em seu balanço de riscos, corroborando apostas de que não subirá a Selic tão cedo.

    Na ata desse encontro, afirmou que a inflação acumulada em 12 meses deve se elevar até atingir um pico por volta do segundo trimestre de 2019, recuando então em direção à meta ao longo do próximo ano.

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    IPCA sobe 0,48% em setembro e supera centro da meta em 12 meses pela 1ª vez em 1 ano e meio

    Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Os preços de combustíveis e alimentos pressionaram em setembro e a inflação oficial no Brasil voltou a superar o centro da meta oficial em 12 meses pela primeira vez em um ano e meio, embora isso não deva pressionar o Banco Central a elevar a taxa básica de juros diante do desemprego elevado e da recuperação econômica lenta.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,48 por cento em setembro depois de variação negativa de 0,09 por cento em agosto, segundo os dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

    Essa é a leitura mais alta para o mês de setembro desde 2015 (+0,54 por cento) e ficou acima da expectativa em pesquisa da Reuters de alta de 0,41 por cento.

    Com isso, a inflação acumulada em 12 meses acelerou a 4,53 por cento, de 4,19 por cento até agosto e estimativa de 4,45 por cento.

    O resultado é o mais elevado desde os 4,57 por cento registrados em março de 2017 e também superou o centro da meta de inflação --de 4,50 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos-- pela primeira vez desde a mesma data.

    'No início do ano, ficar abaixo do centro da meta parecia claro. Agora estamos num momento de incerteza e de eleição que pressiona os preços. Temos que ver os últimos três meses do ano', disse à Reuters o economista do IBGE Fernando Gonçalves.

    'Ao longo dos últimos meses emergiram pressões como safra menor, greve de caminhoneiros, dólar mais alto e combustíveis mais caros. A alta está dentro da dinâmica esperada', completou.

    Os principais impactos para o resultado de setembro do IPCA em setembro vieram dos grupos Alimentação e bebidas e Transportes, que representam cerca de 43 por cento das despesas das famílias.

    Ao subir 1,69 por cento, Transportes apresentou a maior variação no mês, após queda de 1,22 por cento em agosto, registrando a maior alta para um mês de setembro desde o início do Plano Real em 1994.

    O principal responsável por isso foram os combustíveis, que subiram 4,18 por cento em setembro após deflação de 1,86 por cento em agosto. No mês, a gasolina subiu 3,94 por cento, o etanol avançou 5,42 por cento e óleo diesel teve alta de 6,91 por cento.

    Já os preços de Alimentação e bebidas passaram a avançar 0,10 por cento em setembro após dois meses de quedas. Enquanto a alimentação no domicílio ficou estável, a alimentação fora subiu 0,29 por cento.

    Apesar da alta vista no mês passado no IPCA, o desemprego elevado diante de uma economia que encontra dificuldades para engatar vem contendo a demanda e refreando a inflação, mesmo diante da recente desvalorização do real.

    O BC vem afirmando que o grau de repasse cambial ao aumento de preços tende a ser atenuado pela ancoragem das expectativas de inflação, atividade econômica fraca e ociosidade das empresas, e que só reagirá com alta dos juros caso veja piora no cenário para a inflação.

    Em sua última reunião de política monetária, o BC manteve a taxa básica de juros em 6,5 por cento.

    Veja detalhes na variação mensal (%):

    Grupo Agosto Setembro

    Índice Geral -0,09 +0,48

    Alimentação e Bebidas -0,34 +0,10

    Habitação +0,44 +0,37

    Artigos de Residência +0,56 +0,11

    Vestuário +0,19 -0,02

    Transportes -1,22 +1,69

    Saúde e Cuidados Pessoais +0,53 +0,28

    Despesas Pessoais +0,36 +0,38

    Educação +0,25 +0,24

    Comunicação +0,03 -0,07

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    Placeholder - loading - Imagem da notícia IPCA tem deflação de 0,09% em agosto por alimentos e transportes

    IPCA tem deflação de 0,09% em agosto por alimentos e transportes

    Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - O Brasil voltou a registrar deflação pela primeira vez em pouco mais de ano diante da queda de preços em alimentos e transportes em agosto, resultado mais fraco que esperado em meio à lentidão da atividade econômica, ajudando o Banco Central a continuar sem pressa para subir os juros básicos.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,09 por cento em agosto, depois de subir 0,33 por cento no mês anterior, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira .

    Esse foi o resultado mais fraco para o índice desde a queda de 0,23 por cento vista em junho de 2017 e ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters com analistas de estabilidade no mês. Também é a menor taxa para agosto desde 1998, quando a queda foi de 0,51 por cento. [nL2N1VP0GG]

    Com isso, o acumulado em 12 meses enfraqueceu ainda mais, indo a 4,19 por cento até agosto, sobre 4,48 por cento em julho e projeção de 4,30 por cento. Ao chegar ao patamar mais baixo desde maio (2,86 por cento), o IPCA voltou a se afastar do centro da meta de inflação, de 4,50 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

    'Há um problema de demanda no mercado interno e as famílias ainda estão endividadas, o desemprego se mantém alto, há um grande número de desalentados. Então, há receio e cautela em gastar', explicou o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves.

    Os dados do IBGE mostraram que o principal impacto no mês veio da queda de 1,22 por cento do grupo Transportes, pressionado principalmente pelo recuo de 26,12 por cento nos preços das passagens aéreas. Os combustíveis também caíram, 1,86 por cento, com destaque para o etanol (-4,69 por cento) e a gasolina (-1,45 por cento).

    Os preços de Alimentação recuaram 0,34 por cento, sendo que os alimentos para consumo no domicílio ampliaram a deflação para 0,72 por cento em agosto, de 0,59 por cento em julho.

    A alta nos preços das tarifas elétricas perdeu bastante força no mês passado, a 0,96 por cento, contra avanço de 5,33 por cento em julho, depois que a ausência de chuvas levou reguladores a manter elevada a tarifa de energia elétrica. Mesmo assim, segundo o IBGE, a energia elétrica foi o maior impacto individual positivo no IPCA (0,04 ponto percentual).

    Com isso a alta do grupo Habitação diminuiu a 0,44 por cento em agosto, de 1,54 por cento no mês anterior.

    Diante das expectativas sob controle, o BC vem sugerindo que não deve elevar a taxa básica de juros por enquanto, em um momento de atividade econômica fraca e desemprego alto.

    A Selic está na mínima histórica de 6,50 por cento, e a expectativa é de que termine o ano neste patamar mesmo diante da recente valorização do dólar para acima de 4 reais.

    Veja detalhes na variação mensal (%):

    Grupo Julho Agosto

    Índice Geral +0,33 -0,09

    Alimentação e Bebidas -0,12 -0,34

    Habitação +1,54 +0,44

    Artigos de Residência +0,47 +0,56

    Vestuário -0,60 +0,19

    Transportes +0,49 -1,22

    Saúde e Cuidados Pessoais +0,07 +0,53

    Despesas Pessoais +0,31 +0,36

    Educação -0,08 +0,25

    Comunicação +0,08 +0,03

    (Edição de Patrícia Duarte)

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    IPCA desacelera em julho com queda dos alimentos após impacto de greve dos caminhoneiros

    Por Rodrigo Viga Gaier e Patrícia Duarte

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 8 Ago (Reuters) - A inflação oficial no Brasil desacelerou em julho pela primeira vez em dois meses, com perda de força da pressão provocada pela greve dos caminhoneiros, o que ajudará o Banco Central a não ter de mexer na taxa básica de juros tão cedo.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,33 por cento no mês passado, após alta de 1,26 por cento em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira. Ainda assim, foi o maior avanço para julho desde 2016 (+0,52 por cento).

    Em 12 meses, o indicador acumulou avanço de 4,48 por cento, praticamente no centro da meta de inflação, de 4,50 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos. O IPCA-15 de julho, prévia do IPCA, havia superado essa marca pela primeira vez em mais de um ano.

    A desaceleração do IPCA mensal já era esperada, mas foi menos intensa do que as projeções de analistas ouvidos pela Reuters, de alta mensal de 0,27 por cento e de 4,40 por cento em 12 meses.

    'O IPCA tem a ver principalmente com o fim do efeito da greve dos caminhoneiros. Ao longo do mês houve um aumento na oferta de produtos agrícolas, seja por ser o momento da safra seja pela normalização da distribuição dos produtos afetados pela greve', explicou o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves.

    No fim de maio, caminhoneiros bloquearam rodovias do país em protesto contra a alta do preço do diesel, forçando fazendeiros a abater aves e descartar leite, além de causar desabastecimentos de diversos produtos.

    Segundo o IBGE, o grupo Alimentação e Bebidas teve deflação de 0,12 por cento em julho, após marcar a maior alta dos últimos 29 meses em junho (2,03 por cento). Um dos destaques ficou para a cebola, cujos preços caíram 33,50 por cento em julho, frente alta de 1,42 por cento no mês anterior.

    A alta dos preços de Habitação (1,54 por cento) e Transportes (0,49 por cento) desacelerou de junho para julho, mas os dois grupos foram os que mais contribuíram na composição do índice.

    O destaque ficou para o item energia elétrica, cujos preços saltaram 5,33 por cento no mês passado, apesar de terem ficado mais fracos do que junho (+7,93 por cento). A continuidade da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 2, no geral, continuou pesando.

    Na semana passada, o BC deixou a Selic na mínima de 6,50 por cento pela terceira reunião seguida e sugeriu que não deve elevá-la por enquanto, citando as expectativas de inflação sob controle

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    Alimentos disparam com greve e IPCA tem maior alta para junho desde 1995

    Por Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

    RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A inflação oficial no Brasil atingiu em junho o pico no ano e o maior nível em mais de duas décadas para o mês por conta da disparada dos preços dos alimentos e dos combustíveis após a greve dos caminhoneiros e da pressão da energia elétrica, aproximando-se do centro da meta em 12 meses.

    O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) saltou no mês passado 1,26 por cento, contra alta de 0,40 por cento em maio, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira.

    É a maior alta para junho desde 1995 (2,26 por cento) e também o maior avanço considerando todos os meses desde janeiro de 2016 (1,27 por cento).

    Em 12 meses, o IPCA atingiu 4,39 por cento até junho, contra 2,86 por cento em maio, patamar mais elevado desde março de 2017 (4,57 por cento). Com isso, o índice volta a superar o piso da meta oficial, de 4,5 por cento pelo IPCA com margem de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

    Os dados ficaram em linha com as expectativas em pesquisa da Reuters com analistas de avanço de 1,28 por cento na comparação mensal e de 4,42 por cento em 12 meses.

    A paralisação dos caminhoneiros no final de maio afetou o abastecimento de alimentos, combustíveis e outros insumos em todo do país no final de maio, elevando os preços.

    Com o problema no abastecimento, tivemos uma escassez de produtos que provocou uma onda de altas. Percebemos que depois da greve os preços voltaram mais altos do que estavam, mas ao longo do mês começaram a ceder , afirmou o economista do IBGE Fernando Gonçalves.

    O IBGE informou que as altas nos grupos Alimentação e bebidas, Habitação e Transportes, que concentram 60 por cento das despesas das famílias, foram responsáveis por 93 por cento do resultado do índice de junho.

    O avanço de 2,03 por cento nos preços de alimentos em junho, após 0,32 por cento em maio, foi o mais alto desde janeiro de 2016, impactado principalmente pelo aumento de 3,09 por cento nos preços dos alimentos para consumo no domicílio.

    A alta dos alimentos pela greve foi disseminada, Temos que aguardar para ver com fica no mês que vem e se esse efeito se esgotou , afirmou Gonçalves.

    Já o grupo Transportes subiu 1,58 por cento, também a taxa mais alta desde janeiro de 2016, com os avanços de 5 por cento da gasolina e de 4,22 por cento do etanol representando 21 por cento do IPCA do mês.

    A energia elétrica também pesou sobre o bolso do consumidor ao ficar 7,93 por cento mais cara em junho com a bandeira tarifária vermelha patamar 2, e representou o maior impacto individual no índice, levando o grupo Habitação a subir 2,48 por cento.

    A pressão sobre os preços provocada pela greve, entretanto, deve ficar restrita a maio e junho, em um ambiente no país de consumo ainda contido pelo desemprego alto, economia mais fraca que o esperado e incertezas relacionadas às eleições presidenciais.

    O Banco Central deixou claro na semana passada que vê a inflação perdendo força após junho, e com isso acabou reforçando visões de que não mexerá tão cedo na taxa básica de juros, hoje na mínima histórica de 6,50 por cento.

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